A caracterização do projeto do CAMG foi baseada no memorial descritivo do Centro Administrativo de Minas Gerais executado pela Engesolo (2005), no Parecer da Análise do Processo de Licença de Instalação elaborado pela Superintendência da Região Central Metropolitana de Meio Ambiente (SUPRAM, 2007) e no Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), elaborado pela empresa de consultoria LUME (2006).
A proposta urbanística do projeto CAMG prevê a ocupação total de 93ha com a implantação de um complexo de seis edifícios, sendo um para o Palácio do Governo com quatro andares sobre pilotis, dois para as Secretarias de Estado contendo quinze andares, um Auditório contendo dois andares, um Centro de Convivência com três pavimentos e um Prédio de Serviços com dois pavimentos.
As vias serão executadas com pavimentação asfáltica em concreto betuminoso usinado a quente para as pistas internas do empreendimento e áreas dos estacionamentos com previsão para 4900 vagas. Haverá um novo espelho d’água, áreas abertas compostas por vegetação natural, gramados e a conservação das nascentes da Lagoa Maior e do córrego Floresta, conforme ilustrado na figura 6.5.
Figura 6-5- Vista geral do projeto do CAMG (Fonte: RIMA, 2006).
empreendimento haverá 38,8% de áreas impermeáveis e 61,20% de área permeável no local da implantação. Com relação à vegetação, foi constatado que o projeto vai aumentar para 39,48% a área antropizada e diminuir para 59,90% as áreas distribuídas em capineira e pastos, permanecendo inalterada a área de 0,62% de floresta. Porém, 2,27% da área suprimida estão classificadas como Área de Preservação Permanente (APP). Estão previstas medidas mitigadoras no Plano de Controle Ambiental (PCA), com a implantação do Parque Serra Verde, do Plano de Revegetação e Reflorestamento e da criação do parque Linear Córrego Floresta. As áreas livres serão vegetadas e funcionarão como áreas de preservação.
A implantação do CAMG trará melhoria significativa para a região sob o aspecto econômico e social. Com relação ao aspecto econômico, a melhoria na infra-estrutura urbana tende a ocasionar o aumento da demanda por moradias, escolas, hospitais, fazendo aumentar também o número de empreendimentos voltados ao comércio e prestação de serviços e, conseqüentemente, à valorização a região.Ações aplicadas na valorização do patrimônio local (Programa de Educação Ambiental e Patrimonial) e de incentivo ao convívio com a comunidade (Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Cultura, Lazer e Interação Social) juntamente à implantação do Parque Serra Verde e do Parque Linear do Córrego Floresta, trarão benefícios significativos à região sob o aspecto social.
Quanto ao sistema de abastecimento de água, o CAMG será alimentado somente pelo fornecimento de água da COPASA, que vai adequar a infra-estrutura de abastecimento com a construção de uma adutora exclusiva, por derivação do Reservatório Nova Pampulha que está em fase de ampliação para atender a nova demanda.
O sistema de esgotamento sanitário será composto por rede coletora com funcionamento por gravidade e sofrerá adequação com a implantação do interceptor do córrego Floresta, que receberá, além das contribuições do CAMG, também as contribuições de todas as redes coletoras existentes, conduzindo os esgotos ao interceptor do ribeirão Isidoro e daí para tratamento na ETE Onça, recentemente inaugurada. Será necessária à construção de uma estação elevatória para transpor a rodovia MG-10. Nas edificações, o projeto prevê o reuso da água dos lavatórios nos vasos sanitários. O reaproveitamento do efluente gerado nos lavatórios associado com sanitários a vácuo, que consomem apenas 10% do volume normal, diminuirá consideravelmente o volume de efluentes gerados pelo empreendimento.
pluviais até a Lagoa Maior, exceto pela drenagem da via MG 10, que será realizada no sentido longitudinal e lançado no córrego a jusante do CAMG, desviando da Lagoa Maior o efluente poluído.
A Lagoa Maior será mantida e funcionará como elemento de composição paisagística. Com o objetivo de alterar de classe 3 de para a classe 1 o enquadramento do córrego Floresta, será melhorada a qualidade da água da Lagoa Maior com a instalação de uma estação de tratamento de efluentes (ETE) que irá tratar parte das águas pluviais drenadas do estacionamento e das vias internas do projeto. A Lagoa Menor será substituída por um espelho de água abastecido pela Lagoa Maior por sistema de bombeamento.
Quanto aos dispositivos de drenagem adotados (padrão SUDECAP), calculados para um período de retorno T=5 anos, estão previstos:
• Sarjetas tipo B, em todas as vias internas do empreendimento, com largura de 50cm. • Bocas-de-lobo, tipo B (Concreto) com grelha.
• Ramais de ligação em tubos de concreto DN 400mm interligando as bocas de lobo aos poços de visita assentados sobre berços de concreto.
• Poços de visita e caixas de passagem, em concreto com ou sem degraus com tampões de ferro fundido.
• Galerias tubulares, executadas em tubos de concreto, DN 600mm a 1500mm sobre berços de concreto.
• Valetas em terra com seção trapezoidal para drenagem de áreas externas. • Estrutura tipo escada para descida de água
• Alas de galerias tubulares
• Trincheiras para drenagens sub-superficiais com brita e seção de 0,50x0,30cm com extensão total de 2000m entre as edificações.
Devido ao aumento da área impermeável, o coeficiente de deflúvio superficial teve aumento de 13%. Apesar das informações de drenagem local estarem detalhadas, nenhuma informação especícica foi apresentada no projeto para compensar o aumento do deflúvio superficial advindo da impermeabilização da área, bem como a solução do problema de inundação na área residencial que já ocorre à jusante do CAMG.