Em maio de 1961 o então Presidente Jânio da Silva Quadros nomeou uma comissão para “estudar e sugerir a política e o programa de investigação espacial brasileira e propor medidas para implementação das pesquisas nesse campo” (OLIVEIRA, 1991). Em 3 de agosto de 1961 é assinado o decreto de criação do Grupo de Organização da Comissão Nacional de Atividades Espaciais (GOCNAE). Em 1963, este grupo passou a se chamar Comissão Nacional de Atividades Espaciais (CNAE) e, em 1971 seu nome foi alterado para Instituto de Pesquisas (INSTITUTO) sob a subordinação do CNPq (OLIVEIRA, 1991).
Em 1985, com criação do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), o Instituto passa a ser subordinado a este Ministério como órgão autônomo. Em 1989, o MCT passa a ser chamado de Secretaria de Ciência e Tecnologia (SCT/PR) e, em 1990 o nome do Instituto passa a ser Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e a SCT volta a ser chamada de Ministério da Ciência e Tecnologia.
O Instituto conta com instalações em diversas regiões do país, sendo, duas unidades na região centro-oeste, duas na região sul e quatro unidades na região sudeste, incluindo a sede que está localizada no Vale do Paraíba Paulista. Contando todas as unidades, o Instituto possui 970 servidores ativos, sendo que destes profissionais, 179 são pesquisadores e 301 são tecnologistas. Os demais servidores são auxiliares e técnicos, assistentes e analistas em ciência e tecnologia.
As áreas de pesquisas que competem ao Instituto são as seguintes: ciências espaciais, atmosféricas e meteorologia, engenharia e tecnologia espacial, observação da terra e tecnologias espaciais.
Além disto, seus cursos de pós-graduação (mestrado e doutorado) formam profissionais nas áreas de astrofísica, engenharia e tecnologias espaciais, geofísica espacial, computação aplicada, meteorologia e sensoriamento remoto. Estes cursos foram instituídos gradativamente a partir de 1968, com o objetivo de formar recursos humanos qualificados nas áreas de atuação do Instituto, devido à inexistência ou insuficiência de instituições geradoras de conhecimentos nas respectivas áreas no País naquela época (INSTITUTO, 2011).
Para melhor contextualizar a instituição onde o estudo é realizado, destacamos abaixo a relação das unidades de pesquisa subordinadas ao mesmo ministério, com datas de fundação, missão e número de servidores.
As duas primeiras unidades de pesquisa abaixo relacionadas foram criadas ainda durante o Brasil Império como as primeiras tentativas de formar cientistas, apoiar as expedições que eram enviadas pelo País.
O Instituto Nacional de Tecnologia (INT) surgiu da necessidade de investigar e divulgar os processos industriais de aproveitamento de combustíveis e minérios do País. Foi no INT que, em 1920, desenvolveu-se o primeiro carro à álcool do mundo. Em 1930, este instituto inicia o desenvolvimento de pesquisas em biocombustíveis com várias oleaginosas provando com isto a existência de petróleo no Brasil.
Unidade de Pesquisa Fundação Ano de Missão servidores Nº de
ON - Observatório Nacional 1827
Realizar pesquisa e desenvolvimento em Astronomia, Geofísica e Metrologia em Tempo e Frequência, formar pesquisadores em seus cursos de pós-graduação, capacitar profissionais, coordenar projetos e atividades nacionais nestas áreas e gerar, manter e disseminar a Hora Legal Brasileira.
140
MPEG - Museu Paraense
Emilio Goeldi 1861
Realizar pesquisas, promover a inovação científica, formar recursos humanos, conservar acervos e comunicar conhecimentos nas áreas de ciências naturais e humanas relacionadas à Amazônia.
257
INT – Instituto Nacional de
Tecnologia 1921
Participar do desenvolvimento sustentável no País, por meio da pesquisa tecnológica, da transferência do conhecimento e da promoção da inovação.
