Antigamente, era uma festa por mês, uma festa a cada dois meses. Agora não, parece que todo mundo descobriu que
rave dá dinheiro e quer fazer festa todo final de semana [...]. (Eduardo) O conflito é uma forma de sociação.
(Georg Simmel)
Cada um dos espaços e momentos vivenciados durante a rave transporta os seus participantes para outro espaço-tempo que extrapola a dimensão da urbe. Os discursos que perpassam a “cosmologia” dessas festas reivindicam não só a criação de uma espécie de território autônomo, mas um “espaço outro” em relação à cidade, dotado de um modo de vida diferenciado daquele experienciado no cotidiano da urbe. Um espaço com uma dinâmica própria, que se desfaz na segunda-feira e volta a se refazer no final de semana seguinte. Foucault (2001) denomina esses “espaços outros” como “heterotopias”. Conforme o autor, o que constitui o caráter singular desses espaços é sua alteridade, sua contra-relação com outros espaços através de práticas que os negam. Ou seja, as “heterotopias” e os “espaços outros” constituem espécies de lugares que estão fora de todos os lugares, são contestadores e invertidos.
Segundo os freqüentadores, as raves possuem algo de especial que as torna diferente de outros eventos musicais não só por conta de seus símbolos, mas principalmente no tocante à construção dos vínculos entre seus participantes. No “discurso nativo”, afirma-se que esse tipo de festa se diferencia de outras festas justamente por ser dotada de um conjunto de sensações definido pelos jovens como “P.L.U.R.” (sigla para a expressão: “peace, love, unity and respect”, que, traduzindo literalmente do inglês, significa: “paz, amor, união e respeito”). A “filosofia do P.L.U.R”, como definem alguns participantes, consistiria numa espécie de atualização do lema “paz e amor” adotado pelo movimento hippie nos anos 1960, incorporando ainda a ele outros dois elementos: união e respeito. Segundo um texto publicado em uma das várias comunidades virtuais existentes na Internet sobre o tema, o P.L.U.R. expressa:
P(eace)
sermos capazes de encontrá-la. Quando a possuímos, passamos calma e serenidade a tudo e todos que estão à nossa volta.
L(ove)
Amor. O sentimento incondicional de afeto que sentimos por algo ou alguém. Pela lei universal da ação-reação todo amor que você der a alguém será devolvido a você de alguma forma. Lembro que as duas primeiras letras do PLUR representam nada mais nada menos do que a base do ideal hippie de vida (Paz e Amor).
U(nion)
União. Apesar de todas as nossas diferenças, todos compartilhamos um conjunto comum de características: somos todos humanos, imperfeitos e dependemos uns dos outros para nossa sobrevivência. Com paz e amor, a união permite a você se relacionar com outras pessoas APESAR de suas diferenças, e até mesmo se enriquecer com esta troca de experiências.
R(espect)
Respeito. Aqui temos que saber reconhecer e aceitar que somos diferentes, APESAR de nosso conjunto comum de características. Precisamos respeitar uns aos outros, a nós mesmos (cuidando adequadamente de nosso corpo e mente) e até mesmo ao ambiente à nossa volta. Quem respeita não pixa, não agride, ajuda quando alguém precisa, não joga lixo no chão e zela pelo espaço a sua volta63.
O discurso do P.L.U.R. busca assinalar a existência de certo sentimento de harmonia entre os jovens no interior da festa. A origem da sigla é controversa, porém acredita-se que ela foi criada pelo renomado DJ norte-americano Frankie Bones, conhecido por muitos como “o pai das raves nos EUA”. Após uma de suas apresentações nos arredores de Nova York, Bones explicou ao público do que realmente se tratava uma festa rave, definindo-a em quatro palavras: peace, love, unity and respect. Quando terminou, todo o público chacoalhou as mãos no ar saudando o DJ. A partir daí, a sigla P.L.U.R. estava criada, passando a ser adotada pelos jovens que freqüentam festas rave em qualquer lugar do globo (SAUNDERS, 1996).
