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1.2. Artan Oranlı ve Düz Oranlı Vergi Tarifelerinin Bazı Vergilendirme İlkeler

2.1.4. Emek Arzı Açısından

Ainda sobre a questão da estrutura de poder na escola, poderíamos citar outro exemplo, onde a ação do professor era objeto da queixa contra a escola. Sugere-se, pois, a abertura de um concurso para o cargo que ele ocupava. O proponente era José Manoel de Campos Fea da Vila de Alter do Chão, que envia para o rei uma representação em cujo ofício destaca o estado de abandono em que se encontrava a instrução primária daquela vila por

120 Manoel Joaquim Pires RAMOS, Coleção de Manuscritos da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra,

códice 1339, folha 75.

121 De acordo com o trabalho de António Nóvoa, a idéia de a atividade docente constituir-se em exercício a

tempo inteiro seria a primeira etapa do processo de profissionalização do professorado português. As etapas seguintes seriam o estabelecimento de um suporte legal para o exercício da atividade docente, a criação de instituições encarregadas da formação dos profissionais do ensino e a consolidação de um associativismo que daria, àqueles professores, espírito de corpo, de pertença a uma dada categoria profissional. (António M. S. S. NÓVOA, História da educação, p. 207).

325 causa da permanência do professor em exercício, Balthazar Correa do Inço. Era 24-1-1854. A atuação daquele professor no magistério primário era desaprovada porque absolutamente imprópria, segundo o relator. Os alunos em nada aproveitavam suas lições e, como conseqüência, a permanência de tal indivíduo como regente de classes apenas significaria um ônus a mais para o Estado.

“A sua incapacidade e ignorância dos principais rudimentos da ciência é tão notória que passa já dos limites do escândalo. Muitos anos o tem este povo sofrido, cheio da maior paciência; mas ele pouco se importa que não seja procurado para dar suas lições de Primeiras Letras, porque assim come mais descansado o ordenado que a Nação lhe dá; mas os pais, que têm filhos a que desejam dar a primeira instrução, têm se visto na dura precisão de lhes procurar mestres particulares, para os ensinar mediante uma paga. Não é só (...) que se vê obrigado a mendigar um mestre para os seus tenros filhos: são quase todos os seus concidadãos, que imitam o seu exemplo, sendo este mau estado já bem antigo; mas a opressão tem sido tanta que ninguém mesmo se tem atrevido a dirigir as suas queixas a autoridade superior do Distrito pelo medo de caírem no desagrado do Administrador do Concelho de que é compadre. Pensam e pensam bem que, lembrando-se de que nada se procederá sem a prévia informação dele, o negócio se tornará ilusório e, divulgada a queixa, segue-se logo a vingança. Ninguém leva a mal que o Administrador seja tão seu amigo e lhe preste mesmo os socorros de que muitas vezes precisa; mas proteger um escândalo e contribuir para que ele seja autoridade judiciária, reconhecendo nele a sua bem pública incapacidade, não é isto muito vulgar. Acontece daqui que assim autoriza um roubo à Nação, dando-se-lhe uma cadeira que ele nunca foi capaz de reger; e tem sido tão notável o abuso que até se tem consentido que, na relação que dá dos seus discípulos, se introduza nomes supostos, e de rapazes que nunca entraram o limiar da porta, e tudo isto para fazer crer que a aula é muito concorrida e se não saiba o contrário e os motivos. Se ele não é capaz de ler o que escreve, como

poderá ele ensinar o que não sabe ?”122

Além de ignorante e incapaz de ensinar, o professor teria na ocasião uma conduta duvidosa e uma moral ‘muito estragada’, segundo os termos do autor da queixa. Isso reforçaria a convicção dos pais no sentido de não lhes enviarem os filhos. Após quinze dias de escola, as crianças que frequentavam aquelas aulas passavam a utilizar em casa expressões grosseiras e termos chulos, sendo que tal linguajar - não podendo ser caracterizado como pertencente aos hábitos das famílias - só poderia ser, de fato, obra do professor. Para o relator, os fatos e escândalos públicos eram tão notórios que já nada precisaria ser a isso acrescido. Sugere-se então que o docente fosse destituído da cadeira que ocupava e que a escola fosse provida por um professor substituto, realmente capaz de proceder com habilidade e dignidade, “que ensine rima pelo Método Castilho, pois só assim bem dirão os Pais de famílias e autoridades que para isso cooperam.”123

