2.7 Doğrusal elastik olmayan hesap yöntemleri 1 Malzemelerin şekildeğiştirme özellikler
2.7.3. Analizlerde kullanılan yöntemler
2.7.3.3. Artımsal eşdeğer deprem yükü yöntemi ile itme analiz
Em sua Teologia Sistemática, Tillich, de forma precisa, aponta algumas questões interessantes para uma melhor compreensão dos conceitos de “razão ontológica”, “razão técnica” e “revelação”. Com esses conceitos, ficará mais explícita a inteligibilidade da relação que existe entre a arte e a religião nos seus estudos.
Tillich distingue entre um conceito ontológico e um conceito técnico de razão. O primeiro é predominante na tradição clássica, desde Parmênides até Hegel. O segundo – embora sempre tenha estado presente no pensamento pré-filosófico e filosófico – tornou-se predominante desde o colapso do idealismo alemão clássico e com o surgimento do empirismo. Conforme a tradição filosófica clássica, segundo Tillich, a razão é a estrutura da mente que capacita a apreender e transformar a realidade. Ela é efetiva nas funções cognitiva, estética, prática e técnica da mente humana128. A razão clássica é logos,
Seja ela entendida de forma mais intuitiva ou mais crítica. Sua natureza cognitiva é um elemento entre outros, pois ela é cognitiva e estética, teórica e prática, distanciada e apaixonada subjetiva e objetiva. A negação da razão no sentido clássico é anti-humana, porque é antidivina129.
O conceito ontológico de razão sempre é acompanhado, e às vezes substituído, pelo conceito técnico de razão. Esta, por mais sutil que possa ser em seus aspectos lógicos e metodológicos, desumaniza o ser humano, uma vez que está separada da razão ontológica. A razão técnica só é adequada na medida em que se torna expressão da razão ontológica e como sua companheira. “A questão tradicional envolvendo a relação entre razão e revelação não deveria ser discutida em nível de razão técnica [...] mas sim em nível de razão ontológica, de razão no sentido de logos”130. A razão ontológica, então, é definida por Tillich, como a estrutura da mente que a capacita a compreender e configurar a realidade. No âmbito estético, a profundidade da razão é, segundo Tillich, sua qualidade de apontar para a “beleza-em-si”. Esta qualidade de apontar está direcionada a um sentido infinito e um significado último, através das criações em todos os campos da intuição estética.
No que se refere à revelação, Tillich assinala que esta sempre é expressa numa situação concreta, ou seja, ela acontece na realidade histórica. Isto porque a negação
128 Idem. Teologia sistemática, p. 86. 129 Ibid., p. 86.
da contemporaneidade põe em perigo o elemento transcendente da revelação. Isto é, quando a revelação não se faz contemporânea do ser humano concreto, ela passa a ser dependente dele. Ora, essa concepção faz com que o indivíduo seja o meio de atingi-la, contudo essa não é uma tarefa humana. A revelação é a manifestação do fundamento e do sentido incondicional da existência humana. “É uma questão de ultimate concern que envolve a personalidade total e efetiva-se através de um jogo de símbolos. Mas só podemos falar nela se ela tornou-se revelação para nós, se a experimentamos existencialmente”131.
A revelação, entretanto, sempre terá um caráter misterioso, devido à impossibilidade do ser humano em alcançar a sua compreensão plena. Ela sempre revelará algo, ocultando características que não podem ser apreendidas pelo espírito humano. Desta maneira, “a revelação é uma manifestação especial e extraordinária, com possibilidades de remover o véu de algo oculto de forma especial e extraordinária”132. O mistério permanece sempre enigmático, posto que haveria um estrago da sua própria natureza se ele perdesse seu caráter misterioso. Um mistério genuíno, contudo, é experimentado em uma postura que contradiz a atitude da cognição comum. Porquanto o mistério caracteriza, para Tillich, uma dimensão que “precede” a relação sujeito-objeto, sendo, desta forma, impossível expressar a experiência do mistério em linguagem comum, porque esta linguagem nasceu do esquema sujeito-objeto e está presa a ele133. No escopo dessa concepção, tudo aquilo que é essencialmente misterioso não pode perder seu caráter de mistério, mesmo quando é revelado.
A revelação daquilo que é essencial e necessariamente misterioso significa a manifestação, no contexto da experiência comum, de algo que transcende o contexto habitual da experiência [...] Em primeiro lugar, sua realidade se tornou uma questão de experiência. Em segundo lugar, nossa relação com o mistério também se tornou uma questão de experiência. Ambos os elementos são elementos cognitivos. Mas a revelação não dissolve o mistério em conhecimento134.
Por outro lado, Tillich percebe o “lado negativo” do mistério. Este está presente em todas as funções da razão. “O estigma da finitude”, que aparece em todas as coisas, e o “choque” que se apodera da mente quando se encontra com a ameaça do não-ser
131 HIGUET, E. O método da teologia sistemática de Paul Tillich: A relação da razão e da revelação. In:
Estudos de religião, p. 45.
132 TILLICH, P. Teologia sistemática, p. 97. 133 Ibid., p. 121.
revelam, por sua vez, o elemento abismal no fundamento do ser. O estigma da finitude aparece em Menino morto, não só através da morte da criança, causadora de desespero para os participantes da cena, externado com lágrimas petrificadas, mas evoca uma angústia diante da nossa própria finitude ao nos depararmos com a tela. É a ameaça do não-ser que se desvela para nós. Tillich afirma que a coragem é auto-afirmação “a despeito de”, isto é, a despeito daquilo que tende a impedir o eu de se afirmar. “O não-ser ameaça a auto- afirmação ‘ôntica’ do homem. De modo relativo, em termos de destino, e de modo absoluto, em termos de morte”135.
