inclui os dados hidroclimáticos e uma caracterização socioeconômica da população estudada.
5.1 CARACTERÍSTICAS HIDROCLIMÁTICAS NA ÁREA DE INFLUÊNCIA DAS COMUNIDADES
5.1.1 A Hidrologia do rio Madeira
O rio Madeira é um dos afluentes do rio Amazonas. É um rio de águas fortemente barrentas ou “brancas”, caracterizado pela presença de áreas de várzea nas suas margens (com vegetação e solos adaptados aos ciclos de enchente e vazante) alternadas a áreas de terra firme (vegetação e solo fora do alcance dos níveis máximos da água do rio).
É um rio dinâmico e em plena atividade de erosão dos seus antigos depósitos sedimentares, com geração de depósitos atuais apresentando grande heterogeneidade litoestratigráfica e estrutural em suas margens, várzeas e ilhas. Esse efeito acontece basicamente nas margens e leito do rio e raramente nas planícies de inundação (COBRAPE, 2006).
Essa dinâmica tem sido objeto de estudo de diversos autores, dentre eles Adamy e Dantas (2004) Lima (2002) e Rapp Py-Daniel (2007), afirmam que as margens deste rio vêm sofrendo uma dinâmica fluvial bastante intensa. Esta é representada, principalmente, por trechos com recuos erosivos das margens, em decorrência do processo de migração do canal37 da esquerda para direita.
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O fenômeno de alargamento dos canais fluviais é provocado pelos processos de erosão das margens que estão entre os elementos mais dinâmicos dos canais fluviais. (Souza & Cunha 2007).
144 O rio Madeira no trecho do Estado do Amazonas é um rio retilíneo com áreas sinuosas e presença de ilhas. Os tributários da margem direita são longos e de maior caudal, são eles Ipixuna, Marmelos, Manicoré, Atininga, Arauá, Mariepauá e Aripuanã. Na margem esquerda, os tributários são rios curtos, com seus trechos inferiores afogados em lagos, que escoam para o canal do Madeira por meio de furos.
Os autores Teixeira & Maia (2009) observaram por meio da análise multitemporal que a área do município de Humaitá no período de 1987 a 1997, sofreu modificações, na sua geometria, cujo processo predominante foi erosão em relação ao processo de deposição. No intervalo de 1997 a 2007, as modificações predominantes são de deposição em relação ao processo de erosão.
Na avaliação de Ferreira e Saraiva (2009, p.1357) o rio Madeira, em sua extensão no Estado do Amazonas38, apresentou uma dinâmica erosiva com aproximadamente 230.609
km2, constatada por meio da análise temporal, em contrapartida, a deposição obteve-se um valor de 244.920 km2. Os autores creditam que esta maior deposição esteja relacionada com a contribuição de material do advindo do médio e alto curso, ou seja, além dos limites do Estado do Amazonas.
Os transbordamentos do rio Madeira ocorrem na margem convexa, nas áreas onde o rio faz curvas. Na sua margem côncava, geralmente atingindo sedimentos da Formação Solimões, não se verifica inundação provocada pelo rio. Pela margem convexa, o trabalho evolutivo na adaptação do rio atinge as altitudes menores e, consequentemente, facilita o alagamento, acarretando colmatação e posterior alargamento da planície fluvial (RAPP PY- DANIEL, 2007, p. 41).
Quando se compara, in loco, superfícies que sofreram erosão versus as áreas que sofreram deposição, observa-se que o balanço se equivale, porém seus efeitos não são homogêneos, alteram-se, havendo região onde um processo apresenta-se ora com maior intensidade, ora com menos. Esses fatores afetam a vida dos ribeirinhos e de cidades que já vêm sofrendo processo de perdas econômicas, em função de processo de erosão fluvial, como é caso do município de Manicoré.
O regime de hidrológico do rio Madeira é composto pelo período de enchente/cheia que se inicia em dezembro até maio e pelo período vazante/seca que se inicia entre junho e julho aproximadamente e vai até novembro. A Figura 13 apresenta os valores das cotas máximas e mínimas observadas anualmente, a partir de 1967, na estação 15.630.000 do rio Madeira em Humaitá. O tom azul claro identifica as cotas máximas e,no tom laranja, as
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Análise multitemporal entre imagens de RADAR (70) e imagens de satélite (2000), da dinâmica fluvial dos principais rios no Estado do Amazonas (Solimões, Madeira, baixo Rio Negro e Amazonas).
145 cotas mínimas. A média anual das cotas máximas é identificada na cor azul/roxo e das mínimas anuais em rosa. (CPRM/2012).
