• Características básicas: Incubadora universitária criada por iniciativas dos alunos dos cursos de Adm. Pública e Adm. de empresas a partir de participação no Fórum Social Mundial de 2001. Está incluída na rede de incubadoras universitárias (ITCPs) e foi incubada pela ITCP da USP. Organiza-se de forma autogestionária.
• Formação de atuação / instrumentos utilizados: - Formação em cooperativismo
- Assessoria em gestão
- Incubação de empreendimentos autogestionários
• Principais pontos da reunião: realizada dia 11/12/2003 com três membros da Incubadora. Sobre a questão da Economia Solidária enquanto política pública, foi ressaltada que a Economia Solidária é um movimento, e políticas públicas são atos de governo. Logo, têm questões diferentes, tendo como convergência o objetivo de gerar trabalho e renda. Também foi dito que políticas públicas são um instrumental que se usa, sendo um conjunto de ações que foram colocadas na agenda, e sua implantação depende de quem a elabora. Colocou-se a seguinte questão: se tais políticas são compensatórias, pois têm alguns elementos dessa característica; ou se têm algo de transformação social. Se fosse o segundo caso, faltariam indicadores para mostrar sua efetividade. Entre as referências para a ação da incubadora, além da própria incubação da USP, contam também com um grupo de estudos, motivação e experiência pessoal dos integrantes do grupo, leitura de textos do Paulo Singer e Paulo Freire, além do apoio de dois professores da própria Fundação Getúlio Vargas. Para incubar os grupos existe uma parceria com a prefeitura de São Paulo, que repassa verbas para a incubação (segundo relatos, quase todos os casos de incubação contaram com esta parceria). O grupo entrevistado também ressaltou a importância da SENAES, para disseminação do que existe sobre Economia Solidária, dando visibilidade para tais experiências e promovendo um espaço institucionalizado - por exemplo, criando redes de empreendimentos. Porém, a
execução deveria ficar com as esferas subnacionais, pois a Economia Solidária é uma realidade mais local.
Sobre o significado de Economia Solidária, houve divergências: “A” lembrou dos socialistas utópicos e da crise da 2ª Revolução Industrial, colocando então como um movimento de lutas e não como um modo de produção em formação ; “B” fala que Economia Solidária significa criar capacidades, liberdades, auto-estima, na mesma linha proposta por Amartya Sem. Portanto, ela não é um movimento, o que existe são ilhas de empreendimentos autogestionários, sendo que o seu conceito está em formação; Já para “C” a proposta é de um modo de produção, desde que todas as unidades estejam organizadas de forma democrática e articuladas. Sobre o termo solidariedade, um deles afirmou que é um termo da moda, um chavão vazio; outro disse que significa reconhecer todos como indivíduos, ajuda mútua; o terceiro lembrou da questão da igualdade e respeito a todos.
Autogestão para eles significa controle democrático e propriedade de todos. Discutindo ainda os desafios para a viabilidade das ações de Economia Solidária, as questões colocadas foram: funcionar a rede de empreendimentos, capacitação técnica dos cooperados, assessorias e ações de apoio dos governos, leis favoráveis, educação para a autogestão e uma cultura autogestionária. Por fim, foi discutido o papel da universidade no contexto da Economia Solidária. Foi destacada a diferença existente entre o que ela é hoje e o que deveria ser, e reconhecido ser fundamental o seu papel, apesar de faltarem pesquisa e prática - tendo mais espaço o setor de extensão. Outro disse ainda que no geral a relação entre Economia Solidária e a universidade não é boa, que algumas incubadoras não praticam a autogestão, e há ainda um risco das “ITCPs serem um centro de estudos que age”. Por fim, colocou-se que os grupos de estudos podem aproximar mais a universidade da Economia Solidária e permitir alguma reflexão mais profunda, porém muitas incubadoras universitárias não têm esse espaço.
• Caso ilustrativo: Recifran (Cooperativa em formação de catadores e recicladores de lixo).
o Critérios de escolha: Entre os grupos incubados, este foi considerado o melhor estruturado - já com uma identidade de grupo formada e em processo de formalização.
o Dinâmica de grupo: realizada no dia 17/05/2004 Dados objetivos da cooperativa:
Tempo do grupo: 3 anos
Tempo da cooperativa: 2 anos e meio Tempo de incubação: idem
Periodicidade das assembléias: Todas as terças-feiras ou quando convocada. Cota-parte no valor de: não tem
Critério para repartir as sobras: Individual, o que cada um produzir. Valor médio mensal das retiradas: R$ 400,00
Número de pessoas da cooperativa: 80 pessoas (dado impreciso) Escolaridade média: ensino fundamental
Existem trabalhadores que não são sócios: não Principais pontos da dinâmica de grupo:
Por que a escolha pela cooperativa: os depoimentos foram variados: possibilidade de lucro maior; poder se organizar para valorizar o profissional; não sabia o que é, não enxergava bem uma cooperativa; eliminar o atravessador e ficar com tudo; estava sem opção; ter uma ocupação, uma categoria;
Relação entre o trabalho tradicional com chefe e o trabalho da cooperativa: O trabalho na cooperativa muda sim: (na empresa hierárquica) o patrão pega no pé; não tem humilhação; tem mais patrão na cooperativa, mas a diferença é boa, e você pode mudar o seu salário; em todo o lugar tem bastante trabalho; na firma as regras são impostas.
O que é autogestão e solidariedade: Sobre autogestão a maioria disse que não sabe; apenas um comentou que é um grupo que se reúne. Quanto à solidariedade, falaram que é sinônimo de amizade, ajuda, companheirismo.
Apoios e problemas encontrados:
Entre os problemas, discutiram sobre o medo de experimentar novas idéias; não ter autonomia individual, precisar sempre do grupo; falta ação dos cooperados, que esperam a coordenação; mais participação; falta de verba; medo de dar idéias perante o grupo; medo de perder o dinheiro.
Sobre os apoios, falaram da esteira e prensa que conseguiram; de aprenderem como administrar seu dinheiro, e como gastá-lo; trabalhar com as pessoas.
Condição de agente-sujeito da cooperativa: neste ponto pouco foi dito - apenas que são agentes no sentido de que um voto é uma parte da cooperativa, e que se são sócios, são donos também.