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 Bazı Schiff Bazlarının Dimerik Kompleksleri 

2. KAYNAK ARAŞTIRMAS

4.2.  Antibakteriyel Çalışmalar 

EM BUSCA DA SAÚDE IDEAL

Abrimos espaço neste capítulo para tratarmos das compreensões, saberes e práticas sobre a saúde veiculadas e defendidas pelos apresentadores/jornalistas Renata Ceribelli e Zeca Camargo, bem como pelos profissionais da Educação Física, Nutrição e Medicina envolvidos no quadro Medida Certa.

Ao realizar um estudo epistemológico do conceito de saúde percebemos que esta foi e é compreendida a partir de diferentes referenciais, além disso, para ela foram desenvolvidos inúmeros saberes e práticas através dos conhecimentos biológicos, fisiológicos, anatômicos, mas também a partir de conhecimentos provindos da filosofia, psicologia, dentre outros.

De acordo com Carvalho (2001, p. 13) “o conceito de saúde está historicamente associado ao de doença”. Segundo a autora:

O conceito de saúde ao longo do tempo, significou: ausência de doença (visão simplista), completo bem-estar físico-psíquico-social (visão idealista), está em um padrão “normal” (visão relativista), ou ainda disposição de superação das adversidades físicas, psíquicas e sociais (visão subjetivista) (CARVALHO, 2001, p. 13).

De acordo com os argumentos utilizados acima, evidenciamos que a saúde assumiu diferentes compreensões ao longo do seu processo histórico, no entanto, uma coisa parece consenso em todas as compreensões apresentadas, ou seja, a sua inerência aos seres humanos. Diante disso, visualizamos que a compreensão de corpo utilizada contribui para a defesa de uma concepção de saúde, visto que, corpo e saúde estabelecem relações circulares.

Ao analisar as compreensões, saberes e práticas sobre a saúde no quadro Medida Certa evidenciamos que estas estão diretamente relacionadas à uma compreensão de corpo com características específicas. Portanto, verificamos que de forma direta ou indireta a saúde sempre esteve relacionada ao corpo, seja este corpo visualizado sobre a ótica do corpo objeto, corpo máquina, ou mesmo a compreensão de corpo enquanto sujeito. Assim, podemos afirmar que a compreensão de corpo influenciará diretamente na forma como a saúde é compreendida.

Entretanto, é necessário considerar que no cenário contemporâneo somos influenciados também quanto à compreensão de saúde a partir das influências das informações midiáticas. Conforme argumenta Dantas (2007, p. 27), “os discursos da mídia agem como uma prática pedagógica” e enquanto esta, tem oportunizado a divulgação e produção de uma série de conhecimentos sobre o corpo. Caracterizando-o como “objeto de diferentes pedagogias culturais, o corpo encontra particularmente na pedagogia da mídia, a emergência de uma certa pedagogia do corpo saudável”. Portanto, ao divulgar informações sobre hábitos saudáveis, dentre outras informações, os espaços midiáticos acabam por reforçar o desenvolvimento dessa pedagogia de um corpo saudável.

Sobre os saberes relacionados à saúde, verificamos que ao longo da história se constituíram com grande predominância da área médica. Inicialmente, falar e discutir sobre saúde era algo que ficaria restrito aos médicos. Eram os médicos os detentores do conhecimento da área da saúde, eles quem dominavam seus discursos e suas práticas (FOUCAULT, 2004).

Todavia, evidenciamos que os discursos e práticas sobre a saúde passaram por ressignificações e oportunizaram espaço de atuação para outras áreas, dentre as quais destacamos a Educação Física (MENDES, 2007). Nessa “descentralização” da saúde da Medicina, Dantas (2007, p. 145) argumenta que a própria mídia tem contribuído na promoção de uma maior informação dos indivíduos que deixam de ser tão dependentes da instituição médica e de seus códigos. Segundo ele, “as redes de informação sobre saúde, fazem com que o individuo tenha mais detalhes para decidir sobre sua saúde ou o seu tratamento, que resultam em uma melhor discussão com os médicos”. Entretanto, a veracidade das informações divulgadas pela mídia será de fundamental importância neste processo, bem como, as fontes de onde estas são provenientes.

