• Sonuç bulunamadı

4. BULGULAR VE YORUMLAR

5.2.3. Araştırmanın Đkinci Alt Amacına Göre Sonuçlar

Após os enfermeiros conceberem o princípio de equidade, para não nos deixar dúvidas quanto à concepção como sinônimo de igualdade e a confusão com o princípio de universalidade, elaboramos duas situações, que estão descritas abaixo. A primeira aplicada apenas aos enfermeiros: Rosa e a Tulipa e a segunda para os demais. Nessas situações verificamos o relato de como seriam suas ações norteadas pelo princípio, então concebido, da equidade.

Primeira situação: Se você tivesse 10 mil reais e tivesse que destinar

verbas para duas equipes de SF, como você faria esta distribuição para que fosse de maneira eqüitativa?

Segunda situação: Em uma área de abrangência temos duas usuárias, a

Srª A, que tem uma situação melhor, economicamente falando, e a Srª B que tem uma situação um pouco pior, as duas usuárias precisavam de uma cirurgia de alta complexidade, cirurgia cardíaca, porém as duas não tiveram condições de pagar, realizaram assim a cirurgia pelo SUS. Após a cirurgia as duas precisam de uma medicação anticoagulante, que não é fornecida pelo SUS, tendo necessidade de ser comprada. As condições financeiras da Srª permitem comprar a medicação e as condições da Srª B não permite comprar. O secretário de saúde chega para você e fala que só tem dinheiro pra comprar uma medicação. O que você faria nesse caso para agir com equidade?

Nestas situações todos confirmaram a abordagem da equidade como sinônimo de igualdade na distribuição de recursos, mesmo tendo a percepção de estarem diante de necessidades diferentes.

[...] Se eu fosse distribuir e tivesse duas equipes? (sim), eu nem sei, eu nem pego e sei que nunca vai passar isso na minha mão, mas eu acho que o ideal seria 5000 pra uma, 5000 pra outra. Porque igualdade, né!. Nós não estamos falando de igualdade? Então, jamais eu iria tirar mais para mim, nem que eu precisasse, tinha que ser igualdade, nós mechemos com igualdade. Rosa.

[...] Olha se eu fosse separar... vai existir equipe de PSF que eu acredito com necessidade maiores que outras, dependendo da área de abrangência, tem áreas de risco maior que outras, né? Mas a outra também tem, se eu tiver que ser justa eu daria 50% pra uma e 50% pra outra. [...] Você tem que ser justas. É uma verba que veio para cada unidade e não é porque você tem aquele grupo de risco, aquela microárea de risco, que um determinado PSF tem, que você também não tem um gasto, nos, nos seus riscos, entendeu? Tulipa.

[...] Bom eu acho que nessa situação, né! Pra você tá conseguindo ter uma equidade no sistema seria a divisão. Dividir a cota mínima que seja, mas que pelo menos os dois casos fossem beneficiados, sem privilégios, 50% do que ele conseguisse para uma, 50% pra outra. Porque se você tá em busca de ter um sistema igualitário... de conseguir... assim teria que ser dividido. Girassol.

[...] A Senhora, que tem o poder econômico menor, eu passaria para o secretário, como ele falou que só tinha direito a uma, né? E a outra Senhora eu iria orientar, que como ela tem o plano, que é o SUS, ela também tem o direito. Pediria para que ela procurasse, no caso os órgãos responsáveis para que ela pudesse resolver isso. Que órgãos? A Promotoria de Justiça conversasse com o Promotor, Juiz, sei lá! e relatasse o caso, porque mesmo tendo condições de repente ela vai destinar este dinheiro para uma outra coisa, porque ela tem direito. Agora se ela quiser abrir mão, falar assim: ‘não eu tenho, por eu ter dinheiro eu vou pagar’, é diferente, mas eu tenho que orientar enquanto profissional da saúde, enquanto... sabendo que o SUS prega eu tenho que orientar, que ela tem direito. Azaléia.

[...] se as duas tivesse grave na mesma situação. Ah com certeza eu olharia a condição financeira. Não, infelizmente não teria como agir com equidade, igualdade, algumas coisas assim, porque eu teria que escolher, né. Mas eu acho assim, se a Sra A, tivesse condição pra comprar o remédio, eu acho que poderia até dar pra B, né. Mas fazer alguma, alguma coisa pra tratar as duas, o máximo pra tá conseguindo pras duas. Margarida.

