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DÖRDÜNCÜ BÖLÜM

5. SULUBOYA RESİM TEKNİĞİNİ TERCİH EDEN YAŞAYAN VE AKTİF OLAN SANATÇILARIMIZ

5.2 Asuman ve Atanur Doğan

A cada vez que adentrava ao mundo de Warcraft a partir do meu campo de estudo, automaticamente aproveitava para treinar as habilidades que começara a adquirir após me integrar ao ambiente da lan house, utilizando ao mesmo tempo várias plataformas sociais, checando emails, conversando com amigos em janelas no MSN e jogando o próprio World of Warcraft, práticas adquiridas devido à convivência com aquele grupo de jogadores em específico. Além da clara apreensão dessa prática de múltipla conexão a plataformas, era comum o acúmulo de conhecimentos ligados ao universo de jogo estudado, principalmente, no meu caso de inexperiência com os rumos a serem tomados, no que diz respeito a formas de evolução de personagem.

Ao adentrar o mundo virtual em uma de minhas visitas rotineiras, fui logo indagado pelos colegas que se faziam presentes na lan house acerca do por que estar ainda em uma zona de baixa experiência. Como visto anteriormente, a geografia do mundo virtual é dividida em três continentes principais, cada um com várias áreas menores, como se fossem diferentes países, sendo que cada área apresenta um nível próprio de dificuldade (quests mais difíceis, mobs mais poderosos, etc.), assim, ainda que não haja uma proibição de movimentação que restrinja o acesso direto de personagens de baixo nível a áreas mais difíceis, o fato dele poder ser morto facilmente por qualquer criatura que o encontre é um fator bastante sério a ser considerado ao entrar em novos territórios. No meu caso, segundo os outros jogadores, eu já deveria ter migrado para uma área mais distante daquela, que ofereceria maiores perigos mas também maiores recompensas em experiência. Seguindo o conselho de meus visinhos de tela, parti com Beduino em direção a outras terras, na busca de maiores desafios que me permitissem evoluí-lo mais rapidamente, o que de fato se mostrou bastante proveitoso.

Da mesma forma, quando algumas tentativas de completar quests eram constantemente frustradas pela existência de vários bugs42 no servidor, o que me fazia perder bastante tempo na tentativa de realizar objetivos que estavam fora de alcance em decorrência desse tipo de erro de programação, comecei a ser

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Bugs são erros de programação que impedem a realização correta de determinadas ações de programas. No caso da plataforma estudada, os bugs são muitas vezes responsáveis pelo impedimento da concretização de tarefas necessárias a acontecimentos importantes, como por exemplo, a indisponibilidade de itens ou inexistência de mobs necessários para a realização de quests.

prontamente alertado pelos companheiros de quais áreas e quests do mundo estavam com esse tipo de erro e, consequentemente, tive meu trabalho reduzido por não aceitar missões impossíveis de serem cumpridas.

Outro ponto interessante no decorrer do tempo em que jogava era observar as conversas que ocorriam entre os membros da guilda da qual agora fazia parte. Embora a maior parte das conversas naquele canal de chat fosse em relação à convocação de membros interessados na formação de algum grupo raid, à jogadores que necessitavam de alguma ajudar para completar missões ou mesmo em relação a dúvidas a respeito de diferentes assuntos do jogo por parte de alguns membros menos experientes, muitas das conversas eram tidas a respeito de assuntos totalmente aleatórios, normalmente vindas de jogadores que não estavam a realizar ações que exigiam maior concentração no jogo, tais como combates em grupos raid e lutas em arenas. Eram discutidos assuntos sobre o campeonato brasileiro de futebol, filmes de sucesso que estavam em cartaz no cinema, seriados de televisão, notícias mais presentes nos jornais e tantos outros.

Para um observador completamente desinformado a respeito de determinado assunto, bastava realizar um breve questionamento a respeito do mesmo e rapidamente surgiam diversos comentários e opiniões a esse respeito, suficientes para que o interessado pudesse se informar razoavelmente a sobre do tema.Vez por outra algum assunto interessante surgia, fazendo com que meus colegas de grupo se sentissem impulsionados a dar suas opiniões a respeito da conversa no próprio canal da guilda, ou, como na maioria das vezes, em nossas conversas de voz pelo programa SKYPE. Era comum também ocorrerem algumas discussões entre membros mais “esquentados”, que perdiam a paciência facilmente frente a algum argumento bem ou mal fundamentado postado por outros, o que muitas vezes acabava ocasionando vários xingamentos entre aqueles, mas, de forma geral, o assunto era logo esquecido em prol de outro mais interessante ou mais imediato, como convites para a formação de grupos raid da guilda, e assim seguiam-se as conversas daquele canal.

Há ainda aquelas questões relacionadas aos “macetes”, apreendidos na experiência prática pelos jogadores e passados aos outros através das conversas no ambiente da lan house. Como lembra Bastos (2009), os jogos de MMORPG requerem um tipo de aprendizagem que não se dá de uma só vez, mas sim ao se jogar e redefinir estratégias nesse ambiente de jogo. No espaço da lan house, como

aponta a autora, o “ensinamento” é normalmente passado de alguém que tenha mais experiência em determinadas questões, sendo esse papel tomado alternadamente entre múltiplos jogadores.

Um exemplo claro pôde ser observado por mim quando certa vez, enquanto realizava as tarefas que havia iniciado em minha visita anterior, percebi a chegada de Alex ao recinto, o qual após cumprimentar a mim e ao administrador, foi para uma das telas disponíveis, também se logando ao World of Warcraft e entrando em seguida no programa de voz SKYPE. Alex começou então a se comunicar com um amigo que jogava em outro local e os dois partiram com seus avatares em conjunto para mais uma das opções que o jogo de WoW oferece, as arenas, locais onde os jogadores se enfrentam em times como gladiadores e somam pontos para a compra de equipamentos melhores conforme ganham as lutas.

Entre uma e outra partida, Alex me mostrava um esquema que tinha para ganhar pontos rapidamente, o que consistia em utilizar duas contas diferentes e colocar seus próprios personagens uns contra os outros em conjunto com outros dois personagens do amigo com quem conversava, assim, sempre ganhava pontos para o personagem com o qual queria apenas deixando seus “oponentes” imóveis durante a batalha, prática comum segundo ele para se conseguir pontos facilmente. Tendo em vista as discussões até aqui citadas, podemos inferir como corretas as afirmações de Bastos (2009) quando afirma que não é possível sustentar que os games fazem mal à saúde sem reconhecer que eles também podem causar benefícios, sendo o acréscimo de conhecimento, por exemplo, um dos, senão o maior, dentre os possíveis benefícios trazidos por aquela prática.

Há ainda a questão de conhecimentos linguísticos apreendidos e já mencionados anteriormente no presente trabalho. O fato da própria plataforma de jogo ter sua database baseada na língua inglesa faz com que termos e expressões dessa língua se tornem comuns no ambiente e passem a incorporar o vocabulário corrente - palavras como noob, mob, quest, character, level, dentre tantas outras são continuamente utilizadas pelos jogadores que frequentam o local para jogar o WoW - além do que, esse fator proporciona um incremento do interesse dos jogadores pelo aprendizado de diversas palavras por intermédio das quests usualmente completadas, já que muitos dos jogadores buscam fazer a associação de elementos do jogo e o significado da palavra grafada.

Benzer Belgeler