Embora tenhamos conseguido ampliar o campo de conhecimento e atuação sobre a saúde, percebemos que até os dias atuais os saberes médicos ainda têm grande influência sendo em muitos casos exclusivos e hegemônicos. Entretanto, o desenvolvimento de estudos realizados em outras áreas têm buscado a afirmação de novos campos de saberes e práticas sobre esta.

Portanto, assim como o corpo, a compreensão de saúde, bem como seus saberes e práticas, também não tiveram um percurso linear na sua constituição, nela foram realizadas rupturas e continuidades que lhe permitiram em momentos distintos ser caracterizada como ausência de doenças, associada aos padrões estéticos, pensada apenas a partir dos elementos biológicos, uma saúde individualizada, institucionalizada através da Organização Mundial de Saúde (OMS), ou mesmo pensada a partir de uma perspectiva existencial (MENDES, 2007).

Atualmente verificamos que a saúde se tornou objeto de consumo, sendo que este é efetivado a partir da aquisição de bens e serviços veiculados constantemente nos espaços midiáticos. O espaço na mídia para a discussão dos temas da saúde tem aumentado consideravelmente nos últimos tempos, fato que contribui para a caracterização da chamada “geração saúde”.

Diante do quadro “Medida Certa” do Fantástico, elencamos as seguintes categorias para discussão das compreensões, saberes e práticas de saúde que são: Saúde baseada em índices de normalidade e biológica; Saúde associada ao emagrecimento e à padrões estéticos; e, Saúde associada a atividade física e ao controle alimentar. Todavia, é válido salientar que embora tenhamos a separação destas categorias as mesmas estabelecem diálogos em muitas das compreensões, saberes e práticas sobre a saúde. Assim, não devemos visualizá-las como antagônicas e sem possibilidade de relação. Diante as categorias de conteúdos analisadas propomos ao final deste capítulo uma compreensão de saúde existencial que oportuniza ressignificações dos saberes e práticas aplicados em sua busca da saúde.

Saúde baseada em índices de normalidade biológica

Apresentamos nesta categoria os discursos do quadro Medida Certa que referenciam a saúde a partir dos elementos biológicos constituintes do corpo humano em um estado de equilíbrio, ou seja, nos seus índices de normalidade. A saúde nesta perspectiva foi visualizada como equilíbrio do corpo no que se refere aos seus processos fisiológicos e sua composição bioquímica.

Nas reflexões realizadas por Canguilhem (2011) encontramos respaldo crítico para essa compreensão de saúde associada a uma normalidade biológica. Segundo o referido autor, o médico, reconhecido socialmente como principal responsável pelo cuidado com a saúde, “tira a norma do seu conhecimento da fisiologia, dita ciência do homem normal, de sua experiência vivida das funções orgânicas, e da representação comum da norma em um meio social em dado momento”. Ainda segundo o autor, “as constantes fisiológicas são, portanto, normais do sentido estatístico, que é um sentido descritivo, e no sentido terapêutico, que é um sentido normativo” (CANGUILHEM, 2011, p. 77). Essa compreensão de saúde restrita a normas biológicas é refletida e criticada pelo autor citado diante a impossibilidade de apreensão dos diversos constituintes e significados que a saúde desperta na vida dos sujeitos.

Compreendemos que a constituição biológica do corpo e o funcionamento dos seus componentes são essenciais na conquista da saúde dos seres humanos, entretanto esta não deve servir como único parâmetro de análise em sua aquisição. Assim, reconhecemos a relevância dos componentes biológicos, mas entendemos que a saúde como algo que acontece/existe no ser humano trás em si uma complexidade maior, pois os aspectos biológicos não se isolam dos acontecimentos sociais que este participa, da cultura, da história e das sensações que experimenta.

No entanto, no quadro Medida Certa evidenciamos uma exacerbação dos aspectos biológicos como essenciais, e em muitos momentos como únicos responsáveis, para a aquisição da saúde. Esta compreensão de saúde relaciona-se diretamente com a compreensão de corpo enquanto biológico demasiadamente enfatizada no quadro.

Nesta compreensão de saúde, enfatiza-se a composição corporal e a estabilização dos elementos biológicos, ou seja, o equilíbrio ocasionado entre os componentes bioquímicos e anatômicos e seus respectivos processos fisiológicos como forma de melhorar a estabilidade do corpo. Essa estabilidade seria conseguida diante a adequação em índices de normalidade dos diferentes constituintes, como os verificados através dos exames que os apresentadores foram submetidos. Na imagem 20 podemos evidenciar a jornalista Renata Ceribelli realizando o teste de esforço.

