• Sonuç bulunamadı

Aromatik bileşiklerin ayrışması

Belgede Karbon Döngüsü (sayfa 36-39)

10.7. Hidrokarbonların Ayrışması ve Dönüşümleri

10.7.2. Aromatik bileşiklerin ayrışması

A historiografia sobre os poderes regionais na América portuguesa é bastante diversa, mas mesmo assim é possível delimitar algumas tendências gerais. A primeira delas refere-se à negação da importância destes poderes. Uma redução implícita pode ser vista no debate atual, pela grande ênfase aos poderes locais, sobretudo câmaras, misericórdias e milícias, o que é tanto mais desconcertante pelo destaque dado à dimensão econômica dos poderes regionais. Outras vezes, a esfera estatal regional é simplesmente descartada, a despeito da afirmação da existência de elites regionais: “as diferenças ou singularidades das elites regionais só podem emergir ao ser resgatada a complexidade das relações entre poder central e poder local”.61 Outra ideia corrente é a

perspectiva das capitanias como um somatório de poderes locais, como em Fragoso e Gouvêa, ou como um campo relativamente neutro a mediar as relações entre o poder central e os poderes locais, como expresso por Bicalho.62 Estas visões reduzem a

complexidade da administração colonial, na qual o surgimento de outra esfera de poder poderia conduzir a opiniões diversas a respeito da proeminência dos poderes locais. Se seguirmos o raciocínio dos próprios autores, a dinâmica de negociação e conflito no império teria mais um elemento, formando uma tríade poder central-poderes regionais- poderes locais.

Um argumento mais sutil é fornecido pela interpretação de Caio Prado Jr. Segundo o autor, a administração colonial era caracterizada pela inexistência de poderes separados e distintos como nos governos liberais modernos (legislativo, executivo, judiciário; poder geral, provincial, local). Assim, esta fluidez de jurisdições impedia a existência de distintas esferas de poder. Não haveria “uniformidade e simetria”, “funções bem discriminadas, competências bem definidas, disposição ordenada, segundo um princípio uniforme de hierarquia e simetria, dos diferentes órgãos administrativos”. Assim, por exemplo, as câmaras possuíam jurisdições de ordem geral e local e atuavam

61 BICALHO, Maria Fernanda. Elites coloniais: a nobreza da terra e o governo das conquistas. In: MONTEIRO, Nuno Gonçalo; CARDIM, Pedro; CUNHA, Mafalda Soares da (Coord.). Optima pars: elites ibero-americanas do Antigo Regime. Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais, 2005. (Estudos e investigações; 36). p. 73-97, ver p. 96.

62 Para Fragoso e Gouvêa, os poderes locais “no limite, se organizaram como capitanias”. FRAGOSO; GOUVÊA. Desenhando perspectivas e ampliando abordagens, op. cit., p. 18. PRADO JR., Caio. Formação do Brasil contemporâneo: colônia. São Paulo: Brasiliense; Publifolha, 2000. (Grandes nomes do pensamento brasileiro). p. 307, 322. BICALHO, Centro e periferia..., op. cit., p. 26.

47

como “órgãos inferiores da administração geral das capitanias”.63 Seguindo-se a

argumentação de Prado Jr., não haveria sentido pensar em poderes regionais. No entanto, este estudo busca sugerir outro entendimento, ao defender a existência de um campo de poder propriamente regional, na qual a alegada fluidez de jurisdições tanto abria espaço para o avanço da esfera estatal das capitanias sobre outros poderes, quanto era fonte de conflitos com os poderes locais. Desta forma, o quadro frouxo das jurisdições tornava-se um componente importante dos atores nos diferentes arranjos de poder e na própria construção de esferas de poder distintas.

Sem negar a importância dos poderes regionais, outras interpretações recentes sustentam um estudo atomizado dos agentes estatais. Sobretudo com relação aos governadores, mas também bispos e ouvidores, este recorte trouxe ganhos historiográficos com um maior conhecimento destes agentes quanto à sua origem e evolução social, à construção de vínculos na Corte e na colônia e ao funcionamento prático da economia das mercês. Enquadramentos mais amplos também não são incomuns, especialmente quanto à importância dos fatores geopolíticos, às estratégias de reprodução social da nobreza reinol ou às políticas coloniais nas ações dos governadores. Certamente, os estudos pormenorizados da trajetória destes agentes são válidos e necessários, porém não constituem o melhor observatório para a análise específica do poder regional e de suas dimensões relacionais. Ao centrar sobre um dos atores envolvidos, estes estudos não permitem avaliar a correlação de forças centrífugas e centrípetas de cada capitania, ainda que evidentemente contribuam para elucidar outras questões. As ações dos governadores, em particular, podem ser percebidas de forma unilateral sem o estudo das negociações e conflitos existentes no plano regional e mesmo local. Neste sentido, é preciso mergulhar na dinâmica institucional das capitanias, seja em suas instituições formais, seja nas redes informais envolvendo os diversos grupos sociais.64

