3. VERĠLERĠN ANALĠZĠ
3.8. Arapça Öğretmenlerinin Mesleki Arapça Ders Kitabı Serisi Ġle Ġlgili Genel
Alguns indícios nos levam a crer que as peças que o grupo dramático almejava encenar exigiam um maior esforço e investimento. Os amadores, portanto, mostravam-se empenhados em formar-se como atores e atrizes capazes de representar o teatro que consideravam legítimo. Além disso, também pretendiam contribuir para o desempenho de outros “curiosos” que quisessem investir nessa arte.
O jornal do Club Dramático Arthur Azevedo explicita sua intenção de oferecer informações que possibilitassem o aperfeiçoamento de seus membros, de outros amadores e “curiosos” da região. No exemplar número 6 de 18 de maio de 1916, foi publicado um trecho do Manual do Amador dramático: guia prático da arte de representar em que o ensaiador português, Augusto Garraio, sublinhou a ausência, entre os grupos amadores, do profissional responsável pela mise-en-scene, ou seja, de diretores de cena ou ensaiadores, encarregados por “animar a peça escrita”, dar vida à cena. Certamente o autor desse excerto se referia aos grupos amadores portugueses, mas é possível inferir que esta era, também, uma realidade na região.
Dessa forma, o clube Arthur Azevedo se destacava, pois possuía um diretor de cena – o amador Alberto Gomes –, e marcava esta distinção através de sua folha que se configurava como uma referência da arte de representar para outros grupos amadores e “curiosos”. O trecho citado a seguir é exatamente o mesmo encontrado na primeira parte do manual de Augusto Garraio, com exceção da palavra “amadores” que foi substituída por “curiosos”. Essa mudança indica quem eram os interlocutores desse enunciado. Tratava-se de um grupo de amadores, que construía um lugar de autoridade para si ao se dirigir aos “curiosos dramáticos”, oferecendo determinada instrução, a partir de sua publicação sobre a arte. Criava-se uma hierarquia entre amadores e curiosos, sendo os primeiros capazes de contribuir
para a formação artística dos últimos. Nesse sentido, o clube Arthur Azevedo se distinguia como um grupo amador.
É conseguintemente, na falta deste empregado entre a maior parte dos <<curiosos-dramáticos>> que pretendemos substitui-lo com os nossos artigos, tornando-o, por assim dizer, um <<guia prático de mise-em-scene para curiosos dramáticos, que lhes sirva de mentor, desde <<a escolha da peça>> até as <<primeiras representações>> dos seus espetáculos familiares. Seguindo os nossos conselhos, qualquer <<curioso>> tomará, sem custo, a direção dos trabalhos cênicos e o bom resultado será certo, como sucede quase sempre nos próprios teatros públicos, onde a maior parte das vezes, o principal ensaiador é o <<estímulo>>, ajudado pela <<boa vontade>> de cada artista. A falta de bons mestres multiplica sempre os esforços dos discípulos estudiosos. É esta uma verdade que nos anima a esperar bons resultados.292
Alguns anos antes, em 02 de maio de 1913, o jornal O Dia de São João del-Rei publicou uma crítica à apresentação realizada no dia 30 de abril daquele ano, pelo Club 15 de
novembro, da comédia de José Joaquim da Silva, Dar corda para se enforcar, que teria
agradado “apesar de notar-se frieza e acanhamento em alguns amadores que deixaram perceber a falta de um ensaiador”293
. Dois dias depois, O Reporter publicou sua crítica sobre esse espetáculo fazendo a mesma ressalva à representação do grupo amador: “O desempenho poderia ser melhor, se os amadores tivessem um ensaiador capaz de superintender os trabalhos indispensáveis para que a comédia pudesse subir devidamente à cena”294. Nessas duas críticas, seus autores fizeram observações pontuais sobre a representação da comédia. É possível que os críticos tivessem como objetivo contribuir para o aperfeiçoamento dos amadores, mas a manifestação do redator d’O Zuavo nos faz repensar esta assertiva. No dia 11 daquele mês O Zuavo publicou uma nota elogiando o espetáculo oferecido pelo clube 15 de
