1. BÖLÜM
4.3. Arıtılmış Atıksu Özellikleri
Estudante 9 19 19 11 33 19 110 42,6 Dona de Casa 2 1 1 1 4 0 9 3,5 Aposentado/Pensionista 0 1 0 0 0 0 1 0,4 Desempregado crónico 0 1 0 4 2 0 7 2,7 Agente Publicitário 0 1 0 0 0 0 1 0,4 Auxiliar de Enfermagem 0 0 0 0 1 0 1 0,4
Aux. de Prod. Farmacêutica 0 0 1 0 0 0 1 0,4
Vendedor Ambulante 1 0 0 0 1 0 2 0,8 Pedreiro 0 0 0 1 0 0 1 0,4 Embalador/ à mão 1 0 0 0 0 0 1 0,4 Ignorado/Branco 11 21 18 4 42 28 124 48,0 TOTAL 24 54 39 21 83 47 258 100
44 Por homofobia , entendemos o descrédito, a opressão, a violência em relação aos homossexuais
ou àqueles que são presumidos serem (BORRILLO, 2000; ERIBON; HABOURY,2003). A homofobia pode se manifestar tanto a partir da própria pessoa homossexual em relação a si própria, às outras pessoas homossexuais ou a tudo que fizer referência à homossexualidade em si ou nos outros, como também poderá partir de pessoas não homossexuais em relação à pessoa homossexual ou a tudo aquilo que remeta à homossexualidade (ERIBON, 1999) (TEIXEIRA FILHO;MARRETTO, 2008, p. 2),
(Continuação) SER V OCUPAÇÃO 2008 2009 2010 2011 2012 2013 TOTAL % Estudante 0 9 8 6 3 6 32 33,3 Dona de Casa 0 1 0 0 0 0 1 1,1 Aposentado/Pensionista 0 0 0 0 0 0 0 0 Desempregado crónico 0 1 0 2 0 0 3 3,1 Agente Publicitário 0 0 0 0 0 0 0 0 Auxiliar de Enfermagem 0 0 0 0 0 0 0 0
Aux. de Prod. Farmacêutica 0 0 0 0 0 0 0 0
Vendedor Ambulante 0 0 0 0 0 0 0 0
Pedreiro 0 0 0 0 0 0 0 0
Embalador/ à mão 0 0 0 0 0 0 0 0
Ignorado/Branco 7 8 11 7 12 15 60 62,5
TOTAL 7 19 19 15 15 21 96 100
Fonte: CEVEPI/SMS/SINAN NET (sujeitos a revisão), Fortaleza; CEVEPI/SMS/SINAN NET (sujeitos a revisão), SER V – até jul. 2013.
Gráfico 12 - Porcentagem dos casos notificados por ocupa ção – Fortaleza.
Fonte: Elaborado pela pesquisadora.
Gráfico 13 - Porcentagem dos casos notificados por ocupação - SER V.
Fonte: Elaborado pela pesquisadora. 0 10 20 30 40 50 42,6% 3,5% 0,4% 2,7% 0,4% 0,4% 0,4% 0,8% 0,4% 0,4% 48% 0 20 40 60 80 33,3% 1,1% 0% 3,1% 0% 0% 0% 0% 0% 0% 62,5%
Na Tabela 8 que trata de todos os casos de violência contra crianças e adolescentes por ocupação foi necessário recorrer ao Manual de Preenchimento da Ficha de Notificação uma vez que, houve dúvidas sobre ocupação nas faixas etárias em análise. O referido manual do Ministério da Saúde estabelece que, no campo ocupação deve-se “anotar a ocupação, função desenvolvida pelo trabalhador, de acordo com a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). Nos casos em que não haja especificação, colocar a ocupação mais aproximada” (BRASIL, 2008, on line).
Em outros itens, do manual há uma opção quando o caso “não se aplica”, assim como no item referente a situação conjugal/estado civil, orienta para “preencher o quadrículo com o código correspondente à situação conjugal ou estado civil da pessoa atendida/vítima no momento da violência” (BRASIL, 2008, on line).
