3. ARAŞTIRMANIN AMACI, PROBLEMLER VE YÖNTEM,,,,,,,,
3.2 Araştırma Problemleri ve Hipotezler ,
Penso que o segundo desafio das Ciências Humanas no Brasil é de ordem institucional, porque uma rápida observação sobre o campo científico revela o crescimento exponencial dessa área perante as demais. Segundo dados das agências de fomento, são as disciplinas que compõem as Ciências Sociais – principalmente a Sociologia e a Antropologia – as que concentram a preferência dos jovens que pretendem seguir a carreira de pesquisadores e ingressam em cursos de graduação e de pós-graduação, os quais, entretanto, salvo as exceções de praxe, reproduzem grades curri- culares e padrões de formação de duas décadas atrás. Tais jovens são, portanto, preparados para permanecerem aonde chegamos; e boa parte deles é recrutada para atender à expansão da univer- sidade que nos formou e que, como se sabe, ainda não encontrou seu limite. Mas a demanda represada por docentes/pesquisado- res deverá ter um fim; e como a universidade não comportará todos eles, restará a questão da inserção dessa nova geração de cientistas sociais no ambiente profissional da pesquisa. Esse é o desafio institucional que temos pela frente.
Temos trabalhado muito e a produtividade da área tem acompanhado, na média, os parâmetros ditados pelas agências que regulam nossa prática. O que não temos feito, ou fazemos em escala insuficiente, é construir diagnósticos sobre a área como um todo – algo, talvez, comparável ao Fórum de Ciências Humanas da Unesp, porém em escala muito maior, compreen- dendo a comunidade nacional dos cientistas sociais. Durante algum tempo, logo no começo da sua institucionalização, a Anpocs desempenhou esse papel, realizando diagnósticos como a Sociedade Brasileira de Física (SBF) faz, ainda hoje, para a sua comunidade científica, cujos integrantes mais renomados, exata- mente aqueles que detêm liderança intelectual e científica sobre o campo, tomam para si a elaboração de uma agenda de discussão
sobre a disciplina, visando ao futuro. E quanto a nós, da área de Humanidades? Quantos somos? Quantos seremos nos próximos dez anos? Em que região estaremos concentrados? Estaremos, a propósito, concentrados em alguma região? Em que temas estaremos bem representados, com uma reflexão consistente e inovadora, e em quais deveríamos investir? Perdemos, enfim, o hábito da elaboração desse diagnóstico – o que chega a ser irônico, dada a natureza da nossa disciplina.
Sintoma disso é o fato de que não há mais, nos encontros anuais da Anpocs, grupos de trabalho sobre o sistema nacional de ciência. E aqueles que, de tempos em tempos, insistem em reaparecer, como não detêm mais o prestígio de outrora, não são capazes de exercer qualquer atração sobre os jovens, angariando, por isso, cada vez menos recursos, em um círculo vicioso do qual saímos todos perdendo.
Entretanto, fora do sistema nacional de ciência – o que equi- vale a dizer: fora da dotação do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) – proliferam as agências de produção de conhecimento social, que hoje abrangem desde os departamentos de pesquisa de ONGs e empresas até aqueles que se situam em organizações estatais ou paraestatais brasileiras, como é o caso do Ipea, apenas para citar um exemplo.
Há, pois, um contingente muito maior do que jamais se conheceu de pesquisadores profissionais, produzindo conhe- cimento social. Isso é bom, em princípio. Inclusive para a universidade, que, por contraste, se verá reafirmada como o único lugar com autonomia de agenda e possibilidade de expe- rimentação, dado que, em todos os outros casos, nem a pesquisa é livre, nem haverá tolerância para resultados falhados. O que, no entanto, precisa ser discutido é a distribuição desigual de recursos, uma vez que um grupo de pesquisadores sociais do Ministério do Planejamento poderá mobilizar montantes impensáveis para o MCT, desequilibrando, em prazo não muito
largo, as “carteiras de pesquisa”. O exemplo é singelo: pesquisas nacionais que envolvam muitos pesquisadores e competências específicas, ou que se destinam a comparações com outros paí- ses, são caras, muito caras, e, em geral, pouco acolhidas pelo MCT. Mas são esses estudos que, afinal, treinam e consolidam equipes, internacionalizam a produção brasileira, conformam, enfim, os líderes das pesquisas sociais.