Em Menino morto existe um forte engajamento com a vida. A esperança de uma vida melhor parte de uma preocupação fundamental que desemboca em uma decisão de partir para o desconhecido, mesmo que esse desconhecido seja pior que o conhecido, mesmo que a morte esteja sempre presente em suas caminhadas. Esses seres cadavéricos carregam o peso do destino. Aqui, a questão do destino e da sua relação com a liberdade tem de ser levada em consideração, posto que a plena limitação da liberdade é explicitada quando percebemos a nossa falta de autonomia diante de várias situações da nossa existência. Por isso mesmo, a idéia de que o ser humano tem de lutar pela liberdade absoluta, tendo a autonomia para ser e fazer o que bem entender se choca com a idéia de destino. Isto porque é impossível concebermos um conceito de liberdade sem relacioná-lo com o destino.
Por isso, Tillich assinala que “a liberdade, em polaridade com o destino, constitui o elemento estrutural que torna possível a existência, porque transcende a necessidade essencial do ser sem destruí-la”136. A visão tillichiana de destino aponta para a situação em que o ser humano se encontra, isto é, a circunstância de se defrontar com o mundo, de pertencer ao mundo. Essa pertença não é a liberdade de uma função (a “vontade”), mas do ser humano, ou seja, daquele ser que não é uma coisa, mas um eu completo e uma pessoa racional. A vontade não pode ser considerada como a estrutura que representa plenamente o ser humano, porquanto ela não abarca a totalidade do eu. Por isso, para Tillich, a liberdade do ser humano pressupõe que cada função que o
135 Idem. A coragem de ser, p. 32. 136 Idem. Teologia sistemática, p. 191.
constitui como um eu pessoal participa de sua liberdade137. A liberdade, assim, é experimentada como deliberação, decisão e responsabilidade.
1. Deliberação aponta para o ato de pesar (librare) argumentos e motivos. A pessoa que os pesa está acima dos motivos; enquanto os pesa, não se identifica com nenhum dos motivos, mas está livre de todos. A pessoa, através de seu centro pessoal, reage como um todo frente à luta desses motivos;
2. A decisão é a reação do ser humano. Uma decisão corta possibilidades, caso contrário, nenhum corte teria sido necessário. A pessoa que “corta” deve estar para além daquilo que ela exclui. É por isso que seu centro pessoal tem possibilidades, mas não é idêntica a nenhuma delas;
3. Responsabilidade designa a obrigação, da pessoa com liberdade, de responder se lhe perguntam sobre as suas decisões. A pessoa, nessa perspectiva, é responsável por suas escolhas. Seus atos não são determinados por algo fora dela nem por uma parte dela, mas por sua totalidade centrada no eu. Cada indivíduo é responsável por aquilo que aconteceu por ação do centro de seu eu, sede e órgão de sua liberdade.138
Destino é
Aquilo do qual surgem nossas decisões. É a base indefinidamente ampla de nosso eu centrado; é a concretude de nosso ser que torna todas as nossas decisões [...] O destino não é um poder estranho que determina aquilo que me irá acontecer. É minha própria pessoa, tal como dada, formada pela natureza, pela história e por mim mesmo. Meu destino é a base de minha liberdade; minha liberdade participa na configuração de meu destino.139
De acordo com Tillich, só quem tem liberdade tem um destino, todavia, o ser humano tem a liberdade de aceitar ou de se rebelar contra o seu próprio destino. “E ter esta alternativa significa ser livre”140. Como podemos ver esta questão em Menino morto? Parece-nos que as pessoas da tela estão lutando contra os seus próprios destinos. Algo é revelado aqui: a saber, o ato de sair da terra de origem à procura de outra paragem que ofereça condição de vida, que ponha fim aos seus “destinos errantes”. Abismo do futuro incerto e ilusório. Destino e morte são os meios pelos quais nossa auto-afirmação ‘ôntica’ é
137 Ibid.,p. 193. 138 Ibid., p. 193. 139 Ibid., pp. 193-4. 140 Ibid., p. 194.
ameaçada pelo não-ser. A angústia da morte é o horizonte permanente dentro do qual a ansiedade do destino trabalha. “O destino não produziria ansiedade inevitável se não tivesse a morte por trás de si. E a morte está por trás do destino e suas contingências, não só no ultimo momento, quando se é expulso da existência, mas em cada momento dentro da existência”141.
Porém, como nos diz Tillich, o lado negativo do mistério é um elemento necessário da revelação; sem ele o mistério não seria mistério. Porém, “o verdadeiro mistério aparece quando a razão é conduzida para além de si mesma, a seu ‘fundamento e abismo’, àquilo que ‘precede’ a razão, ao fato de que ‘o ser é e o não-ser não é’, ao fato original (Ur-Tatsache) de que há algo e não nada”142. Por outro lado, o aspecto positivo do mistério – que inclui o lado negativo – manifesta-se, para Tillich, na revelação efetiva. Aqui, o mistério se apresenta como fundamento e não como abismo, aparecendo como poder de ser, ou seja, ele vence o não-ser143. Aparece como nossa preocupação última e se expressa em símbolos e mitos que apontam para a profundidade da razão e seu mistério. Sendo assim, revelação é a manifestação daquilo que nos diz respeito de forma última. O mistério revelado é nossa preocupação última, porque é o fundamento de nosso ser.