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MATERYAL VE METODLAR

4.3. Antidiyabetik Aktivite Tayin

Este trabalho, fundamentado nos Estudos da Tradução baseados em Corpus (Baker, 1993, 1995, 1996), na Lingüística de Corpus (Berber Sardinha, 2000, 2004; Tognini-Bonelli, 2001) e, em parte, na Terminologia (Aubert, 1998; Barros, 2004; Krieger & Finatto, 2004), segue a abordagem interdisciplinar proposta por Camargo (2004, 2005) para observar o emprego do conjunto léxico das subáreas analisadas pelos tradutores que compõem este estudo. Com a ajuda desta abordagem, pudemos comparar, empiricamente, os dados estatísticos dos TOs e dos TTs e verificar se os traços de simplificação e explicitação estavam presentes nas traduções produzidas pelos profissionais citados.

A abordagem interdisciplinar adotada e o auxílio das ferramentas de busca permitiram iniciar a elaboração de três glossários bilíngües com os termos mais freqüentes utilizados pelos autores dos artigos em português, assim como os termos equivalentes comumente empregados pelos tradutores de cada subárea. Também pudemos verificar se os termos usados pelos tradutores tinham correspondência com os termos usados por autores de língua inglesa.

O software WordSmith Tools, por meio de suas ferramentas e utilitários, facilitou consideravelmente a análise de uma quantidade de dados, obtidos de maneira muito mais rápida e exata do que manualmente. As linhas de concordância serviram de apoio e esclareceram dúvidas em relação aos termos levantados, ao mostrar o cotexto no qual estão os termos estão inseridos. Além disso, as concordâncias também permitiram observar a organização das palavras dentro de sintagmas. A maioria dos termos levantados não tem significado independente, mas seus elementos se inter-relacionam gerando especificidades próprias, de acordo com sua função dentro do contexto de cada subárea médica.

Constatamos que os termos produzidos por composição sintagmática são comumente usados pelos autores dos artigos em L1, como em “hipertensão” → “hipertensão arterial” →

“hipertensão arterial sustentada” → “protocolo hipertensão arterial sustentada”. Verificamos que os tradutores também recorrem ao emprego de termos produzidos da mesma forma, como os equivalentes dos termos acima: hypertension → arterial hypertension → transient arterial hypertension → transient arterial hypertension protocol.

No caso dos termos que se tornam muito compridos, pudemos observar a recorrência do uso de siglas como, por exemplo, em “anestesia venosa total (AVT)” que teve como equivalente no TT o termo total intravenous anesthesia (TIVA). O emprego de siglas foi constatado nos textos originais e traduzidos, assim como nos artigos originalmente escritos em L1 e em L2, o que mostra a familiaridade dos tradutores em relação aos textos das subáreas médicas que costumam traduzir.

A intuição do analista, bem como as discussões com os profissionais da área, mostrou- se essencial para o desenvolvimento de estudos dessa natureza. Verificamos que alguns termos levantados nos corpora do estudo, respectivamente utilizados pelos tradutores em seus textos, apresentaram possibilidades diferentes de correspondência em inglês, como por exemplo: “enxerto ósseo” que apresentou dois equivalentes: bone graft e bone stock. De acordo com o especialista da subárea de ortopedia, os dois termos são empregados, mas depenrão do material a ser utilizado no enxerto.

Também encontramos alguns termos no corpus principal que mostraram pequenas diferenças em um dos seus elementos constituintes em relação aos termos nos corpora comparáveis, como: “bloqueio neuromuscular residual”, cujo equivalente nos TTs de anestesiologia foi residual neuromuscular block e que consta nos TOIs como residual neuromuscular blockade. De acordo com o especialista de anestesiologia, ambos os termos em inglês são usados e estão corretos.

Outro caso a ser comentado foi o esclarecimento, por parte da especialista de cardiologia, sobre a omissão de palavras em alguns termos, ou seja, o processo de elipse

lexical, como no termo “atresia pulmonar” que é comumente empregado por profissionais da área, mas que nos livros de medicina e em dicionários constará como “atresia da valva pulmonar”.

Ao compararmos os termos mais freqüentes em L1, bem como seus equivalentes em L2 empregados pelos tradutores, aos termos comumente utilizados por autores que escrevem originalmente em L1 e L2, nos deparamos com aproximações e distanciamentos destes termos.

Com relação às aproximações observadas entre o corpus principal e os corpora comparáveis, pudemos notar que a maioria dos termos simples levantados nos TOs encontra equivalência nos TTs e também está presente nos corpora comparáveis como, por exemplo, em “analgesia”→analgesia; “enxerto”→graft, e em “artéria”→artery. Este resultado aponta para uma maior literalidade por parte dos tradutores e uma correspondência com os termos utilizados pelos autores da língua portuguesa e da língua inglesa.