O P.L.U.R. é uma sigla para uma espécie de filosofia de vida, que as pessoas tem a opção de seguir. Nessa filosofia de vida, seria preciso saber cultivar a paz individual e coletiva, cultivar sentimentos de carinho e amor para com o próximo, incitar a união entre todos e respeitar coisas, meio ambiente e outras pessoas, independente de credo, raça, religião, gostos e opiniões, etc. Tudo muito bonito, mas não resta apenas saber o significado da sigla, e sim é preciso saber, entender e tentar colocar esta filosofia em prática. [...] P.L.U.R diz respeito ao espírito (no intrínseco sentido de suas palavras) que supostamente deveria reinar dentro dessas festas e também fora delas. Seria de certa forma o “Way of Life” perfeito64.
Embora haja pequenas variações em sua definição, o P.L.U.R. expressa um modo de vida que valoriza sentimentos como a “paz individual e coletiva”, o “carinho e o amor para com o próximo”, a
63 Extraído de http://www.planetarave.com.br/plur/, acesso em 14 de janeiro de 2009 às 8h e 38min.
“união entre todos” e o “respeito”, sobretudo, à diferença e à natureza. Esse “‘way of life’ perfeito” deve ser colocado em prática durante a festa, justamente por se revelar como uma forma encontrada por jovens urbanos de resistir ao modo de vida praticado na cidade: uma espécie de micropolítica urbana dos afetos. Seu desrespeito aniquila toda a “harmonia” da rave, causando conflitos de diversas ordens, tanto entre aqueles que organizam os eventos, como entre aqueles que só freqüentam as festas.
Um dos motivos apontados pelos jovens, tanto freqüentadores como organizadores, para o não cumprimento da “filosofia do P.L.U.R.” é justamente a popularização das raves. No início da cena local, essa popularização da música eletrônica e dos eventos relacionados a ela era buscada intensamente (ver capítulo 2), porém hoje passa a ser alvo de críticas, motivando diversos tipos de conflitos entre os participantes.
Alguns dos “informantes” com quem tive a oportunidade de conversar durante a pesquisa de campo, afirmaram que aquele ambiente repleto de “paz, amor e harmonia” existente e compartilhada entre todos aqueles que habitam temporariamente o espaço da festa estaria perdendo sua aura, sua magia. Para esses jovens, o principal motivo disso se deve justamente à crescente popularização das raves não só no âmbito local, mas também em nível global, alegando que, por conta disso, as raves estariam sendo freqüentadas por pessoas que não compartilham, tampouco praticam, os símbolos e discursos adotados na festa, mas que estão lá apenas para se divertir. No entanto, deparei-me ainda com jovens que em suas falas defendiam exatamente o contrário. Para eles, o crescimento e a popularização da cena local, tal como foi empreendido em seu início, é visto de forma positiva e só têm a contribuir para a disseminação do gosto pela música eletrônica entre as culturas jovens da cidade.
É sobre esses sentimentos ambivalentes que pretendo me debruçar neste capítulo. O principal objetivo aqui é apresentar tensões, hierarquias e princípios de classificação encontrados durante a pesquisa de campo, ou seja, festas que unem e separam, que integram e, ao mesmo tempo, hierarquizam, colocando sob rasura a idéia romântica de completa integração entre os jovens que participam das raves realizadas em Fortaleza e cidades vizinhas.
4.1 “Um fim de semana ímpar pra cena”
Aos poucos, o cenário das festas raves foi conquistando dimensões cada vez maiores, abandonando o universo underground e se inserindo, cada vez mais, no campo do mainstream. Em Fortaleza, a partir da criação do núcleo Undergroove em 2000, tanto o número de casas noturnas onde se pode ouvir as batidas da música eletrônica, como também a quantidade de “festas open air” realizadas na cidade e arredores cresceu rapidamente. Conforme foi visto anteriormente, o número de raves
realizadas na capital cearense saltou de uma, em 2005, para cinco, em 2006, expressando um significativo aumento na quantidade dessas festas ocorridas aqui.
