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5.3 BİRLİKTELİK KURALLARI İÇİN KULLANILAN ALGORİTMALAR

5.3.3 Apriori Algoritması

O método escolhido para o tratamento de dados foi a análise de conteúdo.

O que é a análise de conteúdo atualmente? Um conjunto de instrumentos metodológicos cada vez mais sutis em constante aperfeiçoamento, que se aplicam a discursos (conteúdos e continentes) extremamente diversificados. O fator comum destas técnicas múltiplas e multiplicadas – desde cálculo de freqüência que fornece dados cifrados, até a extração de estruturas traduzíveis em modelos – é a hermenêutica controlada, baseada na dedução: a inferência. Enquanto esforço de interpretação, a análise de conteúdo oscila entre os dois pólos do rigor da objetividade e da fecundidade da subjetividade. Absolve e cauciona o investigador por esta atração pelo escondido, o latente, o não-aparente, o potencial de inédito (do não dito), retido por qualquer mensagem. Tarefa paciente de “desocultação”, responde a esta atitude de voyeur de que o analista não ousa confessar-se e justifica a sua preocupação, honesta, de rigor científico. Analisar mensagens por esta dupla leitura onde uma segunda leitura se substitui à leitura “normal” do leigo, é ser agente duplo, detetive, espião [...]. (Bardin, 1977, p. 9).

Para Bardin (1977), a análise de conteúdo é um conjunto de técnicas para a análise das comunicações, que teve início nos Estados Unidos no começo do século XX. Usada

basicamente para avaliação de material jornalístico, esta técnica servia como forma de mensurar quantitativamente as informações presentes na imprensa americana. Com a Primeira Guerra Mundial, seu uso é estendido à propaganda política.

Com influência da hermenêutica (ciência de interpretação dos textos sagrados), da psicologia behaviorista (que rejeita a introspecção em detrimento da psicologia comportamental objetiva) e de estudos no campo dos símbolos e da mitologia política, como os desenvolvidos por H.D. Lasswell na Universidade de Chicago, e H.D. Lasswell, N. Leites, R. Fadner, J. M. Goldsen, A. Gray, I L. Janis, A. Kaplan, D. Kaplan, A. Mintz, I. de Sola Pool, S. Yakobson que participaram em The Language of Politics: Studies in Quantitative Semantics (apud Bardin, 1977, p. 17) durante os anos 40 e 50, o caráter interpretativo da análise de conteúdo perde destaque para técnicas de validação. O caráter quantitativo desta técnica é explorado através da criação de normas e regras de análise baseadas na lógica e retórica para o estudo dos textos e imagens em busca de padrões.

B. Berelson, importante teórico para o desenvolvimento desta metodologia de pesquisa nesta mesma época, resume o conceito explicitando a abordagem citada acima: “A análise de conteúdo é uma técnica de investigação que tem por finalidade a descrição objetiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto na comunicação” (Berelson apud Bardin, 1977, p. 19 e Krippendorff, 1980, p. 21). Para este autor, o objetivo é que esta seja uma técnica sistemática, de forma que possa ser replicável. Suas regras devem ser explícitas e aplicáveis a qualquer unidade de análise.

Allan Bryman (2008), pesquisador mais recente sobre o tema em questão, corrobora com as idéias de Berelson ao considerar a análise de conteúdo como uma técnica quantitativa de análise de dados. Cita Berelson, assim como Krippendorff, e Holsti para definir esta técnica de pesquisa com a função de definir de forma objetiva, sistemática e quantitativa o conteúdo e as características específicas de uma mensagem.

Codificação da mensagem, descoberta de símbolos e elementos que possam ser mensurados, definições de padrões, são algumas funções desempenhadas pelo método de análise de conteúdo. Para este teórico, deve acontecer a divisão do material bruto em categorias, para que os vieses pessoais do analista interfiram o mínimo possível no processo de análise. Assim como Krippendorff (1980), acredita na necessidade de ser sistemático e objetivo para que qualquer um que queiram analisar os mesmos dados de acordo com as mesmas regras, consiga os mesmos resultados. “[...] os resultados não são uma extensão do analista e de seus vieses pessoais” (Bryman, 2008, p. 274). Bryman admite que as regras criadas para a análise dos dados certamente refletem os interesses e preocupações do pesquisador e que por isso, possam ser um produto da sua subjetividade. Porém, uma vez formuladas, elas devem ser aplicadas sem a intrusão de vieses. Dando como exemplos também a análise da comunicação de massa como: fatos em jornais, propagandas, televisão, imagens, letras de músicas e documentos históricos, Bryman define a análise de conteúdo como “uma abordagem para a análise de documentos e textos que visa quantificar o conteúdo em termos de categorias predeterminadas e de forma sistemática e reproduzível” (Bryman, 2008, p. 275).

