Os pontos desenvolvidos revelam o quanto a hipótese básica freudiana é frag- m entária, apesar de rica e instigante. Percebe-se, ainda, de que form a o proble- m a das relações entre o som ático e psíquico com eça a se organizar, trazendo um em ergente teórico particular com o ponto de dificuldades: a dim ensão eco- nôm ica da angústia em sua síndrom e m ais característica. É o m om ento de sin- tetizar a discussão e retom ar seu tem a central, relacionando-o ao contexto m ais am plo da teorização m etapsicológica sobre a angústia.
A angústia aparece, na teorização freudiana dos anos 1890, fundam ental- m ente com o a inscrição corporal de um a im possibilidade de ligação psíquica, sendo o m odelo da neurose de angústia o que m elhor aborda a questão, ficando obscura ou m inim izada a im portância teórica da angústia nos dem ais quadros psicopatológicos. Foi visto que tanto a angústia aqui denom inada prim ária quanto a secundária com partilham de um m esm o m odelo energético de ultrapassagem do lim iar de suporte do psiquism o, ou seja, a angústia é vista aqui com o a transform ação em afeto de energia excessiva. A diferença é dada em sua origem
inicial: som ático no prim eiro caso e psíquico no segundo, o que não quer dizer que um m ecanism o psíquico não esteja envolvido nos dois casos. Pelo contrá- rio, esse m ecanism o foi intuído por Freud, m as não pôde ser esclarecido na
1 3 Sobre a discussão entre qualidade, intensidade e quantidade na econom ia psíquica, Cf.
ocasião. Depreende-se daí que a angústia, m esm o em seu estado m ais bruto,
refere-se a e se inscreve em um corpo erógeno; ela é expressão de um sentido
psíquico.
A concepção de um a angústia inscrita no corpo refere-se tanto ao excesso energético quanto à insuficiência de elaboração psíquica da excitação som ática. Com partilha com a concepção de um a angústia inscrita no psiquism o, um m e- canism o com um de transform ação da excitação não ligada a um a representa- ção ideativa em afeto. Portanto, pode-se afirm ar que aquilo que será posterior- m ente conhecido com o primeira teoria freudiana da angústia encontra aqui o seu fun- dam ento e é desenvolvida em dois tem pos: o prim eiro, no contexto dos anos 1890 e o outro, a partir da prim eira tópica. Am bas as abordagens fundam en- tam -se em um a noção de angústia econômica ou automática.
O tem a das diferentes teorias da angústia na m etapsicologia freudiana é bastante conhecido, m as ainda rende algum as controvérsias. É ponto pacífico a distinção de pelo m enos duas teorizações: um a, inserida na tram a conceitual da prim eira tópica, que define a angústia com o transform ação da libido reprim ida e outra, desenvolvida na segunda tópica, que define a angústia com o um sinal do ego que m obiliza a defesa. A relação entre elas não é disjuntiva, m as de com plem entaridade, e o estudo do prim eiro tem po da angústia em Freud ajuda a com preendê-la.
Um a das controvérsias em jogo na teoria da angústia é exatam ente o lugar desse pr im eiro m om ento. Há com entadores, com o Green, que preferem con- ceber três períodos distintos: 1) a angústia referida à tensão física sexual na n eu rose de an gú stia; 2 ) a an gú stia articu lada à repressão e 3 ) a an gú stia rem etida ao aparelho psíquico na form a de sinal ( 1982, p.73-84) . Apesar do reconhecim ento da centralidade da insuficiência de elaboração psíquica, no prim eiro m om ento, falta-lhe afirm ar a articulação que une os dois prim eiros tem pos tal com o aqui argum entado, a saber, o m ecanism o com um de trans- form ação autom ática da excitação. Com o foi dem onstrado, a angústia da neu- rose atual é prim ária em relação à angústia das psiconeuroses de defesa, m as am bas são expressão da falta de ligação representacional, decorrendo daí a m áxim a freudiana de que a neurose de angústia é a contrapartida som ática da h isteria. Nesse sen tido, a argu m en tação de Laplan ch e é m ais rigorosa. Ele retom a a discussão entre a teoria fisiológica e a psicológica da angústia, ou seja, entre a angústia que é transform ação autom ática da excitação som ática e a que é derivada da operação defensiva, m ostrando seu im bricam ento pro- fundo. Mais um a vez, é a noção de elaboração psíquica que funciona com o elo de ligação entre as duas concepções ( 1998, p.26) . Dessa form a, o prim ei- ro tem p o d a an gú stia n ão p o d e ser p en sad o in d ep en d en tem en te d e u m determ in an te psíqu ico. O qu e difere n os dois tem pos é o m ecan ism o qu e
deixa a energia desligada no aparelho psíquico — prim ário no prim eiro e secundário no segundo — m as am bos com partilham da m esm a concepção econôm ica e autom ática da angústia. Laplanche define então duas teorias da angústia: 1) teoria econôm ica, que articula as concepções fisiológica ( não- elaboração) e a psíquica ( rom pim ento da ligação) , e 2) a teoria funcional, apoiada no sinal de angústia do ego ( 1998, p.42-43) .
