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KURAMSAL ÇERÇEVE VE ĠLGĠLĠ ARAġTIRMALAR

BULGULAR VE YORUM

4.4. ARAġTIRMA/ÖDEVDEN ZEVK ALMA DURUMLARI

Há uma necessidade urgente de desenvolver um conjunto de indicadores de comportamento socioeconômico e agroecológico para julgar o êxito de um projeto, sua durabilidade, adaptabilidade, estabilidade, equidade, etc... Estes indicadores de desempenho devem demonstrar uma capacidade de avaliação interdisciplinar, através de um método de análise e desenvolvimento tecnológico que não se concentre somente na produtividade, mas também em outros indicadores do comportamento do agroecossistema, tais como a estabilidade, a sustentabilidade, a equidade e a relação entre esses fatores (ALTIERI;NICHOLLS, 2000).

Os indicadores de sustentabilidade devem refletir as alterações nos atributos, ressaltando a inexistência de indicadores universais, mas sim específicos para cada sistema, dependendo de suas categorias e elementos. Esses indicadores não devem ser exaustivos, porém eficientes, no sentido de cumprirem as condições descritas e com uma boa base estatística (FERRAZ, 2003b).

Outra forma de avaliação da sustentabilidade é através da mensuração da energia incorporada no processo de obtenção de produtos e serviços (ORTEGA, 2003), porém é importante salientar que a avaliação dos aspectos ambientais de sustentabilidade deve considerar a escala de tempo correspondente, respeitando os ciclos naturais, para que possa produzir resultados confiáveis (FERRAZ, 2003b).

Para selecionar os indicadores é necessário observar se eles são capazes de não apenas sinalizar a degradação no sistema, mas de advertir para possíveis perturbações potenciais (PESSOA et al, 2003).

A obtenção de alta produtividade e a manutenção ou melhoria da qualidade ambiental não são mutuamente excludentes nem difíceis de serem alcançados, entretanto, sem ainda ser confirmado, a avaliação dos aspectos sociais e biofísicos pode requerer décadas ou até séculos e a avaliação dos aspectos ambientais da sustentabilidade deve considerar a escala de tempo

(Tabela 2) correspondente para que possa produzir resultados confiáveis (FERRAZ, 2003a).

Tabela 2 – Escala de tempo para avaliação de diferentes aspectos da sustentabilidade.

Aspectos Escala de tempo

Avaliação econômica de lucratividade Uma ou várias décadas Tendências de rendimento Cinco a vinte anos Características do solo Uma a várias décadas Características hidrológicas Uma a várias décadas Parâmetros ecológicos Várias décadas a séculos Aspectos sociais e culturais Poucas a várias gerações Fonte: Adaptado de Ferraz, 2003a.

A definição de indicadores de sustentabilidade requer um conjunto de ações ou etapas que visam definir e caracterizar a área de estudo e identificar os fatores críticos locais. A escolha deve ser baseada em critérios de objetividade, credibilidade, facilidade de integração com os demais indicadores escolhidos, sensibilidade no tempo, aplicabilidade para outros locais, facilidade de reconhecimento, mensuração e clareza (FERRAZ et al, 2004).

A avaliação das alterações observadas através de indicadores, requer considerações sobre a escolha da escala sistêmica apropriada, ou seja, da amplitude da área de estudo. De acordo com Ferraz (2003a), a Tabela 3 apresenta a escala temporal e sistêmica para a avaliação indutora de mudanças em alguns parâmetros do solo.

Os indicadores são úteis tanto para comparar como para avaliar o grau de sustentabilidade entre diferentes sistemas de produção e as suas evoluções no tempo, refletindo também as inter-relações, delimitando a área de abrangência e a definição clara de propósitos a que se destinam, sendo a bacia hidrográfica considerada o ideal para estudos de impactos ambientais, por permitir um maior entendimento das atividades humanas e suas relações com o ambiente (FERRAZ et al, 2004).

Após a definição da área de estudos, há necessidade de conhecimento dos aspectos ecológicos, sociais e econômicos locais, que fornecerão os subsídios necessários para a escolha dos indicadores a serem adotados. Devem-se utilizar dados já disponíveis, como mapas, dados estatísticos, imagens de satélites, entre outros, e a aplicação do DRRP (Diagnóstico Rural Rápido Participativo), privilegiando a participação dos atores sociais locais para a percepção dos principais problemas existentes e suas possíveis soluções (FERRAZ et al, 2004).

Tabela 3 – Escala temporal e sistêmica, para avaliação da ação indutora de mudanças nas propriedades, processos e no microclima do solo.

Parâmetros Escala temporal Escala sistêmica

Processos do solo

Erosão 5 a 20 anos Bacia hidrográfica

Compactação e acidificação 1 a várias safras Parcela do terreno/ propr. Queda da fertilidade 5 a 20 anos Tipos de solo/propriedade Propriedade do solo

Físicas, químicas, biológicas e nutricionais.

1 a diversos anos Tipos de solo/propriedade Microclima

Provisão energética 10 a 50 anos Parcela de terreno Temperatura do ar e solo Poucos a diversos

anos

Parcela de terreno Regime de chuvas Poucas a diversas

décadas

Microbacia Fonte: Ferraz, 2003a.

