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BÖLÜM 3: KĠLER GROUP ġĠRKETĠ ÜZERĠNDE BĠR UYGULAMA

3.14. AraĢtırmanın Değerlendirilmesi

as publicações em EC e a participação desse público em eventos específicos aumentaram significativamente nesse período. Em 1997 é fundada a ABRAPEC, ao final do primeiro ENPEC, os quais se configuram até hoje como a principal associação e o principal evento de pesquisa em Ensino de Ciências do país. O crescimento desse e de outros eventos de ensino das áreas específicas contribuiu para o deslocamento de parte dos trabalhos antes apresentados nos eventos específicos, para os eventos de EC, EQ, EF, EB.

Este percurso em direção à pesquisa em ensino, dentre outros objetivos possui em comum entre as áreas específicas a busca pela formação do cidadão crítico, consciente e transformador. Acreditamos que não apenas no caso da área de Ensino de Química, para se atingir esta formação é inevitável o defrontamento com as questões ambientais presentes na sociedade. Um exemplo de pesquisa na qual é unânime a emergência da discussão socioambiental na formação do cidadão pode ser representada por (Santos, 1992), cujos resultados apontaram a necessidade da inclusão de temas químicos sociais no ensino de química, recomendada por todos os educadores químicos entrevistados, sendo a “Química ambiental” o tema químico social que apresentou a maior ocorrência de recomendações pelos mesmos sujeitos da pesquisa. Tais resultados abrem caminhos e sugerem a importância da realização de estudos que busquem entender a abordagem da dimensão ambiental em sua relação com a dimensão química, tanto para o ensino de química quanto para as demais áreas da ciência.

1.5. ESTUDOS DO TIPO „ESTADO DA ARTE‟ EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL E EM ENSINO DE CIÊNCIAS

Considerando a importância de se fazer referências a estudos do tipo estado da arte, já que, de acordo com André e outros (1999), consistem de trabalhos de revisão de literatura, que fazem um balanço do conhecimento, baseado na análise comparativa de vários trabalhos que incidem sobre determinada temática. Ferreira (2002), por sua vez, considera que esses estudos trazem o desafio de mapear e de discutir certa produção acadêmica, tentando responder que aspectos e dimensões vêm sendo destacados e

privilegiados em diferentes épocas e lugares, de que formas e em que condições têm sido produzidas certas dissertações de mestrado, teses de doutorado, publicações em periódicos e comunicações em anais de congressos e seminários. Apresentando assim, informações de base para pesquisas que buscam caracterizar temáticas, áreas, campos e dimensões do conhecimento, dentre outros elementos.

Trazemos alguns exemplos de trabalhos do tipo estado da arte relacionados ao Ensino de Ciências e à Educação Ambiental, consoante à linha de pesquisa do grupo, o qual, como já dito, procura entender as relações entre EA e EC em diferentes contextos.

Vale lembrar aqui, que a presente pesquisa não tem o perfil de estudo do tipo estado da arte, apenas se nutre de seus resultados e de alguns aspectos metodológicos já utilizados em estudos dessa natureza, sendo sua principal diferença em relação a esses trabalhos, a busca pela caracterização da relação entre duas dimensões presentes em um conjunto específico de pesquisas de uma área, o Ensino de Ciências.

Na área da pesquisa em ensino de ciências, no Brasil, estudos do tipo estado da arte podem ser encontrados em Megid Neto (1990) sobre o ensino de Física; Fiorentini (1994) sobre a produção da pesquisa em Educação Matemática na pós graduação; Megid Neto (1999) sobre o ensino de Ciências no nível fundamental, o qual aponta significativa produção acadêmica sobre o Ensino de Ciências a partir da década de 1980; Fracalanza (1993) cujo objetivo visou classificar e descrever a produção acadêmica e cientifica sobre o livro didático de Ciências por meio de descritores e análise das propostas metodológicas; Fracalanza e Megid Neto (2006), no qual os autores descrevem modelos de análise para o livro didático de Ciências e apontam melhorias para a inovação do ensino de Ciências Naturais; Marpica e Logarezzi (2010), os quais levantaram a produção de pesquisas que envolviam o livro didático e a EA, apontando deficiências encontradas nos livros didáticos como instrumento de apoio à abordagem da educação ambiental no contexto escolar; Lemgruber (1999) sobre Ciências Físicas e Biológicas; Bretones e Megid Neto (2003) sobre o ensino de Astronomia; Slongo (2004); Teixeira e Megid Neto (2007) sobre o ensino de Biologia; Cachapuz e outros (2008), cuja pesquisa, com o intuito de contribuir para o estado da arte da pesquisa em Educação em Ciências, identificou e caracterizou a produção de onze diferentes linhas de pesquisa e destacou o aumento do número de trabalhos da linha CTS no período de 1993 – 2002, já Strieder e Kawamura (2010), ao analisarem pesquisas sobre o estado da arte em CTS, constatam uma diversidade de abordagens sobre esta temática e a ausência de discussão sobre essa diversidade. Vale destacar que a fonte de trabalhos mais analisada por estas autoras foi o

