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3. YÖNTEM

3.5. Araştırma Süreci

32 – voltada para o estudo de pequenos grupos, ou

mais especificamente, as escolhas sociais dentro de um grupo33

31 Esse risco não é exclusividade de pesquisas sobre capital social. Pesquisas constatam relação entre educação e salário, quando seria possível uma explicação alternativa: trabalhadores mais espertos – esperteza como uma habilidade natural – ganham mais e têm mais chances de sucesso na escola (MOUW, 2006, p. 80-81).

32 Análise sociométrica ou sociometria (são tratadas como sinônimos nesta investigação) tem suportado pesquisas relativas ao estudo da mobilidade social; aos fenômenos da urbanização, do consenso, do pertencimento social; ao funcionamento de sistemas políticos e econômicos; à tomada de decisão em comunidades, à difusão de inovações, às redes de proteção social, à constituição de crenças; e à transmissão de doenças (FREEMAN, 2004; NOOY; MRVAR; BATAGELJ, 2006). Seu principal objetivo seria revelar os padrões das ligações sociais e, para tanto, lança mão da graph theory (DEKKER, 2005).

33 Os sociogramas são usualmente construídos solicitando aos atores que indiquem outros de sua escolha (até três, justificado empiricamente) em respeito a uma atividade significativa para o grupo, ou que façam um ranqueamento de preferência frente aos demais atores. Há ainda outras técnicas (observação do comportamento dos atores; co-autorias e outras associações registradas em banco de dados, etc.)

– parte do princípio que as ligações entre pessoas são importantes porque elas transmitem comportamento, atitudes, informações e mercadorias. Os praticantes da análise sociométrica presumem a sociedade não como agregado de indivíduos e seus atributos, e sim, uma estrutura de atores e laços sociais. A forma elementar da sociedade seria o indivíduo e seus laços (NOOY; MRVAR; BATAGELJ, 2006) constituindo grupos que, em um nível agregado e inter-relacionado, dariam forma à sociedade.

Com essa concepção ontológica – a sociedade como uma estrutura objetiva de indivíduos e suas ligações – a sociometria se baseia em quatro pontos no que se constituiria em um paradigma para a pesquisa, a saber: (1) perspectiva estruturalista voltada às ligações entre atores sociais; (2) suportada pelo acúmulo de dados empíricos (3) submetidos a modelos matemáticos e computacionais e (4) representados em gráficos, ditos sociogramas (FREEMAN, 2004).

47 Em complemento, os praticantes da análise sociométrica adotam amiúde determinados postulados ou hipóteses, alguns já apresentados nas secções precedentes, que merecem

destaque devido ao seu impacto potencial na presente investigação, como34

− A coesão supre as bases para a solidariedade, o compartilhamento de normas, a

identificação junto ao grupo, o comportamento coletivo.

:

− As redes densas (fechadas) são mais coesas35

− Redes densas (fechadas) aumentam a comunicação e visibilidade do ente frente ao

grupo; o que cria custo de reputação para os entes que se comportem de forma inconsistente com as regras do grupo, reduzindo o risco de se confiar nos demais membros da rede, o que por sua vez promove o aumento de produtividade.

.

− Princípio da homofilia: espera-se que a similaridade (percebida) entre os atores

promova mais interações; em contraponto à:

Hipótese da escolha preferencial na teoria do mundo pequeno (small world

theory): os indivíduos preferem formar laços com aqueles que já ocupam uma posição central na rede.

− Os relacionamentos têm uma natureza longitudinal, histórica – a dinâmica das

redes merece consideração.

− A centralidade (pessoa que é próxima a outras e que participa de diversas linhas de comunicação) em uma rede favorece ao acesso mais rápido e/ou pode facilitar situações para controlar a circulação das informações.

− As ligações tendem a obedecer a um padrão de reciprocidade.