63 PRADO JR., Formação do Brasil contemporâneo, op. cit., p. 309, 322.

64 Conforme, por exemplo, os seguintes estudos: SANTOS, Fabiano Vilaça dos. O governo das conquistas do norte: trajetórias administrativas no Estado do Grão-Pará e Maranhão (1751-1780). Tese (Doutorado em História Social) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2008. SOUZA, O sol e a sombra, op. cit., parte II. MONTEIRO, Nuno Gonçalo. Governadores e capitães-mores do Império Atlântico português no século XVIII. In: BICALHO, Maria Fernanda Baptista; FERLINI, Vera Lúcia Amaral (Org.). Modos de Governar: idéias e práticas políticas no império português, séculos XVI a XIX. São Paulo: Annablume, 2005. p. 93-115. BOSCHI, Caio. Administração e administradores no Brasil pombalino: os governadores da capitania de Minas Gerais. Tempo, Niterói, v.7, n. 13, p. 79-109, 2002. RUSSELL-WOOD, A. J. R. Governantes e agentes. In: BETHENCOURT,

48

Bastante antiga, uma terceira vertente é representada por uma interpretação renovada do período pombalino que trouxe outra visão sobre a importância dos poderes regionais na esfera estatal ou nas elites coloniais. Longe de construir algo completamente novo, esta tese busca explorar muitos aspectos aportados por esta corrente da historiografia, sobretudo contribuir, dentro dos seus limites, na construção de outra perspectiva sobre a formação de um paradigma estadualista na América portuguesa. Dentro desta linhagem, destacam-se inicialmente as contribuições de Dauril Alden e Kenneth Maxwell a partir do final da década de 1960. O pouco apreço dos historiadores anglo-saxões por aportes teóricos talvez tenha reduzido a importância destes trabalhos para uma revisão teórica da historiografia colonial. Sobretudo no debate atual, ao contrário de Charles Boxer, bastante citado pela sua ênfase nos poderes locais, estes dois outros autores são ainda pouco utilizados.

A minuciosa obra de Dauril Alden aponta um quadro amplo de análise das políticas de governo do marquês do Lavradio no Rio de Janeiro. Não se pode dizer que se trate uma obra estrita sobre o poder regional, devido ao estatuto de vice-reinado e à subordinação das capitanias de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul ao governo fluminense. No entanto, Alden retoma de forma arguta a história diplomática e militar, tão ao estilo de Varnhagen, para introduzir questões novas como a organização econômica e fiscal do vice-reino. Todos os dilemas, sucessos e fracassos do marquês são descritos com pormenores, assim como os diversos conflitos com diferentes oficiais e instituições: governadores, capitães-generais, mestres-de-campo, juízes de fora, ouvidores, câmaras, o Tribunal da Relação e a Igreja. Não obstante a impressionante abrangência dos temas estudados pelo autor, a participação da elite colonial fluminense no governo ainda precisaria esperar novos estudos para ser avaliada.

No que diz respeito à fiscalidade, além do autor enfatizar a importância das reformas fazendárias, Alden descreve um amplo sistema de remessas fiscais dentro da colônia, mormente para as capitanias subalternas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Alden traça um perfil bastante completo dos dilemas enfrentados pelos governadores no financiamento das despesas de guerra dentro do mosaico inter- regional da região centro-sul da América portuguesa. Parece evidente na análise de Alden o emprego de boa parte do excedente fiscal para o pagamento das próprias

Francisco; CHAUDHURI, Kirti (Orgs.). História da expansão portuguesa. Lisboa: Círculo dos Leitores, 1998. v. 3, p. 169-192.

