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ARAŞTIRMANIN YÖNTEMİ

Belgede e-JOURNAL OF NEW MEDIA (sayfa 83-92)

SELF PRESENTATION OF FAMOUS WOMEN ON INSTAGRAM: CASES OF HANDE ERÇEL, HADİSE AÇIKGÖZ, ŞEYMA SUBAŞI

ARAŞTIRMANIN YÖNTEMİ

O filme de terror pode trazer um debate sobre o corpo não apenas pela forma como ele é visto em cena, mas também como ele é tratado seja pela vítima na tentativa de sobreviver ou pelo assassino em busca de provocar dor e morte para a “mocinha”. Esta relação muitas vezes pode parecer uma metáfora ao ato sexual. Nos slashers, a maioria das mortes não chega de forma discreta. Perseguidas, as heroínas correm, ficam sem fôlego, assanhadas e suadas. Partes das roupas podem ser rasgadas durante a fuga por um bosque durante a noite. O assassino macho e viril não se cansa e apenas persegue, brinca com a sua vítima, estando sempre a um passo dela. Este momento da perseguição pode ser visto como a hora da excitação da plateia. Como voyeurs, acompanhamos este jogo onde o corpo chega ao seu limite. Os sentidos ficam aflorados e o público, assim como os personagens, podem começar a se mexer desconfortáveis em suas poltronas. A perseguição é vista e sentida. Dependendo do susto ou do medo, é possível pular da poltrona, tocar no braço da pessoa ao lado, ficar tenso, fechar os olhos ou provocar alguém que está próximo para abri-los. Desta forma, a experiência fílmica torna-se quase sensorial através desta perseguição do corpo como uma metáfora sexual. Seguindo esta interpretação, é possível citar alguns exemplos. No caso de O Massacre da Serra Elétrica86, existe uma sequência na qual o vilão Leatherface persegue a “mocinha” Sally por entre arbustos e árvores. A jovem corre, grita, fica suada. Ela está trajando calça branca e camiseta azul. Durante este momento, a camisa dela vai se rasgar nas costas e na área do ombro. O cabelo, que antes era liso e bonito, fica assanhado e sujo. Os gritos dela ecoam quase que competindo com o barulho da

86 Alguns autores apontam O Massacre da Serra Elétrica como slasher, enquanto outros definem que não.

85 motosserra87. Apesar de matar personagens coadjuvantes com outras armas, como um martelo de açougue, é com a motosserra que Leatherface mais é associado, estando esta presente inclusive no título e no cartaz do filme. Quando está com a arma em mãos, o vilão se torna ainda mais agitado e ergue diversas vezes a motosserra como forma de exibir a sua força, enquanto Sally teme que a sua pele seja penetrada por aquele instrumento de formato fálico. Este medo da violação do corpo está presente na ameaça representada pelo assassino perseguindo a mocinha conforme ilustrado na figura 1288.

Figura 12 – Sally sendo perseguida por Leatherface.

Fonte: O Massacre da Serra Elétrica

Este tipo de leitura é muito comum nos filmes slashers que se popularizaram na década de 1980. Em Sexta-feira 13 – Parte 5, de 1985, por exemplo, existe uma sequência onde o assassino que imita Jason89 está perseguindo a jovem Pam. Ela está vestindo uma camisa branca sem sutiã e uma calça jeans. A cena é noturna e está chovendo, o que deixa o tecido colado ao corpo exibindo os seios da atriz. Ela está desesperada e histérica e ao ver Jason no seu encalce, se desequilibra e caí. Incapaz de se erguer, Pam continua tentando se afastar do assassino, mas desta vez engatinhando. Ao ser alcançada, a jovem para e fica prostrada no chão gritando diante do seu algoz. A sequência possui forte apelo sexual, uma vez que Jason, como homem, parece pronto

87 Apesar do título, Leatherface utiliza uma motosserra e não uma serra elétrica. 88 As imagens, retiradas do DVD do filme, são naturalmente escuras.

86 para abusar sexualmente da mulher, que está caída diante dele, conforme ilustrado na figura 13. O facão também possui representação fálica e ao perceber que está prestes a matá-la, Jason ergue o instrumento, em um sinal de excitação já que o momento representa o ápice da perseguição.

Figura 13 - Pam fica aos pés de Jason em Sexta-feira 13 – Parte 5.