Alguns meses depois, em 20-5-1854, por parte da administração do concelho, foi encaminhado ao Governador Civil um ofício correspondente a uma averiguação que supostamente teria sido encaminhada pelo mesmo Governo Civil de Portalegre, com o

122 José Manoel dos Campos FEIO, Caderno de Documentos 47: ‘Concurso e papéis relativos a queixa feita

contra o Professor d’Alter do Chão - Balthazar Correa do Inço (...)’, Coleção de Manuscritos da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, códice 2531, Papéis relativos á instrucção pública destes reinos.

123 Id. Ibid. Como constataremos no capítulo seguinte, concernente a processos de inspeção às escolas públicas

e particulares, de acordo com um relativo senso comum da mentalidade portuguesa de então, o bom professor era antes de mais nada o que tornava o ensino atraente e conduzia o aluno ao desejo de aprender. Talvez por aí se justifique essa solicitação de ver aplicado, ao invés dos procedimentos rotineiros da prática escolar, o método Castilho.

326 propósito de verificar se tinham ou não procedência as críticas que haviam sido imputadas ao professor primário Balthazar Correa do Inço naquele aqui caracterizado ‘requerimento acusatório’. O relator - José Maria da Silva Leal - declarava ter estado na Vila de Alter, a 17 de julho, sem haver entretanto dado conhecimento disso ao Administrador do Concelho. Seu objetivo - como ele próprio destacaria - era aferir a justiça ou injustiça das acusações. E, de fato, perguntando em Alter sobre a capacidade literária do referido professor, teria efetivamente constatado que aquele indivíduo era motivo de execração pelos pais de família e de riso para todos.

“Aquele homem poderá ser bom logista, bom Seiareiro, porque esta é a vida a que se entrega; mas bom professor de ensino primário jamais o será porque não tem habilitações para isso, nem procura adquiri-las. Falando da sua eficácia, terei dito tudo, asseverando a Vossa Excelência que se passam semanas e semanas em que ele não aparece à aula, para lecionar os seus discípulos, não obstante ser esta em sua própria casa e o número deles não exceder a três: sendo todavia certo que Alter tem hoje mais de cem crianças nas circunstâncias de frequentarem a escola, e que, sem dúvida a frequentariam com aproveitamento se o professor de instrução pública daquela vila fosse um homem com os necessários predicados de um diretor da mocidade. Já disse que se passam semanas sem que este apareça à aula; (...) mas não disse ainda que ele encarrega a direção dela a um filho de quatorze a quinze anos, discípulo de tal mestre, que logo que se vê só, mais trata de folgar do que estudar (....) E eu digo: se em Alter não há um jovem que saiba ler e

escrever, é disso causa o atual professor, Balthazar Correa do Inço.”124

Em 27-5-1854, em ofício dirigido ao Conselho Superior na pessoa do Ministro e Secretário de Estado e Negócios do Reino, o Governador Civil Diogo António Palmin Pinto relata a princípio que procedeu à investigação sobre a situação do ensino primário na localidade de Alter do Chão, tomando “informações particulares e confidenciais sobre as graves acusações que ali se fazem, e soube, por pessoas sérias daquela Vila, e ainda por outras do Crato, mui relacionadas em Alter, que efetivamente as arguições em geral são fundadas; e que em conseqüência a instrução pública corre naquela Vila quase abandonada e pessimamente dirigida.”125Na seqüência, o Governador Civil explica que se o

comportamento moral e civil do professor não podia ser qualificado de escandaloso, como fazia crer a queixa do advogado José Manoel de Campos Feo, não era, em hipótese alguma, o que se poderia considerar exemplar ou mesmo regular. O expositor não explicita, entretanto, o que pretende dizer com isso. Mas conclui expondo que, em função do ocorrido, sentia a necessidade urgente de que alguma providência fosse tomada para alterar aquele quadro: não cabia a ele dissimular a gravidade da situação, tendo em vista sua responsabilidade no cargo que ocupava e a importância da povoação de Alter.

