MATERIALS AND METHODS
2.12 BAF substrate specifity
3.2.6 An assessment of physicochemical properties of BAF and STAF
Gilbert Durand em sua obra Les structures antrhopologiques de l’imaginaire
(1969), As estruturas antropológicas do imaginário, seguindo a influência estruturalista110
110 Claude Lévi-Strauss é o precursor do Estruturalismo, na França; este movimento permeará as variadas
formas das ciências humanas. Sua ideia de encontrar estruturas subjacentes dentro dos mitos, das línguas, do social e da cultural geral, levará diversos autores, de diferentes áreas, a seguir e contribuir com suas pesquisas para o campo das ciências humanas.
e em profundo diálogo com os estudos do imaginário, desenvolve como sua tese de doutorado a obra acima citada. A proposta estruturada por Durand pode ser percebida, do ponto de vista didático, como uma “arborescência” ou constelação, onde o mote inicial para a percepção do simbólico vai desde sua origem no humano biológico e social até a expressão “última” exposta nos símbolos, mitos e ritos.
As estruturas antropológicas do imaginário, em sua classificação da arquetipologia geral do imaginário, propõe uma classificação do capital imagético do Homo sapiens, e através dos pressupostos estabelecidos na escola de Betcherev e posteriormente desenvolvidos por Pavlov, a saber, os postulados baseados na sensório-motricidade que alimentam os reflexos dominantes, aos quais Durand recorre para agrupar as imagens em três grupos: heroicas, místicas e disseminatórias. Pode-se perceber na produção imagética do mundo ocidental, o estruturalismo figurativo de Durand nos fornecerá as ferramentas que utilizaremos para recompor as constelações de significados presentes no Geheime
Figuren der Rosenkreuzer (DURAND, 2002).
Gilbert Durand organiza sua estrutura partindo dos schèmes111 postural, deglutivo e
copulativo, distribuídos em dois regimes, Diurno e Noturno; essa dualidade está imbricada no ethos do Homo sapiens; é na dança oscilante entre luz e trevas que a totalidade de significado do homem se funda, compartilhando e absorvendo os elementos necessários para a constituição de seu Imaginário (DURAND, 1983; 2002).
É óbvia a percepção do homem frente à angústia do Tempo e da Morte e a percepção da finitude a partir das experiências, ou constatação desta tomada de consciência. A imaginação humana desenvolve o papel de reduzir esta angústia: através de seus processos criativos e formadores, ela transmuta a dureza das faces do Tempo e da Morte, produzindo que as vençam e que, numa dialética alquímica, as sublimem, ou aliviem seus impactos. Essa tensão irá estabelecer-se em dois caminhos: a) um, que representa a incapacidade de conter as angústias primárias e imagens dos perigos desconhecidos que solapam a consciência, produzindo imagens teriomórficas (a animalidade violenta agressiva), nictomórficas (das trevas terrificantes) e as catamórficas (da queda); e b) e outro que dirige suas aspirações para o alto, consolidando imagens que antagonizam, de forma complementar na realidade com as imagens citadas acima
111 Substratos gestuais que, em contato com o meio natural e sociocultural, encaminham as ações
(teriomórficas, catamórficas e nictomórficas) estas são as imagens: diairéticas em oposição as teriomórficas; as espetaculares em oposição as nictomórficas e as ascensionais que inserem-se como o outro lado da moeda das imagens catamórficas. Este outro conjunto de imagens completam as categorias que Durand utiliza para estruturar o capital imagético do homem ocidental. (DURAND, 2002; TEIXEIRA, 2000).
Gostaria de referenciar que outros teóricos dedicaram-se a compor outros exemplos para um estruturalismo figurativo, a exemplo de Marc Girard, mas optamos neste trabalho seguir a proposta de Gilbert Durand, pois percebemos no mesmo, um leque maior de percepções; isso permitirá aproximarmos cada vez mais da variada informação contida no
Geheime Figuren der Rosenkreuzer.
Tabela 5 - ESTRUTURAS ANTROPOLÓGICAS DO IMAGINÁRIO, RECORTE CONCEITUAL Regimes ou Polaridades Diurno Noturno Estruturas Esquizomórficas (Ou heroicas)
1ª a idealização do “récuo” autístico. 2ª diaretismo (Spaltung).
3ª geometrismo, simetria, gigantismo. 4ª antítese, polêmica. Sintéticas (Ou dramáticas) 1ª coincidência “oppositoroium” e sistematização. 2ª dialética dos antagonistas. 3ª historicização 4ª progressismo parcial (ciclo) ou total. Místicas (Ou antifrásicas) 1ª redobramento e perseveração. 2ª viscosidade, adesividade antifrásica. 3ª realismo sensorial. 4ª miniaturização (Gulliver). Princípios de explicação e de justificação ou lógicos. Representação objetivante
hetereogizante (antítese) e subjetivante homogeneizante (autismo). Os princípios de exclusão, de
contradição, de identidade funcionam plenamente.
Representação diacrónica que liga as contradições pelo fator tempo. O Princípio da Casualidade, sobre todas as formas (especificamente final e eficiente funcionam plenamente) Representação objetivante homogeneizante (perseveração) e subjetivamente hetegeneizante (esforço antifrásico). Os princípios da Analogia e da Similitude funcionam plenamente.
