A história de Cynthia Toledo começa em 26 de junho de 1949, numa cidade muito pequena do interior de Minas Gerais, com cerca de 4 mil habitantes. Sua mãe casou-se aos 13 anos com um homem bem mais velho, que já tinha seus 30 anos, e tiveram nove filhos. Cynthia comenta, rindo, que foram três homens, quatro mulheres e ela, sem perceber que a conta não bate. Mas Cynthia mesmo diz que é péssima para fazer conta. Ela era ainda muito criança quando foram morar em Belo Horizonte.
Cynthia atribui a sua tendência a atuar no trabalho social, o que faz no presente, ao exemplo que teve de sua mãe, que sempre achava um tempo para ajudar outras pessoas, mesmo com tantos filhos para criar. Costurava roupas para famílias pobres. E Cynthia servia de manequim, para acertar as medidas. Quando tinha cerca de quatro anos, a mãe fazia um vestido e a usou, como sempre, para verificar as medidas.
Ela me chamava pra medir e tudo, às vezes. Teve um acontecimento que marcou muito minha vida, eu devia ter uns quatro anos de idade, e ela me chamou, botou o vestidinho que ela estava fazendo na minha frente pra ver a altura e eu perguntei se era pra mim porque eu já era interessada. Desde a minha infância eu sempre fui mulher e eu nunca
me questionei sobre isso [...] Porque a mulher que vive em mim, ela vive muito à parte do meu corpo biológico, sem conflito.
Mas Cynthia achou que o vestido era para ela. Ela quis que o vestido fosse para ela. Neste dia, ela sentiu que não queria mais se vestir com roupas de menino. Havia se preparado para vestir o vestido que, em sua interpretação, estava sendo feito sob medida para ela.
[...] no final do dia eu me preparei psicologicamente pra vestir aquele vestido que ela estava fazendo e lá na frente da minha casa era de areia, tinha uma areia muito branquinha na rua nossa, que não era calçada, e eu assim, corri sem roupa, sem nada, pelado, sai e me rolei, rolei na areia porque eu não queria vestir mais roupa de menino,
eu queria roupa de menina.
Cynthia teve, quando muito criança, uma família grande e muito unida. Mas quando estava com sete anos, sua mãe faleceu. Uma morte inesperada, da qual tomou conhecimento ao ser trazida da escola e ver a mãe sendo velada na sala de sua casa. Uma violência para uma criança tão pequena.
Ela sente a dor da morte da mãe como um amadurecimento. Depois desta perda, ”as coisas degringolaram”, como ela diz. A sua vida, daí em diante e por toda a juventude, tomou um rumo cheio de percalços, mudanças, abandonos e muita exploração. Mesmo com todas as dificuldades que passou, Cynthia não sucumbiu. Tudo na sua vida foi muito gostoso. E ela sempre foi muito forte e soube se impor.
[...] mas eu, na verdade, sempre fui uma pessoa, eu não sei se predestinada, ou muito forte, ou muito enigmática, ou muito assustadora, porque eu desde criança já comecei a me impor, não de maneira prepotente, mas consegui meu lugar.
Viveu com dignidade sua sexualidade e sua transformação. E muito cedo, desde sempre, soube que era diferente.
Desde cedo. Porque eu comecei a conviver com a minha diferença, eu tinha irmãos com idade quase igual a minha que quando estavam despertando a puberdade, estavam despertando para as primeiras paixões e tudo, a minha era o inverso. [...] Eu me recordo muito disso, essas conversas que eu tinha com esse meu irmão, que é um pouquinho mais novo do que eu, ele relatando da paixão dele pelas garotas e eu pelos garotos e era tão natural.
E com o irmão um pouco mais novo, Cynthia conversava abertamente sobre essas diferenças, não havia nenhum problema, nenhum estardalhaço, nenhum escândalo.
179 Normal. Brincava de colocar panos na cabeça, e isso não causava problemas. Não se recorda de ter sido reprimida pela família nuclear: nem pela mãe, nem pelo pai ou pelos irmãos.
