1. ASİT BOYARMADDELERİ İLE BOYAMA
1.2. Asit Boyarmaddelerle Yünün Boyanması
O instituto da prisão preventiva geralmente é imposto antes da prolação da sentença condenatória. O período de sujeição a tal privação de liberdade deve ser computado para fins de determinação do regime inicial de cumprimento de pena (art. 387, §2º, do CPP231). Esse fenômeno denomina-se detração, o qual é previsto originalmente no art. 42, do Código Penal232.233
229 BRASIL. Decreto-lei nº 3.689, de 03 de outubro de 1941. Código de Processo Penal. Rio de Janeiro,
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del3689Compilado.htm>. Acesso em: 19 mai. 2018. “Art. 319. São medidas cautelares diversas da prisão: (...)V - recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga quando o investigado ou acusado tenha residência e trabalho fixos.”
230 Ibidem, acesso em: 19 mai. 2018. “Art. 319. São medidas cautelares diversas da prisão: (...) IX - monitoração
eletrônica.”
231 BRASIL. Decreto-lei nº 3.689, de 03 de outubro de 1941. Código de Processo Penal. Rio de Janeiro,
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del3689Compilado.htm>. Acesso em: 19 mai. 2018. “Art. 387. (...) § 2o O tempo de prisão provisória, de prisão administrativa ou de internação, no Brasil ou no estrangeiro, será computado para fins de determinação do regime inicial de pena privativa de liberdade.”
232BRASIL. Decreto-lei nº 2.848, de 07 de dezembro de 1940. Código Penal. Rio de Janeiro, Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del2848compilado.htm>. Acesso em: 17 mai. 2018. “Art. 42 - Computam-se, na pena privativa de liberdade e na medida de segurança, o tempo de prisão provisória, no Brasil ou no estrangeiro, o de prisão administrativa e o de internação em qualquer dos estabelecimentos referidos no artigo anterior.”
Consoante Guilherme Nucci, a detração é instrumento de compensação do prazo de privação de liberdade sofrida cautelarmente pelo indivíduo quando ainda não condenado e a prisão a ser imposta decorrente da aplicação da pena.234
André Nicollit compreende que o §2º do art. 387, do CPP, permite o que ele denomina de progressão cautelar de regime, cuja finalidade é "manter a proporcionalidade concreta da prisão cautelar". Para o autor, a detração somente implicaria na fixação de regime menos severo, caso o prazo de sujeição à custódia cautelar fosse igual ou superior a um sexto da pena.235
A referida progressão exige apenas o atendimento desse requisito objetivo, uma vez que se diferencia da progressão processada na execução definitiva da pena após o trânsito em julgado e incide sobre indivíduo presumidamente inocente, não sendo considerados os aspectos subjetivos. Cumpre afirmar que a referida progressão repercutiria na própria prisão cautelar e no seu modo de cumprimento. Segundo Andre Nicollit, a lei promoveu inovação no “sistema cautelar, exigindo que o juiz ao proferir a sentença fundamente o decreto de prisão ou sua manutenção e em seguida, proceda à adequação da medida cautelar à proporcionalidade concreta da reprimenda”.236
Ocorre que, como já defendido no tópico anterior, a prisão preventiva é instituto, cuja natureza da custódia é própria do regime fechado e o seu abrandamento ocasiona a desconstituição da medida, não havendo a possibilidade de adequação desse instituto ao sistema de cumprimento de pena determinado no regime aberto ou semiaberto.
Ademais, o fenômeno da detração, segundo a jurisprudência do STJ, não está vinculado à progressão de regime, o qual impõe a análise de critérios objetivos e subjetivos, como o lapso temporal e o comportamento carcerário respectivamente, além de que a determinação da progressão é de competência do Juízo das Execuções Penais.237 Na verdade, consoante afirmado, a detração importa, na fase da sentença condenatória, como permissor da fixação de regime menos gravoso para o cumprimento inicial da pena.
234NUCCI, Guilherme de Souza. Manual de processo penal e execução penal. 11. ed. Rio de Janeiro: Forense,
2014, p. 484.
235 NICOLITT, André. Manual de processo penal. 6. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais Ltda.,
2016.Disponívelem:<https://proview.thomsonreuters.com/launchapp/title/rt/monografias/99925223/v6>. Acesso em: 18 mai. 2018.
236 Ibidem, acesso em: 18 mai. 2018.
237BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Habeas Corpus nº 325174. Relator: Ministra Maria Thereza de Assis
Moura. Diário da Justiça Eletrônico. Brasília, 30 set. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?processo=325174&&b=ACOR&thesaurus=JURIDICO&p= true>. Acesso em: 19 maio 2018.
A repercussão de tal fenômeno no instituto da prisão preventiva se dá no momento em que, mediante a detração, a pena é reduzida a ponto de permitir que o seu cumprimento, originalmente a ser realizado em regime fechado, passe a ocorrer em regime mais brando. Assim, a fixação deste, na sentença, impossibilita a manutenção ou decretação da prisão preventiva por violação ao princípio da homogeneidade, tornando-se a medida desproporcional e consequentemente de natureza abusiva.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
No processo penal, a instituição da prisão preventiva decorre da necessidade de tutela da sua efetividade e utilidade do seu resultado final, caracterizando-se como medida cautelar de natureza pessoal. Contudo, por se assemelhar à prisão-pena, constitui intenso gravame ao indivíduo, afetando seu status libertatis, sendo este indispensável para o exercício pleno de demais direitos fundamentais.
