6. ARKİTEKT(MİMAR) DERGİSİ BAĞLAMINDA KADIN GÖRÜNÜRLÜĞÜ
6.5. Arkitekt Dergisi Bağlamında Kadın Görünürlüğü Sonuç
Julgamos que na esteira do papel da fantasia70 no desenvolvimento e
constituição da sexualidade humana, como já fora apontado nos Três ensaios (1905), aquele como sendo o elo conciliador com uma concepção vindoura da sublimação, temos em Escritores criativos e devaneio (1908) a criação e a imaginação operando como componentes importantes da sublimação. Essa observação é de fato inteiramente compatível com o papel da fantasia no desenvolvimento da sexualidade e, como observa Castiel no já mencionado e citado artigo, “percebe-se que neste texto já há subjacente uma outra concepção do principio do prazer por parte de Freud, onde não há a vinculação deste com o princípio de inércia”71, visto que “prazer não é mais a descarga
total da pulsão como anteriormente, formas alternativas de satisfação de um desejo, também, significam prazer.”72
Desde o ano de 1905, nos Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, a fantasia fora descrita como elemento cambiável e componente da atividade
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Este termo, fantasia, em alemão Phantasie, tem por precedentes o grego phantasma, transformado em fantasma no latim. Fora utilizado por Freud com muitas acepções, sendo a primeira delas a de uso ordinário que compreende basicamente algo imaginado ou fantasiado conscientemente. Veio a ser utilizada como conceito a partir de 1897 como correlato de realidade psíquica (conceito explicado em a interpretação dos sonhos e desenvolvido em 1911), diga-se de passagem, é a realidade que mais interessa à psicanálise; é com isso que especialmente trabalha o analista no setting. Isto marca o abandono da teoria da sedução (ou teoria do trauma), tão cara a Freud na época e que ainda pesaria durante muitos anos em suas considerações.
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O princípio do prazer nesta época postulava que há uma tendência geral do aparelho psíquico a descarregar totalmente as quantidades da libido, ideia ainda oriunda da época da escrita do Projeto para uma psicologia científica (1895) devido ao princípio do prazer estar subjugado ao princípio de inércia. Somente mais tarde, em 1920, com o Além do princípio do prazer, Freud adotaria sem restrição o princípio de constância como sendo aquele a quem o princípio do prazer estaria subordinado, e que, diferente do princípio de inercia, exige ao organismo que mantenha o nível quantitativo de excitação o mais baixo possível ou constante. A presença deste princípio no pensamento e na obra de Freud remete às ideias de Gustav Fechner.
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CASTIEL, op.cit. p. 94. Entrementes, a rigor, não houve nesta época qualquer reformulação direta do princípio de prazer. O adendo de crucial importância teórica só viria a ocorrer com o afamado texto Além do princípio do prazer em 1920.
psíquica inconsciente, pré-consciente e consciente, independente das configurações estruturais (neurose, psicose73 ou perversão) na qual e através
da qual se edifica o sujeito. Desde Freud é estabelecida uma distinção entre as fantasias conscientes, os devaneios (ou sonhos diurnos), os romances que o sujeito conta a si mesmo (e nisto inclui-se certas formas de criação literária) e as fantasias inconscientes, devaneios subliminares, prefiguração dos sintomas histéricos. Essa mesma concepção é mantida, por exemplo, no artigo metapsicológico de 1915 sobre o inconsciente.
É, todavia, em Escritores criativos e devaneio que surge a ocasião de uma reflexão que marca a admissão irrevogável das possibilidades de se obter prazer através da ação sublimatória; embora, curiosamente, neste texto Freud não cite diretamente o mecanismo de sublimação em momento algum. De todo modo, se depreende das considerações e conjecturas deste texto que há, na sublimação, a capacidade de se obter prazer, enquanto satisfação pulsional (de uma forma indireta se encaramos o sexual como o que concerne ao prazer direto das zonas tipicamente erógenas) através de uma construção simbólica. Quanto especificamente à construção simbólica, e nesse ponto de caráter inexoravelmente fictício, diz Freud:
A irrealidade do mundo imaginativo do escritor tem, porém, consequências importantes para a técnica de sua arte, pois muita coisa que, se fosse real, não causaria prazer, pode proporcioná-lo como jogo de fantasia, e muitos excitamentos que em si são realmente penosos, podem tornar-se uma fonte de prazer para os ouvintes e espectadores na representação da obra de um escritor (FREUD, 1908, p. 136).
