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4. TARTIġMA

4.2. AraĢtırmamızda Kullanılan Yöntemin Değerlendirilmesi

Considerando que a Universidade é uma instância de produção e socialização do conhecimento que deve dar uma contribuição efetiva para a elevação progressiva dos patamares de qualidade da educação básica e que a nossa pesquisa investiga as necessidades de formação de professores que atuam na alfabetização, fizemos a opção pela realização da pesquisa numa escola, mediante alguns critérios:

a) Ser pública;

b) Atender crianças dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, dado o nosso interesse pela alfabetização;

Com base nesses dois primeiros critérios, foi selecionada a Escola Municipal Adele de Oliveira que pertence à Rede Pública de Ensino de Ceará-Mirim/RN e atende crianças dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Feita a escolha da escola, buscamos nas estatísticas educacionais alguns dados sobre o seu desempenho em relação a questões ligadas ao sucesso/insucesso escolar. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB, criado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais – INEP, tem o objetivo de medir o desempenho educacional do país mediante duas fontes de informação:

1) Indicadores dos fluxos (promoção, repetência e evasão) obtidos através do Censo Escolar;

2) Desempenho nos exames padronizados ao final de determinada etapa da Educação Básica, dentre estes o Sistema de Avaliação da Educação Básica - SAEB e a Prova Brasil.

No Quadro 1 estão os IDEBs observados no período 2005-2007 na Escola Municipal Adele de Oliveira. Verificamos que houve um pequeno aumento em 2007, com projeções de progressos gradativos ao longo dos anos, até atingir o índice 5,2, em 2021. Apesar desse aumento, o índice ainda está abaixo da média do Estado do Rio Grande do Norte (que é de 3,8) e um pouco acima da média das escolas do Município de Ceará-Mirim (que é de 2,7).

Ensino Fundamental

IDEB

Observado Metas Projetadas

2005 2007 2007 2009 2011 2013 2015 2017 2019 2021 Anos Iniciais 2,9 3,0 3,0 3,3 3,7 4,0 4,3 4,6 4,9 5,2

Anos Finais 2,8 3,0 2,8 2,9 3,2 3,6 4,0 4,2 4,5 4,8 Quadro 1 IDEBs observados em 2005-2007 e metas projetadas para a

Escola Municipal Adele de Oliveira.

Fonte: Prova Brasil e Censo Escolar (http://ideb.inep.gov.br/Site).

Esses dados também justificam a nossa opção pela realização do estudo em uma escola pública, já que os problemas mais graves em termos de repetência e evasão ocorrem nas instituições públicas de ensino em razão do não aprendizado

da leitura e da escrita nas crianças que frequentam os anos iniciais do Ensino Fundamental.

Em relação ao terceiro critério de escolha do lócus da pesquisa, sabemos que a condição fundamental para que uma investigação-ação aconteça é a total adesão da escola à proposta de pesquisa. No caso da escola selecionada, a direção, supervisão e professores aderiram plenamente à proposta de pesquisa apresentada. As práticas de pesquisa-ação – seja em grupos de estudo, seja em atividades de pesquisa propriamente – supõem sempre a adesão voluntária e espontânea de todo o grupo participante.

A caracterização da escola foi feita a partir de dados fornecidos pela supervisora pedagógica e de uma consulta aos documentos oficiais que trazem informações sobre a sua história. Buscamos obter informações sobre os aspectos físicos, os recursos materiais e humanos que a escola dispõe. As informações sobre a rotina foram recolhidas por meio da observação das atividades que se desenvolvem no seu cotidiano. Essas observações foram registradas no diário de campo e transcritas para esta parte do trabalho.

A Escola Municipal Adele de Oliveira fica localizada no Centro da cidade de Ceará-Mirim – RN, a 30 km da capital Natal, na Rua Floriano Ferreira da Silva. Foi inaugurada no dia 30 de julho de 1985, na administração do prefeito Roberto Varela.

Figura 3 Corredor de entrada da Escola Municipal Adele de Oliveira.

O nome da escola homenageia Adele de Oliveira, poetisa e professora que nasceu no dia 22 de maio de 1884, num lugarejo denominado Villar, situado na zona rural do Município de Ceará-Mirim, e morreu no dia 15 de agosto de 1969, aos 85 anos. A professora Adele educou várias gerações na cidade e fundou o jornal “O sonho”, cuja proposta era fazer uma crítica aos castigos físicos direcionados às crianças, ao que ela chama de aprendizagens mecânicas e decorativas e defender práticas modernas de educação. Ela é citada no livro “Imagens do Ceará-Mirim”, de Nilo Pereira, como “a professora anjo”, a mulher responsável por grande parte da educação das crianças de Ceará-Mirim na primeira metade do século XX. Dessa forma, Pereira (1989, p. 42) afirma que:

Adele de Oliveira não fôra o anjo das escolas, como Santo Tomás de Aquino, mas o anjo da escola. Adele é uma flor do Vale - do Vale do Ceará-Mirim. Uma flor que não pode florescer no asfalto. Não é flor da cidade nem da civilização.

