DÖRDÜNCÜ BÖLÜM
4.7. ARAŞTIRMANIN GĐRDĐ VE ÇIKTI KÜMELERĐNĐN SEÇĐMĐ
A maioria das propostas que visava o estabelecimento, em Portugal, de uma formação escolarizada de jornalistas não faz menção à formação em Radiojornalismo. As iniciativas revelavam a preocupação de atender, prioritariamente, as demandas das redações dos jornais impressos, uma vez que as emissoras de rádio e de televisão apresentavam consolidação lenta
e produziam um Jornalismo ainda muito incipiente, pelo menos até meados da década de 1960. Questões relacionadas ao Radiojornalismo aparecem de forma mais contundente na revista Jornalismo, publicada pelo Sindicato Nacional dos Jornalistas a partir de 1967, em substituição a outra publicação sindical chamada Boletim.
O surgimento da revista, anterior à chegada de Marcelo Caetano ao comando do governo, coincidiu com o período de maior engajamento dos jornalistas profissionais na luta contra a ditadura. De acordo com Teixeira (2011, p. 70), a classe vivia um processo de rejuvenescimento nos últimos anos da década de 1960, com ênfase para uma maior qualificação profissional, maior presença de mulheres nas redações e evolução tecnológica na forma de fazer Jornalismo.
Um dos textos publicados em 1967 pela revista, intitulado Jornalismo Radiofónico, mostrava o interesse que o rádio despertava entre os profissionais, principalmente por causa da popularização do veículo em Portugal. O artigo ressaltava a eficiência do rádio como meio para divulgar informações e que era preciso que as emissoras criassem redações e que os jornalistas desse meio de comunicação escrevessem as suas próprias notícias.
Outro texto publicado no mesmo ano em outra edição da revista tratava das diferenças entre o jornalismo impresso e o radiofônico e pedia pela criação de cursos profissionais, preferencialmente de nível superior, para jornalistas interessados em atuar no rádio. A preocupação estampada na publicação sobre dos rumos do Jornalismo no rádio e mais tarde, na televisão, sinalizava à categoria que as novas áreas de atuação exigiriam especializações cada vez mais distintas, uma vez essas mídias possuíam características e linguagens específicas, bem como formas diferenciadas de captação, produção e difusão de conteúdos noticiosos (op. cit., p. 72-75).
A especialização sugerida pela revista Jornalismo aparece consolidada em um projeto que propôs estratégias que visaram suplantar a carência de jornalistas para atuar também nos outros meios. Apresentado em 1971, quando a então empossada direção o SNJ determinou a instalação de um grupo constituído por jornalistas para estudar e preparar propostas de um curso de nível superior, o Projecto de Ensino de Jornalismo em Portugal previa a criação de um Instituto Superior de Ciências da Informação para formar, em três anos, bacharéis e, em cinco anos, licenciados em Ciências da Informação (CANAVILHAS, 2011, p. 58).
A intenção de constituir uma proposta alinhada à realidade revela-se por conta do perfil dos idealizadores do projeto que obtiveram, fora de Portugal, formação superior em
Jornalismo e, portanto, tinham conhecimento de ações voltadas à formação que já eram consolidadas. As propostas apresentadas por esse grupo de jornalistas eram estruturadas em torno das técnicas profissionais e da compreensão do campo de atuação, do domínio da língua e das ciências sociais humanas. “Esse projeto de ensino superior de Jornalismo é, de resto, um marco sobre as mudanças ocorridas na teorização do ensino do Jornalismo em Portugal” (SOUSA, 2009, p. 30).
A composição do curso, formada por conteúdos predominantemente científicos e humanísticos, seguiria três eixos chamados Ciências da Informação, Técnica da Informação e
Cultura para a Informação. O projeto prometia que os profissionais formados estariam aptos
a exercer o Jornalismo não apenas nas redações dos jornais impressos, mas também nas emissoras de rádio e de televisão. Além disso, os jornalistas seriam capacitados a produzir conteúdos noticiosos voltados à prática do Cinejonalismo (MENDES, 2012, p. 39).
O Jornalismo era tratado, pelo projeto, como uma área de atuação de viés técnico que exige, de seus profissionais, conhecimentos e competências específicos. A iniciativa do sindicato mostrava o interesse de formar jornalistas multimédias a partir de uma grade curricular semelhante às existentes na atualidade nos cursos de Jornalismo e Ciências da Comunicação de Portugal (SOUSA, 2009, p. 30). A aglutinação de disciplinas teóricas entre o primeiro e o terceiro ano daria aos alunos o grau de bacharel, enquanto a formação de caráter prático, concentrada no quarto e quinto ano, permitiria acesso à licenciatura106.
A palavra Radiojornalismo aparece citada no plano de estudos do Projecto de Ensino
de Jornalismo em Portugal no item Meios de Informação que integrava o segmento Seminários de Especialização (nas ciências e técnicas da informação). Não há maior
detalhamento sobre as ações que seriam empreendidas em Radiojornalismo, mas o plano de ensino propunha promover atividades predominantemente práticas, “com vista a antecipar a vivência da profissão (integrando nela o aluno) e a obter, pela objetividade, maior eficiência” (TEIXEIRA, 2010, p. 45).
A utilização de um estúdio laboratório de rádio também foi prevista no plano, bem como convênios com entidades públicas e privadas que garantiriam a realização das aulas (Ibidem). Apesar da consistência, sistematização e de detalhes, a proposta da entidade
106
Em Portugal, o termo Licenciatura é comumente usado para nomear o primeiro ciclo do curso superior, que no Brasil corresponde à graduação. Os estudantes que concluem os estudos nessa fase são licenciados à prática profissional e, daí, o uso da expressão. No Brasil, o termo refere-se aos cursos de nível superior que habilitam para o exercício exclusivo da docência em escolas de Ensino Infantil, Fundamental e Médio.
classista teve o mesmo destino das elaboradas antes da Revolução: o arquivamento. “O projeto do SNJ representava o acesso dos futuros profissionais à formação acadêmica universitária, e se fosse concretizado constituiria um marco na história do ensino e do Jornalismo portugueses” (MENDES, 2012, p. 40).