Com a morte da mãe, voltaram de Belo Horizonte para a pequena cidade em que nascera. E a partir daí sua recordação é de ela e seus irmãos terem vivido sendo jogados de uma casa para outra, já que seu pai não tinha como cuidar de tanta criança.
Nesta volta à cidade pequena, começou a sentir que a diferença de ser um menino que se identificava com o feminino que antes era aceita e vivida como natural em sua família, é algo que agora a torna um “patinho feio”. Por um lado, era uma criança considerada linda. Por outro, já era claramente vista como homossexual. Tinha um olhar considerado muito feminino, o que incomodava.
Eu percebia uma predileção das professoras pelo meu irmão e uma aversão por mim, mesmo quando criança eu já percebia uma agressão, intuitivamente eu sentia essa rejeição por mim e isso tudo me foi fazendo com que eu amadurecesse muito rápido.
Comecei já meus questionamentos, já que porque por um lado eu era uma criança linda
que as pessoas me achavam muito linda, e por um lado eu era rejeitada principalmente pelas mulheres.
Ela sentia que era rejeitada, principalmente pelas mulheres, pois nos anos 50 elas eram extremamente machistas, já que dependiam do casamento para sobreviver. Ao mesmo tempo em que rivalizavam entre si, também rejeitavam Cynthia, talvez inconscientemente, por ser um garoto feminino.
Inconscientemente essas mulheres viam a mulher que era já desde criança.
[...] a mulher queria que o homem fosse macho que era o futuro homem da vida delas.
Cynthia sente que sofria uma rejeição velada, porque além de ser uma c idade pequena, ela tinha uma família muito numerosa, tinha a proteção dos irmãos. Intui que, se tivesse sido uma criança mais solitária, provavelmente teria sofrido outros tipos de violência. Isso a fez amadurecer e vivenciar a rejeição com equilíbrio.
Então por isso você observa o que é maturidade, porque eu não me recordo de ser uma criança infantil eu era uma criança madura, como sempre eu fui, uma pessoa muito madura, muito segura, tanto é que eu lido com essas coisas, essas rejeições com muita maturidade, muito equilíbrio, eu lido com a violência com um olhar de piedade pra aquela pessoa que é violenta.
Outra forma de lidar com essa rejeição foi se fazer querida pelos colegas, especialmente os meninos. Cynthia era uma criança muito ativa, que tinha muita criatividade e iniciativa. Ela realizava projetos culturais, como teatro, música, o que lhe garantia, de alguma forma, a proteção por ser bem querida, ainda que fosse evidentemente feminina.
E eu era bem “mariquinha” mesmo, mas em contrapartida, eu tinha preferência dos
homens, eu tinha preferência dos meninos, dos colegas. Eu não cresci abandonada, eu não cresci rejeitada. Mesmo porque na escola eu sempre fui uma presença de proa, eu era uma militante, eu gerava teatro, musical e criava muita coisa, eu era muito ativa. Então eu era amada pelos meus colegas, tanto os meninos como as meninas. Eu soube me fazer amar.
Provavelmente sofreu o que ela chama de bullying, não tem muita recordação, mas acha até que a chamavam de “bicnhinha” ou viadinho”, mas como ela também mexia com os colegas, isso ficou na memória como brincadeira, sem peso, sem sofrimento.
Já depois da puberdade, ela sente que as coisas não foram tão simples. Passou a sentir que ser diferente era um peso, já não se sentia tão confortável. Tinha muitas dúvidas e muito conflito, mas não sabia como se informar, como saciar sua curiosidade sobre as questões da sexualidade. Era uma época em que não se falava abertamente sobre sexo ou sexualidade, nem mesmo do que é considerado tradicional, e não havia internet. Mas o tradicional troca-troca entre os garotos acontecia. E ela teve alguns namorados. Era tudo escondido.
Na puberdade, as dificuldades também se expressaram em atitudes de violência e exclusão na escola. Lembra-se de um professor de matemática que a expulsou da sala de aula levando-a pelo braço.
