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4. GEREÇ YÖNTEM

4.2. Araştırmada Uygulanan Ölçüm ve Testler

Antes de mesmo de entrar da descrição específica do jornal Estado do Pará, objeto de análise desta tese, convém fazer a diferenciação entre outros dois jornais praticamente homônimos surgidos no final do século XIX. Toma-se por base aqui os arquivos da Hemeroteca Digital disponíveis na Biblioteca Nacional do Brasil − BN.

No acervo da BN registra-se a existência de um periódico intitulado “O Estado do Pará” em 1890. O único número presente nos arquivos digitais data de 17 de fevereiro daquele ano. Entretanto, esse único exemplar refere ser o número 6, do Ano II, portanto, deduz- se que O Estado do Pará, de “propriedade de uma associação”, teria surgido em 1889, ano da Proclamação da República. Ainda de acordo com o registro da BN o periódico teria circulado até 1899. Informação que se ratifica com o registo de Manoel Barata na catalogação de jornais e revista entre os anos 1822 a 1908 (Barata, 1973, p. 257).

Uma segunda referência a um outro periódico com nome Estado do Pará também disponível na BN, foi lançado em agosto de 1895. Embora mesmo com a disponibilidade de apenas um exemplar digitalizado no acervo da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, há o registro de que o referido jornal teve periodicidade até 1899. O Estado do

Pará era uma revista mensal, publicado sempre no dia 14 de cada mês, cujo conteúdo era

totalmente dedicado retratar o movimento de entrada e de saída de exportações, rendas etc. A edição estava sob a reponsabilidade da Administração da Recebedoria de Rendas

Públicas, portanto, uma publicação oficial. A primeira edição circulou em 14 de agosto de 1895 trazendo os dados da movimentação relativa ao mês anterior.

Como se pode perceber, é possível confundir-se as origens das publicações em função de homônimos. E esse esclarecimento inicial se fez necessário para situar que o Estado do

Pará, objeto de análise nesta tese, surgiu num domingo, 09 de abril de 1911 e circulou

por 50 anos ininterruptos, até 30 de dezembro 1961, quando foi suspenso. O “Jornais Paraoaras” (1983) registra que o Estado do Pará voltou a circular em 1976 sob propriedade de Lopo de Castro, em novo endereço e novos equipamentos off-set, contudo, o jornal encerrou-se definitivamente em 31 de dezembro de 1980.

O Estado do Pará tinha como identificação abaixo do nome do jornal a frase “Propriedade de Sociedade Anônima”. No editorial do primeiro número, sob o título de “Nosso Programa”, o jornal afirma que “surge balbuciante e débil, como um produto tardio do surto irreprimível de progresso amazônico”. O editorial segue ainda a dizer que apesar do Pará possuir importantes órgãos de imprensa, ainda havia espaço para mais um “batalhador extremo em prol dos interesses desta imensa região as justificativas do lançamento de mais um periódico”.

Com esse discurso mais voltado para os problemas econômicos e tratando a política apenas quando estivesse estreitas relações com as grandes questões do país, o Estado do

Pará nasceu diagramado em seis colunas (o que se verá mais tarde não é uma divisão

fixa, podendo ter sete colunas) com quatro páginas no tamanho 41,5 x 50 cm. Na primeira edição já há o uso de notas telegráficas e ilustrações na última página, que é dedicada aos anúncios.

Chama a atenção o fato de que no editorial está escrito que o jornal “relegará para plano secundário cogitações político-partidárias”, tratando o tema de modo mais genérico. O foco do jornal seriam as questões econômicas que naquele momento pareciam demandar mais atenções, com a função de ser “o órgão dos humildes e oprimidos”. Entretanto, o jornal foi fundado pelo político Justo Chermont, ex-governador do Pará. O livro Jornais

Paraoaras (1985) registra que o Estado do Pará foi um jornal que logo no primeiro ano

de existência exerceu forte oposição política ao Intendente Antônio Lemos, posicionando-se ao lado do adversário de Lemos, Lauro Sodré. Carlos Rocque (1968,

p.651) refere que após o período de predominância de Lemos na política local o jornal “deu apoio integral ao governo de Enéas Pinheiro, que a partir de 1914 passou a sofrer violentos ataques dos adeptos de Lauro Sodré (lauristas)”. Enéas Pinheiro foi um dos antigos fundadores do jornal Folha do Norte e sofreu um golpe pouco antes de deixar o governo.

