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ÇEVRESEL NEDENLER İşin Niteliği

1. Alarm Tepkisi: Organizma, stres kaynakları ile karşılaştığında biyokimyasal değişiklikler göstermekte ve kendini korumaya hazırlanmaktadır

3.1. ARAŞTIRMA MODELİ

No plano discursivo, não há uma articulação das políticas de assistência social com o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil (SINDEC) e, por conseguinte, com a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (PNDC). Mesmo após a recente atualização da PNPDEC, instituindo sua integração às políticas de ordenamento territorial, desenvolvimento urbano, saúde, meio ambiente etc, não há menção direta e clara à integração às políticas de assistência social.

Isto é preocupante porque, em caso de desastres, no plano prático, a defesa civil é o órgão que coordena os diversos órgãos e ações prioritárias ocorrendo uma configuração de encontro entre diversas instituições. A PNPDEC reporta à “população em situação de desastres” (assim denominada pela Política), mas não explicita como lidar, quem atuará com este grupo social e também não faz menção à PNAS. Por sua vez, a PNAS também não faz menção à PNPDEC nem tampouco aos grupos sociais afetados em desastres. Portanto, pode-se dizer que a defesa civil falha em seu discurso institucional quando não aponta os caminhos para a viabilização da intersetorialidade e de seu papel como “agente integrador da ação do Estado para proteção global do cidadão em caso de desastres” (BRASIL, 2008).

Em suma, na leitura e análise tanto dos documentos de defesa civil quanto dos de assistência social o foco que não quis se perder foi da identifição do discurso institucional sobre o tipo de atendimento recomendado aos grupos sociais vulnerabilizados e afetados em desastres. Ou seja, procurou-se detectar

nestes discursos institucionais o tipo de relação social que pautará o encontro entre o ente público responsável pela atenção social e o grupo de afetados.

No que concerne o discurso institucional da Assistência Social, o problema reside na não problematização a respeito dos grupos sociais afetados em desastres. Como dito anteriormente, a falta de tal problematização é indicativa de uma visão sobre o fenômeno do desastre como apenas sendo uma crise aguda, situacional, na qual medidas pontuais e emergenciais seriam necessárias e suficientes em si para o restabelecimento da normalidade prévia ao “momento trágico” do desastre.

Recentemente, tem havido uma renovação/atualização da política de defesa civil que impacta na forma como a assistência social tem atuado em desastres, qual seja: a do discurso de reabilitação pautado na “assistência humanitária”. A assistência humanitária é um termo correntemente empregado nas relações internacionais contemporâneas para definir, no âmbito das mesmas, um tipo de suporte externo relevante, mas não obrigatório, voluntário, diante de um dado contexto de desastre ou catástrofe, no qual a autoridade local tem dificuldades em atender os grupos tidos como vulneráveis ou afetivamente afetados (VALENCIO, 2012a). A assistência humanitária é definida como:

Toda e qualquer ação que contribua, de forma imediata e eficaz para prevenir, proteger, preparar, evitar, reduzir, mitigar sofrimento e auxiliar outros países ou regiões que se encontrem, momentaneamente ou não, em situações de emergência, de calamidade pública, de risco iminente ou grave ameaça à vida, à saúde, à garantia dos direitos humanos ou humanitários de sua população (Brasil, s/d, p.01).

Conforme Valencio (2010b), a Secretaria Nacional de Defesa Civil utilizar- se do termo “assistência humanitária”, para nomear as providências de resposta

aos afetados em desastres no próprio país reforça a existência de mudanças aparentes e opostas à transformação no rumo da cidadania, ou seja,

Ao caracterizar-se como o conjunto de ações para a distribuição de itens de limpeza, saneamento e abrigamento – ou seja, reiterando seu foco na resposta e não em ações estruturantes de redução da pobreza –, a Sedec se orienta pela identificação das

necessidades dos afetados segundo a comunicação burocrática entre os entes públicos de distintos níveis de governo e não pela premência do cidadão (VALENCIO, 2010b,

p. 759) [grifo nosso].

Seguindo nesta lógica, é a autoridade do executivo municipal quem solicita as providências de assistência humanitária por meio de formulários próprios da área de defesa civil, a Notificação de Danos (Nopred) e a Avaliação de Danos (Avadan), os quais, quando preenchidos de forma considerada coerente, podem caracterizar formalmente a situação de emergência ou o estado de calamidade pública. Tais formulários apresentam limitações nas variáveis e correlações que compõe o quadro do desastre e das necessidades dos afetados. Com bem lembra Valencio (2010b), “muitos municípios brasileiros sequer dispõem de capacidade técnica para adequar-se ao formalismo exigido pelos níveis superiores do Sindec” (p. 759). Há localidades em que o chefe do executivo municipal, por motivações de ordem político-partidária, econômica e outras, não solicita o referido auxílio e o sofrimento de um grupo social de afetados é vivenciado ao largo de providências (IDEM, 2010b).