Então eu tive essa facilidade [de ser uma pessoa querida], mas esse professor de matemática, Cássio Arruda, ele era de uma família que era meio de direita, essa coisa machista e tudo. E as coisas começaram a ficar mais difíceis pra mim. Eu não tinha mais mãe, eu ficava na casa de uma parenta ou de outra, e ai eu fazia serviços domésticos [para pagar a hospedagem]. Porque as pessoas da casa sempre estavam olhando pra você como se tivesse fazendo caridade, elas estavam te escravizando, você fazia a faxina, trabalhava que nem uma mula, mas você estava recebendo a caridade delas.
Seu pai faleceu quando ela tinha uns 15 anos. Como não tinha mais seus pais ou irmãos para protegê- la e se encontrava em situação de subalternidade, fazendo serviços domésticos em casas de parentes como troca pela hospedagem, ou seja, sendo explorada sob a aparência da caridade, isso a tornava indefesa. Se fosse uma pessoa rica ou famosa, Cynthia pensa, não ficaria tão desamparada. Seria aceita independentemente de
181 ser negra e homossexual. Seria aceita com qualquer diferença que a outras pessoas estigmatizaria.
Então ocorre das pessoas só terem vergonha de estar com quem não faz sucesso, quando
você faz sucesso principalmente em países de terceiro mundo, você deixa de ser “viado”, você deixa de ser negro, você deixa de ser mulher, você vira rei.
Por isso, sua popularidade ajudou-a a superar as rejeições. E por se amar do jeito que sempre foi. Cynthia pensa que, para ser tratada com dignidade, teria que se impor e romper com certa dissonância que sua forma de ser despertava. E isso significou, entre outras coisas, vestir-se de menina. Porque seu biótipo era muito frágil para passar por “macho”.
Então a gente tem que procurar ficar bem na fita, não só por mim mesmo, mas para os outros, eu acho que uma embalagem agradável, ela sempre melhora, ela passa melhor em qualquer lugar, eu também não vou ficar assumindo atitudes que faça com que eu seja rejeitada. Eu descobri logo que era muito afeminada, muito delicada com um biótipo muito delicado pra ser homem e eu fui descobrindo, logo eu sei que vestida de menina, eu passava mais batida.
Desde muito novinha, tinha um namoradinho às escondidas, com quem se dava muito bem, mas ele, de família rica, começou a namorar uma prima dela, que descobr iu o envolvimento de ambos. Depois disso, Cynthia, que trabalhava no hotel da tia em troca da sobrevivência, foi mandada para o Rio de Janeiro, para a casa de outra parenta. Cynthia se deu conta, nessas experiências, de que gênero e classe se misturam para fomentar sua exclusão. No Rio de Janeiro, por exemplo, a tia co m quem ela e dois irmãos foram morar percebe seu jeito feminino e, dispensando a empregada, coloca Cynthia para ser a faxineira da casa. Os três tiveram oportunidade de estudar em um bom colégio, pago pela tia, mas somente Cynthia, por seu jeito feminino, tinha de fazer a faxina. Os irmãos eram dispensados da tarefa. Mais uma vez, Cynthia conta o quanto as diferenças se entrecruzam criando exclusão. A tia expressa seu descontentamento por ela ser diferente, preferindo que ela não envergonhe a família.
Tudo bem, eu gostava era serviço feminino também, mas quando a gente cresce, a gente vai percebendo isso, que isso é uma espécie de homofobia, isso é uma violência, uma diferenciação, então eu era de terceira classe dentro da família, pelo fato de eu ser
homossexual e ai uma vez ela disse que se tivesse que envergonhar a família que o mundo era grande.
E ser homossexual nos anos 50, 60 ou 70 significava ser desacreditada. Ou ela precisaria ter um “bigodão e coçar o saco” ou ir para a “zona”, para a prostituição, para fazer serviços subalternos, como faxina, serviços gerais. E foi por ser desacreditada na família que ela fugiu de casa e foi para a zona94, naquele momento não para se prostituir, mas para fazer trabalhos subalternos em troca da sobrevivência. E ninguém da família foi procurá- la.