novembro, e acrescentou:
Se não se tratasse de um grupo de amadores, faríamos nas colunas d' O Zuavo o que fizeram os redatores d'O Dia, e do "O Reporter, isto é, apreciação sobre o espetáculo. Foi levado à cena a finíssima comédia em 3
292
O Theatro Número 6 - de 18 de maio de 1916 Imagem – ALBUM1 (41)1
293 O Dia de 02 de maio de 1913. Imagem: Album1(20v) 294 O Reporter de 04 de maio de 1913. Imagem: Album1(20v)
atos, denominada corda para se enforcar, e como já dissemos o desempenho agradou a não ser alguns senões perdoáveis. 295
Para o redator d’O Zuavo, o espetáculo de um grupo amador não poderia ser criticado, seus erros deveriam ser perdoados. Ainda assim o redator comentou que existiram “alguns senões”. Esta nota d’O Zuavo indica-nos uma atitude comum da imprensa em relação aos espetáculos teatrais realizados por companhias profissionais. Diante do apelo da elite intelectual pela regeneração do teatro nacional a imprensa, cada redator, à sua maneira e de acordo com seus ideais e capacidades296, se incumbia de balizar o público e as companhias no caminho para desenvolver a arte dramática no Brasil. A exemplo disso, temos a notícia publicada em 05 de agosto de 1917, no jornal O Cataguases, da cidade que lhe empresta o nome, sobre a apresentação da “companhia de dramas, comédias, operetas e revistas do ator Bernardo Abreu”, que teria agradado a plateia. O redator fez uma apreciação sobre a encenação destacando os méritos e os “pequeninos senões”. Por fim, ele aconselha: “Torna-se necessário que o ensaiador da companhia seja um pouquinho mais cuidadoso nas marcações, bem como nas entradas e saídas dos personagens, de modo que não fiquem prejudicadas certas e determinadas cenas como algumas vezes tem acontecido”297. Observamos o mesmo tom das críticas direcionadas aos amadores, ou seja, críticas que pretendiam contribuir para o aprimoramento da companhia.
No entanto, os autores das apreciações sobre a peça Dar corda para se enforcar, d’O
Dia e d’O Reporte, não ignoravam que o espetáculo era de um grupo amador. O Dia, por
exemplo, ao comentar a atuação de Antônio Guerra como Luiz Soares, o protagonista da peça, diz que este “foi muito sacrificado não por ser feito por esse amador que aliás é um moço inteligente e que muito poderá fazer no teatro se estudar e tiver um bom ensaiador”. Dessa forma, a crítica indicava quais foram os erros cometidos e estimulava os amadores a corrigi- los.
295 Por este motivo, O Zuavo de 13 de dezembro de 1914 noticiou a encenação realizada pelo Club Dramático 15 de Novembro, da peça Milagres de Santo Antônio, sem mencionar os erros cometidos pelos amadores, que, por sua vez, foram destacados pelo jornal A Tribuna publicado no mesmo dia.
296 Artur Azevedo chegou a criticar o modo como alguns periódicos julgavam as encenações das companhias
dramáticas. Azevedo escreveu uma crônica para o Diário de Notícias de 19 de maio de 1886, sobre as “novas fórmulas de crítica teatral” descobertas pela imprensa de Porto Alegre. A cidade teria recebido a companhia Bergonzoni e a companhia Sousa Bastos e sua imprensa teria publicado, segundo Azevedo, um “rosário de asneiras”. (Tive acesso à crônica nos anexos do trabalho de SILVA, 2011, p. 800)
297 A crítica dizia respeito à encenação do drama de Segundo Wanderley, Amor e Ciúme e O Dote de Artur
Em 1914, outro jornal de São João del-Rei, A tribuna, noticiava o espetáculo oferecido pelo Club Dramático 15 de Novembro, no dia 10 de fevereiro, sublinhando sua grande concorrência, o teatro teria ficado “completamente cheio”. Quanto à encenação do drama
Milagres de Santo Antônio, os redatores fizeram a seguinte observação:
Não diremos que os amadores foram impecáveis no desempenho dos papéis que lhes foram confiados. Entanto, afirmamos que, para amadores, a interpretação dada à peça foi bem sofrível. Alguns senões facilmente releváveis é certo, houve, mas, a bem da verdade digamos, também, que foi um verdadeiro tour de force esse do Club.