Quanto aos distanciamentos entre os corpora da pesquisa, pudemos notar que vários termos complexos, encontrados nos TOs e nos TTs do corpus principal como, por exemplo, “anestesia peridural” → epidural anesthesia, “hipertensão arterial sustentada”→ sustained arterial hypertension e “enxerto ósseo acetabular” → acetabular bone graft não estão presentes nos corpora comparáveis. Tal fato talvez evidencie a falta de uma maior diversidade de textos que compõem os corpora comparáveis, o que nos levou a optar pela proposta de uma futura busca de termos na Webcorp.

Devido ao fato de boa parte desses termos, via de regra, não constarem em dicionários especializados, a busca por equivalentes de termos complexos traz mais dificuldades para o tradutor do que no caso dos termos simples. Por isso, optamos por incluí-los, mesmo apresentando alguma diferença. Nesse sentido, evidencia-se a validade de glossários de

termos mais freqüentes nas subáreas médicas, como os que foram propostos na presente pesquisa.

No que tange às características de tradução, foi possível notar algumas evidências em relação aos traços propostos por Baker (1996), entretanto, sabemos que os resultados apresentados neste trabalho não podem ser generalizados, visto que os corpora são de pequeno-médio porte. Acreditamos que as evidências encontradas nesta pesquisa permitirão contrastes com futuros trabalhos desta natureza.

Embora os dados tenham mostrado que os tradutores costumam trabalhar com estruturas nos TTs bastante próximas dos respectivos TOs, as análises evidenciaram mudanças em relação à pontuação e à maior quantidade de repetição de palavras nos TTs.

A simplificação mostrou-se mais evidente que a explicitação. O exame de pontuação nos três subcorpora de TTs indicou uma preocupação, por parte dos tradutores, em manter a mesma pontuação dos TOs, no entanto, quando houve alguma alteração, a pontuação mais forte foi utilizada nos TTs, como, por exemplo, uma vírgula substituindo um ponto e vírgula, ou o ponto final substituindo o ponto e vírgula, quebrando sentenças mais longas.

Considerando-se a variação forma/item de cada subárea analisada, ou seja, a variação lexical entre os TOs e os TTs, a tradutora de anestesiologia foi a que teve uma menor diferença em relação ao resultado dos TOs. Nos TOs, a razão forma/item foi de 40,47 e nos TTs, a variação foi de 39,14, com uma diferença de 1,33.

Já o tradutor de ortopedia apresentou uma variação intermediária em comparação às outras duas profissionais. O resultado da razão forma/item dos TOs foi de 42,53 e a dos TTs de 40,13, com uma diferença de 2,40.

Por sua vez, a tradutora de cardiologia foi a que mostrou maior diversidade ao apresentar a diferença entre a razão forma/item mais alta entre os TOs e os TTs. O resultado dos TOs foi de 39,77 e o dos TTs de 35,48, diferença de 4,29

Com os resultados da razão forma/item dos três subcorpora de TTs, pudemos verificar que, embora os resultados possam ter sido diferentes, sempre houve uma menor variação lexical nos TTs do que nos TOs, o que apontou para o princípio de simplificação proposto por Baker (1996).

Em relação ao comprimento médio das sentenças, característica analisada para o exame da explicitação, o tamanho das sentenças dos TTs de anestesiologia mostrou-se bastante semelhante ao tamanho das sentenças dos TOs, tendo, poucas vezes, ocorrido casos de diminuição. No subcorpus de cardiologia, o comprimento também foi semelhante. O único caso em que o comprimento das sentenças foi visivelmente perceptível foi no subcorpus de ortopedia, em que o tradutor especialista da área e também médico, optou por diminuir algumas sentenças, o que, neste caso, não evidenciou o princípio de explicitação proposto por Baker (1996) segundo o qual as sentenças dos TTs são, em geral, mais longas que as dos TOs.

Gostaríamos de salientar que a proposta deste estudo interdisciplinar, parte integrante do projeto PETra, visa oferecer uma contribuição para os Estudos da Tradução Baseados em Corpus. Acreditamos que os resultados obtidos mostram que a articulação das diferentes áreas que compõem o estudo produziu um trabalho que poderá fornecer subsídios a futuras pesquisas voltadas para a formação do tradutor. Tais pesquisas possibilitarão uma reflexão teórica sobre os Estudos da Tradução e uma abordagem empírica envolvendo os Estudos da Tradução Baseados em Corpus e, no caso dos textos técnico-científicos, uma observação mais atenta à terminologia específica da área envolvida possibilitando também a elaboração de obras terminográficas.

Benzer Belgeler