O Amapá localiza-se na parte setentrional do Brasil, na encosta leste do Maciço das Guianas, sendo banhada pelo oceano Atlântico e pelo estuário do rio Amazonas, possuindo uma superfície de 143.453,7 km². Limita-se a oeste, sul e sudeste com o Pará, o rio Amazonas e o rio Jari; a leste, com o oceano Atlântico; ao norte, com a Guiana Francesa e a noroeste, com o Suriname.
O estado recebe a influência da frente tropical e o clima é do tipo equatorial quente e úmido. Afinal, por estar localizado em uma região equatorial, a forte incidência dos raios solares durante o ano determina um grande aquecimento, com temperaturas variando entre mínimas de 22 e 23ºC e máximas de 32 a 33ºC.
O regime pluviométrico apresenta duas estações: a de chuvas, localmente chamada de inverno, que se estende de janeiro a julho, e o verão que vai de agosto a dezembro.
O alto porte da floresta amazônica poderia fazer supor que ela está adaptada a um solo de alta fertilidade, o que não é verdade, pois os solos tropicais do Vale Amazônico são na maioria distróficos149. Existem algumas áreas de solos eutróficos (ricos em nutrientes), porém são pequenas em relação à extensão do território amazônico.
149 O solo distrófico possui baixa concentração de compostos minerais que servem de nutrientes para a
Como o Amapá é parte deste contexto, a situação não poderia ser diferente. Os latossolos vermelho-amarelo ocupam 50% de seu território e, além da baixa fertilidade, apresentam-se arenosos e argilosos.
A baixa fertilidade e o alto grau de acidez constituem grandes limitações para o aproveitamento agrícola.
Os aspectos do solo e do clima projetam uma grande preocupação nas questões ambientais. O desmatamento tem provocado profundas alterações na interação entre esses dois elementos, pois havendo o desmatamento elimina-se a sombra e ocorre um excessivo aumento da temperatura dos solos.
Esse aumento de temperatura tem causado a rápida destruição do húmus, da flora, de fungos e outros microrganismos que são indispensáveis à fertilização do solo, porque pode fazer aumentar muito a evaporação direta, causando a subida, por capilaridade, da umidade das regiões mais profundas do solo, carregadas de sais de ferro em solução. Esses sais de ferro, ao secarem, depositam-se, originando o fenômeno da laterização ou formação de verdadeiros “ladrilhos”, impermeáveis, de terra aglutinada por sais de ferro. A impermeabilização causada seja pela laterização, seja pela perda do húmus150, faz com que haja redução da infiltração da água, com significativa elevação da parcela que escorre na forma de escoamento superficial.
Em relação ao relevo, o Amapá apresenta leves ondulações com uma altitude média de 150 metros. As principais serras do estado localizam-se na unidade do Planalto das Guianas.
As principais bacias hidrográficas do Amapá são a do Araguari e a do Amapari, sendo que outros rios também merecem destaque como o Oiapoque e o Jari. Essas bacias apresentam um grande potencial energético e hidroviário.
Com o rio Amazonas e o oceano Atlântico, definem-se 04 (quatro) macrorrotas hidroviárias: Macapá – Oiapoque – região do Caribe; Macapá – Baixo Amazonas – Manaus; Macapá – Ilha do Marajó – Belém e Macapá – Laranjal do Jari.
Atualmente está-se tentando viabilizar a implantação da hidrovia do Marajó que interligará os rios Afuá e Anajás, objetivando reduzir a distância fluvial entre Macapá e Belém em 140 quilômetros. Na rota atual, uma viagem entre Belém e Macapá tem um percurso de 580 quilômetros e é feito pela baía do Marajó, passando pelo estreito de Breves até o rio Anajás.
Contudo, o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) estão sendo elaborados para preverem prováveis impactos ambientais sobre o ecossistema marajoara.
3.3.1 Ecossistemas predominantes
A vegetação é formada por floresta de terra firme e de várzea, mata de igapó, manguezal e, ainda, por campos do cerrado e de várzea.