Na m esm a direção, Rocha enum era duas teorias da angústia, articulando na prim eira as duas facetas da angústia autom ática: sua inscrição corporal e sua inscrição psíquica ( 2000, p.10-12) . Em particular, cham a a atenção o esforço do com entador de conceber dialeticam ente essa relação:
“ Com isto, porém , não estou querendo dizer que Freud tenha com eçado o seu estudo da angústia pelas neuroses atuais, apresentando-nos um a angústia prim ei- ram ente inscrita no corpo e, só em seguida, inscrita no psiquism o ( ...) É im portan- te ter presente que m esm o quando Freud fala de um a angústia inscrita no corpo sem nenhum a significação psíquica, isto não exclui a existência de um a relação dialética, que, segundo ele próprio, sem pre existe entre as neuroses atuais e as neuropsicoses de defesa e, conseqüentem ente, entre a angústia inscrita no corpo e a angústia inscrita no psiquism o.”( ROCHA, 2000, p.41-42)
Há um a relação entre a angústia inscrita no corpo e a inscrita no psiquism o qu e n ão pode ser en ten dida n os term os de u m a disju n ção em qu e a u m a precede a outra. É im portante frisar que m esm o que se postule, em term os teóricos, um a precedência genética da prim eira sobre a segunda, elas apare- cem em conjunto nos quadros nosográficos e com partilham am bas de um sim bolism o erógeno. Porém , não basta postular a relação com plem entar en- tre esses dois aspectos da angústia, m as tam bém esclarecer o caráter dessa “ dialética” . O argum ento aqui desenvolvido m ostra que as duas faces da pri- m eira teoria da angústia com partilham tanto do m ecanism o autom ático de transform ação da excitação quanto de m ecanism os psíquicos de desligam ento energético da representação. A diferença, portanto, é no nível de operação do m ecanism o e não na sua essência.
O fundam ental da teoria econôm ica da angústia é pensá-la articulada ao conceito de elaboração psíquica. Essa abordagem , desenvolvida m ais extensam ente por Laplanche ( 1998, p.29-33) , perm ite pensar a relação entre afeto e represen- tação ideativa com o um processo de ligação psíquica da energia. A idéia é pensar níveis progressivos de ligação e elaboração energética na dinâm ica do aparelho psíquico. Nesse sentido, a representação ideativa seria o nível m ais estruturado de ligação de energia, passível, inclusive, de form ar conexões entre si na form a de grupos psíquicos. Ou seja, o nível m ais organizado de ligação
energética concebe cadeias representacionais associativas e suprassociativas.14 Um nível interm ediário de ligação é dado pelo afeto. Nesse, há tanto um com - ponente organizado de descarga som ática quanto um a estrutura representacional associada. A idéia é que a energia devidam ente elaborada possa expressar-se no psiquism o na form a de representação ideativa ou afeto. A angústia, contudo, aparece com o o nível m ais baixo de ligação energética. Trata-se da expressão afetiva m ais desorganizada e desruptiva, principalm ente em sua m anifestação m ais b r u tal n a an gú stia p r im ár ia d as n eu ro ses atu ais. Assim , se a d efesa desestabiliza a organização representacional e libera afetos, dentre os quais se encontra a angústia secundária, a insuficiência psíquica revela um a angústia m enos ligada a representações. Dessa form a, a angústia ligada a um objeto fóbico é m enos disruptiva que o pavor inerente a um ataque de angústia, por exem plo. O que está em jogo são níveis progressivos de elaboração psíquica rum o à representação ideativa.
A partir do exposto, pode-se concluir que o que se denom ina angústia ins- crita no corpo ( ROCHA, 2002) ou teoria fisiológica da angústia ( LAPLANCHE, 1998) revela-se um contraponto teórico ao paradigm a da representação. Em outras palavras, o prim eiro tem po da angústia m ostra um a prim eira antítese ao m odelo energético-representacional. Mais que isso, esse prim eiro m om ento lança os elem entos fundam entais que serão contem plados em um desenvolvi- m ento posterior da teoria da angústia no qual as noções de desam paro psíquico e pulsão de m orte, entre outras, trarão um a nova significação teórica para o problem a aqui apontado.