Ao analisar a imagem 20, evidenciamos a apresentadora sendo submetida ao teste de esforço, a expressão de exaustão visível na face da jornalista demonstra todo o esforço demandado na realização do exercício. Os eletrodos fixados ao corpo buscam captar todos os efeitos sofridos pelo corpo e traduzir esses efeitos a uma linguagem compreensível pela medicina. Verifica-se mais uma vez a prevalência dos conhecimentos técnicos-científicos. No entanto, entendemos que o esforço em toda sua completude não pode ser mensurado, pois envolve outros aspectos como a situação de cada indivíduo que não pode ser apreendida por uma classificação em padrões.

Os valores numéricos e os índices pré-estabelecidos são essenciais dentro desta compreensão. Essa configuração da saúde compartilha da ideia apresentada por Chammé (1996, p. 65) quando argumenta que “enquanto a sociedade vai se tornando mais instrumentalizada, mais mecanizada, o corpo vai passando a ser visto sob a ótica das novas descoberta das ciências físico-químicas, tecnológicas e biológicas”.

Retornando ao “Medida Certa”, em um dos momentos do quadro, a nutricionista Laura Breves ao avaliar o jornalista Zeca Camargo refere-se a ele afirmando que “você passou do índice considerado normal”, para tanto a mesma diz que utiliza parâmetros de saúde para esta avaliação, não especificando quais (LAURA BREVES, VÍDEO FANTÁSTICO 01). A afirmativa da nutricionista deixa expresso o entendimento de que a obtenção da saúde está estabelecida através de parâmetros, sendo estes predominantemente expressos através dos valores numéricos.

Os índices de normalidade são verificados através dos exames bioquímicos, das avaliações médicas, dos testes físicos, das pesagens e medições realizadas, além dos cálculos matemáticos e da estatística. Segundo Chammé (1996, p. 67) “o pensamento estatístico foi adquirindo conotações que puderam demonstrar a importância e a potencialidade dos números: eles servem para revelar ou para ocultar”. De acordo com o quadro, compreendemos

que em se tratando da saúde, os números podem reconhecer os seres humanos como saudáveis ou não a partir de índices de referência.

Em outro momento do quadro, o cardiologista Alexandre Carvalho avalia os exames realizados pelos jornalistas Renata Ceribellli e Zeca Camargo ao final do quadro. Segundo ele, ao se referir à Renata, diz que “com relação a sua saúde você melhorou mais ainda. O seu colesterol bom aumentou, seu colesterol ruim caiu, ou seja, o que estava bom ficou melhor”. O cardiologista argumenta que estes benefícios são “efeito de exercício, não tem como a gente negar isso” (ALEXANDRE CARVALHO, VÍDEO FANTÁSTICO 13).

Sobre Zeca Camargo o cardiologista Alexandre Carvalho afirma que “hoje você é uma pessoa normal quanto ao seu colesterol”. Sobre os motivos que levaram os índices de colesterol do apresentador a baixarem, o cardiologista comenta que foi consequência de “mais vegetais, colocou mais fibra, tirou um pouco daquela gordura saturada, isso naturalmente inverte e, obviamente colocou o exercício físico para consumir essa coisa toda”. Finalizando o diagnóstico clínico do jornalista o cardiologista ainda afirma: “você tinha um alto fator de risco para ter um problema no coração, seja um AVC, um infarto. Você tinha seis fatores de risco, mas hoje você ainda tem dois fatores de risco. 1 – obesidade, 2 – sedentarismo, 3- colesterol alto, 4 – a sua glicose que também caiu”. Além disso, complementa apresentando os dois outros fatores de risco: “a idade e o antecedente familiar a gente não tem como mexer nisso, tirando isso, todos os outros fatores que são modificáveis você conseguiu” (ALEXANDRE CARVALHO, VÍDEO FANTÁSTICO 13).

Os argumentos apresentados acima evidenciam mais uma vez uma compreensão de saúde que está atrelada aos padrões e índices de normalidade, especialmente no que concernem aos constituintes biológicos do corpo. Além disso, demonstra a grande influência do saber médico, o dono do veredito final.

