4. TARTIŞMA SONUÇ VE ÖNERİLER
4.2. Öneriler
4.2.2. Araştırmalar İçin Öneriler
No quadro de reformulações realizadas logo após e concentradas nos fatos fundamentais para o estudo das obras literárias aqui examinadas, nas quais se levantam questões desse período, o que assume a maior importância é, primeiramente, como o novo Estado, no Brasil, realizou um reordenamento institucional visando à centralização administrativa e passou a intervir e
regulamentar o aparelho burocrático, em um processo de crescente estatização. Quando em 1930, as forças rebeldes impõem à Junta Provisória o nome de Getúlio Vargas, aciona-se uma vez mais o inalterável mecanismo de acomodação política com que as elites, desde o golpe de 1889, se revezavam no poder a pretexto de superar as estruturas arcaicas que dificultavam o desenvolvimento da Nação.
São notórias algumas manifestações, a saber: a Revolução de 30, que incita a novos estudos sociológicos e políticos da época, com destaque para a participação do povo, das lides trabalhadoras no processo histórico do país; os Estados escolhem seus governantes e a Lei de Segurança Nacional será aprovada em 1935, o que permite ao governo a repressão de atividades consideradas subversivas.
Digno de destaque foi o processo de hipertrofia do poder Executivo, com a centralização das decisões e recursos. Instalaram-se novos órgãos e funções, ampliou-se o aparelho burocrático, com a deliberada intervenção do Estado na esfera da Educação, da saúde, da habitação, enquanto proliferaram empresas estatais e de economia mista. O Estado implantou uma estrutura corporativista, em relação às classes produtoras, de modo a atrelar os grupos econômicos ao governo, sem a mediação dos partidos políticos. A questão estava em encontrar, finalmente, melhor destino à classe proletária, redirecionar o desenvolvimento capitalista brasileiro, garantir as condições de controle sobre os governados.
O período que vai de 1930 a 1937 oscilou entre duas propostas: de 1930 a 34, vivenciou-se o Governo Provisório, em que a ausência de um Legislativo
permitiu que o Executivo governasse por decretos-leis. Recorde-se, também que, em 1931, no Rio Grande do Sul, crescem as manifestações de apoio a Getúlio Vargas, eclodem, pelo país, escaramuças militares e greves operárias. Estabeleceu-se o voto secreto pela nova lei eleitoral de 1932 e as mulheres também puderam votar. Cabe registrar, ainda neste ano, a luta pela autonomia dos Estados, que culminará com a Revolução Constitucionalista. Um ano depois, a nova Constituição do Brasil é promulgada.
Instalou-se a Assembléia Constituinte, em 1934. O Brasil atravessou um período constitucional, de 34 a 37, sendo Getúlio Vargas, chefe do Governo Provisório, eleito indiretamente pelo Congresso como primeiro presidente constitucional do pós-30. Em Em Liberdade, Graciliano-personagem faz menção ao artigo 52 da Constituição de 1934, que reza: “O período presidencial durará um quadriênio, não podendo o presidente da República ser reeleito senão quatro anos depois de cessada a sua função, qualquer que tenha sido a duração desta” (SANTIAGO, 1994, p. 307).
Em um contexto de disparidades, o poder governamental acabou com a Aliança Nacional Libertadora na mesma época (1935). Isto estimulou outras reações, como a Intentona Comunista de novembro de 1935, organizada por elementos das Forças Armadas, provocando novas ações repressoras por parte do governo, como por exemplo, a equiparação ao Estado de Guerra e a suspensão das garantias do indivíduo pela criação de uma Comissão de Combate ao Comunismo e um Tribunal de Segurança Nacional.
Decreta-se Estado de Sítio, em 1936; vários membros do Partido Comunista são detidos e entre eles se localizam, inclusive, personalidades que
irão para as páginas de Memórias do Cárcere, de Graciliano Ramos: Luiz Carlos Prestes, Jorge Amado, Olga Benário Prestes et alii.
Em 1937, Vargas declara Estado de Guerra, implanta o Estado Novo, promove outra Constituição, porém, de pendor fascista. A política nacional marcou-se, entretanto, por radicalismos, com a emergência de agremiações direitistas e esquerdistas, que tensionaram a sociedade. A Ação Integralista Brasileira, encabeçada por Plínio Salgado e a Aliança Nacional Libertadora, cujo presidente era Luís Carlos Prestes, representaram as tendências opostas, respectivamente de cunho fascista e comunista. O integralismo e a ANL, mais do que simples organizações expressivas de tendências ideológicas temiam a ascenção do proletariado, ou a proposta de luta reivindicativa das camadas populares urbanas e dos pequenos proletários rurais.
A Aliança Nacional Libertadora correspondeu à orientação da Internacional Comunista, de formação de frentes únicas na América Latina, que congregavam trabalhadores e classe média. A ofensiva destas faixas sociais causava intranqüilidade e vinha ao encontro dos interesses do grupo que apostava no fechamento da política brasileira em regimes autoritários, como a melhor forma de encaminhar as medidas necessárias para a consolidação do Estado burguês. Como uma espécie de versão nacional do fascismo, o movimento integralista apoiava-se em um elenco de princípios importantes para parte expressiva dos setores médios brasileiros, que viam no esvaziamento do seu poder aquisitivo o risco de se proletarizarem. Propriedade, família e tradição eram palavras de ordem que calavam fundo junto à pequena burguesia e entre imigrantes e descendentes alemães e
italianos que não permaneciam alheios aos sucessos políticos do fascismo em sua terra de origem.
Um plano comunista foi descoberto, esquecido por acaso no Estado Maior do Exército, marcando, desta forma, o desenrolar final dos fatos. O Exército reivindicou o estado de guerra, os políticos se apoiaram nos militares a buscar guarida e salvaguarda das instituições e, a 10 de novembro de 1937, foi fechado o Congresso Nacional dando início ao Estado Novo com um governo forte.
Tentativas de golpes militares emergem no Rio de Janeiro, em 1938, quando se realiza o Primeiro Congresso de Estudantes, que provoca o aparecimento da União Nacional de Estudantes (UNE).2
Há, ainda, novos eventos de importância para este trabalho, a serem lembrados. Em 1939, tem início a Segunda Guerra Mundial, funda-se o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), órgão de censura aos meios de comunicação (em 1945, sucederá a cassação dos direitos de circulação do jornal O Estado de São Paulo). Em 1942, o Brasil declara guerra à Itália e à Alemanha. Uma vez deposto pelas forças armadas, em 1945, Getúlio Vargas é sucedido pelo General Eurico Dutra. A oligarquia dominante conduz-se à derrocada - assentava-se na economia rural. Apesar da derrubada do antigo regime, traz crescente animosidade, há melhoras no campo da pesquisa, com relação ao pensamento e à expressão da realidade social e cultural do Brasil.
2 Leia-se o depoimento de José Gomes TALARICO: Este homem tomou na marra a sede da UNE,