Fonte: Sexta-feira 13 – Parte 5

Se algumas sequências de filmes como O Massacre da Serra Elétrica ou Sexta- feira 13– Parte 5 permitem este tipo de leitura através de metáforas presentes nas cenas e nos personagens, outras obras do gênero trazem a questão da perseguição e da sexualidade de forma bem mais clara e explícita. Em O Massacre da Serra Elétrica 2, de 1986, por exemplo, existe uma sequência na qual Leatherface encurrala a “mocinha” da vez, Strech. Na cena, a garota acaba sentada em cima de um freezer e com as pernas abertas. As roupas dela são compostas por uma camiseta, uma jaqueta e um short curto. Leatherface para o ataque e fica alguns segundos observando-a. Em um close no rosto do vilão, é possível ver que ele está passando a língua nos lábios como se estivesse tendo alguma sensação naquele momento além de simplesmente o desejo de matar a garota.

Inicialmente a motosserra não está erguida e ele não faz nenhum movimento com a arma. Como uma ereção, o vilão começa a levantar o instrumento que vai deslizando primeiro pela perna da jovem, passando pela coxa até chegar na vagina dela. Sem reação, Strech permanece imóvel enquanto Leatherface está claramente excitado. Apesar de não vermos a ereção, esta é representada através da motosserra e nos

87 movimentos feitos por ele em alusão ao ato sexual. Ao final, ele liga a serra, mas a “mocinha” consegue fugir. A sequência é ilustrada na figura 14.

Figura 14 - A motosserra como pênis de um Leatherface excitado diante da “mocinha”.

Fonte: O Massacre da Serra Elétrica 2

Acompanhando esta lógica, é possível imaginar outros fenômenos midiáticos de prazer e de como o imaginário do entretenimento conduz a tal êxtase. Jogos de futebol ou eventos musicais de grande porte podem ser apontados como exemplos. O gol que marca a vitória traz muitas vezes a imagem do jogador que corre, vibra, tira a camisa, bate no peito, enquanto os torcedores agem de forma quase idênticas. Neste exemplo, semelhante à perseguição no filme de terror, a imagem do jogador correndo com a bola e desviando de adversários a caminho do gol provoca momentos de tensão, mas que fazem parte do prazer no futebol como entretenimento. Com o gol, os torcedores explodem de alegria com a vitória e comemoram juntos, conforme ilustrado na figura 15.

Figura 15 - O prazer do torcedor surge do gol marcado e da comemoração coletiva.

88 Já um show para um grande público, com 80, 90 ou 100 mil pessoas, pode ter um momento de comoção quando o guitarrista faz um solo e este vem acompanhado de uma forte expressão facial quase como um prazer sexual, o que pode levar os mais fanáticos a gritarem e até chorarem de emoção. Em alguns shows, é comum ver músicos que “comandam” a reação dos fãs, pedindo para cantarem parte da letra ou baterem palmas em sintonias com movimentos repetitivos, como na figura 16. A linguagem corporal provocada nestes eventos se enquadra igualmente no imaginário do entretenimento como forma de prazer de consumo.

Figura 16 - Público e músicos em sintonia.

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Fonte: captura da tela

Silverstone chama então nossa obsessão por este tipo de material midiático, principalmente por ser algo cujo público costuma buscar repetidas vezes. “Também voltamos aos sites e programas onde uma vez o encontramos [o prazer] e esperamos encontra-lo” (SILVERSTONE, 1999, p.109). A volta ao cinema para ver mais um filme pode ser a vontade de reproduzir um prazer outrora sentido e a tentativa de maximizá- lo. Assim, é possível destacar que tanto jogos de futebol, como shows e filmes de terror, vistos na figura 17, representam tipos de entretenimentos midiáticos que utilizam o movimento corporal para ajudar na satisfação e prazer dos torcedores, públicos e fãs.

Figura 17 - Exemplos midiáticos do corpo que proporcionam prazer no público.

89 É importante deixar claro que este tipo de leitura é mais comumente utilizado com os slashers, embora a figura feminina esteja presente em boa parte dos filmes de terror. Também é necessário destacar mais uma vez que esta interpretação vai depender do contexto, da época, do subgênero ao qual o filme pertence e que uma leitura exata não é facilmente possível. Dependendo de onde a obra é produzida, a forma como a mulher é apresentada ou tratada em cena poderá ser diferente quando comparada com películas de outros países.

Belgede e-JOURNAL OF NEW MEDIA (sayfa 83-92)