Esse formato institucional – cujo melhor exemplo é o desloca- mento do Ipea para o centro do sistema de produção de pesquisas sociais – é novo e completamente diferente de outras soluções institucionais ensaiadas pelo Estado brasileiro, em que a pesquisa sempre foi o caminho de encontro entre agências governamentais e universidade. Observe-se, por exemplo, a atuação da Secretaria de Segurança Pública, do Ministério da Justiça, que nos últimos dez anos vem estimulando a realização de pesquisas sobre a vio- lência e temas correlatos, na universidade. A própria Anpocs, sob a gestão de Luiz Werneck Vianna (presidente) e Maria Arminda Nascimento Arruda (secretária), buscou associar os interesses desses dois atores – a burocracia estatal e os grupos universitários de pesquisa – ao organizar a seleção dos primeiros projetos sobre o tema a serem financiados pelo Ministério da Justiça.
Não se trata, portanto, de demonizar soluções institucionais que visem à dinamização das pesquisas sociais, mas de garantir que tal solução inclua a universidade e não a exclua, como parece ser a tendência de muitos atores que operam nessa área. Para isso, porém, é preciso que conheçamos melhor a nós mesmos.
Durante a realização da IV Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação,2 por exemplo, momento de definição 2 A IV Conferência de Ciência, Tecnologia e Inovação ocorreu em maio de 2010, em Brasília, após uma série de encontros preparatórios em todas as regiões do país. Nessa edição, o tema escolhido foi o desenvolvimento sustentável, e os desafios destacados pelo ministro Sérgio Resende, na apre- sentação do Livro Azul da Ciência (http://www.cgee.org.br/publicacoes/ livroazul.php), foram: (1) dar continuidade ao processo de ampliação e
estratégica das políticas de Estado para a ciência, chamou aten- ção a dificuldade com que a “face universitária” das Ciências Humanas e Sociais se apresentou ali. Pois não apenas as pesqui- sas sociais não mais se associam automaticamente à academia, como, para a maior parte dos cientistas das outras grandes áreas, as ONGs cumpririam muito bem o papel que eles atribuem às Ciências Sociais: produzir uma intervenção, digamos, “curativa” sobre os males da sociedade. A questão, por isso, consiste em revelar o que fazemos, objetivo que só poderá ser alcançado com base em uma pesquisa nacional, abrangente e profunda, sobre a área, em torno da qual venhamos a discutir aspectos específicos da nossa atividade e organizar projetos de futuro.
Em suma, (1) uma representação da ciência social que não a distingue de outras modalidades de produção do saber – como, por exemplo, a que deriva da ação de agentes comunitários em sua prática cotidiana –, associada (2) a um desenho institucional de pesquisa social de que a universidade participa cada vez menos – eis aí o enlace de dois desafios, o cognitivo (1) e o institucional (2), que precisam ser enfrentados. Mas o fato é que, até aqui, nosso padrão de autorreflexão é pequeno e nossa participação no debate público sobre a ciência tem sido ainda menor.
aperfeiçoamento das ações em C,T&I, tornando-as políticas de Estado; (2) expandir com qualidade e melhorar a distribuição geográfica da ciência; (3) melhorar a qualidade da ciência brasileira e contribuir, de fato, para o avanço da fronteira do conhecimento; (4) tornar ciência, tecnologia e inova- ção efetivos componentes do desenvolvimento sustentável, com atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação nas empresas e incorporação de avanços nas políticas públicas; (5) intensificar as ações, divulgações e inicia- tivas de C,T&I para o grande público; e finalmente (6) melhorar o ensino de ciência nas escolas e atrair mais jovens para as carreiras científicas.