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OKSİDATİF STRES

4.2. Antioksidan Uygulamasının Saklanan Tam Kanın Kalitesi Üzerine Etkileri

É possível encontrar indicações de uma “nova” cidadania, substitutiva da concepção tradicional que necessita da noção de “Estado-nação” para se configurar, em favor de uma noção amplíssima que contemplaria a cidadania em um mundo globalizado, onde o Estado-nação vai perdendo lentamente a importância. (VIEIRA, 2001)

É curioso mencionar que o dicionário Aurélio a partir de sua 2ª edição (1986) e também o dicionário Houaiss registram a idéia de “cidadão do mundo”, onde a noção de Estado perde a importância. No Aurélio, o enunciado definidor é “homem que põe os interesses da humanidade acima dos da pátria”. No Houaiss, cidadão do mundo é o “indivíduo que coloca suas obrigações para com a humanidade acima dos interesses de seu país”.

Essa noção não é novidade entre os sentidos que a história da palavra na língua portuguesa registrou59, mas atualmente podemos dizer que é condizente com tempos de globalização já que diluí a idéia de Estado na composição do sentido de cidadania. A nosso ver, é uma concepção de cidadania, em muitas de suas formas de enunciação, mais de cunho moral do que jurídico e político, mais próxima de um ideal difuso de fraternidade do que dos ideais de liberdade e igualdade, que normalmente são os princípios-chave da cidadania.

De toda sorte, há uma reconfiguração concreta da cidadania em andamento na Comunidade Européia, por exemplo, em que a ligação do cidadão ao Estado nação tradicional convive com um vínculo que extrapola as fronteiras territoriais de um país.

Dessa forma, a tríade “cidadão-direitos-Estado” vai sendo alterada no pólo “Estado”, para se encaminhar para uma cidadania global, ou mundial.

59 Segundo OLIVEIRA (2006, p88) esse sentido já apareceu antes na história da língua portuguesa na obra de Frei Domingos Vieira, “Thesouro da Lingua Portugueza” de 1871, onde se lê “cidadão do mundo, cidadão do universo, homem que põe os interesses da humanidade acima da pátria” do mundo” , correspondendo aos ideais universalistas do Iluminismo.

Entretanto, o efeito pretensamente benéfico e generoso de uma cidadania mundial pode ser relativizado e para isso citamos a advertência de Hannah Arendt:

Nossos conceitos políticos, segundo os quais temos de assumir responsabilidade por todos os assuntos públicos ao nosso alcance, independentemente de uma “culpa” pessoal, pois como cidadãos nos tornamos responsáveis por tudo o que nosso governo faz em nome do país, podem nos levar a uma situação intolerável de responsabilidade global. A solidariedade entre a humanidade pode muito bem se converter numa carga insuportável, e não surpreende que as reações habituais a isso sejam a apatia política, o nacionalismo isolacionista ou a rebelião desesperada contra todos os poderes, mais do que um entusiasmo ou desejo de fazer ressurgir o humanismo. (2008, p. 92-93)

3.4.2. “Empresa-cidadã”

As novidades no tocante à noção de cidadania que consideramos anteriormente referem-se a seres humanos, pessoas físicas, como titulares de um feixe ampliado de direitos ou participantes de uma ordem mundial cosmopolita ou territorialmente alargada.

Portanto, é curiosa, a acepção de cidadania ligada a ações de pessoas jurídicas, corporações privadas, normalmente com fins lucrativos. Retomando a observação que fizemos quando indicamos que em alguns momentos a Constituição de 1988 reserva à cidadania um sentido tão somente de eleitor, cumpre lembrar que a pessoa jurídica não pode ajuizar ação popular por não ser eleitora e, portanto por não ser propriamente cidadã em sentido estrito, o que é revelador do uso indiscriminado das palavras cidadania e cidadão em contextos não políticos como nos discursos corporativos contemporâneos, onde se firmou a idéia de “empresa-cidadã.” A rigor, uma empresa pode ser nacional, mas só os indivíduos podem ser cidadãos. Em que medida, então, uma empresa seria “cidadã”? Ora, nesse caso podemos dizer que a tríade “cidadão-direitos-Estado” foi atingida no pólo do próprio “cidadão”, enquanto uma pessoa humana, para dar lugar a corporações privadas. Só um uso alargado da palavra, em que parece sobressair-se uma idéia difusa de responsabilidade empresarial pode justificar essa acepção. A empresa é “cidadã” porque assumiria responsabilidades em relação à comunidade, além de meramente auferir lucros.

Essa responsabilidade social envolveria medidas que demonstram ou procuram demonstrar o alto grau de consciência social do empresariado e seus funcionários que ao

realizarem as atividades econômicas que lhes são afetas, não deixariam de se preocupar com questões ecológicas, justiça social, distribuição de renda, etc.

Monica de Jesus Cesar em trabalho que procura dissecar o conceito de empresa- cidadã, localiza no tempo o fenômeno e nos oferece uma noção geral de responsabilidade social corporativa:

No decorrer dos anos 1990, a idéia da “responsabilidade social corporativa” ganhou consistência no meio empresarial, sendo traduzida como o conjunto de atividades que a empresa realiza para atender, internamente, às necessidades dos seus empregados e dependentes e, externamente, às demandas das comunidades, em termos de assistência social, alimentação, saúde, educação, preservação do meio ambiente, e desenvolvimento comunitário, entre outras. (CESAR, 2008, p. 18)

Evidentemente que a “cidadania corporativa” apresenta grande ambigüidade, na medida em que se pode selecionar as “condutas cidadãs” a serem desempenhadas com base em critérios de retorno, como por exemplo, a criação de uma imagem positiva da própria corporação no mercado e parece razoável supor que dificilmente tais escolhas se submeterão a decisões políticas ampliadas que não se coadunem aos interesses diretos ou indiretos de lucratividade da corporação.

Benzer Belgeler