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4.ARAŞTIRMANIN SONUCU VE ÖNERİLER

Movimento essencial na crítica ao positivismo e pragmatismo reinantes, e no processo de questionamento e reflexividade da cultura europeia contemporânea dos séculos XX - XXI, a Escola de Frankfurt, enquanto corrente filosófico-sociológica, foi um marco fundamental que caracterizou a compreensão da passagem da Modernidade à pós- Modernidade. Esta ‘escola’ representou simultaneamente um acontecimento (criação de uma instituição), um projecto (introdução de uma filosofia social) e uma atitude (fundamentação de uma Teoria Critica), a qual teve um grande impacto no apontar dos efeitos nefastos do tecnicismo indutrialista, como justificação ideológica do progresso infinito.

Neste desiderato, quatro princípios globais de pendor crítico são de evidenciar, desde já:

 a mediocratização na qualidade cultural (trivialização);  o relacionamento utilitário e calculista face ao ‘eu’;

 a mercantilização da cultura e dependência da ‘massa a-crítica’;  a preponderância do sensacionalismo e da personalização.

Nesta perspectiva, os teóricos de Frankfurt desenvolvem uma crítica da ‘Razão Instrumental’ fundada na interpretação negativa do Iluminismo e que não perseguia outro fim que não o progresso técnico e a edificação de uma burocracia de planeamento racional, os quais em nome do progresso, submetiam o eu a uma coacção ofensiva. Na disciplina e regimentação do Homem, pelo exército, pela fábrica e pela administração modernas, a racionalidade aliava-se à violência mais irracional. O iluminismo tinha-se tornado cúmplice de uma barbárie abjecta e alienante, cujas nefastas consequências se vieram a manifestar em dois momentos fulcrais.

No primeiro momento, na II Guerra Mundial, pela acção nacional-socialista, que ensaguentou a Europa, e num segundo momento no estabelecimento de um estado policial a leste, bem vincado na construção em 1961 de uma ‘cortina de Ferro’, com trezentos quilómetros de muros de betão e vedações de arame farpado a três metros de altura, bem como longas redes metálicas electrificadas e patrulhadas continuamente. A ela, o antigo presidente Eric Honecker apelidava ironicamente ‘barreira de protecção antifascista’! O muro tornou Berlim uma cidade irreal, cujas principais vias de comunicações se tornavam, em dois tempos, autênticos becos sem saída.

Fundando-se, pois, num domínio racional sobre a natureza, e que implicava um domínio paralelo sobre o homem, a racionalidade instrumental corporizava-se em última análise nas técnicas de produção em série (reprodução) e na homogeneização e estandardização dos produtos de consumo permitidos, segundo as considerações de Benjamin. A racionalidade da técnica identificava-se com a racionalidade do próprio domínio, sob forma de um negócio ou fim comercial (o lucro), realizada e dirigida cirurgicamente para a exploração de bens considerados culturais, transformando-se estas numa espécie de imperativo ideológico e de consumo.

Esta visão tecno-mercantil, desemboca naquilo a que Lipovetsky chamará ‘cultura- mundo’, e é marca indelével da hipermodernidade. Este projecto filosófico acaba por ser um grande exame teórico e crítico da ideologia daí resultante, ou seja, a crítica do tecnicismo, enquanto factor de alienação. O conceito de alienação remete-nos desde logo, para o estado de alheamento e afastamento dos indivíduos face a si próprios e aos outros. Este sentimento de afastamento teria a sua origem na negação da essência da natureza humana (trabalho criativo e desenvolvimento de actividades de cooperação sociais, com vista á renovação e transformação do mundo) pela estrutura social. O sistema industrial-capitalista compele pelo contrário, ao trabalho, retirando-lhe toda a criatividade e espontaneidade, esvazia as pessoas do produto do seu trabalho e transforma as relações sociais em puras e mecânicas relações de mercado, fazendo do próprio trabalhador uma simples mercadoria e uma engrenagem igual às outras.

Herbert Marcuse, tratou a alienação como um conceito normativo e como um instrumento para criticar as dimensões do universo social unidimensional, que

contrariavam a verdadeira realização humana, na medida em que fechavam o sujeito numa espécie de ‘encefalograma plano’, onde se extinguiria toda a riqueza da crítica social, ou oposição ao status quo. Todavia, o ponto comum que une quem aquele conceito reflectiu, é o vincar de um certo abandono da esperança racional, para se afirmar um sentimento de decadência ‘pessimista’, relativamente à cultura e à sua marcha no mundo.

Para os filósofos frankfurtianos, o tecnicismo não é nem mais nem menos que a própria ideologia do sistema capitalista, que visa fazer funcionar o saber científico e a técnica, que dele possam resultar. Ciência e Técnica tornam-se entidades gémeas que interagem e determinam os seus próprios rumos, a partir de uma certa política predominantemente cristalizada e universalizada ideologicamente, tal como afirmava Habermas.

