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O sítio SAK é de propriedade de Abedias Frazão de Almeida, o Ádio. Depois que seu pai faleceu, Ádio que já havia constituído família passou a administrar a propriedade onde viviam desde início da década de 1980. Hoje Ádio vive com sua segunda esposa Elisandra Botelho, a Kika e seus filhos Abedilson e Alessandra (Vana).

O sítio de Ádio faz divisa com a propriedade de seu irmão Lino e está localizado na coordenada UTM 21L 0184935/8321849.

Dos três irmãos Frazão de Almeida que vivem no Boqueirão Ádio é o mais novo. Atualmente ele se dedica a criação do gado leiteiro e todas as manhãs recebe ajuda de seu filho Abedilson na ordenha dos animais. Ádio teve sua produção leiteira aumentada com o financiamento federal. De acordo com Kika, o valor pago pelo litro é razoável, porém a família gostaria de vender o leite diretamente ao consumidor, para tanto vão precisar de uma carretinha para ser acoplada a moto para transportar o leite até no centro urbano de Vila Bela.

É também no período da manhã que Kika cuida das tarefas domésticas e também da criação de galinhas, com ajuda da filha Vana. Ela também estuda e atualmente cursa o 2ª grau técnico em informática, na mesma escola onde estudam seus dois filhos e participa ativamente das atividades pela regularização das terras quilombolas e pelas melhorias para a comunidade.

Figura 3.3.2-2: A família.

A área de quintal da propriedade de Ádio é de aproximadamente 2.500m². Que tal qual o terreno de Lino tem uma configuração “invertida” devido a construção da estrada.

O curral fica a cerca de 30 metros de distância da casa, fora dos limites do quintal e bem próximo a uma mata típica do cerrado da região. O gado pasta em todo o entorno, que também é cercado para que o gado não invada outras propriedades.

Figura 3.3.2-3: Curral e área de pasto.

As habitações são de cunho vernacular, a cozinha é separada do restante da casa e tudo é feito de pau-a-pique e cobertura de folhas de babaçu.

Figura 3.3.2-4: Vista geral das habitações.

Na cozinha há um fogão-a-lenha onde são preparadas as refeições e o fogão a gás que quase nunca é usado. Na seguir imagem registramos Kika fazendo uma reforma no fogão, prática que periodicamente é realizada para dar melhor aparência e garantir a durabilidade do fogão. O barro utilizado no reparo foi coletado no próprio quintal e a aplicação foi feita com fogão aquecido para acelerar o processo de secagem.

Em frente a cozinha fica os quartos e a sala de visitas, ambos unidos por um único teto de folha de babaçu. Um dos quartos é destinado aos filhos e visitantes e outro quarto é do casal, ambos divididos por paredes de pau-a-pique e madeira.

Figura 3.3.2-6: Quartos e sala de visitas.

Na sala estão a televisão, as cadeiras e redes. E nesse ambiente que a família se acomoda durante as refeições e nos momentos de lazer, no entorno ainda tem grande banco fixo de madeira com o mesmo objetivo. A sala também é usada para armazenamento de vários utensílios e produtos que são utilizados nas atividades cotidianas, como, arreio de cavalos, chicotes, ração para galinhas, entre outros.

Aquelas pessoas que chegam ao sítio pelo rio Alegre ou pela estrada, mal podem avistar a casa que está “camuflada” pela enorme mangueira plantada no quintal. Ádio conta que as mangueiras foram plantadas quando a família Frazão ainda vivia no Porto Boqueirão e essa era apenas um local de roça da família.

No total são oito mangueiras no quintal, sete delas estão plantadas no que antes era o fundo do quintal, numa área de pomar, e um exemplar solitário está logo na porteira de entrada do sitio para aqueles que vêm do rio Alegre. Sobre as mangueiras e a propriedade de suas folhas para banhos de limpeza contra energias negativas Ádio disse que os mais velhos é que sabiam dessas coisas, já Kika diz ter ouvido falar.

Figura 3.3.2-7: Mangueiras no pomar e a mangueira solitária em frente a porteira de entrada.

As mangueiras possuem várias escarificações em seus troncos, que de acordo com Ádio são feitas para “sangrar” a árvore para que os frutos nasçam em maior quantidade e mais doces.

Figura 3.3.2-8: Escarificações nos troncos das mangueiras.

Existem outras árvores frutíferas plantadas no SAK, algumas plantadas pelo pai de Ádio, outras plantadas por ele e Kika. Há alguns pés de acerola e pinha, algumas canas, pés de abacate, limão, mexerica, goiaba, ingá de casa, cereja, graviola, do lado da mangueira solitária há um pé de laranja, que como veremos também tem significados simbólicos para vilabelenses, mas os moradores do SAK não souberam falar a respeito.

Figura 3.3.2-9: algumas das árvores no quintal de Ádio e Kika, graviola, boicaiúva, urucum e tarumã (da esquerda para a direita).

No campo de pastagem que contorna o quintal, há muitas árvores nativas frutíferas, como o cajueiro, a bocaiuva, mangava e o pequizeiro. Bem encostada à cerca, do lado externo do quintal existe um angico, um ingazeiro, um ipê-roxo, também chamado de peúva ou para-tudo e um pé de jenipapo, cujo fruto é usado para fazer suco e alimentar o gado. Ádio se lembra de que sua mãe fazia licor de jenipapo, pois no Porto Boqueirão também tinha um pé dessa árvore, também lembra que os porcos se alimentavam daqueles jenipapos que caíam do pé.

Figura 3.3.2-10: Cajueiro no entorno imediato do quintal SAK (área de pastagem).

A horta de Kika fica próxima ao pomar, ela reclama que sua horta não é bem cuidada porque ela quase não tem tempo por causa da escola. Mas, há plantado um pouco de pimenta, alfavaca, maxixe, abóbora, cebolinha.

Figura 3.3.2-11: Na horta de Kika colhemos maxixe e abóbora.

Ao lado, numa pequena roça Kika planta mandiocas e ao lado da cozinha há alguns pés de cana-de-açúcar.

Figura 3.3.2-12: mandiocas do roçado de Kika.

Tal qual observado no sítio SLM, há plantas de proteção em torno da habitação no sítio de Kika e Ádio. Existem alguns pés de comigo-ninguém-pode, que segundo Kika já estavam plantados nesse mesmo local quando ela se mudou para o sítio para viver com Ádio, que afirma que essas plantas foram plantadas logo que o sítio foi construído, provavelmente por sua mãe, que também cultivava essas plantas na casa em que eles viviam no Porto Boqueirão. Sobre a utilidade da planta Kika diz achá-las muito bonitas e também diz ter ouvido que são boas para afastar mau-olhado.

Figura 3.3.2-13: Touceiras de comigo-ninguém-pode plantadas no entorno dos quartos do sítio SAK.

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Benzer Belgeler