A Tribuna expressou, nesta notícia, uma atitude parecida com a d’O Zuavo, pois
valorizou os esforços do clube dramático, que teria realizado uma apresentação aceitável “para amadores”, mas não fez uma apreciação da representação, ou seja, não esclareceu quais foram os erros cometidos, nem sugeriu possibilidades para corrigi-los. Contudo, esta atitude pode estar ligada a outros fatores, como a incapacidade de fazer uma apreciação do espetáculo, ou a falta de espaço na folha, para tanto. Este argumento ganha força se considerarmos a publicação deste mesmo jornal cerca de um ano e meio mais tarde.
Em 05 de setembro de 1915, A Tribuna noticia a inauguração do Club Dramático
Arthur Azevedo e faz uma apreciação detalhada da interpretação que teria sido “regular”.
Seguidamente às críticas publicou o seguinte trecho:
Tal foi o que, na festa inaugural do novel clube, se nos pareceu digno de ser notado não, como daqui já o dissemos, com o intuito de ferir, de magoar quem quer que seja, mas porque a crítica imparcial, justiceira e independente, entendemos que é útil, indispensável, mesmo em se tratando de amadores, pois claro é que, neste caso, é relativa ou, melhor, só sendo observados os defeitos ao alcance de serem corrigidos pelos amadores.298
Dessa forma, podemos afirmar que, assim como os redatores d’O Dia e d’O Reporter, o redator d’A Tribuna acreditava que deveria contribuir para o aperfeiçoamento dos artistas amadores destes clubes.
Os amadores também se preocupavam em aprimorar sua atuação nos palcos. Indício disso é o fato de Antônio Guerra ter guardado os recortes com críticas positivas e negativas sobre sua atuação. Para Lima (2006), essa atitude indica uma busca por imparcialidade ao
confeccionar os álbuns com o objetivo de escrever a história do teatro299. Ainda que isso seja verdade, acreditamos que o entendimento de Guerra sobre o significado de um grupo de teatro amador, como instância em que se aprendia a arte, pode ter induzido tal atitude. Guerra estaria registrando sua trajetória como amador teatral; dessa forma, o aprendizado ou o aprimoramento de sua atuação faria parte da trajetória.
A preocupação dos amadores com o aprimoramento de sua atuação nos palcos e em contribuir, no mesmo sentido, com outros clubes e “curiosos”, está estampada nos seus periódicos. Nos nove exemplares que tivemos acesso do jornal O Theatro do Club Dramático
Arthur Azevedo, observamos a presença de artigos que poderíamos dizer que cumpriam o
papel de “guia prático para curiosos dramáticos”300
.
No artigo intitulado O ator, publicado no primeiro jornal do clube, T.B. disserta sobre o papel do ator na sociedade, entre uma vida de boêmio, sonhador, e o trabalho duro copiando ou decorando papéis, ensaiando, promovendo espetáculos ou representando. O bom ator teria o prestígio e o reconhecimento do público, nos palcos e nas ruas, mas seu fim quase certo, segundo o autor, seria na miséria e nos hospitais. Na segunda publicação do jornal, em Notas
vadias, X. expõe as dificuldades dos atores e atrizes para controlar as emoções no momento
das encenações. É importante destacar que esses artigos não só preparavam os atores e atrizes amadoras para os louros e misérias da vida nos palcos, mas também buscava construir certa empatia dos leitores/público para com aqueles artistas.
Nos jornais números 3, 4 e 5 são publicados trechos de um artigo de Júlio Dantas – A
mímica – sobre os gestos no teatro, sua importância e a maneira como ele é utilizado para
expressar, comunicar ao público as emoções e os sentidos em cena. O texto O Theatro, publicado na quarta publicação do periódico do clube Arthur Azevedo, Theophilo Silveira faz extensa reflexão sobre o papel da música na encenação. No artigo de mesmo título publicado no quinto jornal, seu autor, P.C., sublinha a importância do movimento do corpo dos atores e atrizes para dar vida ao que por ele é dito. Para exemplificar, o autor conta um episódio que teria acontecido com o tenor Tamagno ao encenar Othelo que, para não dar à cena poucas cores, se jogou do leito e acabou fazendo da ficção uma realidade, fraturando uma costela. O autor termina o texto com a seguinte assertiva: “aí fica o exemplo e que ele seja seguido”.
