São poucas as informações sobre o idoso nas antigas civilizações ou na história de uma forma geral. De certa maneira um aspecto compreensível, pois morria-se cedo (até o século XIX) antigamente. As poucas informações disponíveis reportam-se mais aos idosos das classes mais abastadas, ou registros esparsos encontrados em poemas, peças teatrais ou crônicas de época. Mais raras ainda são informações sobre idosos de classes menos favorecidas. Entretanto, nos poucos documentos encontrados está sempre presente, dependendo da civilização, a forma diferenciada de se tratar os idosos e o que tais documentos nos ensinam para compreender a situação de hoje. (BEAUVOIR, 2007).
Sociedades ocidentais valorizavam o idoso mais pelos bens materiais adquiridos ao longo da vida. Por outro lado, os orientais valorizavam o idoso pelos conhecimentos tácitos e experiência para lidar com determinados problemas.
Sociedades, dependendo do período histórico, onde o trabalho árduo era exigido, os idosos eram deixados de lado e, até mesmo, eliminados, pois não tinham como contribuir para o grupo a que pertenciam. Em comunidades indígenas, por outro lado, os idosos, ainda hoje, são muito valorizados e chegam a chefiar o grupo. A China, por ser uma sociedade autoritária e hierarquizada, valoriza os seus idosos pelo conhecimento. Sua organização familiar e patriarcal defendia que a família devia obediência aos idosos por serem detentores da sabedoria (MAZO; LOPES; BENNEDETTI, 2003).
Os judeus respeitavam os idosos por acreditarem que Deus os havia escolhido e abençoado com a longevidade. Na Palestina, os anciões tinham participação destacada na sociedade exercendo cargos importantes na vida pública. Os egípcios temiam a velhice e almejavam vencê-la com um sonho de rejuvenescimento (BEAUVOIR, 2007).
Na Grécia e Roma antigas, não havia leis para proteger escravos, mulheres e idosos e só generais e idosos que possuíam alguma riqueza detinham poder e prestígio sobre os demais (BEAUVOIR, 2007; MAZO; LOPES; BENNEDETTI, 2003).
No início da Idade Média, com a invasão dos bárbaros, os idosos foram desprezados por não poderem ajudar no trabalho árduo e nos esforços de guerra. Com a consolidação do cristianismo, nesta mesma época, a Igreja Católica assumiu os cuidados com os idosos, construindo abrigos e hospitais, e chegavam a utilizar até mosteiros e conventos para tal fim. Com o surgimento da burguesia, no final da Idade Média, os idosos voltaram a ser
prestigiados, principalmente aqueles que possuíam bens, como terras, e haviam acumulado riquezas (MAZO; LOPES; BENNEDETTI, 2003). Com o Renascimento, os idosos voltaram a ser desprezados, mas os motivos eram outros, não mais incapacidade para o trabalho, mas por não possuírem mais os padrões de beleza e perfeição e apresentarem sinais de decadência física e perderem o vigor da juventude (MASCARO, 2006.)
O desenvolvimento da tecnologia, a mecanização e o êxodo rural aumentaram as dificuldades dos idosos, por suas limitações biomecânicas e inadaptação a novos serviços, fazendo-os sentirem-se improdutíveis, dispensáveis e descartáveis (SIMÕES, 2007, p.32). O advento da urbanização nas sociedades proporcionou que as autoridades observassem a necessidade de maiores cuidados com os idosos. Em 1891, a Dinamarca promulgou uma Lei de Assistência a Ancianidade e os Estados Unidos, em 1929, criou uma Lei de Seguridade Social que previa uma aposentadoria, em forma de pensão, para aqueles que haviam parado de trabalhar em função da idade. A partir daí, vários outros países tomaram medidas semelhantes (MAZO; LOPES; BENNEDETTI, 2003).
No Brasil, inserido no contexto ocidental de nações, a preocupação com os idosos foi iniciada na década de 30 do século XX, no governo de Getúlio Vargas, que promoveu leis de cunho social (salário mínimo, Consolidação das Leis do Trabalho, sindicatos livres, entre outras) e, mais recentemente, com a Constituição de 1988, e quando foi promulgado o Estatuto do Idoso, PL nº 3.561 do deputado Paulo Paim (Lei nº 10.741/2003, sancionada pelo Presidente Luis Inácio Lula da Silva em 01/10/2003), atualizado em 05/02/2010. No Sistema Único de Saúde, existe atendimento preferencial para idosos na Rede Pública de Saúde. A Resolução da Diretoria Colegiada-RDC nº 283, de 23/09/2005, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, estabelece normas para Estabelecimentos Residenciais para Idosos. Uma grande conquista foi a extensão das aposentadorias para os trabalhadores rurais (FUNRURAL), nos anos 1970.
Entre outros benefícios, o Estatuto do Idoso estabelece:
Distribuição gratuita de próteses, órteses e medicamentos.
Proibição de Planos de Saúde privados aumentaram mensalidades pelo critério de aumento de idade.
Transporte urbano gratuito com reserva de 10% dos assentos para idosos.
Transporte interestadual gratuito com reserva de 2 vagas para idosos ou desconto de 50% no preço em vagas remanescentes.
Punição com rigor de atos de negligência, discriminação, violência e opressão contra idosos.
Tratamento preferencial em tramitação de processos e execuções judiciais. Abatimento de 50% no acesso a atividades culturais, esportes e lazer.
Reserva de 5% de unidades habitacionais em programas habitacionais financiados ou promovidos pelo poder público.
Atendimento prioritário na Rede de Saúde, bancos, correios ou qualquer serviço público.
Dispensa de pagamento de imposto de renda para pessoas aposentadas.
Adoção de normas e critérios de acessibilidade nas vias e espaços públicos, prédios e edificações em geral e nos equipamentos de transportes urbanos.
Proibição de impedir o acesso ao trabalho para pessoas com mais de 60 anos. (BRASIL, 2003).
Pode-se observar, de imediato, as grandes transformações que precisarão ser feitas em determinadas atividades, como as já citadas acima, no sentido de atender às recomendações e normas do Estatuto do Idoso. Além do mais, deverá ser implantada, adaptada ou redimensionada, uma grande quantidade de equipamentos no espaço público, nas atividades culturais e de lazer e nas repartições, centros de compras e prédios em geral.