Nos casos que envolverem crianças menores de 10 anos (crianças de 0 a 9 anos), utiliza-se a opção “8-Não se aplica”. Porém, no item ocupação, existem dados preenchidos na referida ficha, como se as crianças e adolescentes fossem “trabalhadores” legitimando, dessa forma, a situação de exploração de mão de obra infantil.
No município de Fortaleza, tivemos a maioria dos casos registrados com estudantes (42,6% dos casos – 110 ocorrências), assim como na SER V, a maioria dos casos registrados, (33,3% dos casos - 32 ocorrências), também foi com estudantes. Além dos estudantes, em 3,5% dos casos (9 ocorrências), em Fortaleza e em 1,1% dos casos (1 ocorrência) na SER V foram registrados com donas de casa e outros empregos informais (vendedor ambulante, embalador à mão), o que evidencia que muitas crianças e adolescentes têm que trabalhar para sobreviver.
De acordo com o levantamento, realizado em 2012, 10.117 crianças de 10 a 14 anos estavam trabalhando na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), o que representa 3,23% do total de pessoas desta faixa etária. O percentual é o maior entre as regiões metropolitanas pesquisadas (Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo) (O POVO, 2013, on line).
Alguns foram classificados como desempregado crônico, (2,7% dos casos – 7 ocorrências), em Fortaleza e na SER V 3,1% dos casos (3 ocorrências), demonstrando equívocos no preenchimento deste item.
Uma enorme parcela de crianças e adolescentes convivendo na / miséria e na pobreza chefiando, inclusive, suas famílias ou cuidando dos irmãos menores . Nas famílias uniparentais, a mãe trabalha fora e as creches não são suficientes, em número, para a população infantil.
Segundo o site ANDI (2014, on line):
O Censo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela um cenário ainda preocupante: existem 132.033 domicílios no Brasil chefiados por crianças entre 10 e 14 anos. O Sudeste é a Região com a maior concentração no número de responsáveis nesta faixa et ária, com 62.320 casos. Proporcionalmente ao total de 57 milhões de domicílios no País, esse número (132 mil) não é expressivo. Entretanto, reflete outra realidade: a presença de trabalho infantil na sociedade brasileira [...].
Os documentos elaborados decorrentes da política, ainda refletem o pensamento do Código de Menores, quando a criança não era considerada um sujeito de direitos. Ao referir que a criança e o adolescente são trabalhadores estamos colaborando para legitimação do trabalho infantil . O que existe, no entanto, é a exploração da mão de obra infantil, mão de obra barata e sem vínculos trabalhistas que se aproveita da necessidade da maioria das crianças e adolescentes pobres.
Na SER V, em 60 fichas, 62,5% dos casos, não foi preenchido o campo de ocupação, deixando a dúvida se o termo não se apl ica ou deixou de ser observado.
Tabela 9 - Distribuição dos casos notificados de violência contra crianças e adolescentes, por escolaridade, do município de Fortaleza e SER V, no período de 2008 a 2013. FORTALEZA ESCOLARIDADE 2008 2009 2010 2011 2012 2013 Total % Analfabeto 0 0 0 1 0 0 1 0,4 1º à 4ºano incom. 1 0 5 1 4 5 16 6,2 4ºano compl. 2 4 1 0 2 0 9 3,4 5º a 9ºano incom. 4 4 4 5 7 3 27 10 EFund. Completo 8 7 1 0 7 3 26 10 EMédio incompleto 1 2 0 0 15 3 21 8,0 EMédio completo 3 3 0 0 2 0 8 3,0 ESup. Incompleta 0 0 0 0 0 0 0 0 Não se aplica 3 18 16 3 30 24 97 37 Ign./branco 2 6 12 11 16 09 56 22 Total 24 44 39 21 83 47 258 100
(Continuação) ESCOLARIDADE 2009 2010 2011 2012 2013 Total % Analfabeto 0 1 1 2 1 5 5,0 1º à 4ºano incom. 4 0 0 0 0 5 5,0 4ºano compl. 4 2 5 1 0 13 14 5º a 9ºano incom. 2 3 1 0 3 11 11 EFund. Completo 0 0 0 0 1 1 1,0 EMédio incompleto 1 1 0 1 0 3 3,0 EMédio completo 0 0 0 0 0 0 0 ESup. Incompleta 0 0 0 0 0 0 0 Não se aplica 4 8 6 8 13 42 44 Ign./branco 4 4 2 3 3 16 17 Total 19 19 15 15 21 96 100
Fonte: CEVEPI/SMS – Fortaleza; SINAN NET/ Célula de Vigilância Epidemiológica SER V, julho de 2013.
Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Fonte: Elaborado pela pesquisadora.
Na Tabela 9, observa-se que na capital a maioria dos estudantes estão entre o 5ºe o 9º ano incompleto, enquanto na SER V, os maiores registros encontram-se no item “não se aplica”. Entre os adolescentes, a maioria, entre 24% e 25% dos registros, encontrava-se/encontravam-se entre o 4º e o 8ºano incompletos.
As escolas são um local fundamental para detecção de sinais de alerta para violência doméstica. Os educadores identificam muitos casos de violência dentro d o ambiente escolar, notificando ao Conselho Tutelar.
No Ceará, além das Comissões Hospitalares e as comissões recém-criadas nas UAPS, a Secretaria de Educação da rede municipal publicou a Portaria nº 183/2008, da Secretaria de Educação do Município, que implantou as Comissões de Prevenções
Gráfico 14 - Porcentagem dos casos notificados por escolaridade, Fortaleza.
0 5 10 15 20 25 30 35 40 0,4% 6,2% 3,4%10% 10% 8% 3% 0% 37% 22%
Gráfico 15 - Porcentagem dos casos notificados por escolaridade - SER V.
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 5% 5% 14% 11% 1% 3% 0% 0% 44% 17%
aos Maus-Tratos contra crianças e adolescentes nas escolas da rede pública municipal de Fortaleza (em anexo).
No Estado, “apenas 28% das escolas estaduais do Ceará possuem comissões de atendimento, notificação e prevenção à violência contra crianças e adolescentes, conforme obriga a Lei Estadual 13.230/2002”45, ou seja, 72% não têm esse instrumento de denúncia e monitoramento dos casos (GIRÃO, 2010, on line).
Tabela 10 – Distribuição dos casos notificados de violência doméstica e/ou sexual e
outras violências contra crianças e adolescentes pelo tipo de violência, em Fortaleza e na SER V, no período de 2008 a 2013.
FORTALEZA
TIPO DE VIOLÊNCIA 2008 2009 2010 2011 2012 2013 Total %
Física 7 14 17 11 42 15 106 39,0 Psicológica 6 16 18 6 27 7 80 30,0 Financeira 0 2 4 0 2 0 8 3,0 Negligência/Abandono 0 9 7 2 25 21 64 24,0 Tráfico 1 1 1 0 0 0 3 1,0 Trab.Infantil 0 0 0 0 0 0 0 0 Ign./Branco 0 0 0 0 0 0 0 0 Outras Violências 0 1 2 2 3 1 9 3,0 Total 14 43 49 21 99 44 270 100 SER V
TIPO DE VIOLÊNCIA 2008 2009 2010 2011 2012 2013 Total %
Física 1 6 6 6 1 5 25 26,0 Psicológica 1 5 6 4 1 1 18 18,8 Financeira 0 0 1 4 7 12 24 25,0 Negligência/Abandono 0 0 0 0 0 0 0 0 Tráfico 0 0 1 0 0 0 1 1,0 Trab.Infantil 0 0 0 0 0 0 0 0 Ign./Branco 5 8 5 1 6 3 28 29,2 Outras Violências 0 0 0 0 0 0 0 0 Total 7 19 19 15 15 21 96 100
Fonte: CEVEPI/SMS – Fortaleza; SINAN NET/ Célula de Vigilância Epidemiológica SERV, até julho de 2013.
