4. BULGULAR
4.2. Araştırmanın Alt Basamağı Olan Deri Konusuna İlişkin Bulgular
Para o delineamento desta investigação adotamos a abordagem qualitativa como uma alternativa metodológica que permite compreender a realidade vivenciada pelos sujeitos sociais em sua amplitude histórico-dialética. Valemo-nos, também, de dados quantitativos para a constituição de um pano de fundo que colaborou na compreensão do cenário das violências contra criança e adolescentes em Uberaba.
Trata-se de estudo de caso desenvolvido com a combinação de abordagens quantitativas e qualitativas. O estudo de caso se torna possível na medida em que permite aos pesquisadores observar diretamente os fenômenos pretendidos, preservando a singularidade do objeto social. Assim, ao empregar entrevistas semi-estruturadas foi possível a alisa àoà o te to,àasà elaç esàeàasàpe epç esàaà espeitoà ... àdoàfe e oàe à uest o. à (MINAYO, 2009, p.164).
Dentre as linhas-guia do estudo de asoà est à aà possi ilidadeà deà es la e e à osà fatores que interferem em determinados processos .à ássi ,à osà au iliouà aà identificação dos desafios para estruturar uma rede de proteção social. (Idem). O estudo de caso permitiu trabalhar as singularidades do cenário local e seus sujeitos coletivos no enfrentamento das violências contra crianças e adolescentes e lançou luzes para o diálogo com outros estudos. (MINAYO, s/d.; 2005).
Tal opção metodológica é tratada contemporaneamente como triangulação de métodos. Visa permitir a construção de uma compreensão ampliada do fenômeno estudado e supera a falsa dicotomia entre as abordagens quantitativas e qualitativas, pois
[...] compreende a quantidade como indicador e parte da qualidade dos fenômenos, dos processos e dos sujeitos sociais, marcados por estruturas, relações e subjetividade, culturalmente específicas de classes, grupos e segmentos profissionais, gênero, etnia e idade. (MINAYO, 2005, p. 34)
Assim, um indicador obtido por meio de um cálculo amostral é parte integrante, dialeticamente, dos aspectos qualitativos dos fenômenos, compreendidos em sua processualidade histórica, portanto, os fenômenos em estudo estão inseridos numa estrutura social, temporal e espacialmente determinadas.
Sob esse prisma concordamos, também, com Pereira de Queiroz (1999) ao afirmar que o dado quantitativo não deve ser apreendido como fiel ilustrador de um dado fenômeno
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ou realidade. Essa premissa é oriunda das ciências da natureza, às quais dignavam o status de ciência aos resultados de um estudo que pudesse ser demonstrado e reproduzido empiricamente aplicando-se os métodos das ciências exatas. Assim, os estudos nas ciências humanas – e mesmo na Saúde Coletiva – durante séculos foram alvo de intensos e calorosos debates acerca de sua cientificidade.
A partir do final do século XX ganham força os debates em torno de novos paradigmas na área da saúde. Em linhas gerais, busca-se compreender os fenômenos e a realidade como resultante de múltiplas causas e que produzem inúmeras consequências na vida societal, individual e institucional em que estão inseridos os vários sujeitos, individuais ou coletivos. Difere, portanto, da relação entre causa e efeito que acompanha o paradigma cartesiano e seus desdobramentos na área da saúde e na elaboração de políticas sociais. (BATISTELA, 2007; BRASIL MS. CNDSS, 2008).
Nesse contexto, a triangulação de métodos evidenciou que não se trata de prescindir dos dados quantitativos, mas lançar sobre os mesmos um olhar histórico- dialético; cuja totalidade do fenômeno é abarcada em suas múltiplas determinações como resultado de processos históricos e que, portanto, exigem uma reflexão interdisciplinar. A triangulação é entendida como
[...] (a) a combinação e o cruzamento de múltiplos pontos de vista; (b) a tarefa conjunta de pesquisadores com formação diferenciada; (c) a visão de vários informantes e (d) o emprego de uma variedade de técnicas de coleta de dados que acompanha o trabalho de investigação. Seu uso, na prática, permite interação, crítica intersubjetiva e comparação. (MINAYO, s./d., p.10).
No estudo das violências e da rede de proteção social em Uberaba a triangulação pe itiuà ueàosàsujeitosàe pusesse àseusà olha es àso eàaà ealidade,àa aliando-a de seus lugares sociais e institucionais. Entende-se, assim, que a triangulação
[...] permite que o pesquisador faça um cruzamento de suas conclusões de modo a ter maior confiança que seus dados não são produto de um procedimento específico ou de alguma situação particular. Ele não se limita ao que pode ser coletado em uma entrevista: pode entrevistar repetidamente, pode aplicar questionários, pode investigar diferentes questões em diferentes ocasiões, pode utilizar fontes documentais e dados estatísticos. (GOLDEMBERG, 2002, p. 62).
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Assim, a abrangência na interpretação do fenômeno estudado sustentou-se pela articulação, pelo diálogo e pela problematização entre as diferentes fontes de dados, uma vez que as mesmas foram produzidas por diferentes sujeitos, individual ou coletivamente – inclusive pelo próprio pesquisador – em vários tempos e espaços.
Essa triangulação se fez necessária devido à natureza do fenômeno em estudo: a violência e as redes de proteção. A primeira é entendida como sendo construída no conjunto de relações sociais desiguais que atravessam a história das sociedades; dos processos de socialização e de sociabilidade que se estabelecem constantemente entre os vários sujeitos nos mais variados espaços, públicos ou privados; das relações entre as gerações; das relações de gênero e das relações de re-produção do capital. A rede, por sua vez, se estrutura de acordo com as mais variadas necessidades humanas, aproximando pessoas e fortalecendo laços de solidariedade ou mesmo desfazendo os nós e atando-os a um novo conjunto ou ente da rede que satisfaça as necessidades da vez.
Assim, a complexidade das relações que resultam nas diversas faces da violência deve ser abarcada dialeticamente. Ao mesmo tempo, a rede promove a proteção de crianças e adolescentes adquirem contornos próprios, em tempos e espaços diversos.
Desse modo, ainda que a metodologia quantitativa nos forneça um painel acerca das relações possíveis entre as várias classificações das violências e dos direitos violados, a metodologia qualitativa nos permite ampliar a percepção numérica abarcando aspectos históricos, políticos, sociais e subjetivos vinculados às discussões na Saúde Coletiva e na Assistência Social, ao permear os muitos discursos dos sujeitos coletivos envolvidos na efetivação da doutrina da proteção integral.
Em síntese, segundo Maria C. Minayo e Odécio Sanches (1993),
A abordagem qualitativa realiza uma aproximação fundamental e de intimidade entre sujeito e objeto, uma vez que ambos são da mesma natureza: ela se volve com empatia aos motivos, às intenções, aos projetos dos atores, a partir dos quais as ações, as estruturas e as relações tornam- se significativas. (p.244)