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O sistema financeiro brasileiro pode ser dividido em dois grandes grupos. O primeiro, denominado de “área bancária”, é composto pelos bancos de desenvolvimento, pelos bancos de investimento, pelas cooperativas de crédito e pelas demais instituições que possuem a capacidade de criar moeda escritural, incluindo os bancos comerciais, os bancos múltiplos e as caixas econômicas. O segundo grupo, chamado de “área não-bancária”, inclui as sociedades de crédito, financiamento e investimento; as sociedades de arrendamento mercantil; as sociedades corretoras de câmbio, títulos e valores mobiliários; as sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários; as sociedades de investimento – capital estrangeiro; as sociedades de crédito imobiliário; as associações de poupança e empréstimo e as companhias hipotecárias, além das demais instituições que atuam como auxiliares ou intermediários financeiros, quer sejam ligadas ao Sistema de Previdência Privada e Seguros, quer sejam entidades administradoras de recursos de terceiros. Na figura 12, encontra-se reproduzido o diagrama esquemático elaborado pelo Banco Central do Brasil (BCB, 2005) para classificar as instituições que compõem o Sistema Financeiro Nacional (SFN) atual, Maiores detalhes sobre cada tipo de instituição componente do SFN estão no anexo 18.1.

Observa-se, a partir da figura 12, que o SFN é fortemente regulamentado uma vez que possui não apenas órgãos normativos responsáveis por expedir diretrizes, normas e políticas, mas também entidades supervisoras cujo papel é regulamentar, fiscalizar e controlar as atividades das operadoras do SFN, além de serem os principais executores das orientações dos órgãos normativos, objetivando o funcionamento do sistema como um todo.

80 Conselho de Gestão da Previdência Complementar - CGPC Banco Central do Brasil - Bacen Comissão de Valores Mobiliários - CVM Superinten- dência de Seguros Privados - Susep IRB-Brasil Resseguros Secretaria de Previdência Complementar - SPC Demais instituições financeiras Bolsas de valores Outros intermediários financeiros e administradore s de recursos de terceiros Entidades fechadas de previdência complementar (fundos de pensão) Instituições financeiras captadoras de depósitos à vista Bolsas de mercadorias e futuros Sociedades seguradoras Sociedades de capitalização Entidades abertas de previdência complementar Conselho Monetário Nacional -

CMN

Conselho Nacional de Seguros Privados - CNSP

Figura 12: Composição do SFN Fonte:BCB, 2005.

Em linhas gerais, a estrutura que o sistema financeiro brasileiro apresenta hoje foi formalmente determinada em 31.12.1964, com a edição da Lei 4595. Antes de 1965, a economia era caracterizada por um sistema financeiro frágil e com funções limitadas, sendo incapaz de promover o desenvolvimento econômico do país. As instituições financeiras de crédito eram especializadas na concessão de empréstimos de acordo com a natureza e tempo de sua maturação, sendo o mercado formado pelos bancos comerciais, que operavam quase que exclusivamente com operações de curto prazo; pelas sociedades de crédito e financiamento, que forneciam créditos de médio prazo; e pelos bancos de fomento, que operavam com créditos de longo prazo. Havia ainda um outro grupo de instituições com funções especializadas, formado pela Caixa Econômica Federal, pelas caixas econômicas estaduais, pelas corretoras e bolsas de valores, as quais eram incipientes, e pelas companhias de seguro e capitalização. Na área governamental, existiam a Superintendência da Moeda e do Crédito (SUMOC),

81 criada pelo Decreto-Lei 7293, de 02.02.45, e considerada a precursora do atual Banco Central; o Banco do Brasil, que agia como banqueiro do governo, como banco dos bancos e como banco comercial; e o Tesouro Nacional que podia emitir moeda.

O período entre 1965 e 1988 foi marcado pela criação do Conselho Monetário Nacional (CMN) e do Banco Central do Brasil (BCB), ambos pela Lei 4595/64, passando este último a assumir funções que eram antes exercidas pela Superintendência da Moeda e do Crédito (SUMOC), pelo Banco do Brasil, e pelo Tesouro Nacional.