45‘Segundo o artigo 2º da referida Lei Estadual 13.230/2002, compete à Comissão de Atendimento,
Notificação e Prevenção à Violência Doméstica Contra Criança e Adolescente identificar, atender, notificar, acompanhar e tomar as medidas c abíveis do ponto de vista educacional e psicossocial, bem como realizar o devido encaminhamento às instituições/autoridades competentes, quando necessário, dos casos de violência doméstica contra criança e adolescente) (GIRÃO, 2010).
Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Fonte: Elaborado pela pesquisadora.
O instrumento utilizado pelos serviços de saúde, conhecido por Ficha de Notificação de Violência Doméstica, Sexual e/ou Outras Violências ,não associa a violência sofrida aos direitos que foram violados. O contexto socioeconômico não é levado em consideração; às informações são fragmentadas e desarticuladas, sendo necessário que aprofundemos nas fichas que contém observações e mais informações acerca do contexto vivenciado.
Na Tabela 10, podemos visualizar que 106 notificações ou 39% dos casos, ou seja, a maioria dos casos atendidos , foram de violência física. Em segundo lugar, com 80 notificações ou 30% de atendimentos, tem-se a violência psicológica, que também pode ocasionar danos físicos e vice-versa.
Para Assis e Ferreira (2012, p.53), as consequências dessa violência em ambiente doméstico :
A violência vivenciada no ambiente intrafamiliar pode se expressar de duas formas: a direta, quando a criança encontra -se exposta à violência, ou seja, ela é o alvo da agressão, e a indireta, quando ela presencia episódios de violência entre seus pais. Ambas as formas de violência tornam -se prejudiciais ao desenvolvimento físico, psíquico e social de uma criança. Os sintomas que surgem com maior probabil idade são falta de motivação, ansiedade, depressão, comportamento agressivo, isolamento e baixo desempenho escolar.
Em 24% dos casos houve negligência ou abandono, não levando em consideração a violência estrutural a que está submetida a família, a única
Gráfico 16- Porcentagem de casos
notificados por tipo de violência - Fortaleza.
Gráfico 17 - Porcentagem dos casos notificados por tipo de violência - SER V. 0 5 10 15 20 25 30 35 40 39% 30% 3% 24% 1% 1% 0% 3% 0 5 10 15 20 25 30 26% 18,8% 1% 25% 0% 0% 0% 29,2%
responsável pela criança ou adolescente.
Uma situação crescente de abandono tem evidenciado uma baixa qualidade de vida e de acesso aos serviços de saúde.
No site G1 (2013, on line), o abandono de recém-nascidos cresce 300% em um ano no Ceará, como segue:
O abandono de crianças recém-nascidas no Ceará, em um ano, cresceu 300%. Muitos bebês são deixados na própria maternidade. [...] Belo Horizonte, no período de um ano, foram 32 nessa situação. Em Fortaleza, só no ano passado, foram 15. Os casos acontecem quando os bebês precisam ficar internados por mais temp o depois do nascimento e as mães recebem alta. Algumas vão para casa e não voltam para pegar as crianças[...].
A maioria dos casos estava relacionad a às mães que são dependentes químicas e vivem em extrema pobreza, sem acesso aos serviços sociais básicos e os seus filhos acabam aumentando as estatísticas de crianças institucionalizadas.
Por vezes a família é o primeiro grupo social que se é inserido, em alguns casos tem sido a instituição ou abrigos, onde a afetividade e o vínculo e diferenciado de uma família tradicional.
Segundo a UNICEF (2013, p.46), “Crianças que crescem em instituições têm maior probabilidade de apresentar dificuldades de desenvolvimento e, as mais jovens, também correm o risco de sofrer danos psicológicos potencialmente irreversíveis.”
Na SER V, vale destacar que 28 registros ou 29,2% dos casos foram identificados como “ignorado/branco”. A maioria dos casos notificados foram de “negligência/abandono” com 25 registros ou 26% dos casos. Nas observações complementares destas fichas, podemos observar os tipos de negligênci a relatadas pelos profissionais:
Criança veio à unidade após uma queda de uma altura de aproximadamente 15m, com trauma crânioencefálico, foi atendido e medicado, foi solicitado a permanência da criança na unidade por al gumas horas para ser observado de qualquer sinal de risco. A mãe discordou da conduta médica, não aceitando permanecer na unidade. Apesar da orientação médica e da importância da permanência da criança a mãe evadiu -se da unidade, agindo de forma negligente e irresponsável, ferindo o direito estabelecido no ECA, quando refere que é obrigação dos pais zelar pela saúde e bem -estar das crianças e adolescentes. Nesse caso a mãe põe em risco a saúde da criança e desrespeita a legislação que o protege. ( Criança de 2 anos, notificada pela assistente social).
