5.2 Sonuç
5.2.3 Araştırmanın üçüncü alt amacına yönelik sonuçlar
As premissas constitucionais, aliadas a mecanismos de fortalecimento da participação popular, vêm ganhando espaço na elaboração, implementação e, sobretudo, na fiscalização das políticas públicas.
Contudo, Avritzer (2006) entende que, no caso do Brasil, o clientelismo, a falta de capacidade de pressão da população e a distribuição desigual de bens públicos em nível local são algumas das questões com as quais as formas fixas de democracia não são capazes de lidar de forma adequada.
De outra parte, a superação da pobreza, na opinião de Demo (2003), necessita, em primeiro lugar, que o pobre participe e não seja somente beneficiário. Na maioria das vezes, elaborando programas, desconhecendo a real necessidade, os técnicos ou os políticos oferecem soluções de fora para dentro. Para o autor, a função do Estado e de qualquer cidadania comprometida com a justiça social é compreender que a participação do pobre não é apêndice interessante, mas alma do negócio.
Aí, porém, começam outros problemas. O pobre que participa, incomoda o Estado e os doadores. Deixando a condição de simples pedinte, comparece com a perspectiva dos direitos, exigindo justiça. Para o sistema, é mais conveniente um pobre que apenas pede auxílio e com ele se contenta, do que um pobre que se põe a controlá-lo. Política social de sujeitos que se confrontam dialeticamente é muito mais complicada e exigente, e pode chegar onde o sistema não desejaria: a saber, a contestá-lo radicalmente. Já não basta distribuir benefícios (DEMO, 2003, p. 32).
Com efeito, os movimentos são plenamente sociais. Para Durham (2004), isso não acontece apenas por suas características internas, mas inclusive pelo fato de estarem voltados ‘para fora’, estabelecendo novos canais de comunicação dos indivíduos com a sociedade e o Estado. Sem isso, seriam antes seitas do que movimentos. Para a autora, este reconhecimento mútuo dos indivíduos como pessoas, que se dá internamente, exige uma reação complementar derivada do caráter necessariamente público do processo, através do reconhecimento dos movimentos pela sociedade e pelo Estado.
Por meio de tal processo reflexivo o indivíduo se faz consciente e capacitado para adaptar-se a esse processo, tanto quanto para modificar seus resultados em qualquer ato social, graças à sua adaptação a ele. A persistência da sociedade e da cooperação entre grupos coletivos depende dessa característica de exercitar de forma imaginária os cursos possíveis da ação, a fim de que, desse modo, os agentes sejam capazes de selecionar os comportamentos que possam facilitar o ajustamento aos diferentes comportamentos, assim como a cooperação mútua (DURHAM, 2004, p. 292).
A busca do reconhecimento social passa necessariamente pelo resgate da autoestima e a valorização dos próprios indivíduos, através de suas entidades representativas. Com o crescimento do associativismo, as próprias comunidades referendam a capacidade reivindicatória do indivíduo, tornando difícil aos governos ignorar a representação popular.
Essa nova concepção de participação política surge como um novo cenário dentro do contexto social, abrindo um espaço restrito àqueles que anteriormente sequer tinham direitos perante o próprio Estado, mas que passaram a adquirir sua autonomia, tão importante para o processo de emancipação social. Também a esfera pública municipal deve submeter suas políticas e suas contas a esses conselhos, sobretudo para acessar os recursos federais que envolvem a celebração de contratos e convênios. Por essa razão, Peixoto (2011) classifica o
incentivo à participação como o caminho para suprir o afastamento do modelo representativo dos seus representados. Somente através da participação política os cidadãos podem alcançar a sua autonomia, tão importante para a emancipação social.
Segundo Gohn (2003), a participação é um processo de vivência que imprime sentido e significado a um movimento social, desenvolvendo uma consciência crítica e gerando uma cultura política nova. A defesa da democracia participativa a partir dos movimentos sociais como critério legitimador da própria democracia e como canal de manifestações das classes oprimidas é uma necessidade do Estado Democrático de Direito, bem como uma clara e evidente forma de desenvolvimento.
Nesses últimos anos, a criação de conselhos na esfera pública, nacional ou municipal, adquiriu uma amplitude sem precedentes, segundo Mateos (2011), servindo para aumentar, tanto a eficácia e abrangência das ações públicas, como a capacidade de formulação dos movimentos sociais.
Só as 73 conferências nacionais temáticas realizadas para debater políticas públicas envolveram, em seus vários níveis, cerca de cinco milhões de pessoas. Mais da metade dos conselhos nacionais de políticas públicas que contam com participação popular foram criados ou ampliados nos últimos oito anos (MATEOS, 2011, p. 20).
Seguindo esse raciocínio, é possível caracterizar a década de 1980 como um período de fortalecimento do associativismo, sobretudo em Porto Alegre, onde foi verificado um aumento do número de associações de moradores e Conselhos Populares, em cada região da cidade61. Esses segmentos sociais organizados foram conclamados a discutir a formulação de políticas públicas, agindo como facilitadores nesta relação entre a população e o poder público, dividindo a responsabilidade na condução da coisa pública. É possível compreender que essa integração atinge um novo patamar nas relações entre Estado e sociedade, quando
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As associações comunitárias proliferaram como parte de um movimento associativo generalizado de reação ao autoritarismo[...] Em todos os casos, estas associações foram a expressão de uma mudança no padrão associativo, reivindicando autonomia de organização em relação ao Estado (Fonte: AVRITZER, 2002b, p. 572).
a participação de segmentos sociais nas políticas sociais permite que a população participe das decisões de seu dia a dia.
Nesse período também se consolidaram diversas associações e entidades locais, destacando as ações de Associações de Moradores, de Movimentos de Luta por Moradia Popular, desde Mutirões Habitacionais ou construídos a partir da mobilização popular.