Procedeu-se, então, a partir do mês de Agosto a uma autuação, na qual testemunhas seriam inquiridas para averiguar formalmente a veracidade dos fatos que constavam da acusação contra a pessoa do professor. Por ordem do Governador Civil de Portalegre, as testemunhas escolhidas deveriam ser pais de família e principais proprietários daquela localidade. Esse escrúpulo quanto à escolha das testemunhas é na ocasião justificado pelo pressuposto de que se tratava de um caso bastante melindroso, por envolver a figura do

124 José Maria da Silva LEAL, Caderno de Documentos 47, Coleção de Manuscritos da Biblioteca Geral da

Universidade de Coimbra, códice 2531.

125 Diogo António Palmin PINTO, Caderno de Documentos 47, Coleção de Manuscritos da Biblioteca Geral da

327 professor de instrução primária nos aspectos de sua conduta moral, civil e profiisional. Depois de confeccionado o auto de investigação, o acusado deveria dele tomar conhecimento, devendo ainda responder por escrito aos artigos da arguição que lhe seria feita. Os autos do processo, bem como a resposta do acusado, seriam finalmente remetidos pelo administrador do concelho de Fronteira ao Governador Civil que, por sua vez, recomendava que fosse mantida naquele caso específico a ponderação, a serenidade e a imparcialidade. Ainda por ordem do Governador Civil, as testemunhas passariam a ser inquiridas pelo Administrador do Concelho de Fronteira no Concelho de Alter do Chão. Deu-se então encaminhamento ao processo e, em 9-8-1854, o professor foi autuado na vila de Alter do Chão na Sala de Administração do Concelho. De acordo com o Secretário Geral do Concelho de Fronteira (Portalegre), os artigos da acusação contra o professor compreendiam os seguintes delitos:

“1º) Que ele não cumpre com os deveres do Magistério faltando semanas inteiras à escola que deixa entregue a um seu filho de 14 anos pouco mais ou menos, que mais trata de folgar do que estudar e lecionar os alunos; 2º) Que é de uma conduta moral e civil estragada, usando na escola, bem como seus filhos, de expressões impróprias e que pervertem; 3º) Que por tudo e pela incapacidade notória do professor, os pais de família têm retirado seus filhos da escola, que hoje

se acha frequentada por três alunos, para os entregarem a mestres particulares a quem pagam.”126

No mesmo dia (9-8-1854), o professor responde aos artigos da acusação, contra- argumentando os três tópicos perante os quais devia explicitar inocência. Antes de mais nada, o docente alegava que só deixara de ministrar suas aulas por motivos de força maior, quando realmente estava de algum modo impedido. Nessas raras ocasiões - segundo o réu -, deixava a cadeira sob responsabilidade de seu filho, um jovem de 17 anos que, já há 4 anos, andava como estudante na cadeira de Filosofia Racional com o Padre Diogo Joaquim Sardinha - anexando documento comprobatório desse dado, com assinatura do mesmo padre.

“Quanto ao segundo artigo, devo dizer que estava reservado para que o meu acusador, que o tem sido de muitos funcionários honesto, e que apesar de encobrir seu nome, sem me ser por mim desconhecido, me atribui defeitos que sobejam nele; que só de má fé podem tachar a minha conduta imoral e (...), sendo inteiramente falso quanto se refere no final do citado artigo, pois que

para isso seria mister ter as suas lições.”127

Por fim, tendo exercido a tarefa do magistério por 29 anos, admira-se o acusado de, sendo há 22 anos o responsável pela mesma cadeira da qual o desejavam tirar, pairar sobre ele, pela primeira vez e depois de tanto tempo, suspeitas tão graves quanto à aptidão para o ofício ao qual dedicara toda sua vida. A respeito da opção de alguns pais de família por mestres particulares, o professor diz que não pode ser responsabilizado pela conduta de

126 Cadernos de Documentos 47, Coleção de Manuscritos da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra,

códice 2531.