Criança admitida com HD: pneumonia e má formação congênita foi solicitada sua transferência para o hospital SOPAI, todavia, a mãe evadiu - se da UPA com a criança. Diante do exposto notifico o caso ao Conselho Tutelar para que as providências cabíveis sejam adotadas e a família acompanhada diante da negligencia familiar (materna) em relação ao tratamento e recuperação da criança. ( Criança de 1 ano, notificado pela assistente social).
Nos casos registrados, pode-se verificar a culpabilização da mãe pelo profissional, reproduzindo o conceito de que a responsabilização sobre os cuidados com os filhos é exclusivamente da mãe, desresponsabilizando os demais membros da família. Um fato importante de ser investigado aqui seria o motivo da evasão da mãe:
A criança foi admitida, apresentando rigidez de mãos e pés e diminuição da força muscular (suspeitou-se de síndrome de Guilain Barré). Foi solicitada sua transferência para que fosse avaliado por um neurologista, todavia, como não havia previsão de quando a transferência ocorreria (devido a ausência de vagas nos hospitais) a mãe decidiu evadir -se da UPA com o paciente, informando que buscaria atendimento em outra Unidade. Tentado contato telefônico com o Conselho Tutelar da Regional V, para deixar ciente do fato, mas não se obtive êxito. (11 anos, notificada pela assistente social).
Criança de 7 meses necessitava de transferência devido a problema respiratório. Foi solicitado uma vaga junto à central de leitos, todavia, quando os pais souberem que a criança seria encaminhada ao hospital SOPAI, recusaram-se a transferir o filho, alegando que naquele hospital o atendimento seria precário. Comprometeram-se a levar a acriança a outro hospital e evadiram-se da UPA. Os pais foram orientados pela pediatra, salientando quanto aos riscos, mesmo assim optaram por sair da unidade, responsáveis cientes que farei notificação ao Conselho Tutelar para que sejam adotadas as medidas cabíveis. (7 meses, notificado pela assistente social).
Ao analisar os relatos acima, pode-se observar que a falta de previsão para a internação e o atendimento precário do hospital foram os motivos da evasão, o que pode indicar um atendimento precário destinado à infância e à adolescência na região, pode também indicar que os pais desejariam um atendimento de melhor qualidade.
Criança vive com síndrome de Down, é cardiopata e chega à Unidade com quadro de muita irritação e chorando há aproximadamente 12 horas (segundo a mãe) [...]. Após o atendimento médico foi prescrito medicação e solicitado exames para tentar detectar a causa da irritação. Uma das suspeitas é de meningite. No entanto, após a coleta de material para exame, a mãe da criança evadiu-se da unidade mesmo com a solicitação expressamente médica para que aguardasse. O simples estado de saúde da criança já solicita cuidados o que aparentemente é negligenciado. É importante a intervenção dos meios competentes, pois a criança está exposta a grave risco e sua saúde requer cuidados que a mãe parece não compreender (5 meses 09-12-2013, notificada pela assistente social).
também foi atendida. O pai das crianças veio em seguida e levou a paciente da unidade sem que fosse aplicada a medicação ou a paciente reavaliada pelo pediatra. O pai da criança agiu com bastante grosseria tanto coma companheira(que pediu para que ele aguardasse a criança receber a medicação) quanto com a equipe de profissionais a quem tratou com palavrões. A criança possui o diagnóstico provável de pneumonia e verminose [...]. (4 anos, 17-11-2012, notificada pela assistente social) .
Nestes relatos podemos observar a negação dos direitos da criança de ter o acesso aos cuidados básicos de saúde, vale salientar que os casos são n otificados a qualquer caso suspeito e que deve ser encaminhado mesmo sem a confirmação do caso, que será avaliado pelo Conselho Tutelar...