299 Mesmo diante desta possibilidade Lima (2006, p.45) adverte que Antônio Guerra não foi inocente e teve uma
intencionalidade ao produzir este material. 300
O artigo Mise-en-scene, retirado do manual do ensaiador português Garraio, e publicado no sexto número do jornal, propõe, assim como Garraio pretendia com seu livro, fazer da folha do clube um guia para os trabalhos cênicos de grupos amadores e curiosos. Nele, explica-se o significado do termo mise-en-scene e qual seria o papel do ensaiador, ou diretor de cena, como já dissemos. No sétimo jornal, na matéria O Theatro – Terra Ideal, Theophilo Silveira faz um extenso comentário sobre a encenação da revista local de Tancredo Braga intitulada Terra Ideal. O mesmo autor também avalia a encenação da Mulher Soldado no oitavo jornal, além da encenação de Rosas de Nossa Senhora e de Mam’selle Nitouche, mencionados também no décimo jornal. Tais comentários são elogiosos, mas também apontam os problemas que poderiam ser modificados pelos amadores com o objetivo de orientá-los no aperfeiçoamento da arte. A presença desses textos no jornal do clube dramático indica-nos que seus redatores ofereciam informações e sugestões que permitiriam aos leitores conhecer o que era considerada uma boa encenação, dessa forma, seria possível aperfeiçoar o trabalho em cena a partir do que se esperava de um grupo amador.
A preocupação dos membros do clube Arthur Azevedo em relação ao aperfeiçoamento dos artistas amadores tinha o propósito de alcançar o nível das encenações das grandes companhias dramáticas da época. Em fevereiro de 1916, o Club Dramático Arthur Azevedo apresentou a opereta O Periquito. No programa do espetáculo foi ressaltado o fato de que a representação daquela opereta comprovava o grande esforço do clube para oferecer espetáculos que teriam sido representados por companhias de “primeira ordem”:
Este fato representa para o Club Dramático ARTHUR AZEVEDO um extraordinário esforço, por ser uma peça só representada, até hoje, por companhias de primeira ordem. Representando-a, esta agremiação, não teve outro fito que não o de proporcionar, na medida de suas forças, o ensejo à que o povo são-joanense assista uma das melhores operetas, ornada de 20 números de belas músicas.301
Essa passagem suscita algumas questões: o que havia de desafiador na encenação dessa peça? Que habilidades esse tentame exigia do grupo de atores e atrizes, diferentemente de outras peças? Seria o gênero opereta e a necessidade de conjugar a arte dramática com a música o fator desafiador para os são-joanenses?
301 Programa do espetáculo realizado pelo Club Dramático Arthur Azevedo em 16 de fevereiro de 1916. (Álbum
Theophilo Silveira, no artigo publicado no quarto jornal do clube Arthur Azevedo, de 12 de maio de 1916, recorda a relação íntima dos mineiros com a música. As festas religiosas eram repletas de apresentações musicais desde os tempos mais remotos em Minas Gerais. Esses espetáculos, segundo Silveira, inauguravam uma nova relação dos são-joanenses com a música.
É conhecido geralmente, onde quer que se saiba que S. João d’El-Rey existe, o culto que esta abençoada cidade sempre prestou à Arte, e, principalmente, à Música: quem se interessa por estes assuntos não ignora a imponência a que chegam aqui as festividades da Semana Santa, imponência principalmente acentuada pela elevação imensurável da música que, nessas festas, reboa sob o teto das naves sagradas. (...)