127 Cadernos de Documentos 47 Coleção de Manuscritos da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra,

328 “certas desinteligências”. Aliás, o acusado arremata declarando que seus discípulos eram em número de 12 e não de 3 como mentirosamente havia sido afirmado. Na verdade, o professor atribui a má fé de seu acusador a um episódio judicial, no qual - segundo as próprias palavras do docente - ele (o mestre) não aceitara “pôr à sua disposição a minha consciência num julgamento de uma causa em que ele [ o acusador ] figurava (...) e que eu decidi contra como substituto do juiz ordinário, que já fui o biênio passado e que é causa da presente queixa”128.

O administrador do concelho de Fronteira efetua em 9 de agosto de 1854 um inquérito, que tem lugar na própria vila de Alter, onde testemunhas seriam então ouvidas a propósito do processo. Foram no total oito as testemunhas inquiridas, que trariam novos elementos para o prosseguimento da investigação.

A primeira testemunha ouvida foi Valério dos Santos Pinto, de 51 anos de idade, casado, exercendo a profissão de boticário, residente na vila de Alter, “testemunha jurada aos Santos Evangelhos para dizer a verdade e só a verdade do que souber e lhe for perguntado”129. Ele declarou ser verdade que o professor, às vezes, faltava e, em tais

ocasiões, deixava com os encargos do magistério o filho de 14 anos, o que, efetivamente, causava insatisfação e por vezes transtorno às famílias, levando inúmeros pais a retirarem os filhos da escola para encaminhá-los para a instrução de mestres particulares. Já Joaquim da Costa Callado - a segunda testemunha ouvida - com 50 anos, casado e lavrador - não sabia dizer se o professor faltava ou não às aulas. Não tinha também conhecimento do fato de o mestre utilizar expressões impróprias em sala de aula. Julga apenas que muito daquilo que se atribuía à incapacidade ou à ausência de zelo do professor derivava na verdade da proliferação de mestres particulares naquela região. Francisco Inácio Gonçalves, de 39 anos, casado, escrivão do Juízo Ordinário, também opta por não se pronunciar sobre as faltas e sobre a conduta do docente, mas reitera que eram tão concorridas as aulas dos “mestres particulares a quem se paga” que o próprio professor Balthazar teria encarregado a um deles a instrução de seu filho.

Pelo relato de Crispino Jorge Alves - de 45 anos, casado, sapateiro e 4ª testemunha inquirida -, algumas vezes, de fato, o professor confiava as aulas a seu filho, que, entretanto, cumpria com muita dignidade essa tarefa. Sobre as expressões que o professor usaria, nada pode dizer a respeito, “mas disse que há, como sempre houve, mestres particulares a quem pagam mas que não obstante tudo isso a escola do dito Balthazar é frequentada por mais de uma dúzia de alunos e mais não disse”130. Victor José tinha 36 anos,

era casado e também exercia o ofício de sapateiro. Para ele as denúncias tinham razões de existir; o professor não cumpria os deveres do magistério como seria de se esperar, os alunos tinham poucas aulas e nada aprendiam. Ele mesmo - a testemunha - pretendia tirar o filho da escola e levá-lo a um mestre pago.

Para Francisco Lopes - casado, 40 anos, carpinteiro-, Balthazar cumpria, sim, todos os requisitos necessários a um professor de instrução primária; e, como prova disso, destacava o fato de seus dois filhos, com idade de 8 e 5 anos, sendo alunos do referido docente, serem já capazes de ler “em livro”, tendo ambos, além da pouca idade, apenas um ano de freqüência à escola. Para essa sexta testemunha, a própria recorrência das famílias a mestres particulares jamais poderia ser atribuída à má conduta pessoal ou pedagógica daquele professor. Por outro lado, mesmo o filho, a quem o mestre algumas vezes confiava a tarefa de substituí-lo, tinha já 16 anos e era, acima de tudo, “rapaz bastante esperto”.

O depoimento de Joaquim da Costa, de 49 anos de idade, também foi peremptório na defesa do professor. Consta do manuscrito o seguinte:

128 Cadernos de Documentos 47, Coleção de Manuscritos da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra,

códice 2531.