Ao surgir em 1911, o Estado já apresentava inovações em termos de design e do uso e recursos iconográficos como gravuras, ilustrações e fotografias, além de detalhes gráficos como tabelas, fios e linhas, estes últimos para separar as seções e assuntos em uma mesma página. O Estado do Pará em julho de 1914 era um jornal já era maior do que no início da circulação, continha entre e seis ou oito páginas, dessas pelo menos três páginas eram dedicadas às informações jornalísticas que se apresentavam em forma de artigos, editoriais, notas telegráficas. Além disso, era comum a apresentação de poesias nas páginas iniciais do jornal. O restantes da publicação era dedicado à publicidade e colunas fixas como, por exemplo, a “Comercio e Navegação”. De modo geral, Estado do Pará apresentava entre 1914 e 1918 a distribuição de seções de acordo com o quadro XX. Mas por ocasião da Grande Guerra, essas colunas variavam muito. Algumas como a “Política Portuguesa” se fundiu no mesmo espaço dedicado a cobrir as ações de Portugal na guerra. Assim como a seção surgida em 1914 “Conflagração Europeia” se transformou posteriormente em “A Grande Guerra” (Quadro 01).

Quadro 01 – Seções e temas do Estado do Pará distribuídos por páginas

Página Seções Fixas/Temas Seções Flutuantes

Primeira Editorial, Correio da Europa, Artigos de Fundo. Navegação na Amazônia; Tópicos&Notícias. Notas Telegráficas.

Segunda Expediente, Dia Social, Folhetim do Estado do Pará, Cinema Odeon, Correio da Europa, Conflagração Europeia

Correio da Europa, Telegramas”, Publicidade.

Terceira “Telegramas” dividido em dois: (notas do Interior e

do Exterior), Tópicos e Notícias. Dia Social, Cinema Odeon Quarta “Comércio e Navegação”, “Avisos Comerciais”,

Editais Publicidade, Política Portuguesa. Notícias do Congresso.

Quinta Publicidade “Comércio e Navegação”

Sexta Publicidade -

Sétima Publicidade -

Figura 08 – Primeira edição do Estado do Pará em 09 de abril de 1911

2. Folha do Norte

O jornal Folha do Norte foi um dos jornais mais importantes da história da imprensa paraense. O primeiro exemplar da Folha foi publicado em 01 de janeiro de 1896, sob a direção de Enéas Martins e Cipriano Santos, circulou por cerca de 78 anos, até 1974, quando foi encerrado. A publicação teve grande relevância nas vidas política e social da capital paraense (Seixas et al., 2013) e (Veloso, 2014). Quando surgiu, a Folha do Norte era composta de quatro páginas, diagramadas em seis colunas. A duas primeira páginas eram dedicadas aos artigos, editorias e notícias; as duas últimas para a publicidade. Como já mencionado anteriormente, a Folha do Norte foi fundada para fazer frente ao jornal comando pelo político Antônio Lemos e seu grupo (lemistas), A Província do Pará. Tinha como identificação abaixo do nome do jornal a frase “Jornal da manhã, quotidiano e independente”. Rocque (1968) explica que quando Cipriano Santos assumiu a direção da Folha o jornal passou a funcionar em um prédio localizado na área central de Belém. A construção em estilo art nouveau até hoje chama a atenção na capital paraense (Figura XX).

Figura 09 – Vista do prédio da Folha do Norte em 1895, a mais alta construção na rua Gaspar Viana, esquina da rua Primeiro de março.

Fonte: Álbum “Belém da Saudade”. Autor desconhecido. Disponível em linha: http://portalmatsunaga.xpg.uol.com.br/BelemSaudade.html

A Figura 10 apresenta o exemplar de número 5 da Folha, o primeiro disponível em condições de ser digitalizado e que consta no acervo da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. Contudo, esse acervo só conta com alguns exemplares até o ano de 1903.

Figura 10 – Capa da Edição No. 5 do jornal Folha do Norte

Quando Paulo Maranhão comandou a Folha, o jornal se notabilizou por exercer fortemente a veia panfletária (Veloso, 2014). Maranhão começou a carreira como redator

e chegou a proprietário. Carlos Rocque (1968) descreve que no alvorecer do século XX, a Folha do Norte já militava fortemente contra os lemistas.

Governava o Estado o dr. Paes de Carvalho, sucedido pelo dr. Augusto Montenegro, que administrou o Pará oito anos consecutivos. A oposição que lhe fez a Folha foi cerrada: seus redatores eram espancados, suas edições apreendidas pela polícia. Não havia garantia nenhuma, tanto que Paulo Maranhão vítima de covarde agressão, ficou durante todo período de lutas, por anos a fios, vivendo com sua família nos altos do prédio do jornal, pois caso contrário seria silenciado pelos capangadas do lemismo (Rocque, 1968, p.729).