Apesar de todos os infortúnios, de não sentir mais o amor e a acolhida que tinha quando sua mãe era viva e morava com uma família amorosa, Cynthia não se sentia infeliz. Ela reagia às adversidades com determinação, força e inteligência.
Tudo o que via era elemento de vida, era elemento de estudo, era aprendizado, era fortalecimento, cada adversidade da minha vida me jogou pra cima, porque eu fui descobrindo que eu precisava ser forte, não fisicamente, mas intelectualmente. É muito importante, porque se não você fica louca. O homossexual, ele é um predestinado. O homossexual que sobrevive, principalmente na minha geração, ele é predestinado, ele tem que ser muito forte, quando você nasce, como eu, homossexual latente, porque eu não tinha nem condição de tentar passar por homem.
E mesmo tendo que abandonar a escola antes de entrar o segundo grau, foi a sua criação elitizada que lhe deu condições de enfrentar toda a adversidade com inteligência e com perspicácia. Cynthia, apesar de não ter tido uma família rica, teve convivência com a elite, o que lhe deu acesso a oportunidades que outras pessoas não tiveram. Ela teve acesso ao conhecimento. E ela sempre teve coragem.
Ela foi ajudar uma mulher que vendia comida para as prostitutas da zona do baixo meretrício. Um lugar isolado do resto da cidade por tapumes, um gueto. Sua beleza e sua cultura eram diferenças que, se a ajudaram depois na vida, naquele momento inicial na zona complicaram- na.
Embora eu tenha tido uma educação muito boa, muitas boas leituras, por exemplo, Jorge Amado, os nossos escritores, eu com 15 anos já tinha lido todo mundo, Machado de
94 Termo popular utilizado para designar área em que há grande concentração de pessoas exercendo a prostituição, sendo em logradouros públicos ou em estabelecimentos fechados, como prostíbulos, bordéis ou bares.
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Assis, os escritores brasileiros eram todos obsoletos pra mim. Eu já estava vendo o pessoal do mundo, e isso expandia muito a minha cabeça, isso me dava um intelecto muito mais amadurecido, porque eu podia me comunicar muito bem. E eu... lá na zona vendendo comida, não combinava comigo. Como eu era criança e todo mundo me achava linda, eu tinha um cabelo muito liso, preto que era co rtado tipo índio, e eu era muito agredida na zona, você imagina aqueles homens que viam uma criança linda, todo mundo pervertido, então era uma situação meio delicada.
Ela ia entregar comida e os homens queriam agarrá-la. Mulheres puxavam seu cabelo. Era tudo muito confuso e doloroso. Ela tinha seus 16 ou 17 anos, mas se sentia uma criança, era ingênua e aquela situação a chocava.
Depois de algum tempo, conheceu uma cafetina e foi trabalhar como faxineira no bordel de luxo que ela mantinha. Depois, foi para a casa da mãe desta cafetina, que também era cafetina de bordel de luxo. Sempre trabalhando muito em troca de casa e comida, sempre em serviços de faxina ou outros trabalhos pesados, mas com a vantagem de poder deixar o cabelo crescer e ser feminina, ser quem ela era. Essa aceitação foi muito importante para ela, ajudou-a a ter auto-estima, a sentir-se bem como ela era, apesar de viver numa pobreza enorme.
Depois de um tempo, encontrou um amigo da família e ele a ajudou a conseguir um trabalho na casa de uma família alemã, em Ipanema, como uma espécie de mordomo. É a primeira vez que recebe salário por seu trabalho e pode comprar coisas de que gosta, como sapatos. Nesta época, conheceu um homem que mudou a sua vida.
Nesse tempo eu estava conhecendo um homem que seria muito importante na minha vida, ele era advogado e ele se apaixonou por mim, montou uma casa pra mim, eu larguei meu emprego e fui morar com ele e ali eu já tinha feito amizade com as travestis, com esse povo que tinha peito. Ah! No dia que eu descobri que eu teria os peitos da minha vida, parece que eu fiquei num paraíso.