Esse m ovim ento de integração, revisão e ressignificação depende, por sua vez, da estrutura conceitual freudiana e seus desenvolvim entos heurísticos. Nes- se caso, não se pode falar em um a síntese dialética entre os pólos do problem a, já que a teorização freudiana não se encaixa em um a dialética estrita ( MONZANI, 1989, p.201-204) . De qualquer form a, pode-se afirm ar que a polarização entre angústia inscrita no corpo e no psiquism o é um a m atriz conceitual im portante, que traz em seu cerne o seu próprio im pensado, a saber, de que no lim ite, a noção de angústia aponta para o irrepresentável. Mais ainda, é contra essa irrupção energética, cuja angústia autom ática prim ária é o m elhor exem plo, que se estrutura o aparelho psíquico. Essa concepção de ligação energética é relati- vam ente forte na prim eira década do pensam ento freudiano, m as se torna funda- m ental na segunda tópica. Enveredar por essa discussão transcende os propósitos
1 4 Seria necessário, ainda, analisar essa concepção de níveis de ligação energética em função da
distinção dos diferentes registros m nêm icos, a saber, sua distinção entre representação de objeto, representação de palavra e, se considerarm os o m odelo da Carta 52 ( FREUD, 1896b) , registro perceptivo. Esse aprofundam ento, contudo, transcende os propósitos do presente artigo.
deste artigo, m as alguns desdobram entos podem ser apontados. Para ficar ape- nas no âm bito da m etapsicologia da angústia, basta dizer que a angústia auto- m ática prim ária da teoria econ ôm ica se aproxim a da an gú stia prim ordial tem atizada na teoria funcional. Pode-se pensar, tam bém , em um a teoria unificada da angústia: contra a irrupção energética traum ática o ego m obiliza a defesa por interm édio do sinal de angústia. A operação da defesa sobre as representa- ções ideativas, por sua vez, tam bém causaria desligam ento energético, levando a um a irrupção de afetos, entre eles a angústia ( SEVÁ, 1975, p.88, 92-94) . Encontra-se, assim , um a articulação entre o prim eiro, o terceiro e o segundo tem po da teoria freudiana da angústia, respectivam ente.
CONCLUSÃO
Um a leitura rigorosa da teoria freudiana dos representantes psíquicos deve levar em conta os seus desenvolvim entos iniciais na consideração dos im passes qu e levam à proposição de n ovos m odelos explicativos n a m etapsicologia freudiana.
Conclui-se que a consideração dos textos freudianos dos anos 1890 revela alguns pontos interessantes para a com preensão do desenvolvim ento da teoria da angústia e sua relação com o paradigm a representacional na m etapsicologia freudiana. Trata-se de textos pioneiros e, com o tais, recheados de hipóteses organizadoras que operarão por longo tem po nos bastidores da teorização freudiana. O m esm o pioneirism o que indica as prim eiras direções tam bém é responsável pelo evidenciam ento dos prim eiros im passes ao desenvolvim ento teórico, criando um a série de trilhas m ais ou m enos consistentes que serão retraçadas de diferentes form as nos vários m om entos do pensam ento freudiano. De form a esquem ática, podem os dem arcar o cam po de afirm ações e im passes que em erge desse m om ento teórico a partir dos seguintes parâm etros: 1 . A afirm ação d a teo ria en ergético - rep resen tacio n al co m o fu n d am en to
axiológico do esforço freudiano de teorização;
2 . A revelação de im passes quanto ao m odelo físico que a sustenta, bem com o à capacidade de ela dar conta das relações entre a esfera som ática e a psíquica; 3 . A em ergência de quadros psicopatológicos e afetos que testam os lim ites dessa teoria, fazendo com que a m elancolia e a neurose de angústia fiquem com o problem áticas latentes na prim eira tópica;
4 . A síntese dessa problem ática na configuração de um m odelo de angústia enquanto inscrição corporal e im possibilidade de elaboração psíquica da ex- citação, o qual se revela um contraponto à noção de representação psíquica.
Um a visão retrospectiva da obra freudiana revelará que esses cam inhos de investigação serão contem plados em diferentes m om entos da m etapsicologia. Tem -se que a elucidação da natureza energética será abordada em prim eiro
lugar, quer seja no desenvolvim ento de um m odelo neuronal de aparelho psí- quico, quer seja propriam ente na elaboração do conceito de pulsão. As interfaces entre o psíquico e o som ático, em especial a idéia de um a im possibilidade de elab o ração p síq u ica, ficarão laten tes p o r m ais tem p o , agu ard an d o u m a reestruturação m ais profunda da tram a conceitual freudiana. Nesse sentido, a prim eira tópica freudiana abordará, fundam entalm ente, a dim ensão representa- cional do fator energético, deixando a dim ensão pré-representacional que em erge no m ecanism o da neurose de angústia por m uito tem po fora do cam po da teorização m etapsicológica.
