O turismo em Ibitipoca/MG, estudo de caso da pesquisa, passa por constante crescimento e tem gerado transformações no lugar, sob diversos aspectos. A atividade, hoje, amplia-se para toda a região, embora aconteça, prioritariamente, no Parque Estadual e atinja, principalmente, a vila de Conceição, cuja economia é totalmente dependente dessa prática. Conforme descrito da dinâmica do lugar, a inserção do turismo trouxe, ainda, novas valorações do território, com ações que o tornam, inclusive, internacional.
No entanto, da forma como é conduzido, esse turismo não se enquadra nos ideais do TBC, principal referência do trabalho no que se relaciona à sustentabilidade, destacando-se a falta de união da comunidade, o que a impede de gerir, por si própria, a atividade turística, ou seja, observa-se a ausência de horizontalidades constituídas.
Frente a esse quadro, ao trazer como principais considerações do embasamento teórico, além do TBC, a constituição da memória coletiva a partir das diversas percepções individuais, e a ampliação do conceito de patrimônio, trabalhou- se com a real possibilidade da convivência de ambos os eixos do estudo, desenvolvimento turístico e preservação, em Ibitipoca.
Nesse sentido, a pesquisa de campo com os vários agentes atuantes no lugar – os turistas, como outsiders, os moradores atuais ou estabelecidos, antigos habitantes, empreendedores e gestores – trouxe suas diversas percepções, ora similares, ora diferentes, porém com poucos conflitos diretos.
Tais conflitos, notadamente entre os outsiders e os estabelecidos, não aparecem nas opiniões coletadas, mas sim na observação espacial do lugar, que apresenta grande segregação entre os locais destinados aos turistas e aqueles frequentados pelos moradores. No entanto, reforça-se que ambos os grupos consideram positivo o turismo em Ibitipoca, havendo assimilação da nova dinâmica e cultura vinda com ela, por parte dos estabelecidos, o que começa a conformar uma nova identidade destes.
Essa perspectiva da pesquisa com os agentes citados permitiu o aprofundamento no que é o conjunto, culminando nos novos olhares para Ibitipoca, como contribuição ao local. Dessa forma, os novos olhares concluem a pesquisa e trazem proposições possíveis de serem levadas à comunidade para discussão,
dentro do quadro atual já consolidado, buscando aproximar o turismo local de uma prática mais sustentável, que considera a preservação do lugar e, prioritariamente, o fortalecimento da identidade e do sentido coletivo, reforçando o TBC como base da investigação.
Basicamente, então, entendendo a participação comunitária como chave do TBC, a chave para as diretrizes seria, exatamente, a construção dessa participação, discutindo a atividade turística participativamente. Assim, as propostas voltaram-se à coesão da comunidade, sendo este o primeiro passo para, em uma perspectiva futura, propiciá-la tornar-se capaz de gerir o turismo e exigir as devidas obrigações do poder público.
No entanto, entende-se que ainda há muito a se avançar. Mais do que uma convergência entre os olhares, é necessária a conversa, na prática, entre eles, incorporando os setores do tripé da sustentabilidade ou mesmo do SISTUR – econômico, ambiental e sociocultural.
Em um sentido mais amplo, pondera-se que, em geral, a pesquisa evidencia a fragilidade das ações de planejamento e a negligência estatal. A ampliação do conceito de patrimônio não foi acompanhada pela gestão do mesmo e, na prática, o campo da conservação não se engajou com a sustentabilidade, visto que ainda existem poucos instrumentos para tal e prevalece o tombamento como forma de proteção mais difundida.
As políticas de preservação, e mesmo os conceitos já ampliados, devem ser reavaliados para a proposição de novas formas de gerir o patrimônio e o desenvolvimento, inseridos na discussão do planejamento urbano e tendo em mente a introdução da comunidade como agente nesse processo. Além disso, os próprios ideais do TBC, enquanto modelo, podem apresentar pontos negativos ao serem aplicados, como, por exemplo, o controle excessivo por alguns grupos dominantes sobre o lugar e seus espaços coletivos.
Dessa forma, acredita-se na possibilidade do desenvolvimento de diretrizes mais generalizáveis, na mesma perspectiva da pesquisa, relacionadas a como atuar em localidades que vêm sofrendo descaracterização com o turismo ou mesmo com outros processos de transformação.
Essas ações seriam em prol de uma manutenção do lugar que considere, simultaneamente, a dinâmica que o desenvolvimento traz, não entendendo essa manutenção com o intuito de manter estáticas as estruturas físicas ou as relações
sociais, mas sim no sentido de uma não transformação do sítio em um espaço sem significado e vínculo afetivo.
Assim, além dessas formas de atuação, já se delineia, como fechamento, o entendimento da necessidade de continuação do estudo, direcionado à percepção da essência do lugar nas diversas percepções, a qual deve ser mantida. Tal definição poderá aprimorar a gestão da preservação, na ideia apresentada do que pode ser considerado um desenvolvimento (turístico) sustentável.
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APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO APLICADO AOS TURISTAS
Nº entrevista:____Local onde foi entrevistado: [ ] Vila [ ] Parque -- Sexo: [ ] F [ ] M Nome:______________________________________________________Idade:_________ Local de origem:____________________________________________________________ Profissão:__________________________________________________________________ ... - Veio acompanhado por quem?________________________________________________ - Onde está hospedado?
[ ] Pousada [ ] Casa alugada [ ] Camping [ ] Camp. Parque [ ] Outros - Quanto tempo pretende ficar aqui? ____________________________________________ - Já conhecia Ibitipoca? [ ] SIM => 1 [ ] NÃO => 2
1) O que você acha que mudou por aqui?
__________________________________________________________________________ 1) Já veio em algum evento? [ ] I. Jazz [ ] I. Blues [ ] I. Reggae
[ ] Ibitipoca Off Road [ ] Outros_______________
- Como soube daqui? ________________________________________________________ - O que faz aqui durante o dia? ________________________________________________ - E durante a noite?__________________________________________________________ - Você já visitou outros Parques Nacionais/Estaduais? [ ] SIM [ ] NÃO
- Você foi ao Parque nessa viagem? Qtas. vezes? [ ] SIM [ ] NÃO _________________ - Quais outros lugares você frequentou em Ibitipoca?
__________________________________________________________________________ - Como tem percebido a Vila com o turismo?
__________________________________________________________________________ - O que atraiu você neste lugar?
__________________________________________________________________________ - Sentiu falta de algo aqui? O quê?
__________________________________________________________________________ - Na sua opinião, qual seria uma característica de Ibitipoca diferente dos demais lugares?