Durante a pesquisa de campo pude perceber de perto o rápido crescimento da cena local e a sua incrível descentralização. Em 2008, foi praticamente incontável a quantidade de festas realizadas em Fortaleza e cidades vizinhas. Só num único final de semana do mês de setembro houve nada mais nada menos que cinco eventos na cidade e arredores, a saber: Insane, Heineken Sunset, Magic Lagoon II, PVT de Techno e a Aloha Louca. Quantidade que equivale ao número total de festas realizadas durante todo o ano de 2006, segundo informações encontradas no site Psyte (www.psyte.com.br). Nesse final de semana específico, aconteceu não apenas raves, mas também outras festas relacionadas à música eletrônica na cidade. Esta surpreendente profusão de eventos em setembro foi comentada num blog da seguinte forma:
Tivemos um fim de semana ímpar pra cena como um todo aqui na cidade, explico: Fim de mês, mês este notoriamente caracterizado pelo baixo público na noite; Grandes festas na cidade. Sexta: Insane - Festa realizada por uma “produtora” nova com uma atração forte, em um pico novo, enfim coisas que mexeram com certeza com o público. Sábado: Heineken Sunset - melhor e maior edição já realizada; Magic Lagoon II - segunda edição da festa que para muitos foi a festa do ano e aniversário de uma das maiores produtoras; PVT de Techno - festa de menor produção, porém feita com o cunho de relembrar e reviver uma cena forte na cidade que teve e ainda tem muitos adeptos; Aloha - Festa que [...] tem nome e público, público de massa, aquela massa que faz falta na hora de se acrescentar bilheteria.
Enfim, fiz questão de introduzir meu comentário desse modo pra salientar alguns pontos. Antes que venham aqui e como já o fizeram, reclamar da “cena”, que a “cena” é isso, que a “cena” não existe e blá blá blá, vale a pena parar e pensar no que se viu na cidade. O público está mudando, as pessoas estão sendo mais seletivas no que cerne a festas e eventos, pois, principalmente no psy já passaram por aqui uma série e grandes nomes em várias festas históricas e fica e vai ficar cada vez mais dificil entrar no mercado, pois o mesmo é formado por pessoas capazes e que conhecem do estilo. Nas outras vertentes, a tal “cena” dá provas que não se limita a uma cena “raver”. A Heineken foi sem dúvidas uma das festas mais bem produzidas que esta cidade já teve, principalmente em termos de conceito, proposta do projeto. Magic Lagoon foi muito boa mas com certeza foi diretamente influenciada pela tal INSANE, o que gerou alguns problemas, nada que tirasse o brilho da festa. Estas foram as que tive a oportunidade de ir, agora quanto as outras, a PVT pelos coments que ouvi e pelo que li aqui foi excelente.
Isso tudo mostra que existe público, existe conceito, existe credibilidade e existe competência na tal “cena” que todos adoram meter o pau. Ah! Sem contar que no dia da tal Insane, meu projeto, junto com os parceiros Fino e Fil teve uma das melhores noites, sendo prestigiada por várias pessoas que [dizem] fazer a tal “cena”. Ressaltei e citei o nome “cena” reinteradas vezes propositalmente pra que as pessoas vejam a amplitude da música eletrônica. A meu ver, nem vale a pena meter o pau ou citar pessoas e “supostas” produtoras e projetos novos surgindo, de credibilidade duvidosa que só acontecem por motivos obscuros e carecem de verdade e credibilidade. Enfim, vai este texto longo, porém cheio de pontos em que todos que fazemos a noite acontecer devemos refletir, opinar até, amadurecer e enxergar o público como real
consumidor de um produto que necessita de bons profissionais, e que estes bons profissionais existem e estão dando o melhor de si, cada um em seu segmento, seu estilo e suas idéias, porém, todos sabemos que há muito o que crescer, expandir e melhorar, agora para que isso ocorra precisamos que o público e as pessoas que fazem a noite não embarquem em ilusões e/ou projetos megalomaníacos de caráter duvidoso [...]65.