O resgate e crítica da concepção freudiana de neurose de angústia contribuem para a com preensão da teorização sobre a m etapsicologia da angústia, além de servir de elem ento para as discussões contem porâneas sobre a angústia que escapa à elaboração psíqu ica refu gian do-se n o corpo, com o n os qu adros psicossom áticos. Esses desdobram entos, assim com o um a análise geral da teo- ria da angústia, fogem aos propósitos desse artigo. Espera-se que a análise do prim eiro tem po da angústia em Freud possa contribuir para futuras investiga- ções teóricas e clínicas.
Recebido em 24/ 10/ 2003. Aprovado em 15/ 3/ 2004.
REFERÊNCIAS
BARROS, C. P.( 1975) “ Contribuição à controvérsia sobre o ‘ponto de
vista econôm ico’”, in BRAZIL, H. V. ( org.) , Psicanálise: problemas metodológicos.
Petrópolis: Vozes.
BIRMAN, J. ( 1991) Freud e a interpretação psicanalítica: a constituição da psicanálise.
Rio de Janeiro: Relum e-Dum ará.
BRITO, L. A. M. ( 1 9 8 6 ) “ O con ceito freu dian o de afeto: u m estu do
crítico” , in Psicologia clínica: pós- graduação e pesquisa, 1/ 1. Rio de Janeiro,
p.15-26.
FREUD, S. ( 1996) Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund
Freud. Rio de Janeiro: Im ago.
( 1893) “ Sobre o m ecanism o psíquico dos fenôm enos histéricos: co- m unicação prelim inar” , v. II, p.39-56.
( 1 8 9 4 a) “ Rascu n h o D: sobre a etiologia e a teoria das prin cipais neuroses” , v. I, p.231-233.
( 1894b) “ Rascunho E: com o se origina a angústia” , v. I, p.235-241. ( 1894c) “ As neuropsicoses de defesa” , v. III, p.51-74.
( 1894d) “Obsessões e fobias: seu m ecanism o psíquico e sua etiologia”, v. III, p.75-90.
( 1894e) “ Sobre os fundam entos para destacar da neurastenia um a síndrom e específica denom inada ‘neurose de angústia’” , v. III, p.91- 120.
( 1895a) “ Rascunho G: m elancolia” , v. I, p.246-253. ( 1895b) “ Rascunho H: paranóia” , v. I, p.253-257.
( 1895c) “ Resposta às críticas a m eu artigo sobre a neurose de angús- tia” , v. III, p.121-140.
( 1896a) “ Observações adicionais sobre as neuropsicoses de defesa” , v. III, p.163-188.
( 1896b) “ Carta 52” , v. I, p.281-287. ( 1900) “ A interpretação de sonhos” , v. IV-V.
( 1905) “Três ensaios sobre a teor ia da sexualidade” , v. VII, p.117-232. ( 1909) “ Análise de um a fobia em um m enino de cinco anos” , v. X, p.13-136.
( 1915) “ O inconsciente” , v. XIV, p.163-222.
( 1916) “ Conferência XXV: a ansiedade” , v. XVI, p.393-412. ( 1917) “ Luto e m elancolia” , v. XIV, p.245-266.
. ( 1891/ 1977) A interpretação das afasias. Lisboa: Edições 70.
. ( 1895d/ 1995) Projeto de um a psicologia. Trad. Osmyr Faria Gabbi
Jr.Rio de Janeiro: Im ago.
GREEN, A. ( 1982) O discurso vivo: a conceituação psicanalítica do afeto. Rio de
Janeiro: Francisco Alves.
HANNS, L. A. ( 1996) Dicionário com entado do alem ão de Freud. Rio de Janeiro:
Im ago.
LAPLANCHE, J. ( 1998) Problemáticas I: a angústia. São Paulo: Martins Fontes.
LAPLANCHE, J.; PONTALIS, J.-B. ( 1998) Vocabulário da psicanálise. São Paulo:
Martins Fontes.
MEZAN, R. ( 2001) Freud: a tram a dos conceitos. São Paulo: Perspectiva.
MONZANI, L. R. ( 1989) Freud: o m ovim ento de um pensam ento, Cam pinas,
Editora da Unicam p.
ROCHA, Z. ( 2000) Os destinos da angústia na psicanálise freudiana.São Paulo:
Escuta.
SEVÁ, A. M. L. ( 1975) “ Angústia e repressão: um estudo crítico do ensaio ‘inibição, sintom a e angústia’” . Dissertação de m estrado. Rio de Janei- ro: Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
Érico Bruno Viana Cam pos
Rua Professor Teotônio Monteiro de Barros Filho 535/ 33 Vila Butantã 05360-030 São Paulo SP
Tel. ( 11) 3719-5284 ericobvcam pos@ uol.com .br.
Psicanalista; doutor em Estudos Lingüísticos pela UFPR; m estre em Letras ( Lingüística) pela UFPR; professor da UTP e da Faculdade Dom Bosco ( Curitiba) .