Na década de noventa, do século passado, foram registradas as maiores cheias no rio Madeira em Humaitá – 15.630.000 (1991- 2.398 cm; 1993 - 2.458 cm e em 1997 - 2.412cm). Na distribuição mensal das ocorrências, no período de 1967 a 2012, das cotas máximas há uma concentração de vinte e dois registros para o mês de abril, seguindo do mês de março com 15 registros. Com relação às cotas mínimas a predominância ocorre no mês de setembro, com vinte e dois registros, e no mês de outubro dezessete registros. (CPRM, 2012)
Figura 13 – Cotagrama da série histórica 1967 a 2012 do rio Madeira em Humaitá-Am – 15.630.000. Cheias e Vazantes observadas.
Fonte: HIDROWEB/ANA. In: CPRM. Monitoramento Hidrológico 2012 – Rio Madeira. Manaus, CPRM/SIPAM. 2012
Os estudos sobre sedimentologia, na região Amazônica, ainda são incipientes, apesar de já possuírem algumas pesquisas hidrológicas, na bacia Amazônica. Entretanto, o tema sobre a sedimentação do rio Madeira é algo recente, o que torna um desafio para a discussão referente ao sistema da dinâmica fluvial.
146 5.1.2 A Climatologia
A precipitação é a variável meteorológica de fundamental importância para definição do clima de uma região e, em especial, no Estado do Amazonas, apresenta uma grande variação, tanto espacial, quanto temporal.
Os estudos sobre a precipitação na Bacia Amazônica são baseados em dados pluviométricos mensais e anuais. Porém, ocorrem lacunas de estudos sobre as características do regime de chuva, relacionados com as datas de início e fim da estação chuvosa, e com a variação de períodos secos e chuvosos. Alguns autores abordaram sobre a temática, dentre eles Marengo et al, (2001) – apresentam trabalhos sobre o início e fim da estação chuvosa na Bacia Amazônica. Para os autores, a maior variação na data de início da estação chuvosa ocorre na Amazônia Central. A data de início da estação chuvosa é mais precoce no sudeste da Amazônia e mais tardia próxima à foz do Rio Amazonas. Horel
et al, (1989) utilizou medições de radiação de onda longa emitida constataram variações
interanuais superiores a um mês, tanto no início quanto no fim da estação chuvosa da Bacia Amazônica.
Nobre (2007) esclarece que, no período chuvoso, as chuvas se caracterizam pela forte intensidade, enquanto que no período menos chuvoso, são frequentes as estiagens de duração variável, elevando o risco da exploração agrícola da Amazônia.
A região do Médio rio Madeira está situada na zona climática, pertencente ao grupo A (Clima Tropical Chuvoso), caracteriza-se pelo tipo Am (chuvas do tipo monção), apresenta um período seco de pequena duração. A elevada pluviosidade é um dos aspectos mais característicos da região, limitada pelas isoietas de 2.200 e 2.800 mm. A maior ocorrência de chuvas se dá na parte leste da área. O período chuvoso, geralmente, inicia-se em outubro, prolongando-se até junho. As temperaturas médias anuais variam entre 250 e 270
C, com uma umidade relativa do ar, variando entre 85 e 90% (BRASIL, 1978, p. 561).
No município de Humaitá, os dados meteorológicos são coletados por duas estações: automática de superfície – INMET (instalada em abril de 2008) e a outra do CPTEC, instalada em 1980. Com base nos registros fornecidos por estas estações para o sistema de monitoramento agrometeorológico39, a precipitação no município, é de 15436 mm, e o
trimestre mais chuvoso é de janeiro a março.
De acordo com o INMET (1992), a temperatura do ar em Humaitá (AM) apresenta pequena variação sazonal, com temperaturas médias acima de 25ºC, em todos os meses do ano. A temperatura máxima média do município, nos últimos seis anos, foi de 31ºC. A temperatura mínima média do ar ficou em 210C, registrada nos meses mais chuvosos, uma
vez que é comum, na estação chuvosa, a elevada nebulosidade. As temperaturas máximas
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Agritempo/Embrapa - O sistema permite a atualização dados climáticos diários (temperaturas máxima e mínima, e precipitação) e criação de boletins agrometeorológicos.
147 médias do ar mais elevadas ocorreram entre os meses de setembro a novembro, representa a transição entre o fim do período menos chuvoso e o início do período mais chuvoso40. A
temperatura máxima do ar aumenta continuamente de maio a novembro, decrescendo a partir de dezembro, pelo da nebulosidade e início da estação chuvosa propriamente dita.
Na Amazônia e no Amazonas, não há um número suficiente de estações climatológicas com leitura em nível diário. O município de Humaitá, assim como em outros municípios do Estado, apresenta problemas com respeito à obtenção de série dados climatológicos para a realização adequada de modelagens41.
Não há registro sobre eventos extremos na região, a falta de informação meteorológica confiável e homogênea, em estações desta região, contribui para a lacuna de dados.
5.1.3 Os efeitos hidroclimáticos na agricultura familiar da região