Voltando a abordagem histórica de Bardin (1977), no período pós-guerra, anos 50 e 60, novos questionamentos são feitos acerca da análise de conteúdo enquanto metodologia de análise de dados e novas ciências, como a história, psiquiatria, psicanálise, lingüística, etnologia e ciências políticas, passam a participar destas discussões. São feitas discussões com base nos paradigmas interpretativista e positivista acerca das características qualitativas e quantitativas da análise de conteúdo.

Na análise quantitativa, o que serve de informação é a frequência com que surgem certas características do conteúdo. Na análise qualitativa é a presença ou a ausência de uma dada característica de conteúdo ou de um conjunto de características num determinado fragmento de mensagem que é tomado em consideração. (Bardin, 1977, p. 21).

Ainda segundo este autor, a análise de conteúdo é aplicável a todas as formas de comunicação, possuindo duas funções, uma chamada “Heurística”, quando é usada de forma exploratória, para descoberta de algo na mensagem; e outra chamada “Administração de Provas”, usada quando hipóteses são previamente criadas e servem como diretrizes para a análise das mensagens, que irá confirmá-las ou rejeitá-las. Sendo assim, Bardin (1977), afirma o caráter tanto qualitativo quanto quantitativo desta metodologia de pesquisa. No estudo em questão, usaremos a função heurística deste método de análise de dados, já que não foram formuladas hipóteses, mas visa-se obter uma definição de Luxo a partir da visão de mundo das entrevistadas.

Ao definir análise de conteúdo, Krippendorff (1980, p. 21) considera que está é “uma técnica de pesquisa para fazer inferências replicáveis e válidas a partir de dados em seu contexto”. Segundo o autor, como qualquer técnica de pesquisa, sua função é proporcionar conhecimento, novos insights, uma representação dos fatos, ou seja, ser uma ferramenta, um guia para a ação.

Pode ser observado portanto, que a análise de conteúdo é considerada por diferentes autores uma técnica para análise de dados tanto qualitativa, quanto quantitativa. Porém, Krippendorff (1980) continua sua discussão sobre a técnica de análise de conteúdo dizendo que a exigência proposta por Berelson desta ser uma técnica quantitativa pode restringi-la, levando vários cientistas a acharem que o conteúdo latente dos dados devam ser excluídos da análise. Afirma ainda que Berelson não define o que é o conteúdo, ou qual deve ser o objeto da análise de conteúdo, levando pesquisadores a considerar a técnica como sendo apenas a contagem de qualidades (palavras, atributos, cores), ou a simples extração de conteúdo dos dados como se eles estivessem objetivamente contidos neles, fato também ressaltado por Bryman (2008).

Para o Krippendorf (1980), o coração do problema da análise de conteúdo é a definição clara do objeto de análise e considera que este é um método de investigação do “significado simbólico das mensagens” (Krippendorff, 1980, p. 22). Assim, faz duas observações que esta técnica de análise de dados deve considerar. A primeira delas é que as mensagens não possuem um único significado, mas podem ser observadas por várias perspectivas (lingüística, psicológica, sociológica, política, etc.), sendo todas válidas. Para Krippendorff (1980), portanto, não existe uma única forma de analisar “o conteúdo” de uma mensagem, já que este pode ser interpretado sob diversos olhares. A segunda observação é referente ao fato de que os significados das mensagens não precisam ser compartilhados. Compartilhar a mesma visão da mensagem raramente pode ser um pressuposto para a análise de conteúdo. Os significados são sempre relativos ao comunicador, daí a importância da seleção das entrevistadas, a fim de mapear a visão de mundo de mulheres de uma mesma categoria social e econômica. Segundo o autor, o significado simbólico das mensagens é interpretado de acordo com o ambiente empírico em que o receptor está inserido. O analista de conteúdo deve ser, portanto, diferente do receptor comum de uma mensagem, que “atribui significados de forma inconsciente, rotineira e sem justificação empírica”, devendo interpretar os padrões que aparecem nos dados analisados como “índices e sintomas, os quais comunicadores não treinados podem não perceber” (Krippendorff, 1980, p. 23).

Holsti e Stone (apud Krippendorff, 1980 e Bryman, 2008), também reconhecem o caráter inferencial de codificação de unidades textuais em categorias conceituais e consideram a inferência a principal questão desta técnica. Para estes autores, são através de inferências sistemáticas e objetivas que são identificadas as características específicas de um texto. Porém, Krippendorff (1980), completa esta teoria ao ressaltar a importância da comparação entre a classificação, categorização, mapeamento de uma mensagem, com outros acontecimentos ou fenômenos, ou seja, o autor considera extremamente importante que

“qualquer análise de conteúdo deve ser feita em relação a e justificada por meio do contexto dos dados.” (Krippendorff, 1980, p. 23). E esse contexto é o ambiente em que a mensagem foi produzida. Para o autor, normalmente o pesquisador pode escolher o ambiente e sua conceituação:

[...] um lingüista pode limitar seu foco de atenção para o ambiente lingüístico de palavras e expressões. Um sociólogo pode reconhecer o significado de um ato, colocando-o no contexto social da situação em que este ocorre. Um pesquisador de comunicação pode interpretar o significado de uma mensagem em relação às intenções do remetente, aos efeitos cognitivos ou comportamentais de um receptor, às instituições entre as quais ela é trocada, ou em relação a cultura em que ela desempenha um papel. (Krippendorff, p. 24, 1980).