49

despesas para sustento do império colonial, ao invés da ideia usual de remessas constantes para a metrópole.65

Dauril Alden também é um dos poucos autores a indicar a importância das capitanias-gerais enquanto esferas do poder regional, sob o declínio da autoridade dos governadores-gerais, depois designados como vice-reis. Destaca o autor, o tratamento detalhado da Coroa portuguesa quanto ao exercício de poderes dos governadores-gerais e dos capitães-mores, sugerindo que as minúcias do regulamento eram mais provas de desvio do que controle. Segundo Alden, o progresso da conquista do Brasil e suas sucessivas reorganizações administrativas conduziram à redução da autoridade efetiva do governador-geral na Bahia, tendo em vista uma melhor defesa do litoral, a diminuição do tempo entre as ordens de Lisboa e sua execução nas capitanias, bem como a necessidade de criar formas de controle próprias nas possíveis regiões mineradoras. As subdivisões do Estado do Brasil e a longa guerra com os holandeses enfraqueceram ainda mais a autoridade do governador-geral. Ademais, o impedimento de o governador- geral ausentar-se da Bahia trouxe maior liberdade aos governadores subordinados, especialmente no Rio de Janeiro e em Pernambuco.

De acordo com Alden, a reorganização administrativa em linhas regionais ocorreria a partir do último quartel do século XVII até meados do seguinte. O termo capitão-general, antes reservado ao governador-geral, foi empregado inicialmente no Rio de Janeiro em 1697, sendo depois disseminado. A reorganização em capitanias- gerais significou uma redução ainda maior do poder dos governadores-gerais e, ao mesmo tempo, os capitães-generais passaram cada vez mais a se comunicar diretamente com Lisboa, sem a intermediação de Salvador. Os vice-reis não podiam mais intervir nos assuntos internos das capitanias, realizar indicações ou remoções, dar instruções a autoridades locais ou conceder sesmarias e graças honoríficas. Embora em tese fossem subordinados ao vice-rei, as patentes dos capitães-generais também davam grande liberdade frente às ordens do vice-rei sob a alegação de servirem aos ditames do Conselho Ultramarino, da Secretaria dos Domínios Ultramarinos e aos interesses régios. Exceto em alguns casos, notadamente na união militar, a autoridade dos vice-reis ficou restrita às suas próprias capitanias. Para o autor, o Estado do Brasil era composto por capitanias-gerais administradas separadamente e unidas pela Coroa. Nota ainda o autor

65 ALDEN, Dauril. Royal Government in Colonial Brazil with special reference to the administration of the Marquis of Lavradio, Viceroy, 1769-1779. Berkeley: University of California Press, 1968.

50

que o crescimento das despesas militares levou os vice-reis e capitães-generais do século XVIII a estarem muito mais envolvidos em questões econômicas e fiscais do que os primeiros governadores.66

Seguindo argumentação semelhante à de Alden, Pedro Puntoni indica o novo modelo de organização da administração colonial no século XVII. Diversamente da análise de Nuno Gonçalo Monteiro para o reino, Puntoni destaca a existência de poderes políticos intermédios que teriam expressão no governo-geral e nas instituições do Estado do Brasil, permitindo a mediação entre os poderes metropolitanos e os poderes locais. No século XVIII, com o governo das capitanias haveria “um novo desenho destes corpos intermédios de poder, cada vez mais regionalizados, cada vez mais centralizados”.67

Nos anos 70, o estudo de Kenneth Maxwell abordaria a importância dos contratadores de tributos, e de suas dívidas para com a Real Fazenda, entre as causas antecedentes da Inconfidência mineira. Outro aspecto enfatizado dizia respeito ao envolvimento das elites coloniais na administração fazendária, especialmente na criação da Junta da Fazenda. Para além destes aspectos, a obra do autor contém elementos para uma reavaliação das políticas absolutistas, contra a ideia de que estas se fizeram sem o apoio extenso dos colonos, seja de maneira formal, por intermédio da administração, seja informal, por meio das redes de poder. Também de forma muito interessante, que se contrapõe à análise coetânea de Fernando Novais, Maxwell mostra que o período pombalino longe de ser o ápice da “dominação metropolitana” correspondeu a um período de abertura e reforma do império, fortalecendo as elites coloniais em vez de enfraquecê-las. Por outro lado, o autor destaca a década de 1780 como uma reorientação das políticas imperiais face ao relativo fracasso do projeto de modernização fazendária.68

Além dos trabalhos de Alden e Maxwell, os estudos recentes sobre a fiscalidade colonial ao longo do século XVIII também contribuem para uma periodização dos alcances e limites dos poderes regionais na América portuguesa, bem como uma avaliação das tensões entre tendências extrativas e centrífugas de acumulação do poder político e econômico.

