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As temperaturas média, mínima e máxima, para toda a coluna de água durante a etapa de hidrografia de setembro de 2005 são apresentadas na Tabela 4.1.1. Nesta etapa, a temperatura média nas águas superficiais da plataforma foi de 20,48 °C, variando de 19,60 a 22,14 °C, enquanto a média junto ao fundo foi de 18,63°C, variando entre 10,87 a 20,68 °C. A distribuição horizontal da temperatura na superfície apresentou um núcleo de águas com temperatura inferior a 20°C na região da isóbata de 50 m, na porção central da área de estudo (Figura 4.1.1 a). Na região mais costeira, as temperaturas superficiais ficaram próximas a 21°C. As isotermas obtidas junto ao fundo (temperaturas referentes à última profundidade de registro do CTD) apresentaram uma distribuição diferente da obtida na superfície, com um gradiente decrescente em direção o mar aberto, chegando a temperaturas inferiores a 13°C (Figura 4.1.1 b).

A salinidade apresentou um padrão de distribuição semelhante na superfície e no fundo (Figura 4.1.2 a e b), com um gradiente decrescente em direção à costa sendo mais conspícuo na superfície, onde se pode observar águas com salinidades inferiores a 32 junto a costa, até superiores a 36 nas regiões mais distantes.

A distribuição vertical das temperaturas e salinidades das radiais 1, 5 e 9 é apresentada nas Figuras 4.1.3 a 4.1.5. A entrada de águas mais salinas parece ocorrer à meia água na faixa em torno dos 50 m de profundidade vinda da porção norte. Por outro lado, a isoterma de 20°C e as isohalinas de 33 e 33,5 indicam a presença de água mais fria, que chega à área oriunda da porção sul pela região da plataforma média.

A região em frente ao estuário de Santos apresentou as salinidades mais baixas. Através dos perfis batimétricos das radiais 1, 5 e 9, fica evidente que a coluna de água apresentava-se verticalmente pouco estratificada nos 30 m superiores, tanto em termos de temperatura quanto salinidade. Gradientes nesta camada superior foram mais evidentes horizontalmente.

O diagrama T-S para os pares de pontos obtidos em setembro/2005 apresentou um triângulo de mistura bem definido (Figura 4.1.6), indicando a presença de três massas de água: Água Costeira (AC), Água Tropical (AT) e Água Central do Atlântico Sul (ACAS), de acordo com os índices termohalinos propostos por Miranda (1982), descritos no item 2.1. As misturas entre essas massas de água, entrentanto, foram detectadas apenas entre AC e AT, e entre AT e ACAS, não tendo sido detectada mistura entre AC e ACAS.

Os vetores de velocidade e direção dos ventos sobre a plataforma no período de 20 a 25 de setembro de 2005 são apresentados na Figura 4.1.7, onde observa-se que predominam ventos de nordeste, com a ocorrência eventual de ventos de sudeste.

Através das imagens de TSM médias semanais para aproximadamente o período que foi realizado o cruzeiro de setembro de 2005 (Figura 4.1.8 a e b), pode-se observar temperaturas médias baixas para este período, com intrusão de águas mais frias oriundas de regiões mais ao sul da área de estudo. A mesma situação foi observada para as duas semanas que antecederam o cruzeiro de setembro de 2005, como pode ser visto na Figura 4.1.8 c e d, uma semana antes, e na Figura 4.1.8 e e f, duas semanas antes da realização do cruzeiro de setembro de 2005.

As concentrações de amônia na superfície variaram entre zero e 2,22 μM (Tabela 4.1.1) com os valores mais altos ocorrendo na porção norte da área, próximo à costa de São Sebastião, na radial 1, e em frente à baía de Santos, na radial 3 (Figura 4.1.9a). No fundo, as concentrações mais altas ocorreram também na radial 1 próximo à costa de São Sebastião e na radial 5, próximo a Santos (Figura 4.1.9b). A concentração média de amônia obtida para o conjunto de dados (todas as profundidades) foi de 0,35 (±0,30) μM.

As concentrações de nitrato apresentaram-se mais elevadas no fundo (Figura 4.1.9c), claramente associadas à ACAS, que na superfície (Figura 4.1.9d). A região costeira em frente à baía de Santos apresentou concentrações mais elevadas na superfície, bem como nas águas de fundo nessa mesma região, indicando alguma contribuição proveniente da região estuarina. Tanto a amônia quanto o nitrato apresentaram as menores concentrações na região sul da área de estudo.

O padrão de distribuição do nitrogênio total (NIT) (Figura 4.1.9 e, f) é bastante semelhante ao do nitrato, uma vez que as concentrações de amônia (Figura 4.1.0 a, b)

foram muito inferiores às de nitrato. Nas águas superficiais, observa-se uma maior concentração de nitrato junto à entrada da baía de Santos, e em uma porção mais ao sul. Foi observado um núcleo na porção mais externa da radial 1 com concentração de nitrato acima de 3,0 µm. Este núcleo coincide com valores mais altos de amônia e MST. No fundo, dois núcleos de concentração mais alta de nitrato, e consequentemente de NIT, se destacam, um próximo à baía de Santos e outro mais ao largo na plataforma, este relacionado à águas mais frias, com forte influência da ACAS (Figura 4.1.9 d e f).