Verificamos uma relação dessa compreensão de saúde com o que comenta Canguilhem (2011) sobre a saúde pensada como absoluta e perfeita. Segundo o autor “a saúde considerada de modo absoluto, é um conceito normativo que define um tipo ideal de estrutura e de comportamentos orgânicos; neste sentido, é um pleonasmo falar em saúde perfeita, pois a saúde é o bem orgânico” (CANGUILHEM, 2011, p. 90). Essa idealização de saúde trás concomitantemente uma idealização dos constituintes biológicos e do funcionamento do corpo. No entanto, o mesmo autor nos alerta para os riscos que corremos na constituição ideológica de um homem perfeito, visto que ao tratarmos da ideia de normalidade, especialmente associada aos constituintes biológicos, podemos restringi-la ao que está no meio, ou seja, entre os valores máximos e mínimos. Conforme argumenta, “a determinação das constantes fisiológicas, pela elaboração de médias experimentais obtidas apenas no âmbito de um laboratório, corre o risco de apresentar o homem normal como um homem mediano” (CANGUILHEM, 2011, p. 112).

A saúde visualizada através dos componentes biológicos ganha destaque nos discursos pela credibilidade que o visível, mesmo que através de exames médicos, possui no imaginário das pessoas. Os componentes biológicos do corpo oportunizam o parecer sobre sua saúde, desde que tudo esteja na “medida certa”.

Em um dos episódios do quadro, o jornalista Zeca Camargo relata sobre a sua avaliação e os resultados dos exames realizados. Comenta sobre os resultados negativos obtidos em seus exames de sangue, no teste de resistência e a retenção de líquido no tornozelo, e demonstra argumentos de constituintes biológicos fora dos índices de normalidade. Segundo o jornalista, ele possuía vários “índices incômodos, colesterol ruim alto, colesterol bom baixo, glicose dois pontos do aceitável” (ZECA CAMARGO, POSTAGEM 15).

O quadro enfatiza a necessidade do equilíbrio dos constituintes químicos do corpo, e que sua falta ou seu excesso prejudicam o funcionamento normal do mesmo. Sobre isso, destaca que a falta de alguns nutrientes acabam ocasionando problemas como: falta de memória, cabelos e unhas fracas, vontade de comer doce, retenção de líquido, intestino preso, entre outros (POSTAGEM 34).

De acordo com Canguilhem (2011, p. 121) “considerar os valores médios constantes fisiológicas humanas como a expressão de normas coletivas de vida seria apenas dizer que a espécie humana, inventando gêneros de vida, inventa ao mesmo tempo, modos de ser fisiológicos”. Percebemos que, ao buscar uma adequação biológica à padrões de normalidade os seres humanos acabam afirmando a necessidade de um padrão fisiológico e bioquímico do corpo humano.

Em uma das postagens realizadas no quadro fala-se da saúde a partir dos benefícios oportunizados pelas “gorduras do bem”. O profissional de Educação Física Márcio Atalla comenta que a gordura é frequentemente associada à características negativas, como problemas no coração. No entanto, as gorduras trazem inúmeros benefícios, pois estas são conhecidas como as “gorduras do bem”. Assim, Márcio Atalla destaca as funções das gorduras no corpo e diferenciam àquelas que oportunizam benefícios das que são prejudiciais ao corpo humano (POSTAGEM 71).

Diante das considerações feitas, é necessário compreendermos que “o verdadeiro papel da fisiologia, suficientemente importante e difícil, consistiria em determinar exatamente o conteúdo das normas dentro das quais a vida conseguiu se estabilizar, sem prejulgar a possibilidade ou a impossibilidade de uma eventual correção dessas normas” (CANGUILHEM, 2011, p. 123-124). Assim, embora estabeleçam normas, ou melhor, orientações, sobre índices que facilitariam o bom desempenho do corpo na realização de suas

atividades diárias é necessário que estejamos abertos a modificações e em muitos casos adaptações do corpo a índices diferenciados.