E quanto ao material de onde provêm as obras literárias, isto é, das fantasias que tomam a forma de devaneios, diz:
Ao crescer, as pessoas param de brincar e parecem renunciar ao prazer que obtinham do brincar. Contudo, quem compreende a mente humana sabe que nada é tão difícil para o homem quanto abdicar de um prazer que já experimentou. Na realidade, nunca renunciamos a nada; apenas trocamos uma coisa por outra. O que parece ser uma renúncia é, na verdade, a formação de um substituto ou sub-rogado. Da mesma forma, a
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A partir das leituras propostas por Lacan à psicanálise diretamente freudiana – e a instauração da clínica do Real, que inclui a psicose em sua prática analítica – a terminologia é alterada quanto às produções fantasmáticas do psicótico, que ao invés de fantasiar, erotomaniza. Cf. QUINET, A. Teoria e clínica da psicose. Jorge Zahar, Rio de Janeiro, 2011.
criança em crescimento, quando para de brincar, só abdica do elo com os objetos reais; em vez de brincar, ela agora fantasia. Constrói castelos no ar e cria o que chamamos de devaneios. (FREUD, [1907] 1908, p. 116). Por fim, conclui seu texto com palavras que dificilmente poderia resumir melhor aquilo que pretendíamos ressaltar desse texto no presente momento. Infere que há um prêmio de estímulo, uma espécie de prazer preliminar74, que “nos é oferecido para possibilitar a liberação de um prazer ainda maior, proveniente de fontes psíquicas mais profundas”.75
Em minha opinião, todo prazer estético que o escritor criativo nos proporciona é da mesma natureza desse prazer preliminar, e a verdadeira satisfação que usufruímos de uma obra literária procede de uma libertação de tensões em nossas mentes. Talvez até grande parte desse efeito seja devida à possibilidade que o escritor nos oferece de, dali em diante, nos deleitarmos com nossos próprios devaneios, sem auto- acusações ou vergonha. (FREUD, [1907] 1908, pp. 142- 143)
No entanto, devemos ter em mente a distinção feita por Freud (à qual nos remeteu Birman ainda há pouco) de que o trabalho de criação dos artistas teria como base o registro do sexual, enquanto que “o discurso da ciência poderia se dar sob a influência da precariedade sexual do sujeito, isto é, sob o signo da dessexualização”.76
Para Garcia-Roza:
Tal como qualquer outro menos favorecido, o artista transfere seu interesse, e também sua libido, para a fantasia, obtendo assim um alívio e consolo provisórios. O que caracteriza o verdadeiro artista, porém, é sua capacidade de elaborar suas fantasias de modo a perderem o que possuem de excessivamente pessoal e chocante para as demais pessoas, além de dar forma a um material que passa a representar sua fantasia e desta maneira suspender o recalcamento e obter um prazer que lhe seria negado não fosse sua capacidade artística. Da mesma forma que consegue isto para si próprio, possibilita aos outros extraírem o prazer e alívio de suas próprias fontes inconscientes, obtendo assim gratidão e admiração. (GARCIA-ROZA, 1995, p. 134). Em certa ocasião disse Fernando Pessoa em seu Livro do
Desassossego que “A arte consiste em fazer os outros sentir o que nós
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Trabalharemos esse fenômeno com mais afinco no capítulo seguinte, onde nos utilizamos com maior frequência do termo pré-prazer.
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FREUD, [1907] 1908, p. 142.
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sentimos, em os libertar deles mesmos, propondo-lhes a nossa personalidade para especial libertação”.
Doravante há sempre de se considerar o papel exercido pela fantasia quando o propósito for realizar uma análise em termos de sublimação. A consideração do processo fantasioso passa a ser algo fundamental para a análise integral de qualquer caso que tenha em vista a compreensão de um processo sublimatório, sendo, portanto, o estudo da fantasia essencial para o próprio desenvolvimento da concepção da sublimação. (Desenvolvimento que ocorreu, embora, nunca tenha chegado ao esperado resultado deu ma minuciosa descrição metapsicológica).