O autor da matéria segue elogiando os músicos que naquela data já estavam mortos, mas que tiveram destaque na cidade: padre José Maria Xavier; Luiz Baptista Lopes (Lilico); Martiniano Ribeiro Bastos. Elogia também músicos que estavam vivos no período: João Feliciano; João Pequeno; Japhet da Conceição; Targino Matta; João da Matta; José Penido; Emygdio Machado; José Quintino e José Borges. Em determinado momento, Silveira lamenta por esses músicos se dedicarem muito pouco a outras atividades que não fossem as ligadas à religião. Mas, anuncia otimista:
Compreende-se, entretanto, muito facilmente que, em um meio como este nosso que contém em seu seio elementos de valia como os acima lembrados, sob o ponto de vista da cultura e do pendor artísticos, um impulso novo qualquer em direção conveniente pode determinar efeitos surpreendentes. Foi, com efeito, o que se passou, e ainda se passa. Trabalhando, então, com um fim de mera diversão à monotonia da vila provinciana, modestos clubs de amadores não deixaram apagar-se de todo o amor pela arte do palco: desse esforço, que ainda não vai muito longe no passado, eu me lembro bem, tendo sido, mais de uma vez, compartecipante dele. Circunstancias varias
atuaram de forma a fazer surgir desses tímidos ensaios o magnifico despertar do gosto pelas coisas do Teatro, pondo também em honra o gosto pela musica mundana. O alvorecer desse novo dia foi tão brilhante e
tão rápido, e tão intima foi a ligação entre Teatro e Musica, que o conjunto de vontades que espontaneamente concorreram para esse mesmo fim trouxe
o surto definitivo da nova fase, o que permitiu, num lapso de tempo muito curto, as representações sucessivas, assinalando outros tantos triunfos, da Terra Ideal, do O Periquito, do Gramophone e da Discos e Fitas, permitindo crer-se que não menor sucesso será a representação da Mulher Soldado.302 (Grifos nossos)
Diante do desejo de encenar o teatro musicado, supomos que os amadores buscariam, também, um aprimoramento em relação a outro elemento cênico. Sabemos que a cenografia era bastante sofisticada no teatro musicado que se apresentava do Rio de Janeiro. Cenógrafos como Carrancini e Coliva “recebiam somas enormes dos empresários para deslumbrar as plateias com os truques mais extraordinários que pudessem conceber” (FARIA, 2001, p.173). Artur Azevedo admirava o trabalho dos dois, mas criticava o exagero dessas produções, que muitas vezes sobrepunham os outros elementos da cena. Azevedo defendia a igualdade para autores dramáticos, artistas e cenógrafos, ou seja, buscava uma encenação em que a dramaturgia, a representação dos atores e atrizes e a cenografia tivessem o mesmo destaque.
De todo modo, a cenografia, assim como o figurino das peças musicadas que se passavam no Rio, tinha um nível de sofisticação que, poderíamos supor, era desafiante para os grupos amadores do interior de Minas, haja vista a reclamação feita pelos redatores d’A
Tribuna no segundo semestre de 1915, sobre o estado dos cenários do Teatro Municipal. No
exemplar deste jornal de 03 de outubro do mesmo ano, foi publicada a resposta do presidente do Club Dramático Arthur Azevedo, à queixa dos responsáveis por aquela folha:
S. João d'El-Rey, 23 de setembro de 1915.
Sr. Redator d'A Tribuna. Saudações. Pela segunda vez li, no vosso conceituado jornal, uma censura aos Clubs de amadores desta cidade pelo fato de exibirem sempre os velhos cenários estragados do Theatro Municipal. A censura, sr. redator, como sabeis, cabe única e exclusivamente à Empresa arrendatária do Teatro que, por força de contrato com a Câmara Municipal, é obrigada a conservar e reformar o material existente. Fica assim explicada a falta cometida pelo Club D. Arthur Azevedo na sua primeira representação.
Do vosso assíduo leitor José Pimentel.
Presidente do Club Dramático Arthur Azevedo.303
A manutenção dos cenários existentes em São João del-Rei já não era uma tarefa simples. Imagine a confecção de uma cenografia que utilizasse dispositivos para criar efeitos mágicos, além de dispor vários elementos em cena para encher os olhos dos espectadores – abuso de cores vivas e uma “profusão pantagruélica de fogo e talco” (FARIA, 2001, p.173). Ainda que a obrigação por manter os cenários do teatro fosse da empresa arrendatária do
edifício municipal, acreditamos que uma associação que desejava proporcionar o melhor aos seus conterrâneos, se lhe fosse possível, ofereceria cenários mais cuidados.
Cerca de cinco meses depois da publicação da resposta do presidente do Club D.
Arthur Azevedo à reclamação sobre o estado dos cenários, a opereta O Periquito foi
estreada304. Suas apresentações foram consideradas como um sinal de aprimoramento do grupo. Nos anúncios e críticas a respeito dessas récitas não há menções sobre os cenários. O