E ainda, nesta renovação discursiva (utilização da “assistência humanitária”) as concepções assistencialistas não foram descartadas, “visto o alarde às medidas mínimas de proteção citadas no geral não se seguirem de medidas ágeis de reconstrução da localidade afetada com o apoio do Estado e

com a adaptação necessária para enfrentar o impacto futuro dos fatores de ameaça similares” (IDEM).

Portanto, neste tipo de atualização a cidadania está reduzida a colchão e cesta-básica e, ainda, eles não se constituem em direito, tanto que o município pode pedi-los ou não. Se o município não reconhece naquele grupo social afetado pelos danos do desastre a necessidade (observa-se, nem se fala mais em direito e sim em necessidade) a assistência humanitária não é requerida pelo município, ou seja, um agente do Estado tem que identificar uma demanda e só então promover o ato burocrático para os níveis superiores, respeitando o pacto federativo, suprirem a tal demanda.

Um problema facilmente identificado diz respeito a um Estado, nas suas várias frações que lida com a chamada “questão social”, contaminado por uma visão de mundo que é inerentemente excludente, com viés de classe. Embora o Estado tenha competência administrativa para executar aquilo que lhe é proposto, o agente estatal, em seu serviço, pode exercer uma identificação de “necessidades” num sentido oposto ao suprimento da demanda e de direitos dos grupos sociais afetados – que pode ser de desatender, paralisar, desacelerar, para que o sujeito purgue no meio do desastre e dirija-se para outra localidade. Então estas frações do Estado, neste caso representadas pela defesa civil e pela assistência social, vão reproduzir a desigualdade em ações e omissões que não são diretamente consubstanciadas pelo discurso da lei, oficial, mas por atos que retirem de fundo a “questão social” do município levando a morte social, quando não física mesmo, do conjunto de demandantes. Assim, o atendimento público balizado na “assistência humanitária” centra-se no déficit de defesa dos grupos sociais afetados, identifica a “carência” e supre num nível mínimo não

considerando o processo de vulnerabilização no qual estes grupos sociais empobrecidos estão inseridos socioespacialmente, sociopoliticamente e socioeconomicamente.

Enfim, chegamos ao paradoxo do Estado Moderno: uma ampliação da burocracia, de quadros técnicos que estão dentro de instituições formalizadas, do conjunto de programas, políticas e até mesmo ampliação dos recursos financeiros que não estão resultando na reversão do processo de vulnerabilização – justamente por não considerá-lo – que, por sua vez, reitera a afetação multidimensional (conforme abordado nas p. 31-32) dos grupos sociais empobrecidos em contexto de desastres.

Portanto, há estes discursos institucionais, anteriormente problematizados, que são válidos para reger as práticas profissionais da defesa civil e da assistência social. Agora, faz-se necessário analisar como se configura estes processos sociopolíticos dentro da estrutura de um município. Voltamos a enfatizar que as políticas públicas são construídas de maneira genérica e baseadas em um nível ideal de atendimento. Remetendo novamente a Koga (2003), as políticas públicas apresentam fortes limitações, pois se restringem ao estabelecimento prévio de públicos-alvo e de demandas genéricas não conseguindo “abarcar as desigualdades concretas existentes nos diversos territórios que compõem uma cidade, e assim permitir maior efetividade, democratização e conquista de cidadania (KOGA, 2003, p. 20)”. Por isso, para a autora, a dimensão territorial implica tratar a cidade e seus territórios como “chão de política pública” (KOGA; RAMOS, 2004, p. 56), em suas diversas particularidades.

Por isso, quando se leva tais políticas públicas para uma dimensão considerada mais microssocial, por mais que os agentes do Estado estejam imbuídos do discurso institucional, há um conjunto de fatores específicos da realidade concreta, de condições materiais e sociais que permitem ou não dar operacionalidade para tais políticas. A escala do local aprofunda a problematização daquilo que é veiculado no plano político macrossocial do discurso institucional, que é esvaziado de sentido. Assim, este trabalho passará para análise do micro, do local, a partir do caso do município de Ribeirão Preto/SP.

Porém, antes de adentrarmos no âmbito municipal, analisaremos as lógicas subjacentes a forma como a política de atendimento aos afetados em desastres tem sido concretizada, em âmbito federal, pela assistência social nos dias atuais.

4.4 AS PRÁTICAS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, EM CONTEXTO DE DESASTRE,