ihtiyacı güvenlik ihtiyacı
4.2. Araştırmanın Yöntem
Os sinais de que o mundo enfrentava uma crise ambiental sem precedentes já haviam sido denunciados na década de 196045, porém, foi particularmente com a crise do petróleo, na década de 1970, que os países – tanto industrializados como em desenvolvimento – viram-se em apuros para lidar com a situação da escassez de matérias primas e recursos naturais.
Observava-se naquele momento dos anos de 1970, mesmo após a Conferência de Estocolmo-1972, que as mudanças ambientais sentidas globalmente afetariam diretamente a
45 Talvez possamos ter como marco desta crise ambiental a discussão que trouxe a publicação do livro Primavera
Silenciosa em 1962, momento no qual a autora, Rachel Carson, chamou a atenção para os problemas ambientais sob a ótica da interdependência das espécies e dos ecossistemas e especialmente o fato de ser o homem um dos elementos desta rede. Aliás, aquele momento representa o desastroso uso do pesticida DDT desde a Segunda Guerra Mundial nos campos de batalha até o domínio público com a venda a populares nos anos seguintes, e a extrema dificuldade que teve a pesquisadora em publicar os resultados de seus estudos sobre os problemas detectados. Talvez a maior contribuição que esta publicação trouxe ao mundo tenha sido provar que a natureza em seu conjunto e equilíbrio é extremamente vulnerável à intervenção humana.
economia dos países, tanto pelos custos ambientais de degradação, quanto pelos custos da inevitável escassez de recursos.
A partir das ideias de Turner e Pearce (1993)46, Lago (2006, p.57) afirma que
a teoria econômica, nesse período, integrou progressivamente as questões ambientais, e certos autores chegaram a afirmar que o meio ambiente não seria uma entidade separada da economia e que não haveria mudança no meio ambiente sem impacto econômico.
Esta concepção teórica da economia conectada às questões ambientais trouxe ecologistas e economistas para o debate sobre as relações entre o homem, o desenvolvimento, a economia e o meio ambiente, aproximando, segundo Lago (2006, p.57), as teorias dos ecologistas às questões humanas e econômicas; e as teorias dos economistas às questões do meio ambiente.
Foi em meio a este cenário de diálogo internacional que a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento produziu o Relatório Nosso Futuro Comum47 – também conhecido como relatório Brundtland – fruto da Comissão criada pela ONU em 1983, presidida pela ex-Primeira Ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland.
Por este relatório e pelo impacto que trouxe nos países desenvolvidos, o mundo voltou seu olhar novamente para a crise ambiental planetária, o que foi decisivo para que a Assembleia- Geral da ONU reconhecesse a necessidade de convocar uma nova conferência mundial sobre meio ambiente (LAGO, 2006, p.62).
O que se depreende desta proposição é que a questão ambiental, muito pelos “custos estimados pelos países desenvolvidos para a promoção de mudanças estruturais em nível global”, foi deixada de lado. Nota-se, assim, que o período de fins da década de 1970 e início da década de 1980, com situação econômica mundial de estagnação no crescimento, o meio ambiente deixava de ser tema prioritário (LAGO, 2006, p.63).
Para Lago (2006, p.65), o relatório considera o peso e a responsabilidade de países desenvolvidos (além dos padrões de consumo destes) e dos países em desenvolvimento quanto às questões ambientais, ao passo em que busca oferecer “alternativas” e “caminhos” possíveis que promovam o desenvolvimento de ricos e pobres.
46 TURNER, R. Kerry, PEARCE, David, and BATEMAN, Ian. Environmental Economics: an elementary
introduction. Baltimore, Maryland: The Johns Hopkins University Press, 1993.
47 CMMAD – Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Nosso futuro comum. 2a ed.
Entre os temas e proposições abordados no Relatório Nosso Futuro Comum, o que mais se destaca é justamente a definição de desenvolvimento sustentável, que veio a nortear a Conferência do Rio de Janeiro em 1992. É neste documento que se encontra cunhada a expressão que definiu a forma como a temática ambiental passaria, doravante, a ser tratada globalmente.
Em Nosso Futuro Comum, desenvolvimento sustentável é conceituado como sendo o desenvolvimento global que “atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem a suas próprias necessidades” (CMMAD, 1988, p.46).
Este conceito, em tese, garantiria aos países ricos a manutenção de suas economias sem com isto ameaçar o resto do mundo, ao mesmo tempo em que permitiria aos países em desenvolvimento (ou países pobres, se esta acepção for permitida) atender às necessidades prementes de sua população: alimento, vestuário, habitação, emprego, saúde, educação, etc.
Segundo o Relatório,
para que haja um desenvolvimento sustentável, é preciso que todos tenham atendidas as suas necessidades básicas e lhes sejam proporcionadas oportunidades de concretizar suas aspirações a uma vida melhor.
padrões de vida que estejam além do mínimo básico só são sustentáveis se os padrões gerais de consumo tiverem por objetivo alcançar o desenvolvimento sustentável a longo prazo.
a satisfação das necessidades essenciais depende em parte de que se consiga o crescimento potencial pleno, e o desenvolvimento sustentável exige claramente que haja crescimento econômico em regiões onde tais necessidades não estão sendo atendidas. [...] o desenvolvimento sustentável exige que as sociedades atendam às necessidades humanas, tanto aumentando o potencial de produção quanto assegurando a todos as mesmas oportunidades (CMMAD, 1988, p.47).
Em conclusão, o Relatório Nosso Futuro Comum deixa explícito que o desenvolvimento sustentável “é um processo de transformação” em que a “exploração dos recursos”, a “direção dos investimentos”, a “orientação do desenvolvimento tecnológico” e a “mudança institucional” estão em equilíbrio e “reformam o potencial presente e futuro, a fim de atender às necessidades e aspirações humanas” (CMMAD, 1988, p.47).
O relatório, ao admitir a necessidade de um futuro comum, nos permite vislumbrar uma nova ótica no enfrentamento dos problemas ambientais, uma vez que exalta a participação
solidária e aberta das nações e suas sociedades, exigindo delas que repensem seus compromissos e seus objetivos no conflito entre riqueza material e justiça social.
É neste conflituoso panorama de crise econômica internacional, de queda nos investimentos em ações ambientais prioritárias e de mudança de visão entre desenvolvimento econômico e desenvolvimento sustentável que se constrói a necessidade de retomar o diálogo comum e global na busca por soluções e investimentos, o que acaba por levar a comunidade internacional a invitar uma nova conferência mundial.
Assim, com base nos amplos acontecimentos do período e diante dos princípios do desenvolvimento sustentável estabelecidos, a Conferência Rio-92 veio a registrar a grande responsabilidade dos países industrializados, apontando a urgente necessidade de que as nações em desenvolvimento viessem a receber recursos financeiros e tecnológicos para avançarem em relação ao desejado patamar de desenvolvimento sustentável e equilíbrio ambiental.