A floresta de terra firme é o que apresenta maior biodiversidade, maior biomassa e uma funcionalidade relacionada a uma multiplicidade de mecanismos e cadeias trópicas, em que a sustentabilidade é baseada na reciclagem de matérias. A sua importância reside no seu grande potencial em matéria-prima destinada à indústria madeireira, oleaginosa, medicinal e outros, bem como o banco genético.
No cenário ambiental amapaense, esse ecossistema, embora já apresente marcas de degradação, em decorrência da extração seletiva de madeiras, de atividades de colonização pioneiras e de garimpagem/mineração, ainda não apresenta um quadro crítico, tendo em vista a abrangência territorial desse ecossistema e a incipiente ocupação humana.
A floresta de várzea ocupa áreas de influência fluvial do estado (4,8% do território) em terrenos recentes do canal do norte do Amazonas e áreas dos principais rios da região, sujeitas as inundações por ocasião dos movimentos das marés.
A ação humana está diretamente relacionada à ocupação ribeirinha e à exploração empresarial predatória de madeiras e ao corte de açaizeiros que têm provocado riscos para o ecossistema e para a sustentabilidade das próprias populações ribeirinhas.
A mata de igapó caracteriza-se pelo regime de alagamento permanente ou pelo menos com alto grau de encharcamento do solo durante o ano. Em nosso estado, os igapós são representados por áreas descontínuas, de difícil precisão de limites e dimensões, com grandes limitações naturais em termos de uso e ocupação e, por conseqüência, não apresenta até o momento grandes pressões predatórias.
Manguezal é um ecossistema que está bem delimitado ao longo da região costeira amapaense (2,0% do estado) e, por estar ligado à influência hidrodinâmica do Amazonas, apresenta um comportamento particular em comparação com os manguezais de outras regiões costeiras do país. Tem participação ativa no aumento da produtividade primária dos mares e estuários, constituindo-se berçário de espécies marinhas. A única preocupação que se tem a
respeito desse ecossistema é quanto à captura indiscriminada de caranguejo na região do Sucuriju, município do Amapá.
O cerrado é um ecossistema de natureza campestre (com vegetação arbustiva e herbácea), que ocupa 6,4% do estado em uma faixa norte-sul. Ao longo de sua distribuição, o cerrado amapaense apresenta variações florísticas provocadas pela topografia do terreno e por variações na natureza do solo.
Assim, como ocorre em outras regiões do país, o cerrado do Amapá também vem sendo alvo de ocupação intensiva para fins de silvicultura151 (aproximadamente 20% da
vegetação original foi substituída por espécies exógenas pela empresa AMCEL, como o pinho e eucalipto), o que vem causando sérios problemas ambientais.
Em termos de biodiversidade regional, esse ecossistema tem grande importância, pois concentra muitas essências medicinais e mantém uma diversificada fauna.
Contudo, a escala crescente de ocupação predatória pode representar sérios riscos para o equilíbrio ecológico, para os núcleos urbanos e para os próprios projetos agrícolas.
Os campos de várzea (ou inundáveis) é um ambiente largamente distribuído no estado, de natureza aluvional e submetido a regimes fluvio-pluviais ligados a um complexo sistema de drenagem que envolve cursos d’água de diferentes magnitudes, lagos temporários e permanentes.
No que se refere ao uso desse ambiente para a pecuária bubalina extensiva, é importante que se reflita sobre o grau de vulnerabilidade desse ecossistema, pois, se o atual modelo de ocupação continuar ou se houver o adensamento do rebanho, é provável que ocorram impactos sobre a fauna aquática, igualmente importante para a socioeconomia local. Isto porque a prática comum é a da edificação de cercados para a contenção de bubalinos que precisam pastar nas áreas de várzeas que ficam nas encostas dos rios ou lagos, próximas às fazendas ou ilhas.
Ressalte-se que o Amapá detém 21.918 km2 de Unidades de Conservação, que ocupam 15,6% de sua superfície total.