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Asetil L-karnitin, sisplatinin böbrek dokusunda yarattığı apoptotik hücre ölümünü anlamlı

Kaspaz 9: Grup I’de çok az sayıda interstisyel ve proksimal tübül hücrelerinde pozitif

5. Asetil L-karnitin, sisplatinin böbrek dokusunda yarattığı apoptotik hücre ölümünü anlamlı

Analisando essa longa tradição, mais marcadamente na França e na Alemanha, Jean Nabert em seu artigo La philosophie réflexive aponta para Kant e para Maine de Biran as linhas mestras que demarcaram os dois grandes blocos, não necessariamente incomunicáveis, da orientação reflexiva. Efetivamente, uma das orientações da filosofia reflexiva será aquela relacionada com os esquematismos e as operações debruçadas sobre a consciência transcendental, então vinculadas ao pensamento crítico ou à região teorética do julgamento e sua tarefa de objetividade e de verdade.

Outra, no entanto, será a orientação correspondente às operações relativas à consciência de si em sua dimensão de intimidade que acionam pela ação, a região prática da responsabilidade e sua exigência da reflexão como tarefa. Conforme o aprendizado de Jean Nabert,

o próprio da filosofia reflexiva assim compreendida é de considerar invariavelmente o espírito em seus atos e em suas produções, para aí apropriar-se a significação e, primeiro, essencialmente, no ato inicial pelo qual o sujeito se assegura de si, de seu poder, de sua verdade135.

Assim, em Maine de Biran, de acordo com Ravaisson o reformador da filosofia francesa, identificaremos um filósofo que tanto submeteu o cogito ao volo ergo sum quanto, por estes trâmites, lançou algumas das matrizes da filosofia da existência, certamente não tão exploradas e devidamente reconhecidas como em Kierkegaard. Escorado num método da imanência, ele denunciou, na esteira da análise do entendimento e da percepção, as

135 Nabert, Jean. La phylosophie réflexive. In L’expérience interieur de la liberté et autres essais de

limitações do empirismo, particularmente em Condilac136. Propôs-se uma argumentação, por exemplo, assentada na insuficiência de um pensamento da simples exterioridade em explicar a consciência, da mesma forma que as sensações não compõem em si um objeto. Mais que isso, poder-se-ia ainda indagar: como posso distinguir em mim o que tem

consciência e aquilo em que há consciência?137

Mas Biran que descortina a tensão que favorece a vida ante a verdade, é, relativamente a essa tensão, menos satisfatório no progresso de uma transição que na configuração de um divórcio que, segundo Nabert, não atende à necessidade de solidariedade entre a intimidade da consciência e o sentido de universalidade de uma razão, aqui compreendida sem a exclusividade da perspectiva transcendental de objetividade ou de justificação da ciência. Essa aspiração da reflexão na investigação nabertiana sugere e reforça a impressão ricœuriana de que “promover a reunião da dimensão transcendental e

da dimensão de intimidade ou, dito de outro modo, do momento transcendental e do momento ético, tal poderia ser a divisa dessa escola de pensamento”138.

Desse modo, se encontraremos em toda a obra de Nabert uma distinção bem delineada entre crítica e reflexão, nela também anotaremos o combate à incomunicabilidade e a cisão entre Kant e sua obsessão crítica e Biran com sua ênfase integralmente derivada da experiência primitiva da reflexão. A investigação de Nabert sobre o agir não deixa de entrever que, mesmo os sentimentos fundamentais do existir – a falta, o revés e a solidão - têm estruturas, segundo as quais “o itinerário da liberdade pode desenvolver uma história

exemplar suscetível de ser compreendida” 139.

Sob essa divisa, pode-se compreender melhor que a passagem pelo crítico representa para Ricœur um critério metodológico, a exemplo do recurso ao modo de inteligibilidade ou de explicitamento praticado com a descrição fenomenológica, seja

136 Já Rousseau, fazendo a crítica aos sensualistas ingleses e, em concomitância, ao cogito cartesiano levantara esta questão de amplas conseqüências, sobretudo em Kant. O movimento que o conduz ao sentimento do eu, estabelecido sobre a sua espontaneidade, muito distintamente de sua intuição, demonstra a impossibilidade de um sujeito percipiente e cognoscente meramente passivo captar ou promover a identidade ou a consciência de um objeto qualquer. De outra parte, a unidade do eu que sintetiza o diverso da sensação, vale dizer que fundada em sua atividade, relaciona a condição de um eu existente e a experiência do ser pela percepção do eu.

137

Vergez. A; Huisman, D. História da filosofia ilustrada pelos textos. São Paulo: Livraria Freitas Bastos, 1982. p. 347.