66 ALDEN, Royal Government in Colonial Brazil, op. cit., p. 30-44. 67 PUNTONI, “Como coração no meio do corpo”, op. cit., p. 384, 387.

68 MAXWELL, Kenneth. A devassa da devassa. Inconfidência Mineira: Brasil e Portugal, 1750-1808. 7. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2009.

51

Uma forma de avaliar estas diferentes tendências consiste na análise quantitativa da fiscalidade das diferentes partes da América portuguesa. Os estudos de Angelo Carrara trazem importantes evidências sobre Minas Gerais, Pernambuco e Bahia no século XVIII, especialmente na questão das remessas fiscais para Lisboa. Além destas remessas, uma parte importante dos recursos permanecia nas capitanias para o sustento da própria administração colonial de caráter militar, civil e eclesiástico. Desta forma, tais pesquisas apresentam critérios objetivos para a avaliação das tendências extrativas e centrífugas na gestão econômica da monarquia. Outro aspecto importante refere-se à diversidade fiscal da América portuguesa. Carrara aponta como a desigualdade material das capitanias traduzia-se em diferentes fontes de tributação, pressão fiscal e utilização dos recursos.69 Assim, estes dados permitem realizar um

estudo comparativo entre as diversas capitanias, aspecto também ressaltado por Carlos Gabriel Guimarães.70

Certamente o maior número de trabalhos sobre a fiscalidade colonial aborda a atuação dos contratadores de impostos. O tema da arrematação dos contratos não é novo na historiografia brasileira, em particular pelos esforços de Myriam Ellis e seus orientandos em traçar um grande panorama dos contratos de tributos em seus aspectos técnicos, administrativos e jurídicos. Especialmente na análise da pesca da baleia e do estanco do sal, a autora realizou um estudo pormenorizado das instituições e agentes que permitiam a construção dos mecanismos coloniais de monopólio comercial e fiscal. A autora adota uma perspectiva da análise dos contratos a partir do centro, na qual os colonos vinculados ao comércio, muitos deles qualificados como “luso-brasileiros”, aparecem como agentes, emissários e testas-de-ferro dos comerciantes metropolitanos. Assim, destaca-se a importância dos contratos na acumulação de capital comercial da burguesia mercantil metropolitana e como expressão do Estado absolutista centralizado. Por outro lado, a mesma autora aponta caminhos que diferem dos pressupostos iniciais de pesquisa, a exemplo da formação de contratos dependentes da dinâmica do mercado

69 CARRARA, Angelo Alves. Receitas e despesas da Real Fazenda no Brasil: século XVIII (Minas Gerais, Bahia e Pernambuco). Juiz de Fora: Editora da Universidade Federal de Juiz de Fora, 2009. CARRARA, Angelo Alves. Receitas e despesas da Real Fazenda no Brasil: século XVII. Juiz de Fora: Editora da Universidade Federal de Juiz de Fora, 2009.

70 GUIMARÃES, Carlos Gabriel. O rendimento da capitania das Minas Gerais no período 1795-1800: uma comparação com as capitanias do Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco. Seminário sobre a Economia Mineira, 11., Cedeplar-UFMG, Belo Horizonte, 2004, Anais... Acesso em: 9 mar. 2008. Disponível em:

52

interno, especialmente vinculada ao abastecimento das minas, e o caráter essencialmente privado da colonização portuguesa em sua dimensão fiscal, que não condiz muito com a ideia de centralização estatal.71

Na década de 90, o crescente número de estudos sobre as elites mercantis coloniais trouxe novamente a questão da importância dos contratos nas estratégias de acumulação mercantil no Antigo Regime, mas também como um fator de construção social a definir hierarquias dentro do corpo de comércio ainda bastante fluído. Neste aspecto, a tese de Jorge Pedreira sobre os grandes negociantes lisboetas inspirou os historiadores brasileiros a investigarem questões semelhantes para a América portuguesa.72 Embora sem influência no debate brasileiro, deve-se lembrar o estudo de

Fernando Dores Costa que aborda, talvez sem grande ênfase, a participação dos grandes arrematantes do tabaco nos contratos do Brasil na década de 1790 e início da seguinte, destacando o favorecimento destes arrematantes, em particular com relação à prorrogação dos contratos, face às dificuldades de financiamento da Coroa portuguesa.73