− De acordo com suas preferências pessoais, as pessoas têm mais ou menos

disposições estáveis de interagir com outros, mas essa disposição individual é circunscrita pelo contexto de onde as interações acontecem. Quem interage com quem em um dado contexto, depende tanto das preferências quanto das limitações que operam no contexto.

34 Em Bidart e Degenne (2005), Burt (2004, 2005), Kadushin (2004), Lin (1999), Nooy, Mrvar e Batagelj (2006), Webster, Freeman e Aufdemberg (2006).

35 Contudo, a densidade depende do tamanho da rede – é inversamente relacionada – e, por isso, deve ser usada criteriosamente. Pesquisadores podem preferir utilizar a média dos graus de todos os vértices como indicação da coesão da rede – o que permite comparar redes de diferentes tamanhos.

48 Os softwares disponíveis (por exemplo, Pajek, UCINET, AGNA, STOCNET) facilitam o tratamento matemático e gráfico. Contudo, é oportuno ressaltar que eles em correlato induzem o neófito a riscos que merecem ser destacados e mantidos sob vigilância:

− A estimação dos parâmetros de uma população via amostra exige técnicas mais

sofisticadas que as usadas em estatísticas convencionais (se possível, deve-se analisar a rede, por inteira – o que traz ainda a questão da delimitação da rede). − Os limites da rede devem ser definidos criteriosamente (e justificados) pois afetam

as suas características estruturais.

− Existem índices relativos à rede por inteiro; outros, a cada um de seus vértices – em conjunto, suprem dados precisos, mas abstratos. Por sua vez, as imagens geradas por softwares de visualização de redes, úteis para a identificação de padrões, podem ser enganosas se não forem submetidos a princípios técnicos. Tanto índices quanto sociogramas requerem expertise em sua manipulação e análise.

Os principais índices utilizados na presente investigação estão definidos no Quadro 1:

Quadro 1. Índices sociométricos Fonte: Nooy, Mrvar e Batagelj (2006)

Para o VÉRTICE: Para a REDE:

Grau (ou degree): número de linhas que incidem

sobre o vértice em questão.

Centralidade por aproximação (closeness centrality):

número dos outros vértices divididos pela soma de todas as distâncias entre o vértice e os demais.

Centralidade por entremeios (betweenness

centrality): proporção de todas as geodésias (caminho

mais curto entre dois vértices) entre pares de outros vértices que inclui o vértice em questão.

Grau de redundância agregada (aggregate constraint): soma da redundância diádica (dyadic constraint) de um vértice u exercido pela ligação

entre o vértice u e o vértice v. É a extensão na qual u tem mais e mais forte ligação com seus vizinhos que estão fortemente conectados com o vértice v de todas as suas ligações.

Grau de autoridade (authority weight): função que

refina o grau do vértice em redes (diretas) pois considera a importância dos vértices que originaram a ligação.

Grau de centralização: variação dos graus dos

vértices dividida pela máxima variação de graus, possível em uma rede de igual tamanho.

Centralização por aproximação (closeness

centralization): variação da centralidade por

aproximação dos vértices dividida pela variação máxima dos escores de centralidade por aproximação possível em uma rede de igual tamanho.

Centralização por entremeios (betweenness

centralization): variação da centralidade por

entremeios dos vértices dividido pela máxima variação dos escores de centralidade por entremeios, possível em uma rede de mesmo tamanho.

Densidade (da rede): é a proporção entre o número

de linhas que ligam vértices da rede e o número máximo de linhas possíveis.

Média dos graus dos vértices: medida indireta de

densidade que permite comparar redes com número diferente de vértices.

49 Os parâmetros listados no Quadro 1 foram trabalhados na tese de acordo com a base empírico-teórica disponível e que acumula mais de 70 anos de desenvolvimento (desde o ensaio de Moreno sobre as ligações entre os encarcerados em uma prisão americana, nos idos de 30). Tais parâmetros são largamente aplicados em pesquisas de rede, inclusive em redes colaborativas de pesquisa, tópico da próxima seção.