138 Ricœur in Nabert, L’expérience interieur de la liberté et autres essais de Philosophie morale. Paris: PUF, 1994. p. X.

inicialmente para com o fenômeno da vontade na philosophie de la volonté; seja para com o fenômeno da temporalidade em Temps et récit; seja ultimamente diante do fenômeno da memória em La mémoire, l’histoire, l’oubli; ou a exemplo do momento kantiano da

pequena ética140.

Efetivamente, a estrutura da pequena ética se resguarda numa orientação reflexiva que o texto Élements pour une éthique pôde inspirar em seu itinerário da liberdade. Ricœur, em seu prefácio de 1962 para a segunda edição deste texto, já anotava que “Jean Nabert

redescobre um sentido do ético que está mais próximo de Espinosa que de Kant: à distinção entre crítica e reflexão corresponde uma distinção similar entre moral e ética”141.

Segue-se, então, que se não se suprime o momento crítico, é enquanto ética que aprenderemos o sentido da reflexão que Nabert se esforça em ensinar142. É que entre Kant e Biran, a via media de Nabert não ilude a sua crítica do objetivismo, então sintonizada com Biran. Nesse caso, a reflexão é irredutível à perspectiva teorética que é transcendida pelo movimento reflexivo por um antes e um depois de sua orientação crítica. Assim, a reflexão sobre o agir que mobiliza Nabert desde L’expérience intérieure de la Liberté demanda o sentido do ético como “a história sensata de nosso esforço para existir, de nosso desejo de

ser” 143.

140 Ainda que a objetividade fenomenológica seja de um outro nível que não se deve confundir com a objetividade de um procedimento e de uma realidade empírica, uma vez que vai longe a distância entre um horizonte de Lebenswelt e um horizonte de objetos, esse respeito às contribuições do teorético não foi desprezado por Ricœur. Suas críticas: a) a Blondel que tem associado ao seu método da imanência - segundo o qual o que vem de fora não atinge o homem – a possibilidade de incorrer num método da inocência; b) a virulência de um dado ataque de Marcel ao cogito de Descartes e c) seu diálogo com a lingüística ou com o estruturalismo, com as ciências históricas ou jurídicas, revelam - à maneira de um Nabert e mais recuadamente ainda, de um Lachelier em seu artigo Psychologie et Métaphysique de 1885 -, esse cuidado para com o momento irredutível da crítica.

141Ricœur, P. Préface. In Nabert, J. Élements pour une éthique. Paris: Aubier, 1962. p. 9.

142 Adiante, como faremos menção no tópico relativo à mutualidade entre reflexão e hermenêutica, registraremos que é por intermédio de uma teoria da motivação que Nabert incentivará o momento crítico bem como com as suas indicações de uma teoria dos signos. Inicialmente, podemos anotar que o motivo enquanto expressão de um ato é confrontado com a concepção de motivo como dado de uma ação. 143Ricœur, P.. Préface. In Nabert, J, op.cit. p. 9. Gabriel Marcel é um filósofo também empenhado no ato de existir que ele compreende como dom de existir, muito distinto da experiência cognoscitiva da dúvida. Registramos duas considerações quanto às expressões desejo de ser e esforço para existir: i. devemos interpretá-las no contexto da tradição reflexiva que com Fichte ou Biran compreenderam o eu como um investimento contra uma resistência; ii. elas nuanceiam uma distinção. Para tanto, defende Ricoeur:“eu releio

Nabert, que sempre emprega lado a lado as expressões desejo de ser e esforço para existir, eu observo que a palavra esforço não é absorvida na palavra desejo. porquanto no esforço sempre há um preço a pagar. Mas é em benefício da vida e de seus múltiplos começos e recomeços. Isso me faz recordar o que eu escrevi há

A reflexão é ética quando processando os sentimentos fundamentais do existir que articulam a história da liberdade os aprofundam na história do desejo de ser. Ela é esse movimento que Nabert busca em sua exemplaridade em Élements pour une éthique: sentimento – afirmação – veneração. O processo da reflexão é empenho e apetência, é afirmação de uma existência ou um modo de ser que insiste e resiste contra um qualquer repouso radicado na certeza de uma transparência ou na garantia de uma intuição.

A reflexão é movente, é tarefa diante da invencível distância da consciência perante si própria. Invoca-se, então, a despeito da satisfação totalizante de se possuir, a satisfação exigente de se constituir, a par dos limites da satisfação e da impossibilidade de se fazer marco. Esse movimento que é busca na falta e também realização do espírito em seu agir (ergon), é imanente à experiência moral, de sorte que se pode dizer que a reflexão “ se

orienta em direção da afirmação pela qual se ordena a experiência moral toda inteira ”144.

2.2.1.2. A REFLEXÃO: EM TORNO DO EXISTENCIAL E DO

Benzer Belgeler