Ao final da década de 80, uma nova resolução facultou às instituições financeiras sua organização como uma única instituição, com personalidade jurídica própria, denominada banco múltiplo (FORTUNA, 2005), que nada mais são do que instituições que podem operar em vários segmentos de intermediação financeira.

Também a partir de 1988 acabou o sistema de cartas-patentes, ficando a entrada de novas instituições no setor a cargo dos requisitos estabelecidos pela autoridade monetária, entre os quais destacam-se a exigência de capital e patrimônio líquido mínimos compatíveis com as operações pretendidas (FORTUNA, 2005).

A criação dos bancos múltiplos permitiu o crescimento do número de bancos no país, como pode ser visto observando-se a tabela6, para período posterior à 1988 e até 1994.

Por fim, seguiu-se (e ainda continua) o processo de globalização, que juntamente com a abertura econômica e o Plano Real (em 1994) provocaram em seu conjunto um processo de privatização e fusão de instituições bancárias, que, segundo Fortuna (2005) inicia uma revolução nos métodos e práticas da atividade bancária.

Vale ressaltar, contudo, que a concentração bancária, merece ser vista por um prisma maior do que simplesmente o número de bancos, que tem sido levantado como uma evidência forte de que o sistema bancário está se concentrando no Brasil. Entretanto, para Roberto Luis Troster (2004) – Economista-chefe da Febraban

82 (Federação Brasileira de Bancos), - é uma proposição mal formulada, uma vez que a concentração não é função do número absoluto de bancos. A mesma quantidade de serviços pode ser oferecida por diferentes estruturas de indústria bancária tanto de pequeno, quanto de médio ou grande porte. Há um sem-número de combinações que dependem de diferentes fatores tais como: a existência de economias de escala e de escopo; tecnologia; regulamentação; dispersão geográfica da atividade econômica; concentração de renda; o conjunto de produtos oferecidos; estabilidade macroeconômica, etc. (TROSTER, 2004).

Tabela 6: Número de Bancos no Brasil

Ano Número de Bancos Ano Número de Bancos Ano Número de Bancos 1964 336 1984 110 1997 217 1966 313 1986 105 1998 203 1968 231 1988 106 1999 193 1970 178 1989 179 2000 192 1972 128 1990 216 2001 182 1974 109 1992 234 2002 167 1976 106 1993 243 2003 164 1978 107 1994 246 2004 164 1980 112 1995 242 1982 115 1996 231 Ago/ 2005 160

NOTA:PARA O CÁLCULO DO NÚMERO DE BANCOS FORAM CONSIDERADOS OS BANCOS MÚLTIPLOS, OS BANCOS COMERCIAIS E CAIXAS ECONÔMICAS.

Fonte: Adaptado de BCB, 2005.

O número de bancos diminuiu todos os anos, a partir de 1994. No período, o sistema sofreu a maior transformação da história com a estabilização, a privatização de bancos públicos, a abertura aos bancos estrangeiros e o saneamento de bancos com problemas de solvência (COSTA NETO, 2004). Todavia, para Troster (2004), o número em si tem que ser analisado em mais dimensões.

Analogamente, quando se relaciona o número de bancos às variáveis econômicas, como PIB, população, território, etc. não se chega a resultados conclusivos. O Brasil tinha mais de 336 bancos há 40 anos e hoje tem pouco menos que a metade, enquanto a Alemanha tem quase 2.000 e os Estados Unidos pouco menos de 10.000, e seu número está crescendo.

83 mal formulada. Todavia, muitas colocações sobre o número de bancos no Brasil são feitas ao analisar a questão bancária nacional, tanto para analisar a sua dimensão, como a questão da própria concentração bancária. Como não é escopo dessa pesquisa, essa dissertação não discorrerá sobre a questão da concentração bancária, tampouco sobre seus efeitos, a não ser o fato óbvio de que quanto menor for o número de bancos, maior será a participação relativa de cada um.

Benzer Belgeler