[...] no caso, no meu entender, eu conversaria com essa que tem mais condições, para ver se ela poderia tá comprando até ver uma solução [...] o secretário resolver, quando que ele vai tá podendo comprar essa medicação e cederia pra outra, eu faria isto. [...] mesmo dentro da igualdade, eu taria conversando e, agora se ela, ela falasse ‘olha, eu não

posso mesmo, né? este remédio é muito caro, o que eu ganho dá só pra manter’ né. Aí eu taria dividindo. Pingo de Ouro.

[...] Olha eu acho, no meu critério, eu acho que se o paciente que tem condição, com certeza eu taria dando prioridade pra que não tem condição, isso aí é sem dúvida. Assim você quer saber pra qual das duas? Com certeza, é claro, se a outra tem condições de comprar, aí eu estaria orientando a importância deste medicamento e até pediria pro agente responsável pela visita, tá realmente certificando se essa paciente tá usando a medicação, se não tivesse, tá trazendo ao meu conhecimento, se fosse o caso, eu tá indo, esclarecendo pra ter uma vigilância assim, se ela realmente tá usando medicamento, se dentro dessa vigilância eu visse, que pode ser que a pessoa naquele momento, naquele mês, ela tá sem recurso, pode acontecer um desemprego, pode acontecer várias coisas, aí é claro que é o fato, deveria se analisado de forma diferente, mas se ela teve, tivesse recurso pra comprar o remédio, falasse: ‘Não, eu tenho jeito’, aí eu daria só pra que não tem condição. Orquídea.

[...] Eu faria uma triagem, eu verificaria realmente as condições, as condições das duas e faria uma triagem e tentaria tá procurando outros meios pra atender as duas, que a gente tem a possibilidade de tá pedindo ajuda para a diretoria regional de saúde. Então eu tento outros meios para atender as duas. [...] Entregaria essa medicação realmente pra que tem a possibilidade, a menor possibilidade, de tá conseguindo a medicação. Mesmo que a gente tenha isso em mente, é difícil pra nós, porque atualmente assim, a gente vê a maioria das pessoas, a gente trabalha com um nível, com a renda baixa, só que tem casos realmente, inclusive no nosso PSF, o pessoal, né? [...] É uma área mista e a gente por enquanto, graças á Deus não ocorreu, né! Essa possibilidade, mas tá tendo e aqui como a gente trabalha em questão de agendamento, a gente não discrimina, quem tem plano de saúde, porque a pessoa chega, né, mesmo quem tem plano de saúde, quer tá sendo atendida pelo PSF e a gente tá agendando pra todos, e tem possibilidade também de tá fazendo curativo domiciliar, tem pessoas, né! Que a gente tá vendo que tem possibilidade, de tá utilizando é... medicação, que pode tá comprando, né? A própria família tá ajudando, mas aqui a gente tá disponibilizando material, medicação, consulta pro que for necessário, pra ambas as partes. [...] Mas eu sei disso, no nosso dia-a-dia tem assim, a gente se depara com certas situações que, né. A gente é ou não é, né? Mas já aconteceu e acontece da gente tá é... tirando até do próprio bolso, né? Pra gente poder tá ajudando a população, mas eu sei que as possibilidades são poucas, né? Que a gente tem. [...] Priorizar até assim, né? Tentando fazer o máximo, mas a gente depara com situações que às vezes a gente, sente mal com isso. [...] Mas a gente infelizmente, a gente tem que tá priorizando. Violeta.

Observamos quanto colocados em uma situação que se deve e pode priorizar recursos, a concepção de que tem que tratar os diferentes de forma iguais

prevalece na prática, através da busca de outras fontes, outras soluções, para atenderem as necessidades de quem não foi beneficiado com o recurso. Esta abordagem de equidade como sinônimo de igualdade aparece de forma tão marcante, que quando aplica-se o princípio como sinônimo de justiça – tratar os diferentes de forma diferente – gera no profissional um sentimento de culpa, desconforto, uma necessidade de compensação ou de vigilância ao usuário sobre a utilização do recurso negado pelo princípio.

Benzer Belgeler