• Sonuç bulunamadı

Os documentos do Movimento ressaltam a importância da criança estar em espaços de formação, que lhe proporcionem a oportunidade de participar de momentos essenciais à sua formação moral, como os encontros, os cursos e a escola. Essa produção enfatiza a necessidade do trabalho coletivo, da gestão coletiva, do planejamento e da mística.

O trabalho coletivo

As experiências de trabalho coletivo, nos processos formativos, têm intenção de favorecer relações de cooperação, mediante e aprendizagens de regras e valores, como o da solidariedade.

Para o MST (2005e), o trabalho é um princípio educativo, porque forma a consciência das pessoas; produz conhecimentos, cria habilidades e provoca necessidades humanas superiores, como o cultivo da beleza, a necessidade de se relacionar, ter amigos, de desfrutar da leitura, etc

1DSHUVSHFWLYDGR067XPDSUiWLFDFRRSHUDWLYD³GHYHVHUFRPSUHHQGLGD como forma de produção social do conhecimento e como forma de reeducação das relações inter-SHVVRDLVGD(GXFDomR´ 067S . O MST (2005g), na sua luta por uma educação pelo e para o trabalho, remete à necessidade de uma capacitação para a cooperação, segundo a qual é possível resolver parte dos problemas, uma vez que a escola deve capacitar (possibilitar o aprendizado do

fazer) os educandos para se organizarem e agirem coletivamente.

Educar para e com a cooperação como base do trabalho coletivo exige as Do}HV GH ³SODQHMDU FROHWLYDPHQWH D SURGXomR WUDEDOKDU GLYLGLQGR DV tarefas e responsabilidades, pensar no avanço do conjunto e não só da família de cada um, OXWDUSRUHVFRODVVD~GHHVWUDGDVXSHUDUGLYHUJrQFLDVHWF´ 067JS  Segundo o MST, o processo de educar para o trabalho coletivo e a cooperação deve começar cedo, desde a pré-HVFRODFRPR³IRUPDGHLQFRUSRUDURYDORUVRFLDO do trabalho e vivenciar a lógica da dimensão econômica da vida, podendo refletir e GLVFXWLUVREUHHOH´ 067S $VVLP³DWUDYpVGRWUDEDOKRDVFULDQoDV>@ devem ser desafiadas a se organizar, assumir responsabilidades, a resolver em conjunto os problemas que vão acontecendo no dia a dia da escola. [...] Devem aprender a trabalhar e estudar em equipes, a se avaliar, a fazer suas próprias assembléias e reuniões, a tomar decisões e assumir os resultados dessas GHFLV}HV´ 067JS 

A gestão democrática

A Pedagogia do Movimento propõe para todos os espaços educativos, incluindo a Ciranda, uma gestão democrática que proporcione a participação de todos ± desde as tomadas de decisões, a realização, até as avaliações das ações desenvolvidas.

Na perspectiva dos fundamentos do MST (2005c, p. 69), é preciso FRQVLGHUDUTXH³RWLSRGHRUJDQL]DomRHGHDGPLQLVWUDomRGDHVFRla como um todo deve ser para as crianças a principal experiência prática de trabalho cooperativo e GH DSUHQGL]DJHP FRQFUHWD GH GHPRFUDFLD´ $VVLP ³R LPSRUWDQWH p TXH RV educandos, em conjunto com as educadoras, possam propor, planejar, decidir, executar e cuidar da escola como a sua casa, uma casa coletiva voltada para o DSUHQGL]DGR´ 067GS 

Para tanto, cada grupo, como o dos educandos, pode ter um espaço específico de auto-organização, para que possa exercitar essa gestão do seu coletivo e participar do coletivo maior da gestão da escola (MST, 1997). Pode-se,

DRV SRXFRV GHOHJDU UHVSRQVDELOLGDGHV TXH HVWHMDP ³GH DFRUGR FRP D LGDGH D FDSDFLGDGH DV H[SHULrQFLDV DQWHULRUHV GRV DOXQRV´ QXP SURFHVVR UXPR DR grande desafio do planejamento coletivo (MST, 2005e, p. 101).

Nesse sentido, a gestão da escola deve ser organizada tendo como perspectiva garantir os princípios pedagógicos de gestão democrática, de auto-organização dos estudantes, dos coletivos pedagógicos das educadoras e da participação da comunidade assentada, no cotidiano da vida escolar (MST, 2005d, p. 206).

Cabe ao Setor de Educação da comunidade assentada estudar, discutir e SODQHMDUSROtWLFDHSHGDJRJLFDPHQWHRVSDVVRVGDHVFRODVHQGR³RHVSDoRRQGH são socializadas todas as preocupações das famílias em relação à escola [...] e WDPEpP j &LUDQGD ,QIDQWLO´ 067  S   WHQGR D WDUHID GH DFRPSDQKDU H facilitar o processo de formação dessas crianças. Um dos elementos-chave para que possa cumprir essa tarefa é o planejamento das ações da escola, como veremos a seguir.