Com relação ao fosfato, a água superficial também apresentou baixas concentrações, com núcleos de maior concentração na região do entorno da baía de Santos, e no fundo na região da plataforma média, associado às águas mais frias, da ACAS (Figura 4.1.10 a e b). Núcleos de concentração mais alta foram observados na superfície ao norte da baía de Santos, estendendo-se até Bertioga (Figura 4.1.10 a). Junto ao fundo, a disponibilidade de fosfato foi maior (Figura 4.1.10 b), indicando que a ACAS é uma importante fonte desse nutriente, visto que a maior concentração foi observada no ponto onde a temperatura foi inferior a 13 °C. Um núcleo de alta concentração (1,39 μM) na radial 9 indica que a ACAS é uma importante fonte desse nutriente visto que ocorreu no mesmo ponto onde a temperatura foi inferior a 13°C (Figura 4.1.1 b).

O silicato apresentou uma distribuição horizontal (Figura 4.1.10 c e d) intimamente ligada à proximidade da costa. Embora, tanto no fundo quanto na superfície, concentrações mais altas foram observadas mais distantes, na radial 9, na região sul da área, associado às águas mais frias observadas na superfície nessa região. No fundo, observa-se também núcleos de alta concentração de silicato: um entre as radiais 1 e 2, próximo à entrada do canal de São Sebastião; outro na radial 2, e; na radial 9 próximo à isóbata de 50m (Figura 4.1.10 d).

Considerando a distribuição do MST e de sua fração orgânica (MSO), apresentadas nas Figuras 4.1.11 (a e b) e Figuras 4.1.11 (c e d) respectivamente, as maiores concentrações em águas superficiais foram observadas no eixo perpendicular à baía de Santos, especialmente junto ao fundo, sugerindo o aporte de material do complexo estuarino para a área da plataforma, (Figura 4.1.11 b). Os valores médios, mínimos e máximos de MST, e das frações inorgânicas e orgânicas são apresentados na Tabela 4.1.1. A fração orgânica representou em média 30 % do MST (com desvio padrão de 27 %). No entanto, quando altas concentrações de MST são detectadas elas

estão invariavelmente ligadas ao aumento da fração orgânica, que chegou a representar 94% do total.

O MSI (material em suspensão inorgânico) apresentou concentrações mais baixas, com concentração média de 14,38 mg l-1 na superfície e 15,96 mg l-1 no fundo. Os núcleos relativamente mais altos, tanto no fundo quanto na superfície, estão próximos à costa e ao estuário (Figura 4.1.11 e e f), sendo provavelmente reflexo do aporte de material da região estuarina para a área costeira. Contudo, vale ressaltar duas feições interessantes: um núcleo de MSO na estação mais externa da radial 1 (Figura 4.1.11 c), que encontra-se no domínio das águas mais salinas e quentes registradas na área (Figuras 4.1.1 a e 4.1.2 a), e outra feição interessante na região das estações 24 e 25 da radial 5, com máximos sub-superficiais e junto ao fundo, compostos basicamente por material orgânico (Figuras 4.1.11 d).

A distribuição da absorção pela MODC na superfície apresentou um gradiente decrescente perpendicular à costa, com valores mais altos ocorrendo na porção costeira sudoeste da área de estudo e em frente à baía de Santos (Figura 4.1.12).

A profundidade da zona eufótica estimada a partir de medidas da profundidade do disco de Secchi, variou de 4,06 a 55,53 m, com um valor médio de 26,68 m (Tabela 4.1.1). Como pode se observar na Figura 4.1.13, a profundidade da zona eufótica apresentou um gradiente crescente da região bem próxima à costa em direção ao largo da plataforma (Figura 4.1.13).

As concentrações de Cl-a variaram entre 0,05 e 8,28 mg m-3 (Tabela 4.1.1). A distribuição horizontal mostra que a porção costeira norte da área de estudo apresentou uma maior abundância em biomassa fitoplanctônica em comparação à área restante, tanto na superfície quanto no fundo (Figuras 4.1.14. a e b). Os pontos mais ricos localizaram-se ao sul do canal de São Sebastião, próximo à região do canal de Bertioga e na estação mais externa da radial 3. Com exceção desses pontos, pode-se afirmar que a área apresenta características oligotróficas.

Assim como a clorofila-a, os carotenóides apresentaram maiores concentrações na região costeira ao norte da área de estudo, próximo à baía de Santos e Canal de Bertioga (Figura 4.1.14 c). As concentrações variaram de 0,01 a 6,13 mg m-3 (Tabela 4.1.1) e os valores mais altos foram observados no fundo próximo à entrada do canal de São Sebastião (Figura 4.1.14 d).

A razão 480:665 apresentou valores entre 0,57 e 3,0, com média de 1,60 (Tabela 4.1.1). Observa-se pelas Figuras 4.1.15 (a e b) que a maior parte da área apresenta valores superiores a 2, tanto na superfície como no fundo.

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