Reflexos dominantes Dominante Postural Dominante Copulativa Dominante Deglutiva
Esquemas verbais Distinguir Ligar Confundir
Arquétipos “atribuídos” Puro ≠ Manchado Claro ≠ Escuro Amadurecer / Voltar Progredir / Recensear
Descer, Possuir, Penetrar
Fonte: DURAND, Gilbert. As estruturas antropológicas do imaginário. São Paulo: Martins Fontes, 2002. p. 443.
No Regime Diurno da imagem, como podemos suspeitar de início tem-se o Sol e toda a valoração simbólica inerente a este símbolo/arché, pois é a imagem do herói de gládio em punho, do rei com seu cetro e do caráter antitético que são os alicerces deste regime que está ligado ao reflexo postural; o mesmo caracteriza-se pelo erguer-se numa ação ascendente, dividido de forma dicotômica, alto e baixo (DURAND, 2002).
Na postura heróica, temos seis características, ou grupos de imagens que organizam-se, ao constelar em torno desta postura, são elas: as imagens teriomórficas, nictomórficas, catamórficas, diairéticas, espetaculares e ascensionais.
Num entendimento de diferenciação, temos as imagens diairéticas, que se caracterizam pelo embate, seja físico (social) ou psíquico (de caráter ôntico), estas imagens estarão fundamentadas nas definições de certo e de errado, onde o homem social combate suas atitudes animalescas, e que o coletivo, o “bem maior”, aflora; é a espada em punho em defesa de uma donzela (a sociedade ideal sem instintos) que poderíamos utilizar para ilustrar esse conglomerado de imagens.
Nesta abordagem, temos as imagens teriomórficas versus as imagens diairéticas, mas devemos entender esse embate no seu caráter não excludente, pois essas características, assim como as demais que traremos aqui, coexistem no homem.
As imagens nictomórficas são referências do desconhecido (literalmente), aqui ligadas à noite enquanto escuridão angustiante que não permite perceber nada. Essas imagens são caracterizadas pelas águas turvas, pela noite sem nenhum alqueire e também, numa outra abordagem a Morte, ou melhor, como colocado no Hamlet, de Shakespeare, os acontecimentos para além da fronteira deste país donde viajante algum voltou para trazer informações/definições; na nossa opinião, é o “desconhecido” que aqui figura como ponto central do debate, pois o não se revelar é o que assusta o homem e o conduz a produzir imagens em que o mesmo possa firmar seu olhar/consciência, o ceifador, a entidades das águas que prendem os homens, uma floresta proibida, estes são apenas alguns exemplos.
Nesta perspectiva, toda a forma imagética que arrebate o homem, em padrões de grandiosidade, revelação de mundos extrafísicos, tendem a estarem inseridos entre as imagens espetaculares.
A queda, para o mundo cristão, talvez seja o tema mais profundo, pois ele está diretamente ligado à formação de nosso mundo, pois é através do mito judaico-cristão de pecado, de queda na materialidade, que as condições históricas e sociais se fundamentam.
Para a TGI, o símbolos catamórficos, ou seja, que indicam uma queda que acarretou a perda de um status anterior de glória e bem-aventurança, instituindo, assim, os ditames de nosso mundo material.
Falar de imagens catamórficas nos obriga imediatamente a trazermos as imagens ascensionais que completam o círculo simbólico desta díade. Eliade, em seu livro O Mito
do Eterno Retorno, traz este tema para o debate na História das Religiões, onde se percebe
que a queda do homem ora se converte em exílio, cabendo a ele buscar os meios que o reconduzam a seu status anterior.
Apenas para dar alguns exemplos, temos a catabasis, termo grego que se refere à decida aos infernos, ou reinos da morte, que vários personagens empreenderam – Orfeu, Hercules, Perseu, Jesus – para depois ascenderem, anabasis. O ato de ficar de pé, que definiu a fronteira ultrapassada entre o Homo e seu antecessor, está aqui representado pela dicotomia alto e baixo, verticalidade e horizontalidade, entre uma seta disparada ao sol e seus raios conduzindo vida à terra.
Na Teoria Geral do Imaginário (TGI), organizada por Gilbert Durand, utiliza-se das pesquisas desenvolvidas na escola de reflexologia de Betcherev, que indicam três reflexos dominantes nos recém nascidos: o postural, o deglutivo e o copulativo. Durand, ao esmiuçar as constituintes da mecânica do aparato simbólico, definirá como elemento primeiro o schemè como figurando no início de toda reflexão simbólica, seguido do arquétipo e dos símbolos, o primeiro sendo a instancia verbal, o segundo, a instância formal e o terceiro, o substantivo (1993).
Nas Estruturas Antropológicas do Imaginário (EAI), Durand propõeuma isotopia inovadora e ousada; partindo das motivações primevas dos símbolos, ele sugere um trajeto simbólico profundamente inserido na consciência do homem ocidental, cuja forma de perceber o mundo vem consolidando-se desde o século, passando por decadências e exaltações imagéticas. A Teoria Geral do Imaginário (TGI) fornece estes elementos que nos servirão de consulta para que possamos fazer as aproximações com os símbolos que constelam entre si.
O esquema abaixo visa ilustrar as relações entre estas três abordagens metodológicas; as mesmas podem ser utilizadas em diferentes ordens, sendo ideal o estabelecimento relacional entre uma e outra. Vejamos o gráfico:
Imagem 7 - Esquema relacional metodológico
Fonte: elaborada pelo autor.