Este longo texto assinado por um jovem que prefere ser conhecido como Morr66, foi publicado
em seu site, intitulado Morr+music (www.morrmusic.com.br), durante o mês de setembro de 2008 para comentar sobre a “importância” dessa enorme quantidade de festas relacionadas à música eletrônica para a cena local. Em seu texto, pode-se observar que Morr faz um elogio a essa popularização da música eletrônica e aos vários eventos relacionados a ela ocorridos num único final de semana em Fortaleza. E não é só isso, o jovem também afirma que um “final de semana ímpar” como esse expressa certo “amadurecimento” da cena local, escrevendo que “isso tudo mostra que existe público, existe conceito, existe credibilidade e existe competência na tal ‘cena’ que todos adoram meter o pau”. A principal intenção de Morr é desacreditar todas as críticas que são feitas à cena de Fortaleza, contestando-as. A maioria delas queixa-se de certo “amadorismo” por parte dos organizadoresdessas festas, reclamando, principalmente, da infra-estrutura criada para receber os participantes durante os eventos. O que, para Morr, não é verdade.
Entretanto, nem todos vêem de forma positiva esse crescimento, tampouco encantam-se com essa popularização e com essa nova forma de atuar na promoção de festas de música eletrônica em Fortaleza e arredores. Para estes jovens que não compartilham do mesmo pensamento de Morr, isso só prejudica a cena local, pois a faz incorporar um acento comercial – algo que é bastante criticado, como será visto mais adiante. Essa tensão de opiniões acerca da questão da popularização das raves na cidade gera inúmeras formas de conflito entre os jovens, tanto entre aqueles que trabalham na organização dos eventos, como entre aqueles que apenas freqüentam as festas.
A popularização das raves proporciona não só a promoção de várias festas simultâneas no circuito do lazer noturno de Fortaleza, mas também o surgimento de diversos núcleos e produtoras de festas de música eletrônica que passam a atuar diretamente na cena local, criando mercados e nichos específicos. Tal fato gera rivalidades entre os próprios membros dos grupos, acarretando uma feroz disputa pelo público. Há uma verdadeira competição entre os núcleos e produtoras para realizar “a melhor festa” com “os melhores DJs” da cena em geral e, assim, conquistar a credibilidade do público.
65 Extraído de http://www.morrmusic.com.br/site/?m=200809, acesso em 02 de outubro de 2008, às 16:11h.
66 Segundo informações publicadas no próprio site, o nome verdadeiro de Morr é Ronaldo Navarro. O jovem é natural de Fortaleza, porém morou boa parte de sua vida no Mato Grosso do Sul, onde, aos 13 anos de idade, teve o primeiro contato com a música eletrônica. Atualmente, Morr tem 29 anos de idade e há pouco mais de 6 anos atua como DJ na cena local.
Em um texto publicado também durante o mês de setembro de 2008, no antigo site do Nu-ACT (www.nuact.com.br), o DJ Mechanimal, membro do núcleo desde a sua fundação, testifica o conflito existente entre os núcleos e produtoras que atuam na cena local da seguinte forma:
Há muito tempo atrás, numa terra muito distante daqui; existia uma civilização que se organizava socialmente de forma similar ao que foi definido na era medieval como feudos. O poder da nação era dividido entre esses feudos, de forma que sempre existiam conflitos entre eles em busca de riquezas, poder e domínio da nação.
Esses feudos nessa busca incansável de poder arregimentavam exércitos de cavaleiros que partiam na luta em defesa de suas bandeiras e filosofias, gerando conflitos que muitas vezes não eram entendidos nem mesmo pela grande massa formadora de cada um desses grupos.
Entre eles num passado recente existiu até mesmo um grande e próspero feudo, que conseguiu arregimentar o maior número de guerreiros e a melhor estratégia de comunicação com o povo conquistando assim o respeito e predileção de grande parte da nação como um todo, ate que houve um golpe partido de dentro do próprio feudo; O maior de seus cavaleiros convence o resto do exercito a abandonar o senhor feudal e decidem formar seus próprios feudos ou trabalhar em nome de riquezas e bens para qualquer senhor feudal que pudesse pagar.
A partir daí se inicia uma época de barbárie nessa nação; com a queda desse grande feudo, a corrida pelo poder entre os outros senhores se inicia de forma ferrenha, pondo abaixo ate mesmo todos os códigos de ética de guerra que esses feudos respeitavam, códigos esses semelhantes aos dos samurais da civilização japonesa.