No registro a seguir, é possível perceber um ambiente de revolta e a percepção de indiferença na fala da mãe em relação ao Conselho Tutelar, cabendo uma investigação posterior:
Criança vem a unidade com suspeita de dengue e precisa ficar em observação. A mãe da criança solicitou deixá -lo sozinho na unidade, o que foi negado. Mesmo assim, a criança foi deixada na unidade, teoricamente, sob os cuidados de outra pessoa que deixou a criança sozinha, a mesma foi levada para a observação infantil, enquanto tentava -se contactar a mãe, mas sem sucesso. Quase 03 horas depois a mãe da criança apareceu e se irritou quando informei que iria notificar ao Conselho Tutelar. A criança foi submetida a grave risco tendo sido vítima de abandono e negligê ncia por parte da mãe, que ainda referiu que o deixará sozinho quantas vezes forem necessárias, pouco se importando com o Conselho Tutelar.(10 anos, 17/11/2012, notificado pela assistente social) .
Tabela 11 – Distribuição dos casos notificados de violência sexual, contra crianças e
adolescentes, em Fortaleza e da SER V, no período de 2008 a 2013. FORTALEZA TIPO DE VIOLÊNCIA SEXUAL 2008 2009 2010 2011 2012 2013 TOTAL % Abuso 0 0 0 0 0 0 0 0 Assédio 7 3 3 5 2 3 23 23 Estupro 7 12 9 5 13 10 56 55 Atentado violento ao pudor 2 2 3 1 1 0 9 9 Pornografia 1 0 1 2 0 0 4 4 Exploração sexual 2 1 1 1 2 0 7 7 Outras violências 0 1 0 0 1 0 2 2 TOTAL 19 19 17 14 19 13 101 100
(Continuação) SER V TIPO DE VIOLÊNCIA SEXUAL 2008 2009 2010 2011 2012 2013 TOTAL % Abuso 0 2 5 3 2 4 16 47 Assédio 1 0 1 1 0 0 3 9 Estupro 1 5 1 2 0 1 10 29 Atentado violento ao pudor 0 0 4 1 0 0 5 15 Pornografia 0 0 0 0 0 0 0 Exploração sexual 0 0 0 0 0 0 0 0 Outras violências 0 0 0 0 0 0 0 0 TOTAL 2 7 11 7 2 5 34 100
Fonte: CEVEPI/SMS Fortaleza; Vigilância Epidemiológica SER V/SINAN NET, SER V, Fortaleza, 2013.
Fonte: Elaborado pela pesquisador a. Fonte: Elaborado pela pesquisadora.
A “violência sexual” esteve presente em 101 registros ou 39% dos atendimentos no serviço de saúde dentre os 258 casos notificados. Na SER V foram 34 registros ou 35% do total de 96 casos. Verifica-se, assim, que o “estupro” foi o tipo de violência sexual predominante no município com 56 registros ou 55% dos casos, e nos dados da SER V, temos o item “abuso sexual” com 16 registros ou 47% dos casos. Sabe-se que o “estupro ou tentativa de estupro”, no caso de meninas abaixo de 14 anos, também é um abuso sexual46 se o agressor tiver maioridade.
46 Atualmente, a idade de consentimento continua sendo de 14 anos, mas o crime para quem se
envolve eroticamente com alguém abaixo desta idade passou a ser o “estupro de vulnerável” (art.
217-A, Código Penal). A idade de consentimento é a idade abaixo da qual se presume legalmen te que houve violência na prática de atos sexuais, independentemente de a prática ter sido forçada
Gráfico 18 - Porcentagem dos casos notificados por violência sexual na faixa etária 0 - 19 anos - Fortaleza.
0 10 20 30 40 50 60
Abuso Assédio Estupro Atentado
viloento ao pudor
Pornografia Exploração sexual violênciasOutras
0% 23% 55% 9% 4% 4% 7%
Gráfico 19 - Porcentagem dos casos notificados por violência sexual na faixa etária 0 - 19 anos - SER V.