129 Cadernos de Documentos 47, Papéis relativos á Instrucção Pública destes Reinos, Coleção de Manuscritos

da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, códice 2531.

130 Cadernos de Documentos 47, Papéis...., Coleção de Manuscritos da Biblioteca Geral da Universidade de

329

“(...) respondendo ao primeiro artigo da acusação, sabe que Balthazar Correa do Inço, professor primário desta vila, que além de exercer o seu magistério, tem outras coisas mais em que se ocupa e é de opinião dele declarante e reconhecido por todos que um professor primário não pode subsistir com um ordenado tão módico que atualmente vencem todos, que nas algumas faltas que se diz cometer no exercício de seus deveres, é substituído por um seu filho de idade de dezessete anos, o qual se dedica à vida eclesiástica e que (...) já fizera o exame de Gramática Latina na Cabeça do Bispado donde consta ter ficado aprovado. Respondendo ao segundo artigo disse que há muito tempo não frequenta a casa do dito professor e nem sabe se ele usa ou deixa de usar expressões impróprias a uma casa de educação; e sobre a sua moral, não acha que tenha um procedimento que cause mais escândalo nesta vila, que diz maus exemplos a seus filhos ou seus discípulos. Respondendo ao terceiro, disse que sabe que o professor primário há vinte e nove anos exerce esta ocupação e que nos exames que tem feito tanto em Lisboa como na Cabeça do Distrito tem sido aprovado convenientemente e, quanto à freqüência dos rapazes, tem ouvido dizer que são poucos e mais não disse e depois de lhe ser lido o seu depoimento o achou

conforme e assinou (...)”131

Como se pode constatar, algumas das testemunhas pareciam convictas da inocência do referido professor, embora pudessem também parecer constragidas em assumir explicitamente tal parecer. Talvez, de algum modo, tivessem receio de represálias. Consta ainda do processo a certidão de batismo de Augusto, o filho do professor Balthazar, nascido em 23-12-1837, contando, portanto, com aproximadamente 17 anos em 1854.

Uma carta confidencal sobre esse caso seria remetida por Vicente P. Gomes de Carvalho ao Governador Civil do Distrito de Portalegre, no dia 18 de dezembro de 1854. O texto dizia trazer o resultado das diligências a que o remetente procedera confidencialmente nos dias 15 e 16 de dezembro corrente acerca da acusação que havia sido imputada a Balthazar Correa do Inço. A indagação secreta que o relator fizera teria ocorrido calcada no fato de ser ele supostamente um absoluto estranho àquela localidade, com praticamente nenhuma relação com as pessoas de lá, o que facilitaria a informação que desejava obter, mediante o testemunho de pessoas

“(...) respeitáveis, de reconhecida probidade e absolutamente insuspeitas e desapaixonadas. Era isto necessário porque eu estava prevenido de que alguém, com influência e autoridade naquela povoação, liberaliza a este homem decidida e mal entendida proteção, que ele está longe de merecer como tive ocasião de verificar, perguntando e ouvindo as pessoas, a quem pedi me habilitassem a dar uma informação imparcial e verdadeira sobre a sua conduta, assim na vida

privada como no desempenho das funções do magistério que exerce.”132

O inquérito seria, diante disso, complementar ou ratificador daquele anterior que, como insinua o redator, fora induzido. As pessoa consultadas, nesta segunda averiguação, foram: um proprietário, três eclesiásticos, sendo que um deles era o pároco da freguesia e outro um professor de Latim, Lógica e princípios de Teologia Moral; dois chefes de família, dos quais não constava o nome. Tais indivíduos, todos confidencialmente, teriam confirmado a versão contida na queixa de acusação e até o pároco, que visivelmente não queria se

131 Cadernos de Documentos 47, Papeis...., Coleção de Manuscritos da Biblioteca Geral da Universidade de

Coimbra, códice 2531.

132 Cadernosde Documentos 47, Coleção de Manuscritos da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra,

330 comprometer, alegando isolamento e nenhuma convivência com o referido professor, não pôde deixar de expressar o mau juízo que fazia dele.

“Na opinião geral daquela gente, a substituição do professor por outro mais idôneo é uma

Benzer Belgeler