O viés político da Folha era tido como capaz de derrubar governos e instalar outros. Ainda no começo da segunda década do século XX, o jornal esteve diretamente ligado ao golpe da polícia militar que depôs o antigo sócio do jornal e governador do Pará, Enéas Martins, no final de 1916. O governador que tomou posse em 1917 foi Lauro Sodré, apoiado pelo jornal. (Rocque, 1968). Sobre a trajetória sucessória na gestão da Folha do Norte, Lúcio Flávio Pinto conta que:

Em 1917 foi a vez de Cipriano pular o muro, se elegendo senador estadual (o equivalente atual do deputado estadual) e intendente (prefeito) de Belém. Seu lugar foi ocupado pelo então revisor de provas do jornal, Paulo Maranhão, que comandaria a Folha do

Norte durante meio século, até morrer, em 1966. Sete anos depois,

seu jornal, em franca decadência, foi vendido a Romulo Maiorana, que comprara O Liberal exatamente em 1966. A gloriosa Folha se manteve por apenas um ano: foi fechada em 1974. A partir daí circularia episodicamente para que seu dono não perdesse o título (Pinto, 2013, em linha).

Mas não só de polêmicas e de disputas políticas o jornal ficou notabilizado. Uma das características da publicação era servir de espaço de reverberação para a produção intelectual e artística influenciada pelo movimento modernista O “Suplemento Literário’ da Folha começou a ser publicado em 1946, aos domingos, já sob o comando de Haroldo Maranhão. Nesse sentido, Júlia Maués (2002) explica que o “ Suplemento Literário da

Folha do Norte em Belém expunha o espírito de um grupo de intelectuais, poetas e jovens

sonhadores, ávidos de conhecimento, não apenas restrito ao campo da literatura, mas exercendo o direito à pesquisa estética no campo da crítica de arte.” (Maués, 2002, p28).

O Suplemento Literário da Folha do Norte circulou até 1951 e contava com a colaboração de nomes como o filósofo Benedito Nunes, os poeta Max Martins e Ruy Barata, dentre outros nomes de referência local. Maués (2002) assinala ainda que as contribuições de outros escritores de renome nacional também participaram tais como Aurélio Buarque de Holanda, Otto Maria Carpeaux, Cecília Meireles.

Em 1914, a Folha do Norte era diagramada no tamanho 49 X 50 cm, dividida em sete colunas, com número de páginas variando entre quatro e seis. As três primeiras páginas eram dedicadas à informação jornalística e literária. O serviço de notas e notícias via telégrafo era concentrado na seção “Serviço Telegráfico”. Assim como no Estado do Pará, percebe que o jornal também mantinha criava colunas ou seções por temas e que eventualmente era eliminadas e/ou substituídas. É o caso de “Conflagração Europeia” que depois se tornou “A Guerra em Sete Dias”. De modo geral, as seções era dividas conforme o Quadro 02.

Quadro 02 – Seções/temas da Folha do Norte distribuídos por páginas

Página Seções Fixas/temas Seções Flutuantes

Primeira Comentários, Editorial, Artigos de Fundo, Conflagração Europeia, Cartas, Poesias. Conversa Fiada, A Guerra em Sete Dias, Floricultura

Serviço Telegráfico

Segunda Notas Mundanas, Cinema Serviço Telegráfico Terceira Serviço Telegráfico

Quarta Publicidade

Quinta Publicidade -

Sexta Publicidade -

3. A Tarde

O A Tarde surgiu em 24 de setembro de 1915, em Belém, editado em quatro páginas, em seis colunas, fundado por Raymundo Moraes. A publicação tinha como identificação logo abaixo do título a frase “Diário Independente”. O estado de conservação do A Tarde é péssimo. Páginas rasgadas, edições incompletas ou inteiramente em falta sinalizam que em breve o jornal irá desaparecer, até porque não passou pelo processo de microfilmagem

como o Estado do Pará e a Folha do Norte. O acervo apenas contém edições compreendidas entre 01 de outubro de 1915 a 30 de setembro de 1916. Admite-se que o

A Tarde por conta da curta duração e do período no qual surgiu, em plena Grande Guerra,

jornal possuía caráter ocasional. Em geral, procurava enfatizar os feitos da Alemanha no conflito e desmerecer os Aliados.

Contar a história do A Tarde não é tarefa das mais simples. Primeiro, como já mencionado, a má conservação e a ausência do primeiro exemplar dificultam contextualizar, de modo fundamentado na própria publicação, as motivações que a fizeram surgir. Segundo, porque os catálogos de jornais disponíveis em Belém não acrescentam mais informações para além da data de lançamento do jornal. Além disso, sequer o periódico consta do acervo da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional do Brasil.