0 10 20 30 40 50
Abuso Assédio Estupro Atentado viloento ao pudor Pornografia Exploração sexual Outras violências 47% 9% 29% 15% 0% 0% 0%
Em Fortaleza, o “assédio sexual” teve 23 registros ou 23% dos casos, o “atentado violento ao pudor” 9 registros ou 9% casos, a “exploração sexual” 7 registros ou 7% dos casos, a “pornografia”47 teve 4 registros ou 4%) dos casos e “outras violências” 2 registros ou 2% dos casos. Na SER V, o “estupro” teve 10 registros ou 29% dos casos, o “atentado violento ao pudor” 5 registros ou 15% dos casos, o “assédio sexual” 3 registros ou 9% dos casos. Não há registro de casos de “pornografia infantil” e “exploração sexual”.
A exploração sexual tem sido um problema grave em Fortaleza, cidade conhecida como um dos pontos turísticos mais visitados do Nordeste e com uma das mais altas taxas de exploração sexual de crianças e adolescentes.
Segundo reportagem no Jornal O Povo (2013, on line), Fortaleza é destaque no cenário internacional na exploração sexual, como se segue:
De acordo com reportagem do jornal The Gua r dia n, apesar de mais de uma década de esforços para a erradicação da exploração sexual infantil no Brasil, em 2012, o número de crianças profissionais do sexo era de meio milhão. Os números são do Fórum Nacional de Prevenção do Trabalho Infantil, uma organização não -governamental...Fortaleza é destaque no cenário internacional como a capital brasileira da exploração sexual infantil, isso faz da quinta maior cidade brasileira um verdadeiro ímã para a exploração sexual infantil. (Grifos do autor).
Os Estados e municípios devem criar mecanismos que impeçam a exploração sexual de crianças e adolescentes, contudo, é reconhecido que “de todo o material contendo pornografia infanto-juvenil apreendido pelas autoridades na Inter net, apenas 0,65% das crianças vítimas desse tipo de crime é identificada” (NASCIMENTO, 2012, on line).
Alguns itens da ficha de notificação podem gerar ambiguidades em seu preenchimento. Ao registrar os casos de exploração sexual, precisamos atentar para a diferença entre abuso sexual e exploração sexual, p ois este último envolve interesse
ou não. O sexo com indivíduos de idade inferior àquela de consentimento é considerado abuso sexual, e por isso é crime.
47 As Nações Unidas definem pornografia infantil como “qualquer representação, por quaisquer
meios, de uma criança em atividades sexuais explícitas reais ou simuladas, ou qualquer
representação das partes sexuais de uma criança para propósitos principalmente sexuais”
(Protocolo Opcional à Convenção dos Direitos da Criança sobre o Tráfico de Crianças, a Prostituição Infantil e a Pornografia Infantil – Artigo 2º, “c”, 2002). Na Lei n.º 11.829, de 25 de novembro de 2008.No governo de Luís Inácio Lula da Silva Altera a Lei no 8.069, de 13 de julho
de 1990 - Estatuto da Criança e do Adolescente, para aprimorar o combate à produção, venda e distribuição de pornografia infantil, bem como criminalizar a aquisição e a posse de tal material e outras condutas relacionadas à pedofilia na inter net.
financeiro48.
Na SER V, tive acesso às observações complementares registradas pelo profissional de saúde que contextualiza a situação de violência sexual em alguns dos 29 casos notificados:
Adolescente de 14 anos acompanhada da mãe, vieram à UPA relatando que ontem a noite (20h30min) próximo ao CUCA Mondubim, a adolescente foi violentada sexualmente por um homem desconhecido (vítima relatou que o agressor era branco, forte e que tinha meia idade). Hoje foi atendida pelo médico que encaminhou ao Hospital São José para que faça profilaxia contra DST. Durante o atendimento social mãe e paciente estavam muito emocionadas. Orientei-lhes a procurar a Delegacia da Criança e do Adolescente (DECECA) e/ou Delegacia da Mulher para que seja registrado um Boletim de Ocorrência (BO) e emitido uma guia para realização de