A história das práticas pedagógicas de Adele de Oliveira está intimamente ligada não só a história da educação do Vale de Ceará-Mirim, mas também à organização das primeiras instituições escolares do Rio Grande do Norte. De acordo com dados da Prefeitura Municipal de Ceará-Mirim, o município abrange uma área de 740 km² e possui uma população estimada em 2000 pelo Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE – de 62.424 habitantes distribuídos entre a zona urbana, 42 localidades rurais e 47 assentamentos. Conforme os dados do Atlas do Desenvolvimento Humano (2000), o Índice de Desenvolvimento Humano

do município foi de 0.646. Este índice é considerado abaixo da média nacional, o que significa que as condições de trabalho, saúde e educação não são adequadas à qualidade de vida da população e precisam ser melhoradas no município.

A Rede Municipal de Educação de Ceará-Mrim é constituída por 50 (cinquenta) escolas públicas de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio. Quanto aos indicadores de alfabetização, o município apresentou no último censo uma taxa de 71% de pessoas alfabetizadas. Isto significa que dos 62.424 habitantes, 44.321 são alfabetizados, de acordo com os critérios do IBGE.

É interessante acrescentar que 91% dos professores que atuam na rede municipal de ensino têm formação em nível superior. Desse total, 85% fizeram o Curso de Pedagogia no PROBÁSICA/UFRN. O restante, 6%, cursou Pedagogia no Instituto Kennedy ou fez outra licenciatura na Universidade do Vale do Acaraú – UVA. Além disso, participam de Programas Federais de Formação Continuada como o PROFA e o Pró-Letramento (SEC, 2009).

Os dados da Provinha Brasil6 revelaram que o município apresentou uma

situação grave em relação à alfabetização, nessa última avaliação: das 1.159 crianças matriculadas no 2º ano do Ensino Fundamental, apenas 9 dominam a base alfabética do sistema de escrita (SEC, 2009). Esses dados evidenciaram que a grande maioria das crianças chega ao final do 2º ano do Ensino Fundamental sem apresentar os conhecimentos básicos acerca da leitura e da escrita.

Esses resultados fizeram com que a Secretaria de Educação nos solicitasse a realização de um curso de formação com os professores dos três primeiros anos do Ensino Fundamental. Esse curso, cuja carga-horária era de 20 horas/aula foi ministrado em maio de 2009 e o seu tema – as dimensões da alfabetização e do letramento e suas articulações com a prática pedagógica – foi definido a partir das necessidades de formação reveladas pela Provinha Brasil. Essa foi a última capacitação feita pelos professores que fazem parte da pesquisa.

Mesmo sabendo que o curso solicitado pela SEC não iria provocar mudanças significativas nas práticas dos professores, por se caracterizar como uma capacitação e não como uma formação propriamente dita, aproveitamos essa

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A provinha Brasil, criada pelo MEC/INEP em 2007, é um instrumento pedagógico, sem finalidades classificatórias, que fornece informações sobre o processo de alfabetização aos professores e gestores das redes de ensino e tem como objetivos principais:avaliar o nível de alfabetização dos alunos/turma nos anos iniciais do ensino fundamental e diagnosticar possíveis insuficiências das habilidades de leitura e escrita, tendo em vista a melhoria da qualidade da alfabetização.

oportunidade para discutirmos os resultados de pesquisas anteriores sobre alfabetização que realizamos no município e divulgarmos também para toda a rede de escolas, o processo de investigação-ação vivenciado na Escola Adele de Oliveira. Desse modo, convidamos alguns professores que fizeram parte da pesquisa para discutirem o trajeto e as aprendizagens que estavam sendo construídas.

A nossa intenção foi socializar a importância do estudo e, ao mesmo tempo, sensibilizar as instâncias oficiais da necessidade de criação de parcerias institucionais com a UFRN, no sentido de abertura das escolas municipais para novos projetos de investigação-ação fundados nas necessidades de formação dos professores.

Nesse contexto, a escola Adele de Oliveira funciona nos turnos matutino, com turmas do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental, vespertino, horário em que ocorreu a nossa pesquisa, com turmas do 1º ao 5º ano e noturno com Educação de Jovens e Adultos. Possui 9 salas de aula em péssimo estado de conservação. Algumas recebem muito sol e são quentes e abafadas. Em cada sala tem um armário de aço, um birô e carteiras com dimensões inapropriadas ao tamanho das crianças. A maioria delas se queixa de não poder colocar os pés no chão. As paredes das salas são sujas e os móveis são velhos e quebrados.

