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Arac› Kurulufllar

Belgede 4 0 02 (sayfa 47-52)

A experiência individual – pessoal, existencial – e coletiva – inserida em um contexto histórico-social – determina a maneira como enfrentamos a realidade, mas ela tende a ser esquecida e a permanecer no inconsciente. A própria realidade na qual estamos imersos chega-nos repleta de interpretações várias, sejam elas explicações provenientes da história, bem como as do ambiente social atual.

Somos influenciados por valores decisivos, sejam eles, familiares, educacionais, advindos da mídia e da cultura vigente, isto é, a vida caminha baseada nas escolhas de tais valores que decidimos carregar conosco. Este repertório de valores que se tornam convicções orienta o homem em um percurso seguro no qual ele pode fazer escolhas que tranqüilizem a sua existência, sem enfrentar a dramaticidade de olhar para si mesmo e o mundo.

Viver sem julgar profundamente as circunstâncias, mas aceitando o modo usual corrente torna-se, de certa maneira, mais fácil e cômodo. Verificar a veracidade de tais valores e de tais interpretações implica um trabalho de desprendimento daquilo que nos sustenta e isso, conseqüentemente, gera, a princípio, um estado de insegurança, de estarmos perdidos, mas também se torna um caminho rumo àquilo que somos enquanto ser humano.

Para Giussani, entretanto, não podemos jogar fora todo esse repertório, a chamada tradição recebida por nós. A perspectiva pela qual olhamos a vida é herança dessas interpretações que, unidas à experiência adquirida pessoalmente, nos permite lidar com aquilo que nos cerca. Essa perspectiva herdada deve ser, porém, também julgada com um critério que supere tanto a tendência à comodidade como a mera rebeldia que a descarta sem um empenho leal.

Como vimos acima, o empenho realista com a vida, segundo o autor, requer um compromisso com todos os aspectos que a compõem. Também isso é válido para a tradição, que é um dos seus aspectos. Muito cedo o jovem a recebe e essa é a sua primeira diretriz diante do enfrentamento das circunstâncias. Segundo Giussani, a tradição funciona como uma hipótese explicativa da realidade36, isto é,

Cada um de nós nasce de uma tradição. A natureza nos lança dentro da dinâmica da existência armando-nos de um complexo instrumento para enfrentar o ambiente. Cada homem encara a realidade circunstante dotado, por natureza, de elementos que encontra junto a si como dados, como oferecidos. A tradição é, pois, a complexa herança com a qual a natureza arma a nossa pessoa. Não porque devamos fossilizar-nos nela, mas porque temos de desenvolver – até o ponto de mudar, e profundamente – aquilo mesmo que nos foi dado.37

Enfrentamos as circunstâncias dotados dessa complexa herança denominada tradição. É ela o primeiro instrumental capaz de afirmar um significado para a nossa realidade. Mas à medida que vamos crescendo e amadurecendo, necessitamos averiguá-la, se quisermos verdadeiramente tornarmo-nos adultos. Averiguá-la corresponde a julgá-la através “de um princípio crítico que está dentro de nós, inato, porque dado originariamente, que é a experiência elementar”.38

Averiguar, julgar aquilo que nos foi dado no passado, só é possível fazê-lo no presente. Este é o ponto de partida inevitável, pois é no aqui e no agora que vivemos, que somos capazes de ter consciência do que somos, dos fatores que nos compõem. O presente se apresenta perceptível como um nada, poderíamos dizer, um instante apenas, mas, com um pouco de atenção e humildade, o percebemos “carregado e pleno de tudo o que nos

36 Luigi GIUSSANI, Educar é um risco, p. 49-58. 37 Idem, O senso religioso, p. 61-62.

precedeu”.39 É nesta marcha que o homem, ciente de si, no seu instante presente projeta-se para o futuro, rumo ao seu destino.

Podemos perceber, então, que recebemos influências da tradição familiar, bem como de uma mais abrangente: a cultural, seja ela calcada na história ou no ambiente atual em que vivemos. Se não queremos viver mecanicamente, alienados, entregues aos usos, costumes e preceitos que a mentalidade comum automaticamente instala em nosso interior, renunciando à responsabilidade perante o próprio destino, devemos, segundo Giussani, comparar a realidade, aquilo que vivemos e nos circunda com aquele critério inato a todos os homens que constitui a experiência elementar.

Eis, então, a postura realista defendida por Giussani: voltar a atenção de maneira insistente e interessada para o objeto que se queira conhecer, para que se descubra o melhor método, aquele que o objeto impõe, o mais adequado a fim de desvendar os fatores próprios desse mesmo objeto.

Se o objeto de nosso interesse de conhecimento é o senso religioso, o ponto de partida será, portanto, a observação da própria experiência em ação no presente. Dessa maneira, poderemos, através do crivo da experiência elementar, julgar a tradição, aquilo que nos circunda e a nós mesmos para verificar aquilo que melhor nos corresponde sem nos alienarmos, e para surpreender em nós a existência do senso religioso como fator constitutivo do fenômeno humano, ou seja, como uma das dimensões do homem, apesar da diversidade humana.

2.2 - Razão

Sobre a primeira das premissas de Luigi Giussani para uma correta abordagem do problema do conhecimento do senso religioso – o realismo – ressaltamos a importância de voltar a nossa atenção ao objeto. Houve, portanto, uma maior ênfase em relação a este para melhor entendermos a questão do método: ou seja, o objeto deve ser respeitado, pois é

quem determina o caminho com o qual se efetiva o conhecimento de algo, e não aquele imaginado pelo sujeito.

Refletiremos agora sobre a segunda premissa. Sua ênfase trará para o primeiro plano o sujeito: o homem, definido pela razão e pela razoabilidade, ou seja, como ser racional. A racionalidade é, pois, também entendida pelo autor como uma das dimensões constitutivas da natureza humana.

Antes, porém, introduziremos algumas breves considerações sobre a razão identificada como medida de todas as coisas, no intuito de tornar mais perceptível, em Giussani, a problemática do uso da razão utilizada pela Idade Moderna, da qual o homem contemporâneo é seu herdeiro direto.

Belgede 4 0 02 (sayfa 47-52)

Benzer Belgeler