Com base nestes estudos anteriores, podem ser observados dois caminhos igualmente profícuos na historiografia recente sobre os contratadores. De um lado, seguindo os passos de Ellis e Pedreira, há a retomada da importância dos contratadores reinóis, particularmente os lisboetas, na dinâmica dos contratos do império ao longo do século XVIII, o que por sua vez criava mecanismos fiscais de extração do excedente colonial. Entre outros aspectos, a tese de doutorado de Luiz Antônio Silva Araújo aponta a preponderância dos comerciantes lisboetas e do Conselho Ultramarino na arrematação dos contratos da América portuguesa durante o reinado de d. João V, indicando outra

71 ELLIS, Myriam. Comerciantes e contratadores do passado colonial: uma hipótese de trabalho. Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, São Paulo, v. 24, p. 97-122, 1982. ELLIS, Myriam. A baleia no Brasil colonial. São Paulo: Melhoramentos, 1969. ELLIS, Myriam. O monopólio do sal no estado do Brasil (1631- 1801). São Paulo: Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, Universidade de São Paulo, 1955. LYRA, Maria de Lourdes Viana. Os dízimos reais na capitania de São Paulo: contribuição à história tributária do Brasil colonial (1640-1750). Dissertação (Mestrado em História) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1970. GAMA, José Mário. O patrimônio da Companhia de Jesus na Capitania de São Paulo: da formação ao confisco, 1750-1775. Dissertação (Mestrado em História Social) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1979.

72 PEDREIRA, Jorge Miguel. Os homens de negócio da praça de Lisboa de Pombal ao vintismo (1755-1822). Diferenciação, reprodução e identificação de um grupo social. Tese (Doutoramento em Sociologia e Economia Históricas) – Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, 1995.

73 COSTA, Fernando Dores. Crise financeira, dívida pública e capitalistas (1796-1807). Dissertação (Mestrado em Economia e Sociologia Históricas) – Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, 1992.

53

periodização na história da fiscalidade colonial. A construção desta hegemonia ao início do século XVIII alterou o quadro imperial até então dotado de amplas práticas de negociação fiscal, especialmente no tocante às finanças das câmaras ultramarinas. Analisando a arrematação de contratos, o autor defende que os espaços de negociação dependiam de conjunturas específicas, entre as quais o esforço de conquista e consolidação de novas áreas e épocas de enfraquecimento da metrópole. Seguindo a análise de Ferrand de Almeida, Araújo caracteriza a primeira metade do século XVIII como um período absolutista.74

Por outro lado, consoante com a renovação geral da historiografia, há trabalhos que ressaltam o papel dos contratos na formação das elites mercantis, favorecendo a acumulação endógena na colônia. Entre estes estudos, destacam-se as dissertações de mestrado de Fernando Gaudareto Lamas e de Luiz Antônio Silva Araújo sobre a capitania de Minas Gerais, ambas sob orientação de Carlos Gabriel Guimarães.75

Alicerçados na rica documentação dos arquivos mineiros, estes estudos trouxeram a importante questão da formação das redes sociais existentes na arrematação dos contratos: entre os próprios sócios, entre estes e seus procuradores e fiadores, e mesmo entre testas-de-ferro e os verdadeiros arrematantes dos contratos. Também são analisadas as relações mais verticalizadas entre os sócios e administradores/caixas dos contratos. Sob o predomínio dos comerciantes de origem portuguesa nos contratos brasileiros, estas investigações destacaram a formação de redes de influência das quais participavam diversos colonos, sobretudo na administração cotidiana dos contratos ou na formação de sociedades mercantis, especialmente com mineradores e grandes proprietários residentes em Minas Gerais. No entanto, os mesmos autores enfatizam a permanência dos vínculos destes negociantes com o reino, ainda que estabelecidos no ultramar. Assim, evitam a ideia de que estes contratadores tivessem apenas uma atuação

74 ARAÚJO, Luiz Antônio Silva. Em nome do rei e dos negócios: direitos e tributos régios nas minas setecentistas (1730-1789). Tese (Doutorado em História) – Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2008.

75 Entendo que há diferenças interpretativas entre a dissertação de mestrado e a tese de doutorado de

Belgede Karbon Döngüsü (sayfa 36-39)

Benzer Belgeler