Além das salas de aula, a escola tem duas salinhas onde funcionam a diretoria e secretaria, três banheiros (para funcionários e crianças) uma sala de professores em que são guardados livros enviados pelo MEC para a Secretaria de Educação e repassados por esta para a escola, uma cozinha pequena, uma pequena área livre onde as crianças esperam os pais na hora da saída, no término da aula e uma área de circulação coberta que dá acesso às salas de aula, cozinha, banheiros e secretaria.

Estruturada em 22 turmas, a instituição dispõe de direção e vice-direção, três supervisores pedagógicos, 22 professores em exercício: 8 no turno matutino, 8 no vespertino e 6 no noturno, 11 funcionários do corpo técnico-administrativo, 3 merendeiras, 5 faxineiras e um total de 795 alunos distribuídos nesses três turnos.

Apesar de não possuir uma estrutura física adequada à realização de atividades pedagógicas, a escola tem uma excelente coleção de livros de literatura infantil e infanto-juvenil, dicionários, enciclopédias, jogos didáticos e livros para estudo dos professores que estão dispostos em 4 estantes na sala dos professores. Na sala da direção, há uma televisão, um aparelho de dvd e uma coleção de dvds

do Programa Salto para o Futuro, com orientações didáticas para as práticas de alfabetização e letramento.

A escola não possui lugares destinados à realização de atividades lúdicas. Na hora do intervalo, os alunos ficam disputando espaço num galpão coberto que fica localizado entre as salas. Também não tem refeitório e, na hora do lanche, as crianças comem sentadas no chão ou em algumas cadeiras velhas que ficam amontoadas pelos corredores.

Nas paredes das salas de aula existem lugares para que as crianças exponham suas produções. Porém, as professoras comentaram que estas têm que ser retiradas todos os dias porque os alunos maiores dos outros turnos destróem os materiais expostos. As professoras afixam também nas paredes as letras do alfabeto dispostas em ordem e alguns cartazes com a expressão “palavras mágicas”, que trazem regras de convívio social para as crianças. As carteiras estão sempre dispostas em fileiras e as crianças têm dificuldade de se ver e de interagir com os colegas da classe. Os materiais das crianças reduzem-se a um caderno, no qual elas registram as atividades de classe (geralmente copiadas no quadro), um livro didático de alfabetização entregue pela escola no início do ano letivo e um lápis.

A escola em questão recebe crianças de segmentos sociais populares, em sua maioria provenientes de bairros pobres da cidade. O contexto urbano em que se insere é caracterizado por problemas de natureza econômica e social que se revelam no dia-a-dia, através dos comentários de mães, crianças e professoras, estando sempre presentes a violência e a pobreza.

Do ponto de vista de seu funcionamento, apresenta os clássicos e crônicos problemas da escola pública brasileira: índices altos de reprovação, constantes faltas de professores, falta de uma proposta pedagógica que apresente diretrizes para a definição do trabalho pedagógico, já que a escola possui um projeto político pedagógico, de discutível qualidade, que não apresenta princípios unificadores para a prática docente, falta de apoio e acompanhamento por parte da equipe pedagógica da Secretaria Municipal de Educação, fragmentação do trabalho pedagógico, professores sobrecarregados com salas de aula numerosas, algumas com 49 crianças, problemas na estrutura material devido a ausência de biblioteca, refeitório e espaços para recreação, entre outros.

Quanto ao planejamento, a supervisora nos informou que é feito bimestralmente e que são elaborados projetos de trabalho esporádicos com os

professores, como por exemplo, o projeto de literatura infantil Casa do Escritor, educação ambiental e orientações em relação às drogas e abuso sexual.

Os professores têm o direito de escolher, de três em três anos o livro didático que vão usar com as crianças nesse período em conformidade com o Programa Nacional do Livro Didático - PNDL. Em nossas conversas informais, alguns reclamaram que têm dificuldades de escolher esse material porque desconhecem os critérios que devem ser considerados para a escolha de um bom livro de alfabetização. Desse modo, quando começam a usá-lo na sala de aula, acabam percebendo que não contribui para alfabetizar as crianças.

Foi nesse contexto que nos encontramos com os sujeitos de nossa investigação, sobre os quais discutiremos a seguir.

4.4 OS SUJEITOS DA PESQUISA: CRITÉRIOS DE SELEÇÃO E

Benzer Belgeler