Na luta pelo poder existiam 3 frentes, uma formada pelos senhores feudais, outra pelos cavaleiros, subdivididos ainda entre os que lutavam pelo que acreditavam como o melhor pra nação e outros que haviam se vendido; e por ultimo o povo, a massa que sem enxergar a verdade era tangida como gado.
Nesta guerra, se via o inimaginável: Feudos aliados viravam rivais, feudos tradicionalmente inimigos se uniam por pura conveniência pra derrota de um dos inimigos, e logo após a derrota eles voltavam a se digladiar. Feudos menores, mas com grande capacidade de ascensão eram massacrados por incursões constantes em suas terras. E ate mesmo a iniqüidade de cavaleiros lutarem em feudos diferentes e inimigos ao mesmo tempo.
Essa época durou por muito tempo, até que um dia a massa enganada foi descobrindo que nem toda informação que chegava a seus ouvidos era confiável, que o pão e o circo distribuído por alguns senhores feudais não mais nutriam suas expectativas e anseios. Entenderam por fim que o verdadeiro poder estava em suas mãos, porque era de suas mãos que partiam as moedas que eles distribuíam como taxas, e que eles podiam quando bem entendessem passar a compactuar com outro feudo se assim o desejassem.
Nesta historia não existe bem um final, porque assim como tudo no universo ela e cíclica. Por essas paginas ainda passarão muitas situações: Guerreiros desistirão da batalha, senhores e cavaleiros mudarão de lado, mascaras cairão, e cavaleiros outrora mercenários se arrependerão e passarão a lutar ao lado dos senhores de bem.
Esta é uma historia de ficção, qualquer semelhança com a cena raver de Fortaleza é pura coincidência (DJ Mechanimal)67.
No texto citado acima, o DJ Mechanimal se utiliza de uma linguagem metafórica e bastante irônica para se referir tanto aos eventos ocorridos no mês de setembro, como ao cenário das raves em Fortaleza de forma geral. Percebe-se nas entrelinhas que para o referido DJ, o fenômeno da popularização das festas na cidade trouxe consigo vários efeitos indesejáveis, dentre eles, hierarquias e princípios de distinção entre os núcleos e produtoras, acarretando uma acirrada disputa pelo poder (BOURDIEU, 2006; 1989)68. No início da cena, apenas um grupo de pessoas era responsável pela
promoção das raves na cidade: o Undergroove, porém, com o passar do tempo, inúmeros outros surgiram e com esse pulular de grupos, vieram também os atritos. Desse modo, assegurar a presença maciça dos jovens em uma festa passa a ser encarado como um empreendimento nada fácil. Nesta disputa, vale tudo, até um jogo de ofensas e acusações a fim de legitimar ou desacreditar o poder que o outro tem no interior da cena.
São várias as formas de poder existentes no microcosmo das raves. Uma delas que se pode assinalar é a credibilidade que determinado núcleo ou produtora tem entre os jovens, conquistada não só por meio do tempo de atuação do grupo na cena e pela experiência adquirida em eventos anteriores, mas também através do cumprimento de determinadas “ofertas” prometidas ao público. Por exemplo, se um núcleo ou produtora anuncia a participação de um conhecido DJ na rave em que está organizando, é premente que a “promessa” seja cumprida, ou seja, que o músico realmente esteja presente no evento e toque no horário marcado para sua apresentação; caso contrário, a próxima festa que o grupo realizar não vai contar com a mesma credibilidade e adesão do público. Outro fator importante para manter a credibilidade de um núcleo ou produtora é a periodicidade com que promove seus eventos. Não é bem visto entre aqueles que criticam o fenômeno da popularização das raves na cidade o fato de um mesmo grupo de pessoas promoverem festas de música eletrônica todos os finais de semana; isso deprecia a imagem do grupo, dando a impressão de que esses jovens estão preocupados apenas com o caráter comercial de seus eventos, ignorando seus próprios discursos que defendem a proposta de se produzir