245
Quadro 3 - Unidades de Pesquisa do MCTI
Fonte: Elaboração da autora, a partir de pesquisa no site do MCTI (2012)
A década de 1950 foi promissora no que tange à criação de instituições de pesquisas na área de Ciência e Tecnologia. Com a fundação do CNPQ e da CAPES, as unidades de pesquisa abaixo foram subsequentemente criadas, sendo que: o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) foi fundado por um grupo de cientistas brasileiros interessados no desenvolvimento científico do país. Este Centro foi, inicialmente, mantido por doações particulares e dotações orçamentárias concedidas pela Câmara de Federal de Deputados, pela Câmara de Vereadores do DF (então no Rio de Janeiro), pela Confederação Nacional da Indústria e também por agências de financiamento à pesquisa e ao ensino superior que foram sendo constituídas ao longo dos anos. O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA)
com o objetivo de realizar estudos científicos do meio físico e das condições de vida da região amazônica com vistas ao bem-estar humano e o desenvolvimento socioeconômico regional, o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) tem o objetivo de fornecer informações em Ciência e Tecnologia que inclui o sistema eletrônico de editoração de revistas, banco de teses e dissertações, sistemas de arquivos digitais, portal de periódicos de acesso livre, entre outros sistemas de informação. O Quadro 4 lista as respectivas instituições.
Unidade de Pesquisa Fundação Ano de Missão servidores Nº de
CBPF – Centro Brasileiro
de Pesquisas Físicas 1949
Realizar pesquisa básica em Física e desenvolver suas aplicações, atuando como instituto nacional de Física do Ministério da Ciência e Tecnologia e polo de investigação científica e de formação, treinamento e aperfeiçoamento de pessoal científico.
155
IBICT – Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e
Tecnologia
1950
Promover a competência, o desenvolvimento de recursos e a infraestrutura de informação em Ciência e Tecnologia para a produção, a socialização e a integração do conhecimento científico-tecnológico.
111
INPA – Instituto Nacional
de Pesquisas da Amazônia 1952
Gerar e disseminar conhecimentos e tecnologias e capacitar recursos humanos para
o desenvolvimento da Amazônia. 735
INSTITUTO 1961
Produzir ciência e tecnologia nas áreas espacial e do meio ambiente terrestre e oferecer produtos e serviços singulares em benefício do Brasil.
1.120
Quadro 4 - Unidades de Pesquisa do MCTI - 2
Fonte: Elaboração da autora, a partir de pesquisa no site do MCTI (2012)
O INSTITUTO foi criado em agosto de 1961, deu início às atividades espaciais no Brasil. Sua criação aconteceu logo após os lançamentos dos satélites Sputnik 1 da então União Soviética e do Explorer 1 dos Estados Unidos, fatos que mobilizaram dois alunos do Instituto Tecnológico de Aeronáutica, Fernando de Mendonça e Júlio Alberto de Morais Coutinho a construir uma estação para receber sinais do satélite norte-americano em cooperação com o Laboratório de Pesquisa Naval da Marinha dos Estados Unidos. Na mesma época havia no Brasil a Sociedade Interplanetária Brasileira (SIB) que, em reunião com a Associação Argentina Interplanetária, propuseram a criação de uma instituição civil de pesquisa espacial (INSTITUTO, 2007).
O crescente desenvolvimento da Ciência e Tecnologia, não só no Brasil, mas em todo o mundo, a criação do Ministério da Ciência e Tecnologia em 1985, atualmente Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a abertura democrática favorecida pela
Constituição de 1988 proporcionou a expansão das unidades de pesquisa na área. Algumas destas instituições vieram incrementar as atividades de ciência e tecnologia já existentes, como o Centro de Tecnologia Mineral (CETEM), O Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), o Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), o Instituto Nacional de Semi- Árido (INSA). Várias destas instituições encontraram espaço favorável para aprimorar seus campos de atuação após a Lei de Inovação, Lei nº 10.973, de 2 de dezembro de 2004 (BRASIL, 2004), que promoveu maior incentivo à inovação e, consequentemente, o desenvolvimento científico e tecnológico do país.
Os quadros 5 e 6 demonstram um esforço institucional e a organização de setorial da área de Ciência, Tecnologia e Inovação nos seus diferentes segmentos, tais como: uso racional dos recursos naturais, promoção da pesquisa e da inovação científica, incremento na base dos estudos das ciências exatas como matemática e física, disseminação de conhecimentos em tecnologia da informação, ampliação do acesso da sociedade ao conhecimento científico com a instauração e atualização dos museus e bibliotecas nacionais e, mais recentemente, a promoção da indústria nacional.