Alguma elucidação sobre o principal editor do periódico, Raymundo Moraes, foi conseguida por meio dos trabalhos de Carlos Rocque (1968) e de Salomão Laredo (2007) intitulado Raymundo Moraes na Planície do Esquecimento, dissertação de mestrado que trata da obra literária do escritor que julgamos ser o mesmo jornalista que editava o jornal. Laredo não diz em sua dissertação que Moraes tenha sido editor do A Tarde, embora afirme que ele era jornalista.

Todos os exemplares disponíveis do A Tarde que constam em três volumes encadernados disponíveis na Hemeroteca da Biblioteca Pública Artur Viana, em Belém, foram fotografados para esta investigação, nomeadamente as páginas um e dois, visto que as demais- três e quatro – foram sempre destinas à publicidade e à propaganda.

Manoel Barata (1973, p.276) faz referência a um jornal intitulado A Tarde, que circulou apenas por três números (23, 24 e 25 de abril), em 1908, em substituição ao Diário do

Commercio, também um diário vespertino, editado por Américo Rodrigues e que

publicou 65 edições. Manoel Barata registra igual identificação usada por Raymundo Moraes nesse A Tarde: “Folha independente”. Pode-se deduzir que trata-se do mesmo jornal analisado aqui nesta tese, contudo, como não há informações suficientes que possam sustentar com toda certeza ser mesma publicação – possivelmente descontinuada

e retomada no período da guerra por outro editor – apresenta-se esse dado apenas para título de registro.

Ainda no sentido de tentar desvendar um pouco mais sobre o editor Laredo (2007) refere que Raymundo Moraes viveu entre 1872 e 1941. Além de escritor e jornalista, Raymundo Moraes teria sido prático e piloto fluvial. Rocque (1968) conta que Moraes chegou a colaborar com o jornal A Província do Pará. Na carreira literária publicou 17 livros, dentre eles Notas de um jornalista, Meu Dicionário de Cousas da Amazônia, Na Planície

Amazônica.

Ainda de acordo com Laredo (2007), Raymundo Moraes como comandante de navio era bastante rígido, fruto da disciplina com a qual fora educado. A vida de Moraes sofreu um revés quando para se defender de dois homens que o agrediram em um bonde de Belém, teria assassinado um deles. Julgado e beneficiado por um alvará de soltura, Raymundo Moraes se retirou da capital paraense e foi viver em Manaus até 1930, quando retornou ao Pará.

Sabe-se pelos relatos do filho de Raymundo Moraes e que constam no trabalho de Salomão Laredo que o escritor ao retornar a Belém e com o movimento político de 1930, tornou-se secretário do interventor do Pará, Magalhães Barata, de quem era amigo. Consta ainda, de acordo com Laredo (2007), que Moraes teve contato e admirava alguns pesquisadores e naturalistas alemães que estiveram na Amazônia, muitos dos quais trabalharam no Museu Paraense Emílio Goeldi74. O A Tarde era divido em seções

relativamente fixas (Figura 11 e Quadro 03), contudo, eventualmente havia mudanças e nem todas eram publicadas na mesma edição, tal como a Folha e o Estado.

74 A Amazônia recebeu nos séculos XIX e início do XX um certo número de naturalistas e cientistas de

origem germânica que atuaram de forma importante na descoberta e catalogação de elementos da fauna, flora e populações da Amazônia. Alguns deles aturam significativamente em uma das instituições de pesquisa mais antigas do Brasil ainda em funcionamento, o Museu Paraense Emilio Goeldi. Cf; Sanjad, N. (2010) A coruja de Minerva: O Museu Paraense entre o Império e a República (1866-1907), Belém, MPEG.

Quadro 03 – Seções/temas do jornal A Tarde distribuídos por páginas

Página Seções Fixas/temas Seções Flutuantes

Primeira Musa Vadia, Políticos em Travesti, Folhetim da Tarde, Artigos, Editoriais, Estrela do Mar, Ecos Políticos

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Segunda Serviço Telegráfico (incluída a subseção A Guerra), Notas Sociais.

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Terceira Publicidade -

Quarta Publicidade -

O Quadro 03 demonstra que o A Tarde dedicava metade da edição para informações jornalísticas que de modo geral não sofriam variações quanto à disposição de temas As duas páginas dedicadas à publicidade eram fixas e, em um olhar genérico sobre o tipo de anunciante, percebe-se a presença de empresas de origem germânica, dentre as demais de procedência nacional