O planejamento é primordial que seja coletivo, contando com a participação GHWRGRVRFRUUHQGRQXPSURFHVVRTXH³HQYROYHEXVFDGHLQIRUPDo}HVHODERUDomR de propostas, encontros de discussão, reuniões de decisão, avaliação SHUPDQHQWH´ 067KS 2SODQHMDPHQWRRFRUUHHPYiULDVGLPHQV}HV± há o global e o permanente, o das atividades (feito anualmente) e o das aulas ± sendo feito de acordo com a definição do poder de decisão de cada uma das instâncias envolvidas no processo.

Os desafios podem ser vencidos no decorrer dos vários momentos da educação, cabendo aos responsáveis pelos espaços educativos planejar e implementar ações para isso. Nesse processo, são consideradas as singularidades dos educandos, através de relações sociais que serão desenvolvidas, com base tanto nas características do espaço educativo como na fase de desenvolvimento na qual a criança se encontra.

ensino: (1) definição dos objetivos da escola, a curto, médio e longo prazos; (2) transformação da realidade em temas geradores7 ± ³DVVXQWRV TXHVW}HV RX SUREOHPDVWLUDGRVGDUHDOLGDGHGDVFULDQoDVHGHVXDFRPXQLGDGH´ 067F p.55), a partir dos quais são escolhidos os conteúdos e as metodologias de trabalho; (3) definição dos objetivos específicos ao estudo de cada unidade temática; (4) planejamento da relação entre o estudo e o trabalho da criança; (5) escolha dos conteúdos a serem desenvolvidos a partir do tema; (6) definição de como pode se desenvolver cada conteúdo; (7) busca pelos recursos e materiais necessários; (8) definição do modo como vai ser feita a avaliação; (8) previsão do tempo de duração do plano, considerando a sua flexibilidade.

A mística

Segundo o MST (2001), a mística é um dos valores constantes da organização, devendo estar em todos os espaços, criando momentos voltados para trazer para a vida cotidiana as vivências de ser Sem Terra, sejam elas boas ou más, impliquem em perdas ou em vitórias e conquistas. A mística é uma celebração, uma vivência que mobiliza emoções, afetos. Geralmente, é feita uma apresentação cênica, na qual alguns membros exaltam experiências do movimento, a história de luta, as desigualdades sociais e as situações da vida cotidiana do mundo rural. A mística é sempre seguida de um canto e dinâmica de grupo que favorece o entrosamento.

Fazer a mística

é acreditar no amanhã, no valor da vida, da dignidade das pessoas, na força do trabalho coletivo, na necessidade da liberdade, na construção da solidariedade. É caminhar na vida,

7 Temas que fundamentam a escolha dos conteúdos. Esses temas geradores envolvem as questões, os problemas, os desafios da vida dos assentados ou acampados, num processo que envolve discussão e troca de experiências.

com tanta esperança que nos permite enxergar com certeza da vitória. É algo que não tem hora marcada e que se revela em todos os momentos, na vida pessoal e na vida política, na dor e na festa. [§] Para nós, a mística tem o sentido de alimentar e revigorar o povo quando o poder de opressão faz pensar que os esforços de transformação são inúteis, e em vão. A mística nos levanta a cabeça e faz com que nos alimentemos de esperança. Ela levanta o astral, nos faz retomar o caminho e a luta. Nela está presente a nossa luta, os nossos símbolos com os quais construímos a identidade Sem Terra, fortalecendo a nossa cultura, a nossa organização. A mística celebra e alimenta nossos saberes e esperanças para que possamos ter força de buscar uma vida melhor, mais digna, vivenciando novos valores, resgatando e trabalhando a simbologia da nossa unidade coletiva (MST, 2001, p. 54).

Usada em espaços de educação do Sem Terrinha, a mística não só pode proporcionar o desenvolvimento de valores, como ressignificar os acontecimentos importantes e fortes nesse espaço.

8VDGD QRV HVSDoRV HVFRODUHV ³D PtVWLFD p D IRUoD PRWUL] D IRQWH TXH arranca a pessoa do egoísmo e a entrega a uma militância. A mística é constituída por XP JUDQGH LGHDO H LQVSLUDomR TXH QHXWUDOL]D RV tGRORV GR HJRtVPR´ 067 2005i, p. 193). Nela são trabalhados os símbolos do Movimento ± a bandeira, o hino, os gritos de ordem. A mística está em todos os espaços dos Sem Terra, incluindo momentos como o da marcha, das atividades escolares e formativas, das assembléias, das comemorações. Como aponta Caldart, a mística é

[...] o conjunto de convicções profundas, as visões grandiosas e as paixões fortes que mobilizam as pessoas e movimentos na vontade de mudanças, ou que inspiram práticas capazes de afrontar quaisquer dificuldades ou sustentam a esperança face aos fracassos históricos [...].

[...] sentimento muito forte que une as pessoas em torno de objetivos comuns, e que manifestam naquele arrepio da alma (CALDART, 2004, p. 37 / 209).

³SHGDJRJLDGDKLVWyULD´FHOHEUDQGRDPHPyULDGDOXWDVmRHGXFDGRVDVHQWLUR passado como seu, criando referências para ações futuras e dando-se conta que a memória é uma experiência coletiva.

No próximo capítulo, abordaremos o estudo da criança a partir dos seus espaços sociais, tendo como foco o modo de vida dos assentados e identificando as possibilidades distintas de aprendizado que proporcionam.

CAPÍTULO 2 - O MODO DE VIDA DOS ASSENTADOS E OS

Benzer Belgeler