• Sonuç bulunamadı

4. ARAŞTIRMA SONUÇLARI VE TARTIŞMA

4.1. Antibakteriyel Aktivite Sonuçları

“A juventude é uma concepção, representação ou criação simbólica,

fabricada pelos grupos sociais ou pelos próprios indivíduos tidos como jovens, para significar uma série de comportamentos e atitudes a ela atribuídos. Ao mesmo tempo, é uma situação vivida em comum por certos

indivíduos.” (GROPPO, 2000)

As discussões acerca do tema juventude trazem diversas contradições, e confirmam a impossibilidade de fechar tal conceito sob qualquer tipo de ótica seja pela faixa etária, seja por questões de gênero, raça, classe social, seja pelos seus gostos ou identidades que externam. Devemos compreender que juventude não pode (nem deve) ser caracterizada por apenas um desses elementos, mas devemos entender que tal classe engloba todos esses conceitos e que se diferencia em todos estes.

É importante iniciarmos esta discussão através da construção do termo juventudes. Bourdieu (1983) afirma a existência de diversas juventudes (no texto ele se limita a duas: a juventude proletária e o estudante jovem burguês, mas admite a existência de outras) e, afirma que esta é apenas uma palavra, pois, juventudes é um conceito construído socialmente na luta entre os jovens e os velhos. O autor, ainda, afirma que tal conceito é manipulável, visto que cada campo terá sua representação de juventude e limitá-la a uma questão etária já seria uma manipulação do conceito, para o autor:

39 A idade é um dado biológico socialmente manipulado e manipulável; e que o fato de falar dos jovens como se fossem uma unidade social, um grupo constituído, dotado de interesses comuns, e relacionar estes interesses a uma idade definida biologicamente já constitui uma manipulação evidente. (p. 4)

NOVAES (2007) também considera o termo desta forma, como uma construção, pois para a autora juventude é um conceito construído socialmente e historicamente, cada sociedade em seu tempo é que vai determinar os limites entre a infância / juventude/ adulto (Novaes, 2007). Segundo Schmidt (2001) é com o desenvolvimento da escola moderna que passa a existir a diferenciação entre esses três estágios, já que

“O adulto alfabetizado tinha acesso a todas as informações profanas e sagradas dos livros, a todos os segredos da vida humana. As crianças não tinham. Por isso é que eram crianças e por isso eram obrigadas a ir à escola.” (P.184).

O termo juventude passa a ser utilizado, apenas, com o advento da sociedade moderna, tendo em vista que em sociedades antigas e medievais, as crianças e adolescentes eram vistos

com “adultos em miniaturas”, “nesse contexto, os meninos de 8 aos 12 anos eram

considerados adultos-aprendizes e vestiam-se como tais, de acordo com a camada social” (LEITE, 1997, apud JOST, 2006).

Atualmente, podemos constatar não apenas a presença do termo juventude, mas de diversas juventudes, percebe-se isso nos seus anseios, suas vontades, suas dificuldades, seu modo de viver. Diferenciam-se por classe social, por local de moradia, pelo vestuário, pelo gosto musical etc. Assim, percebe-se que a análise da juventude traz consigo diversos conceitos, diversos modos de aprisionar tal momento da vida.

De acordo com o Estatuto da Juventude (BRASIL, 2011), jovem é aquela parcela da população que possui a idade entre 15 e 29 anos, mas essa restrição não esgota o conceito de juventude, pois independentemente da faixa etária que se estabeleça “jovens com idades iguais vivem juventudes desiguais” (NOVAES. 2006). Como podemos perceber, juventude é uma definição que vem passando por uma metamorfose ao longo do tempo e se diferencia nas diversas culturas e espaços sociais.

Socialmente o jovem é percebido de duas formas, primeiro pelos problemas associados a ele e segundo por ser uma fase transitória. Entre os problemas normalmente associados a sua imagem, podemos citar: a delinquência (muito forte atualmente devido à atuação da mídia), a drogadição, a rebeldia. Tais problemas geram uma demanda de políticas

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públicas de enfrentamento, no que concerne a ordem social. Devido ao grande apelo midiático, que forma opiniões no cerne da população, ações de controle social recaem sobre a população juvenil (DAYRELL e GOMES, 2009). Porém deve-se reconhecer o crescente número de jovens que praticam atos ilegais. Pelos números das unidades de internação entre meninos e meninas estão acolhidos 872 jovens no Estado do Ceará20. Porém essa postura de perceber o jovem, apenas, como um problema, inibe ações na área dos direitos que trazem políticas que focam a juventude em suas potencialidades e possibilidades (DAYRELL e GOMES, 2009).

