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5.2. Öneriler

5.2.2. Araştırmacılar İçin Öneriler

Os exercícios a partir da figura de animais se tornam auto-reveladores para os estudantes. Neles experimentam os seus limites de resistência física e mental. Testam a sua capacidade de auto-sugestão para se deixarem conduzir por um turbilhão de atitude instintivas e irracionais que, ao mesmo tempo, devem permanecer sob total controle para encontrar uma medida justa a cada nova imagem que os motiva durante a improvisação. É um exercício próximo do brincar das crianças, que se retroalimenta com o prazer gerado pelo envolvimento com o próprio jogar.

Com as máscaras larvárias, oriento os alunos para se situarem no universo de um “pensar como um animal”, isto é, precisam desconstruir o pensamento lógico, ver e sentir o entorno

como com uma segunda pele. Devem trabalhar os animais em diversas fases do seu desenvolvimento, como, por exemplo, quando são filhotes e começam a desenvolver as habilidades motoras que lhes garantirão a sua sobrevivência a partir dos jogos de simulação de lutas, brincadeiras, saltos etc. Nestes se firmam as características que, mais tarde, se tornarão uma estrutura muscular mais definida e que demandará o controle mais rigoroso destas características e habilidades intrínsecas do animal escolhido. Desta forma, eles devem descobrir diferentes estágios de desenvoltura e agilidade para encontrar a qualidade de esforço necessário de acordo com as fases do crescimento de cada animal. A escolha do animal determina as atitudes de comportamento e a qualidade de energias necessária para construir intenções, ações e reações de forma que estas pareçam deixar-se governar por forças motrizes instintivas de maneira orgânica. Esta atitude obriga o estudante a agir numa dinâmica físico- mental muito veloz para tomar todas as suas decisões. Ao deixar-se conduzir por um estado aparentemente irracional, a urgência gerada pela ideia de se reger pelos instintos mais elementares, que garantam a sua sobrevivência, os obriga a manterem-se em constante estado de grande atenção e prontidão para jogar com todos os sentidos de forma intensa e precisa. A percepção de cada movimento exterior, do cheiro, do som etc., é um estímulo que deve ser interpretado, de acordo com a compreensão que se tem da espécie que se está assumindo, como uma provocação que não pode ficar sem resposta.

A imagem mental, que é construída para realizar a transposição do corpo humano para o corpo do animal, permite que o estudante tome consciência de cada modificação física e aprenda a mobilizar e sustentar a sua energia psicofísica. Assim, ele pode criar uma determinada ideia de peso, de volume e um tônus muscular que lhe garantam a melhor aproximação à agilidade, equilíbrio, coordenação e precisão do animal, agindo com uma atitude distanciada das suas características pessoais. Deve ir ao encontro de um fluxo de energia que lhe permita experimentar com maior nitidez uma organicidade que se caracteriza como um modo de pensar com o corpo. Ao trabalhar o descondicionamento dos hábitos racionais a que, muitas vezes, os estudantes ficam presos no momento de improvisar, se

descobre que, como diz Lecoq, “o corpo sabe coisas que a cabeça não sabe ainda” (LECOQ,

1997: 26) e, desta forma, com a prática desses exercícios se podem conquistar a coordenação de um sem número de atitudes corporais e de ações muito precisas e orgânicas que não fazem parte do nosso cotidiano. O exemplo dado por Richards, ao refletir sobre a sua procura da

ação orgânica, demonstra que, após a utilização das máscaras larvárias nos exercícios de animalização, a capacidade de entrega e comprometimento psicofísico do estudante se fortalece. Isto se dá pela necessidade de um envolvimento total em cada ação realizada neste jogo de transposição para o corpo animal. Ele diz,

quando se observa um gato, se percebe que todos seus movimentos estão no lugar certo, que seu corpo pensa por si mesmo. No gato não existe nenhuma mente

discursiva que bloqueie as suas reações orgânicas imediatas, que se intrometam em

seu caminho. A organicidade pode encontrar-se também no homem, mas está quase sempre bloqueada por uma mente dedicada a fazer aquilo que não deveria fazer. Uma mente que pretende conduzir o corpo, que pensa com rapidez e comanda o que e como seu corpo deve agir. Normalmente, esta interferência produz um modo brusco e desarticulado de se movimentar. Mas quando olhamos um gato, vemos que todos os seus movimentos fluem em conexão, até os mais velozes. Para que um homem chegue a esse nível de organicidade, a sua mente deve apreender a se manter num estado de passividade, ou deve aprender a ocupar-se só com a tarefa que deve fazer, sem interferência da sua mente, para que o seu corpo pense por si mesmo. (RICHARDS, 2005: 112-13)*

Ao trabalhar os animais com as máscaras larvárias, se re-introduz, de outra maneira, o foco na escuta de si. Assim o corpo-mente pode manter-se num estado de aparente calma exterior e encontrar-se em intensa atividade interna, num estado de prontidão para promover a qualquer momento a transformação das intenções em impulsos instintivos. Embora não nos seja possível atingir a mesma capacidade de força equilíbrio, coordenação e precisão dos animais, ao realizar esta transposição, podemos entender com mais clareza como os impulsos agem

para que as ações físicas fiquem “enraizadas no corpo” (GROTOWSKI, apud RICHARDS,

2005: 160)* do ator. Neste jogo de transposição do corpo humano para o animal, o que se procura é realizar com poucos recursos um eixo corporal que contenha os traços essenciais e estes se tornem identificáveis e críveis para o espectador. O estudante deve sentir, a cada inspiração ou expiração, que sua pele, narinas, ouvidos, olhos e glândulas salivares fazem uma leitura do espaço à sua volta. Ele deve descobrir estímulos que, mesmo encontrando-se próximos ou distantes dele, motivem o nascimento de impulsos produtores de intenções e que o faça agir ou reagir de forma que as ações físicas se transformem em investidas, em forças viscerais próprias de quem precisa garantir a sua sobrevivência imediata.

Ao se instalar um estado animalizado, se verifica rapidamente que os corpos dos estudantes assumem uma determinada hierarquia corporal. Eles podem tornar-se dominadores ou serem dominados pelos outros animais, encontrando uma medida justa para jogar com o seu status em improvisações coletivas com outras máscaras. É quando se tornam palpáveis os verdadeiros estados de máscara e as urgências procuram satisfazer os instintos mais

elementares com ações concretas e as atitudes de comportamento físico permitem sustentar as máscaras por longos períodos de tempo como uma segunda natureza. Esta irradia uma energia pronta para enfrentar o acaso e o risco com desenvoltura, num estado de êxtase criativo que, normalmente, se confirma no semblante relaxado do estudante, assim que ele, após o exercício, retira a máscara. Essas experiências, nas quais os estudantes/atores se entregam com plenitude a uma tarefa e ficam como que tomados por um intenso estado, representam uma conquista que pode ser transferida, posteriormente, para abordar a construção dos eixos de outras máscaras expressivas. Podem, ainda, resolver a atitude corporal de um determinado tipo pré-definido, de um arquétipo específico ou servir para trabalhar toda sorte de personagens, independentemente de utilizarem ou não uma máscara.

Benzer Belgeler