Neste caso, foi escolhido um grupo específico dentro da sociedade carioca para que seja observado o conceito de luxo, que normalmente está atrelado à elite das sociedades, sendo chamado de “luxo tradicional”, e sua expressão no dia a dia de uma classe média.

Ainda segundo Krippendorff (1980), para fazer inferências válidas sobre as entrevistas, o pesquisador precisa ter algum conhecimento sobre aquele determinado grupo a que se pesquisa, quais suas características em comum, no caso deste estudo, qual o perfil genérico traçado para mulheres da classe C e para seus hábitos de consumo.

Para ajudar na conceituação, análise crítica e sistematização do conteúdo estudado, Krippendorff (Krippendorff, 1980, pág 26) desenvolve um quadro para análise de conteúdo que consiste em:

- “Os dados como são comunicados ao analista”. Esses dados não podem ser manipulados pelo analista, devem ser analisados tal como foram recebidos. Devem estar bem claros que tipos de dados serão analisados, como eles são definidos e de qual população são extraídos.

- “O contexto dos dados”. O contexto de onde os dados foram originados deve estar explícito, mostrando as condições e ambiente em que os dados foram coletados.

- “Como o conhecimento do analista particiona sua realidade”. O conhecimento do analista a respeito do objeto de investigação será determinante da construção do contexto dentro do qual serão feitas as inferências sobre os dados analisados.

- “O alvo da análise de conteúdo”. O objetivo da análise de determinado conteúdo deve estar claro afim de que conslusões diretas possam ser obtidas e validadas no final da análise.

- “Inferência como tarefa básica intelectual”. Inferência acerca dos dados observados é condição básica desta técnica e devem ser justificadas a partir do conhecimento que o analista apresenta sobre o tema estudado, com a finalidade de caracterizar símbolos do objeto investigado.

- “Validação como último critério de sucesso”. A fim de que a análise dos dados seja validada, é necessário que um constructo analítico seja elaborado. Esse constructo servirá como elo entre os dados independentes coletados e o objetivo final da análise. Apesar de ser uma condição básica da técnica de análise de conteúdo a falta de evidências diretas acerca do fenômeno estudado, é necessário que seja registrado, de forma clara, o tipo de evidência necessária para a validação do resultado da análise.

Para resumir suas considerações sobre o tema, o autor coloca que a análise de conteúdo

é capaz, em primeiro lugar, de aceitar dados simbólicos de comunicação relativamente desestruturados, e em segundo, de analisar os fenômenos não observados por meio de dados relacionados a esse fenômeno, independente da linguagem que está envolvida. Uma vez que a maioria dos processos sociais ocorrer através de símbolos, a maior utilização da análise de conteúdo encontra-se nas ciências sociais e humanas” (Krippendorff, 1980, p. 33).

3.6.1 A UTILIZAÇÃO DO ATLAS.TI

O tratamento de dados desta pesquisa foi realizado por meio da técnica de análise de conteúdo, como explicado acima. Buscou-se assim, a divisão dos textos gravados e transcritos em categorias de organização e análise, a partir da visão de mundo das entrevistadas.

Para facilitar o surgimento e visualização destas categorias, usou-se uma ferramenta de pesquisa quantitativa, denominada ATLAS.ti. Este software permite a criação de inúmeras categorias, ao mesmo tempo em que possibilita a inserção de comentários sobre as mesmas e ainda a análise cruzada entre elas. A possibilidade de organização de categorias afins em famílias, também mostrou-se um grande facilitador durante a análise, já que possibilitou a organização dos trechos em temas centrais considerados relevantes para a análise final dos resultados. O ATLAS.ti ainda disponibiliza a visualização de todos os trechos que foram selecionados sob a mesma categoria.

A análise de dados foi portanto realizada através do software ATLAS.ti da seguinte maneira: as transcrições das entrevistas foram inseridas neste programa e durante a leitura das mesmas, categorias de análise foram emergindo a partir dos temas abordados pelas entrevistadas e dos objetivos intermediários e o objetivo principal desta pesquisa. Cada trecho foi destacado e comentado sob uma determinada categoria. Apesar das falas de cada entrevistadas terem se mostrado bastante ricas em conteúdo, ao final da categorização de todas as entrevistas, algumas categorias foram abandonadas por não se mostrarem relevantes em relação aos objetivos desta pesquisa. O processo de categorização ocorreu até o momento em que a pesquisadora considerou saturados a diversidade de enfoques possíveis para satisfazer a análise final de dados. Assim, seguiu-se a análise propriamente do conteúdo de cada entrevista. O software ATLAS.ti possibilitou desta forma uma maior eficiência e clareza no levantamento e observação de categorias dos discurso a serem analisados.

Benzer Belgeler