Alguns sistemas de avaliação buscam uma abordagem interdisciplinar. Tal é o caso do sistema de avaliação da sustentabilidade de agroecossistemas denominado MESMIS, idealizado no México em 1994 por um grupo multidisciplinar e multi-institucional (LOPEZ-RIDAURA; MASERA; ASTIER, 2000).

A sustentabilidade dos sistemas de produção é definida pelos atributos de produtividade, estabilidade, confiabilidade, equidade e autoconfiança. É realizado de forma participativa, através de uma equipe interdisciplinar, incluindo participantes locais. A sustentabilidade não é medida por si mesma, mas sim através da comparação entre dois ou mais sistemas, ou de etapas de um mesmo sistema ao longo do tempo. Os passos para a

aplicação do método começam pela definição do objeto de avaliação e do contexto sócio-ambiental, passam pela determinação dos pontos críticos, pela seleção de critérios para um diagnóstico baseado nos atributos descritos anteriormente e pela utilização de indicadores, que sejam de fácil mensuração, passível de monitoramento e provenientes de informações viáveis, confiáveis e claros para o seu entendimento. Após a aplicação dos indicadores selecionados, os resultados são apresentados de forma quantitativa, qualitativa e gráfica, processos e pontos positivos são identificados entre os sistemas comparados, e então, procede-se à elaboração de recomendações para os outros sistemas (FERREIRA, 2005).

Alguns indicadores desenvolvidos consistem em observações ou medições do que se realizam em nível de propriedade para verificar se o solo é fértil, conservado e se as plantas estão sadias, vigorosas e produtivas. Em outras palavras, os indicadores servem para “tomar-se o pulso do agroecossistema” (ALTIERI, 2002; ALTIERI; NICHOLLS, 2002).

Em um estudo sobre cafezais em Turrialba, Costa Rica, Altieri & Nicholls (2002) apresentam uma metodologia para diagnosticar a qualidade do solo e a saúde do cultivo, usando indicadores sensíveis e específicos para o café. Ainda que, com poucas modificações, a metodologia pode ser aplicada para uma gama de agroecossistemas, em várias regiões diferentes, escolhidos indicadores simples e práticos de serem utilizados pelos agricultores, além de serem relativamente precisos e de fácil interpretação; suficientemente sensíveis para refletir as trocas ambientais e os impactos de práticas de manejo sobre o solo e o cultivo; serem capazes de integrar propriedades físicas, químicas e biológicas do solo; poder relacionar-se com processos do ecossistema como, por exemplo, capturar a relação entre diversidade vegetal e estabilidade de populações de pragas e doenças (ALTIERI, 2002).

Pode-se distinguir quatro categorias principais de indicadores: gerais, de diagnostico, estimativas de risco e de robustez, com características de serem aplicáveis a um grande numero de sistemas ecológicos, sociais e econômicos; ser mensuráveis e de fácil medição; de fácil obtenção e baixo custo; concebido de tal forma que a população local possa participar de suas

medições, ao menos no âmbito das propriedades; ser sensíveis às mudanças do sistema e indicar tendências; representar os padrões ecológicos, sociais e econômicos de sustentabilidade e permitir o cruzamento com outros indicadores (FERRAZ, 2003b).

Devem ser definidos níveis máximos e mínimos para indicadores individuais, coerentes com o sistema e, atribuir-lhes peso para a formulação de indicadores compostos, de acordo com o seu grau de importância para cada descritor (FERRAZ, 2003b).

É necessário estar atento aos indicadores de sustentabilidade, portanto, um agroecossistema pode ser analisado e avaliado quanto ao seu nível de estabilidade, através de indicadores adequados, os quais demonstrem que a capacidade de suporte do sistema ao longo do tempo não seja afetada (MARQUES; SKORUPA; FERRAZ, 2003).

Para cada elemento ou tema significativo, de cada categoria importante, são escolhidos descritores e indicadores, sendo os descritores as características significativas de um elemento de acordo com os principais atributos de sustentabilidade de um determinado sistema e, os indicadores representam uma medida do efeito da ação do sistema sobre o descritor, podendo ser relacionados um ou mais na forma de estoques ou de fluxos para critérios de avaliação do solo ou da água e da sociedade. Este diagnóstico é baseado fundamentalmente em dados secundários e visitas ao campo com uma equipe multidisciplinar (FERRAZ, 2003b).

Ainda conforme o Professor José Maria Gusman Ferraz:

A partir destas observações são evidenciados os fatores críticos, que permitem o levantamento dos descritores e dos indicadores de sustentabilidade sob três aspectos: econômico, social e ecológico. Os dados colhidos são monitorados e avaliados ao longo do tempo, a fim de se obter um diagnóstico completo da área em estudo (FERRAZ et al, 2004).

Diversos indicadores de sustentabilidade têm sido propostos no sentido de construir um processo participativo para comparar sistemas de produção e identificar quais os fatores que interferiram e quais os processos que propiciaram um melhor desempenho. Um dos fatores, para que um

determinado sistema de avaliação possa servir como indicador de sustentabilidade é a existência ou não de descritores que sejam verificáveis e possam ser apropriados pelos agricultores e técnicos no sentido de ter custo acessível, fácil monitoramento e serem aptos a situações bastante diversas, produzindo dados dentro de um padrão de variação que possibilite futuros contrastes (VIVAN; FLORIANI, 2004).