Novaes (2009) faz uma crítica às políticas públicas que em sua maioria trazem um apelo assistencialista e de remediação, que trabalham com os jovens em uma perspectiva de recuperá-los e oferecendo-lhes oportunidades que não cessam suas necessidades, para a autora as políticas deveriam tocar os jovens desde cedo, fazendo aflorar neles suas potencialidades, as políticas deveriam oportunizar esses jovens, não remediar.

Por outro lado, a juventude foi tradicionalmente tematizada como uma fase transitória para a vida adulta, dessa forma seria exigido um esforço coletivo de diversos atores sociais, principalmente da família e da escola, para tornar esse jovem um “adulto socialmente

‘ajustado’ e ‘produtivo’ (DAYRELL e GOMES, 2009). Nessa visão surge como conceito

central o de socialização que sugere que tal transição é demarcada por etapas sucessivas e organizadas nas quais o jovem incorpora elementos socioculturais que caracterizam o mundo adulto (CASTRO e AQUINO, 2008), tais como: a saída da casa dos pais, a autossuficiência financeira, o início da vida sexual, a construção de uma família.

Nessa fase de transição não podemos desconsiderar conceitos como o de moratória social, onde o indivíduo alarga o seu momento de juventude, aproveitando esse tempo, principalmente, para estudos, viagens etc (CASTRO e AQUINO, 2008). Há de se analisar também a moratória psicossocial, que é o período em que o adolescente “elabora todas as

identidades infantis de forma única” (ERIKSON, 1976; apud JOST, 2006), ou seja, é um

período em que o jovem deve ressignificar todos os valores adquiridos durante a infância para as novas possibilidades que surgem com o advento da adolescência, sendo assim:

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41 em busca de um novo sentido de continuidade e uniformidade, que agora inclui a maturidade sexual, os adolescentes precisam enfrentar uma nova crise, que consiste em integrar todos os elementos anteriores da identidade à sociedade, que é um novo meio, agora mais vasto e indefinido, que lhe cobra respostas imediatas (ERIKSON, 1976; apud JOST, 2006).

Nesse sentido Jost (2006) faz um alerta de que a falha nessa moratória pode levar o jovem a delinquir, “como forma de defesa da própria vida, numa tentativa desesperada de

cobrar da sociedade o seu tempo de adolescência” (JOST, 2006).

Podemos perceber através dessa análise que o conceito juventude traz dois momentos de percepção, ora o jovem é visto como um indivíduo “doente”, “problemático”, ora é visto

como sendo “ajustado” e “produtivo” (CASTRO e AQUINO, 2008). Devemos fazer uma

relação de que por muito tempo a juventude foi percebida como um problema, como exemplo disso na criação do Código de Menores, que surge em 1927, e passa por uma reforma em 1979, que foi o primeiro documento legal para a população menor de 18 anos. Tal documento foi formulado para a população jovem, pobre, em situação de vulnerabilidade, percebe-se isso quando vemos quem era atendido pelo documento, apenas as crianças e adolescentes autores de ato infracional ou em situação de rua, ou seja, os filhos da classe média ou da elite não possuíam tais especificações21.

Apenas com os movimentos de luta pela garantia dos direitos da criança e do adolescente, que desembocam na criação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), contraposto ao Código de Menores, que o jovem passa a ser visto como um sujeito de direitos e deveres; outra mudança que ocorre é que com o estatuto passa a serem garantidos os direitos e deveres de todas as crianças e adolescentes, não mais, apenas aqueles em situação de autor de ato infracional ou em situação de rua.

Dar-se-á atenção no próximo momento desta pesquisa às políticas punitivas que

foram criadas para “favorecer” a juventude do Brasil. Veremos que as políticas para esse

segmento surgem, inicialmente, a fim de manter os jovens das classes pobres longe dos espaços destinados à elite, visto que eles eram tidos como perigosos e criminosos. Esta imagem, como veremos, não passa por uma mudança significativa ao longo dos anos.

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Benzer Belgeler