3.1. Animais
O comportamento sexual de seis jumentos da raça Pêga foi estudado de agosto de 2006 a fevereiro de 2007. O estudo foi conduzido em um haras privado de produção comercial de muares e asininos localizado no município de Guaraciaba, Minas Gerais, Brasil (20º45’20’’latitude sul e 42º52’40’’leste).
No início do estudo, os jumentos apresentavam idade média de 3,5 a 16 anos, pesando de 230 a 330 Kg. Os reprodutores foram alocados em dois grupos: adultos (J1: 16 anos, J2: 15 anos, J3: 14 anos) e jovens (J4, J5 e J6, todos animais no grupo apresentavam idade média de 3,5 anos). Todos os reprodutores apresentavam histórico de normal desempenho à monta natural em éguas por uma ou mais estações reprodutivas.
Antes de se começar a pesquisa, os jumentos foram submetidos a um completo exame andrológico de acordo com as recomendações de KENNEY et al. (1983) para o exame andrológico de garanhões, e todos foram considerados aprovados para uso na reprodução.
Os animais, anteriormente, foram adaptados aos procedimentos de coleta de sêmen, e tiveram suas reservas espermáticas extra-gonadais esgotadas e estabilizadas através de coletas de sêmen ou monta natural em éguas diariamente por sete dias consecutivos.
Os jumentos foram mantidos sobre iluminação natural em baias de alvenaria, individualmente, com livre acesso a água, sal mineralizado e feno (Cynodon dactylon cv Tifyon) ad libitum. Em adição foi oferecido 20 kg de
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capim fresco picado (Pennisetum purpureum cv Elefante) dividido em dois tratos diários (9:00/15:00 horas). Os jumentos foram soltos em piquete gramado ou pista de areia por 2 a 3 horas/dia. Durante as fases pré- experimental e experimental os jumentos mantiveram contato auditivo e visual com éguas, estas mantidas 200 a 500 metros, não tendo contato físico.
3.2. Colheita de sêmen
Para a colheita de sêmen foram usadas éguas em estro confirmadas com uso de um garanhão, e somente éguas com boa aceitação ao jumento foram empregadas como manequim. Como caracterização de boa aceitação, a égua não deveria rejeitar as investidas do jumento na rufiação ou montas, não dar, ou tentar dar coices bem como se mexer incessantemente. Caso uma égua apresentasse algum destes sinais, seria substituída por outra com características mais favoráveis ao procedimento.
As colheitas de sêmen foram feitas distantes de outros jumentos, com uso de vagina artificial (modelo Botucatu), com água aquecida a 51ºC, a intervalos de 48 a 72 horas, totalizando 180 coletas (17 a 40 coletas por jumento).
As coletas foram realizadas sempre por um mesmo médico veterinário, de acordo com a demanda de sêmen dos jumentos no haras. Durante o estudo não foram permitidas atitudes de fugas pelos jumentos apesar de ser uma característica normal do comportamento sexual desta espécie (HENRY et al., 1991), uma vez que em condições intensivas poderia dificultar o manejo e provocar acidentes.
3.3. Avaliação do comportamento sexual
Para avaliação dos parâmetros de comportamento, dois assistentes foram posicionados distantes cerca de três metros da égua, sendo um do lado direito tomando nota das respostas comportamentais do jumento e outro do lado esquerdo, para o controle do cabresto e afrouxamento da corda quando o jumento em coleta demonstrou interesse em montar na égua (com/sem ereção) para a realização da colheita do sêmen.
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Os seguintes parâmetros foram tabulados: i) Resposta de Flehmen (FLH): número de resposta de Flehmen manifestado na presença de uma égua em estro em cada episódio de coleta; ii) Monta sem ereção (MSE): número de montas sem ereção (sem ereção total) - durante a colheita de sêmen quando o jumento demonstrou intenção de montar na égua o cabresto foi liberado pelo assistente do lado esquerdo, e a seguir a monta foi permitida; iii) Tempo de Reação (TR): tempo em minutos da exposição inicial do jumento a égua até a completa ereção (seguida por monta ejaculatória); iv) Tempo de monta (MT): tempo em segundos entre a ereção completa e o início da coleta com a introdução do pênis na vagina artificial, caso o jumento não saltasse sobre a égua após atingir a ereção total, este tempo foi adicionado ao tempo de reação e sendo assim contabilizado; v) Tempo de ejaculação: tempo em segundos da introdução do pênis na vagina artificial até o final da coleta com a retirada da vagina; vi) Observações clínicas gerais: observações do cortejo e atitudes gerais são descritas.
O tempo máximo permitido para cada jumento realizar um serviço completo foi de 90 minutos. Caso o jumento não tenha realizado o serviço completo neste período, o mesmo foi retornado para a sua respectiva baia, e a seguir nova tentativa foi realizada uma hora depois e se nessa nova tentativa não fosse obtido sucesso, nova tentativa foi realizada no dia seguinte.
3.4. Avaliação do sêmen
Imediatamente após a colheita do sêmen, o mesmo foi filtrado e a fração gelatinosa removida e mensurada. A seguir, os parâmetros físicos seminais foram avaliados com uso de um microscópio óptico comum com estágio aquecido a 37ºC.
Os parâmetros seminais foram avaliados de acordo com KENNEY et al. (1983), que são: motilidade total (0 -100%); motilidade progressiva (0 -100%); vigor espermático (1 -5); concentração espermática (x106 espermatozóides/mL) e espermatozóides totais ejaculados (x 109). Os parâmetros de motilidade e vigor foram estimados visualmente, em sete campos contados.
Uma amostra (10 µl) de cada coleta de sêmen foi adicionado a 1 mL de solução de formol salino tamponada de HANCOCK (1957) aquecida a 37ºC,
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para avaliação da morfologia espermática. Posteriormente, realizou-se a avaliação da morfologia espermática em aumento de 1000 vezes sobre imersão, onde 200 células foram contadas e os defeitos espermáticos arranjados em defeitos maiores e menores de acordo com BLOM (1973). A concentração espermática foi avaliada por método hematocimétrico com uso da câmera de Neubauer.
3.5. Análises Estatísticas
Os resultados das características de comportamento sexual e parâmetros seminais são apresentados em média ± desvio padrão, para jumentos adultos e para jovens, e média geral.
Para as análises estatísticas empregou-se o programa estatístico SAEG 9,1 (Sistema de Analises Genéticas e Estatística – UFV) (SAEG–UFV, 2007). Foram efetuados cálculos da média aritmética, desvio padrão e coeficiente de variação dos resultados obtidos para cada variável avaliada, por reprodutor e para o grupo experimental. Correlações simples e de Pearson foram realizadas entre todas as variáveis estudadas. Para as variáveis qualitativas, efetuou-se os testes de Lillinfors e Cochan e Bartllet para verificar a normalidade dos dados e homogeneidade das variâncias dos grupos, respectivamente.
Aqueles dados que não atenderam a premissa da ANOVA, foram submetidos à análise não paramétrica e as médias comparadas pelos testes de KrussKall Wallis ou Wilcox com probabilidade de erro de 5%.As variáveis que atenderam a pelo menos uma premissa, foram submetidos à análise de variância por ANOVA e as médias comparadas pelo teste de Tukey com 5% de probabilidade de erro.
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