Unidade de Pesquisa Fundação Ano de Missão servidores Nº de
CETEM – Centro de
Tecnologia Mineral 1978
Desenvolver tecnologia para o processamento do uso sustentável dos recursos minerais
brasileiros. 91
LNCC – Laboratório Nacional de Computação
Científica
1980
Realizar pesquisa e desenvolvimento em computação científica, em especial a criação e aplicação de modelos e métodos matemáticos e computacionais na solução de problemas científicos e tecnológicos; desenvolver e gerenciar ambiente computacional de alto desempenho que atenda às necessidades do País; formar recursos humanos, promovendo transferência de tecnologia e inovação.
84
CTI – Centro de Tecnologia da Informação Renato
Archer 1982
Gerar, aplicar e disseminar conhecimentos em Tecnologia da Informação, em articulação com os agentes socioeconômicos, promovendo inovações que atendam às necessidades da sociedade.
156
LNA – Laboratório
Nacional de Astrofísica 1985
Planejar, desenvolver, prover, operar e coordenar os meios e a infraestrutura para fomentar, de forma cooperada, a astronomia observacional brasileira. 69 MAST – Museu de Astronomia e Ciências Afins 1985
Ampliar o acesso da sociedade ao conhecimento científico e tecnológico por meio de pesquisa, preservação de acervos e divulgação da História da Ciência e da Tecnologia no Brasil.
66
Quadro 5 - Unidades de Pesquisa do MCTI - 3
Unidade de Pesquisa Fundação Ano de Missão servidores Nº de
INSA – Instituto Nacional
do Semi-Árido 2004
Viabilizar soluções interinstitucionais para desafios de articulação, pesquisa, formação, difusão e políticas para o desenvolvimento sustentável do Semi-árido brasileiro, a partir de uma filosofia que assume a semiaridez como vantagem. 25 CETENE – Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste 2005
Desenvolver, introduzir e aperfeiçoar inovações tecnológicas que tenham caráter estratégico para o desenvolvimento econômico e social da região Nordeste, promovendo cooperações baseadas em redes de conhecimento e nos agentes da economia nordestina.
19
Quadro 6 - Unidades de Pesquisa do MCTI - 4.
Fonte: Elaboração da autora, a partir de pesquisa no site do MCTI (2012).
Os quadros anteriores apresentam a variedade de instituições que atuam em pesquisa em ciência e tecnologia no Brasil. São instituições que, igualmente, possuem em seus quadros de pessoal, profissionais de pesquisa como os sujeitos do presente estudo.
Como mencionado na seção sobre formação em pesquisa, a maior parte das atividades de pesquisa ocorre nas universidades. O Brasil manteve esta tradição, muito embora, tenha criado alguns institutos para desenvolver pesquisas ligadas a uma dada área de conhecimento. O Instituto em estudo faz parte deste movimento e realiza pesquisas em áreas específicas. Além disso, o Instituto também criou, para atender suas necessidades específicas, um curso de pós-graduação stricto sensu, cujo corpo docente é formado pelos próprios pesquisadores do Instituto. Esta especificidade (de o Instituto não ser uma universidade) de formar pesquisadores é uma singularidade que, ao mesmo tempo, traduz as duas funções que o pesquisador executa na instituição, que é realizar pesquisa e colaborar na formação de novos pesquisadores.
Ao relatar sobre os marcos institucionais da ciência e tecnologia no Brasil, depreende- se que o surgimento das universidades a partir da década de 1920 foi fator de vital importância para o intercâmbio de profissionais envolvidos na formação de pessoal da área de pesquisa, ao considerarmos a vinda de renomados cientistas mundiais ao País para participar das primeiras iniciativas ligadas à ciência. Além disto, é inegável que as instituições surgidas posteriormente, além de demonstrarem o empenho do País em se manter em nível tenham destacado papel como força impulsionadora do conhecimento científico no País.
Com isto, para entender, pela Teoria das Representações Sociais, quais práticas promovem as atitudes sociais que fazem parte da atividade de pesquisa e, como estas práticas são construídas no cotidiano da atividade de pesquisa.