E vê, pela primeira vez, as travestis. Isso lhe causa uma grande emoção. Não se sente mais a única diferente, não se sente mais sozinha no mundo. Descobre que pode tomar hormônios e ficar com peitos. Até ali, essa era uma de suas frustrações na vida, pois se sentia tão feminina que tinha certeza de que seus peitos cresceriam depois da puberdade. E não tinham crescido.
Ela, com seus 18 ou 19 anos, começou a viver com Cláud io, que na época tinha cerca de 40. Ela tinha uma relação de afeto com ele, mas não conseguia vê- lo como marido,
era mais um pai, até pela grande diferença de idade. E tomou hormônio, seus seios cresceram e ela se tornou “uma mulher bonita”. Mas, como não queria ser sustentada por Cláudio, foi procurar emprego numa loja, para trabalhar de faxineira. Quando chegou lá, a dona da loja disse que ali não teria problema de conseguir emprego por ser travesti. Achou Cynthia muito bonita e incentivou-a a fazer um teste para ser vendedora. Ela se saiu muito bem no teste e se deu muito bem como vendedora, vendia mais do que suas colegas.
Em uma semana trabalhando nesta loja, conheceu um estilista que, na época, era famoso. Ele a levou para trabalhar com ele em São Paulo. Ela deixou Cláudio de forma elegante. Foi muito ética com ele, ou seja, devolveu- lhe todas as joias que ele tinha dado a ela de presente. E foi tentar a sorte no mundo da moda na capital paulista.
Cynthia participava de desfiles de moda com modelos famosas, com roupas feitas para o corpo dela e para ela era tudo muito gostoso, apesar de trabalhar como uma escrava. Porque ninguém sabia que ela era travesti. Por isso, ela ganhava salário mínimo, já ninguém mais daria emprego para ela. E trabalhava muitas horas por dia, fazendo faxina, fazendo vitrine, vendendo no Shopping Ibirapuera e participando de desfiles. O famoso estilista, na verdade, aproveitou-se de Cynthia, já que sua diferença em relação às modelos a tornaria desqualificada.
Assim, ela submeteu-se a essa situação, mas adorava estar no mundo do glamour da moda. O patrão a registrara com uma carteira de trabalho falsa, o que a deixou sem direitos trabalhistas. Mas para ela Cynthia essa situação tinha suas compensações.
Tudo isso era muito gostoso pra mim, eu tinha gente pra me ajudar a vestir, desfilava roupas para aquelas mulheres ricas, conhecia [nome da estilista famosa] e era tudo regado à champanhe. Era muito deslumbrante. E vamos lembrar a história, eu uma "bicha" que nasceu no interior de Minas Gerais e que tinha tudo pra ser um fracasso.
Cynthia, que tinha vindo de uma pequena cidade do interior que, segundo ela, ficava nos “Cafundós do Judas”, vivia o glamour. Para Cynthia, essa era a melhor possibilidade que tinha.
Não adiantava sofrer, ou eu era aquilo ou eu ia ser puta, mais uma, e a vida da prostituta nunca foi tão glamorosa, né, querida?
185 Ela subia nas passarelas como modelo, ela subia as escadarias do Teatro Municipal, convivia com o luxo e com gente famosa, saía com homens ricos.
Qualquer garota, mulher se realizaria com aquilo. Eu sou uma mulher dos anos 50, nós nascemos pra ser lindas, pra agradar os homens. Depois eu fui aprendendo outras coisas, mas você imagina a garota que eu era nos anos 70! Eu estava entre as mulheres mais invejáveis do Brasil, isso é muito para o ego de uma pessoa... vivi isso, curti muito isso. Os homens maravilhosos de São Paulo, cheios de dinheiro, os famosos que estou falando. Imagina qual homem de São Paulo que não queria sair com uma travesti
“chiquérrima”, cheia de tato e todo mundo imaginava que era uma moça linda... mas na