evento ENPEC, justificada pela representatividade do mesmo na área de Educação em Ciências

Na literatura, existem trabalhos publicados versando sobre o estado da arte da Educação Ambiental, tais como os trabalhos de Hill (1970) e Buethe (1980). Sobre o estado da arte da pesquisa em Educação Ambiental destaca-se o trabalho de Seybold e Rieb (2006). Na área da produção da pesquisa em Educação Ambiental, no Brasil, podem ser citados: Neves (2002), Fracalanza (2004), Fracalanza e outros (2005), o qual aponta dados como o número de trabalhos referenciados, sua distribuição por instituições produtoras e anos de produção, indicando as regiões sudeste e sul como as principais publicadoras dessas pesquisas; Tomazello (2005), Alves (2006), Reigota (2007) e Grandino e Tomazello (2007). Estes pesquisadores concordam na afirmação de que o número de dissertações e teses relacionadas a EA apontam uma “explosão vertiginosa” de sua produção no Brasil desde 1990. Fracalanza (2004) chama a atenção para a diversidade de áreas do conhecimento, das quais podem emergir a produção de pesquisas relacionadas à EA.

No âmbito das pesquisas em Ensino de Química, podemos encontrar raros trabalhos que buscam a abordagem de EA, tanto em suas discussões e, e tentativas de abordagens em sala de aula, como Silva e outros (2007) que relatam tentativas de inclusão da EA em aulas de química por meio da aplicação de projetos pedagógicos interdisciplinares ; como no caráter inventariante de estado da arte, encontrado em Schnetzler (2002), a qual traz um estudo sobre a produção de pesquisas no ensino de Química e aponta a escassez de trabalhos voltados à temática ambiental até então, dentro dos trabalhos e eventos da Sociedade Brasileira de Química (SBQ). Semelhantemente, Francisco e Queiroz (2007), realizaram uma pesquisa sobre estudos publicados nas Reuniões Anuais da SBQ no período de 1999 a 2006, cujos resultados apontam a lacuna existente na área de ensino de química acerca das pesquisas que buscam estabelecer relações entre a EA e o EQ nas abordagens de questões ambientais em contextos educacionais relacionados à Química. Portanto, é relevante que estas relações e suas lacunas sejam compreendidas para que se possa superá-las. Para tanto, é preciso direcionar o olhar em busca do entendimento da incorporação entre as dimensões ambientais e químicas nos diversos contextos educacionais em que possam ocorrer. O crescimento das pesquisas do tipo estado da arte em geral, na área da Educação e Educação em Ciências, mostra, além da importância de se organizar o conhecimento produzido, resultados que podem contribuir para o apontamento de

direções e tomada de decisões visando a busca de peças faltantes para a melhoria e inovações nas respectivas áreas do conhecimento.

A problemática ambiental nos provoca a avaliarmos o que está sendo feito e o que estamos fazendo pela nossa área em relação a sua abordagem. Os resultados ainda incipientes sobre a relação entre a dimensão ambiental e a dimensão química do conhecimento, da pesquisa e da Educação, justifica o aprofundamento e a continuidade da busca por este esclarecimento para que se obtenha uma base confiável que subsidie a continuidade de trabalhos que procurem abordar essa relação. Desse modo, por meio da realização do presente trabalho esperamos fazer parte desta contribuição.