Nesta compreensão de saúde percebemos que prevalecem os saberes da área médica, especialmente quando fazem uso dos conhecimentos produzidos pela anatomia, bioquímica e fisiologia. Nela, não verificamos abertura para o reconhecimento das influências culturais, sociais e históricas impregnadas em cada ser humano. Verificamos a influência do saber médico em algumas passagens do quadro, por exemplo, quando argumenta que: “o que a medicina recomenda a quem tem varizes e quer praticar musculação, é que utilizem menos carga e executem um número maior de repetições” (MÁRCIO ATALLA, POSTAGEM 77). A citação apresentada deixa evidente o saber, ou mesmo veredito, médico em relação a temas que outras áreas teriam mais propriedades para falar, como neste caso, a prática de musculação.

De acordo com Prada Filho e Trisotto (2008, p. 116) “o corpo objeto tradicional das modernas ciências médicas é o corpo biológico, natural, sede de processos fisiológicos, solo firme, positivo, onde se instaura a doença”. Assim, o corpo saudável é aquele que adequa-se a uma normalidade dos constituintes biológicos e cujo saber deve ser de domínio predominante da medicina.

A categoria também apresenta uma referência à saúde como ausência de doença. Ou seja, ter saúde é não ter doença, assim, o que é doença? Diante os discursos e a sua base nos conhecimentos biológicos, à doença seria o desequilíbrio dos constituintes biológicos do corpo e dessa forma o funcionamento estaria comprometido.

Segundo Czeresnia (2007, p. 20) “a doença na sociedade ocidental é compreendida mediante o conceito de organismo, formulado com base em uma concepção mecanicista de corpo”. A autora ainda argumenta que “o conceito moderno de doença constitui-se por meio da análise da estrutura material do corpo, estudada pela anatomopatologia”. Além disso, “tem

como marca uma redução que encobre as relações em movimento, as emoções, a singularidade dos sujeitos” (CZERESNIA, 2007, p. 21).

Pensar a saúde enquanto ausência de doença trás também como ponto negativo a visualização da doença e não do sujeito doente. Assim, acontece um isolamento do que é doentio no sujeito não considerando que a doença está imbrincada em uma complexidade maior, ou seja, o ser humano.

Corroboramos com Canguilhem (2011, p. 141) quando afirma que “o organismo sadio procura, sobretudo, realizar sua natureza, mais do que se manter em seu estado e em seu meio atual”. O ser humano deve entregar-se a aventura de viver, a sua constante desestabilização, em vez de ficar preocupado e se manter numa busca exacerbada por padrões de normalidade.

Portanto, é preciso ter claro que “o homem sadio não foge diante dos problemas causados pelas alterações – as vezes súbitas – de seus hábitos, mesmo em termos fisiológicos; ele mede sua saúde pela capacidade de superar as crises orgânicas para instaurar uma nova ordem” (CANGUILHEM, 2011, p. 141). Assim, pensar sobre a saúde é dar capacidade ao corpo para reagir e adequar-se as “crises orgânicas” enfrentadas nas instabilidades do viver, gerando novas ordens fluidas e modeláveis de acordo com o ambiente e suas relações.

De acordo com Palma (2001, p. 24) “tratar de saúde é, em última instância, compreender as tramas sociais que se desenrolam nos projetos e políticas públicas. Parece ingênuo aceitar o determinismo biológico, como razão única, para conferir as análises sobre o processo saúde-doença”. Corroboramos com o autor ao reconhecer as limitações dos aspectos biológicos como definidores da saúde do corpo humano. O referido autor ainda nos alerta para os riscos de centrarmo-nos apenas nos aspectos individuais, visto que, “considerar, então, um foco individual pode ser insuficiente, já que a sociedade é mais que um agregado de indivíduos” (PALMA, 2001, p. 35-36).

Saúde associada ao emagrecimento e à padrões estéticos

Apresentamos nesta categoria as discussões e reflexões sobre a saúde associada ao emagrecimento e à padrões estéticos. Para isso analisamos os discursos proferidos no quadro Medida Certa que referenciam a associação linear entre um corpo magro e a saúde.

Inicialmente, o quadro Medida Certa apresenta como objetivo maior do seu desenvolvimento a busca pela obtenção da saúde dos apresentadores. No entanto, durante o seu desenvolvimento, além dos saberes e práticas utilizados, verificamos uma predominância da busca pela perda de peso, ou seja, do emagrecimento.

Embora o quadro defenda uma busca por saúde para os apresentadores e para o público envolvido, o mesmo em quase todas as reportagens exibidas referencia a saúde através das questões referentes ao peso, especialmente no que concerne o seu controle em

Benzer Belgeler