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Avrasya Turizm Araştırmaları Dergisi Journal of Eurasia Tourism Research

2. LİTERATÜR TARAMASI

2.3. Araştırmanın Sınırlılıkları

Verifica-se que no Brasil uma das maiores dificuldades relacionadas à organização da educação é a articulação entre os diversos sistemas de ensino. Nesse contexto, existiriam muitas lacunas de articulação federativa no campo da política pública educacional, resultando assim na descontinuidade de políticas, desarticulação de programas, insuficiência de recursos, entre outros problemas que são históricos no País (BRASIL, MEC).

Apesar de haver a definição de responsabilidades, ainda não há normas de cooperação suficientemente regulamentadas, o que repercute negativamente na promoção da educação básica no que se refere a sua obrigatoriedade e universalização. Em busca de sanar essa problemática, no ano de 2009, foi aprovada a Emenda Constitucional nº 59/2009 (EC nº 59/2009), tornando o Plano Nacional de Educação (PNE), que outrora era apenas uma disposição transitória da LDB, uma exigência constitucional com periodicidade decenal.

Assim, nos termos do art. 214 da CF/1988, o PNE possui o objetivo de articular o sistema nacional de educação em regime de colaboração e definir diretrizes, objetivos, metas e estratégias de implementação para assegurar a manutenção e desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis, etapas e modalidades.

Tal tarefa será feita através de ações integradas dos poderes públicos das diferentes esferas federativas que conduzam a: I - erradicação do analfabetismo; II - universalização do atendimento escolar; III - melhoria da qualidade do ensino; IV - formação para o trabalho; V - promoção humanística, científica e tecnológica do País e; VI - estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do produto interno bruto (PIB). Ante o exposto, verifica-se que o PNE deve ser a base para a elaboração dos planos estaduais, distrital e municipais, devendo estes contemplar a previsão de recursos orçamentários para a sua execução.

Em busca de regulamentar o artigo constitucional em comento, em 25/06/2014 foi promulgada a Lei nº 13.005, que aprovou o PNE. Dentre as diretrizes do plano, destacam-se, além das já firmadas pela CF/1988, a superação das desigualdades educacionais, com ênfase na promoção da cidadania e na erradicação de todas as formas de discriminação; melhoria da qualidade da educação e formação para a cidadania, com ênfase nos valores morais e éticos em que se fundamenta a sociedade. Ademais, nos termos do anexo da lei supracitada, destaca- se dentre as metas estabelecidas a busca pelo fomento da qualidade da educação básica em todas as etapas e modalidades, com melhoria do fluxo escolar e da aprendizagem (Meta 7).

Diante do exposto, observa-se que o PNE, como recente inovação legislativa, trata-se de uma tentativa de articular os sistemas de ensino. Nesse processo, adota-se, semelhantemente aos outros normativos apresentados, o paradigma de uma educação para a cidadania. Há também a clara preocupação com a questão da qualidade da educação. Não há, todavia, previsão expressa que contemple a abordagem dos conteúdos relacionados à estrutura do Estado e funcionamento do sistema político brasileiro.

4 EDUCAÇÃO E COMPORTAMENTO POLÍTICO A PARTIR DE ESTUDO PROMOVIDO POR SCHLEGEL

Observou-se que, normativamente, seja considerando as relações integracionistas nas quais o Brasil é partícipe, seja analisando a seara legal no âmbito interno, há vasta produção normativa voltada à cidadania. No que se refere ao presente trabalho, o foco foi a abordagem da cidadania em cotejo com a educação, especificamente no que diz respeito ao impacto no comportamento político do cidadão brasileiro.

Anteriormente, pontuou-se também o nexo entre direitos fundamentais e regime democrático, concluindo-se que há entre eles uma evidente relação de independência e reciprocidade. De forma mais específica, em relação ao direito social fundamental à educação, verificou-se que se trata de uma prática-instrumento de emancipação e de habilitação dos sujeitos para o agir livre e para a responsabilidade republicana.

O direito à educação, nesse contexto, é um direito social, mas também individual, justamente porque, apesar de repercutir no âmbito social de uma forma geral, cuida antes de atuar sobre o indivíduo, na ampliação de sua capacidade cognitiva, de sua racionalidade.

Nesse panorama, em que o indivíduo como sujeito de direitos é considerado em sua centralidade, observa-se que a educação tem influência direta no seu modo de pensar, de agir, de relacionar os conhecimentos objetivos, de transformar o meio em que vive. Assim, pelo processo educativo, imagina-se que é tecida uma vasta rede de influências na mente do sujeito, que condiciona o seu comportamento.

Em relação à política não seria diferente. A educação possui efeitos no comportamento político das pessoas, refletindo-se igualmente no regime político. Foi, pois, partindo do pressuposto de que existe uma forte associação entre educação e democracia, que SCHLEGEL (2010) realizou um estudo em prol de contribuir nas investigações acerca das relações entre educação e comportamento político no contexto brasileiro.

Especificamente, o autor procurou investigar os retornos políticos da escolarização brasileira recente no que se refere ao comportamento político a partir de três dimensões de análise: participação, apoio à democracia e confiança nas instituições. Para tanto, SCHLEGEL (2010, p. 123) norteou sua pesquisa a partir de dois eixos de investigação: 1) verificar se a associação entre o nível do comportamento político com o de escolaridade se confirmaria no caso brasileiro; 2) analisar se, nas últimas décadas, os avanços da

escolarização no Brasil impactaram no aumento de participação, apoio democrático e confiança nas instituições.

A pesquisa em comento, quanto ao campo de estudo, localiza-se precipuamente no âmbito da Ciência Política, mas tem contato também com estudos sobre sistema educacional e escolaridade média do brasileiro.

Por preocupar-se em identificar os retornos da educação no âmbito político, buscar compreender a interligação entre educação e política e fazer uma avaliação da temática a partir de uma pesquisa empírica, tal estudo figura como referencial teórico chave para desenvolvimento do presente trabalho. Portanto, faz-se necessário apresentar as principais ideias discutidas pelo autor para, em seguida, relacioná-las ao presente estudo.

Benzer Belgeler