Nesse contexto, o presente trabalho buscou identificar e analisar os parâmetros de aplicação desse instituto, não somente os estabelecidos na legislação, mas também os decorrentes dos mandamentos constitucionais, os quais permitem aferir o princípio da homogeneidade das medidas cautelares, e, assim, demonstrar a imprescindibilidade de observância deste, conjugado aos demais para a manutenção e preservação da natureza cautelar da prisão preventiva, uma vez que essa condição é a única que legitima a sua imposição durante o trâmite processual.
Destarte, foi fundamental averiguar a conceituação do instituto, de forma a diferenciá-lo de uma prisão definitiva após condenação penal, sendo necessária a constatação da sua natureza jurídica. A partir disso, traçaram-se as características próprias e identificadoras da finalidade acautelatória da prisão preventiva, como a instrumentalidade, a referibilidade, a acessoriedade e a provisoriedade, demonstrando a estreita e conecta relação entre o meio utilizado e o fim que se busca tutelar.
Após isso, os primeiros parâmetros de aplicação do instituto foram analisados, como os estabelecidos na legislação penal e processual penal (fumus comissi delict, periculum in libertatis e hipóteses de cabimento), porém restou-se demonstrada a insuficiência destes para evitar aplicação abusiva da prisão preventiva e preservar a sua natureza cautelar, quando não interpretados e norteados conforme os mandamentos constitucionais do devido processo legal, da presunção de inocência, da razoável duração do processo e da proporcionalidade.
Contatou-se ainda que os referidos ditames constitucionais promovem de forma conjunta a necessidade de se considerar o acusado como um sujeito de direitos, devendo ser assegurado o exercício das suas prerrogativas e garantias fundamentais, o que repercute no tratamento despendido àquele como presumidamente inocente. Assim, as restrições e privações aos direitos do acusado, principalmente da sua liberdade, devem ocorrer de forma excepcional e atendendo apenas ao fim de tutela do processo, observando também à razoável duração do processo e à proporcionalidade, este, segundo os seus subprincípios (adequação,
necessidade e proporcionalidade em sentido estrito), como limitadores da atuação estatal, impedindo arbitrariedades na instituição da privação cautelar.
Por fim, foi examinada a relação direta entre os mencionados preceitos constitucionais, principalmente a proporcionalidade em sentido estrito e o princípio da homogeneidade, uma vez que esta impõe a necessidade de proporção entre o meio empregado e o fim que se busca tutelar, averiguada segundo um juízo de ponderação, não podendo àquele constituir medida mais gravosa, sob pena de tornar-se ilegítima e abusiva. Dessa forma, na hipótese de imposição da prisão preventiva, o juiz deve analisar se o resultado final do processo que visa, promoverá gravame equivalente à medida, no contrário, os prejuízos sofridos com esta não serão compensados pelos proveitos, cuja busca pelo seu alcance ensejaram na instituição da prisão cautelar.
A realização desse prognóstico deve ocorrer conforme a provável pena estabelecida na eventual sentença condenatória, bem como o regime inicial de cumprimento daquela. Isso porque, a partir desses parâmetros é possível aferir se o resultado final do processo constituíra em privação total da liberdade ou não. A possibilidade de conversão da pena privativa de liberdade para restritiva de direitos e de determinação na sentença de regime aberto ou semiaberto impedem a imposição de prisão cautelar por serem menos onerosas ao indivíduo.
Além disso, a averiguação da homogeneidade do instituto deve ocorrer durante a vigência da prisão preventiva, a partir da relação entre o seu prazo e a duração da pena de privação de liberdade, conforme também os mandamentos da razoável duração do processo, de forma a impedir que aquela compreenda o cumprimento significativo da provável sanção penal aplicada, na condição de não culpado. Além disso, essa análise deve ser realizada na hipótese de manutenção da medida cautelar e superveniência de sentença condenatória que imponha regime aberto ou semiaberto em decorrência da pena originalmente aplicada ou do fenômeno da detração.
A compatibilidade do mencionado instituto com a concepção de um sistema processual penal acusatório, do qual decorrem os parâmetros legais e constitucionais expostos acima, depende da manutenção da sua natureza cautelar.
Portanto, o princípio da homogeneidade das medidas cautelares é imprescindível para a observância dos mandamentos decorrentes dos referidos princípios constitucionais, bem como das determinações legais relativas à aplicação da prisão preventiva. O não atendimento desse conjunto de parâmetros, principalmente da homogeneidade da medida, acarreta no esvaziamento da finalidade acautelatória da prisão preventiva, a qual como
instrumento de tutela de um resultado útil, não pode configurar em medida autônoma de repressão e antecipação de pena, sendo mais gravosa que aquele, sob pena de implicar na renúncia de direitos fundamentais do acusado, como o direito de defesa e violar os ditames da presunção de inocência, uma vez que despende tratamento mais gravoso ao acusado do que ao condenado.
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