Esta universalização está actualmente bem patente na chamada ‘globalização’. Segundo Habermas, inspirado em Marcuse, a dominação perpetua-se e estende-se não apenas através da tecnica, mas enquanto tecnologia, e esta garante a formidável legitimidade do poder político em expansão, o qual absorve todas as esferas da cultura. O homem, submetido a este domínio tecnológico, demonstra a impossibilidade técnica de ser autónomo e de determinar a sua própria vida. Por conseguinte, a lógica do controlo social, isto é, a omnipresença da alienação, desembocaria na realidade do individualismo

unidimensional, incapaz de exigir o progresso do espírito já que se encontrava afoito ao mundo das aparências, do imediato e do fácil. Pode-se dizer que o indivíduo possui o direito de escolher, mas esta premissa torna-se vazia quando constatamos a similitude de possibilidades a que ele acaba por estar sujeito. Deste modo, a racionalidade tecnológica acaba por proteger a legitimidade da dominação em vez de a suprimir, e reforçar o horizonte instrumentalista da razão, a qual se abre sobre uma sociedade racionalmente totalitária, mesmo quando denominada democrática, com de resto Spengler afirmava a respeito da ‘ditadura do dinheiro’ no mundo moderno.

O processo de mútua dependência entre ciência e técnica amplia-se a todas as esferas da realidade, passando a alimentar o próprio interesse económico-ideológico, tornando-se ‘nódoas’ no caminhar da racionalidade livre. E esta não se compadece com um critério de verdade meramente subjectivo, formal e instrumental.

Mais do que exprimir qualidades ou abreviaturas das coisas singulares, urge opor a este tipo deformado de razão objectivo-tecnocrática, uma de outro tipo: a Razão Polémica, a qual exige uma permanente luta contra a resignação e a passividade, tornando essencial a vivência da liberdade individual e do pensamento livre, como muito bem prenunciava Max Horkheimer.

Pode dizer-se que existe uma estratégia de legitimação de dominação feita através da ciência e da técnica, como afirma Habermas em Técnica e Ciência como ‘Ideologia’:

“Seguimos este processo da ‘racionalização a partir de cima’ até ao ponto em que a técnica e a ciência, na forma de uma consciência positivista imperante – e articulada como consciência tecnocrática – começam a assumir o valor posicional de uma ideologia que substitui as ideologias burguesas destruídas (...) Esta duplicidade foi diagnosticada por Adorno e Horkheimer como

dialéctica da ilustração, e a dialéctica da ilustração foi por Marcuse transformada na tese de que a técnica e a ciência se tornam elas próprias ideológicas.” 89

Herbert Marcuse denuncia já claramente aspectos totalitários quer do comunismo soviético da época, quer do capitalismo ocidental. Nele, repete a crítica ao racionalismo (irracional, porque já não se fundava na verdadeira razão) da sociedade moderna, e tenta, simultaneamente, esboçar o caminho que nos poderá fazer afastar dele - a contestação - ou como se diz hoje, o ‘direito à expressão livre, ou à indignação. Será que o desenvolvimento extremo da tecnologia, poderia operar efeitos verdadeiramente revolucionários, e quais poderiam ser esses efeitos?

Tornava-se claro já na década de 60 que a problema da sociedade moderna era a invasão crescente de uma mentalidade expansivista, tipicamente mercantilista e quantificadora a todos os modos do pensamento. Essa mentalidade representar-se-ia, economicamente, pelo valor de troca, ligado directamente ao processo tecnológico de alienação do homem. Este domínio alienante e total de ambas as sociedades, passava pelo predomínio de uma razão técnico-instrumental (operacional), a qual, alegando estar a desmistificar a realidade, extinguia toda a capacidade de mediação da razão em relação à realidade empírica.

Constata-se que mais do que um reflexo das políticas capitalista (Ocidental) ou socialista (de Leste), a preocupação e o domínio totalitário do mercado, enquanto vertente económico-financeira, é apanágio do próprio sistema em que ambos se erguem - o Industrialismo. Curiosamente já Spengler antecipava os contornos deste mundo industrialista, quando em A Decadência do Ocidente afirmava que ‘o dinheiro pensa, o dinheiro dirige’, sendo esta a imagem típica das culturas decadentes. Na senda do autor alemão, Toffler também dizia:

“Em tal sociedade, independentemente da sua estrutura política, não só os produtos são comprados, vendidos, transaccionados e trocados; são-no também o trabalho, as ideias, a arte e as almas. O agente de compras ocidental que embolsa uma comissão ilegal, não é muito diferente do editor soviético que aceita gratificações dos autores, em troca da aprovação das suas obras para publicação, ou do canalizador que exige uma garrafa de vodka para fazer aquilo para que lhe pagam. O artista francês, inglês ou americano que escreve ou pinta só por dinheiro, não é muito diferente do romancista, pintor ou dramaturgo polaco, checo ou soviético que vende a sua liberdade

Benzer Belgeler