“O senhor... Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou.” (ROSA, 1986, p. 15)
Jovens e adultos. Permitiram-se aprender com o outro? Compartilharam momentos fraternos? O que terá significado para eles vivenciar a experiência?
Os desdobramentos dos acontecimentos apresentam-se neste capítulo.
Caminhos compartilhados
Nesse encontro, após a excursão, os participantes compartilharam as experiências entre si. Iniciamos exibindo as fotografias do percurso, gentilmente registradas por Fernanda Meirelles e Aline Campos, às quais sou imensamente grato pelo auxílio prestado.
Em seguida, solicitei a cada participante que resumisse, em uma palavra, sua impressão do percurso. Ouvimos os relatos individuais.
Para finalizar, a revelação: cada um dos quatro grupos definidos no primeiro encontro era responsável pela criação de um personagem. Iríamos escrever uma estória para crianças!
Todas essas etapas foram minuciosamente registradas por Aline Campos. Torno a reiterar os agradecimentos pelos préstimos desta estimada amiga.
Fiquemos com as palavras do momento, que certamente serão mais fiéis ao relato do que as lembranças que ainda mantenho.
Registro
O nosso terceiro encontro inicia-se com um círculo. Intercalado: convidado, PEJA, convidado, PEJA...
A proposta de hoje é compartilhar as experiências vividas na saída de campo do dia 21/05. Para, de certa forma, reviver aquele momento recorremos às fotos. O silêncio observante ora é quebrado por pequenos comentários ou risos. Assim como a visualização das fotos gerou diversas sensações em mim, creio que assim tenha sido para todos aqui presentes, ainda que as sensações tenham sido diferentes.
Em seguida o Felipe solicita a todos que escrevam em uma folha uma palavra que sintetize o que ficou da vivência em campo. Enquanto as pessoas pensam e escrevem, uma das alunas do PEJA faz um convite para todos os presentes para almoçarmos na casa dela no próximo domingo.
Após escreverem, o Felipe inicia falando o que a saída significou para ele e em seguida, voluntariamente, as pessoas começaram a falar sobre suas experiências: coincidência ou não, os alunos do PEJA iniciaram as falas.
“Eu adorei.”
“Eu fiquei encantada, mas quando eu vi aquele lixo eu fiquei horrorizada.” “Amizade.”
“Emoção, depois de tantos anos fazer um passeio desses!” “Um segurando na mão do outro, pulando aquele rio.”
“Pela idade nossa (aluna do PEJA) e a idade de vocês, normalmente é tão separado.” “Igualdade. Todos tem conhecimentos e saberes diferentes. Todo mundo se sentiu igual.” “Amanhecer. Chegamos mais inibidos, amanhecer junto com o dia, hoje já senti todo mundo mais próximo. Amanhecer, despertar.”
“Bom. Tinha coisa que não tava muito boa por causa da sujeira, mas tava tudo muito bom.”
“Escolhi a palavra A, eu não tinha entendido, mas era água, começa com a e termina com a, água é vida. Ah Felipe... eu não tenho nem palavras...”
Aqui vale uma observação, já que esta aluna ao falar sobre sua experiência se emocionou, o que culminou em lágrimas.
“Entusiasmo. Vontade de viver.” “Diversidade.”
“Integração. Entre faixas etárias, com o ambiente, em vários aspectos.” “Simplicidade. Entusiasmo de viver mais simplesmente.”
“Novidades. No sentido de coisas novas. A gente fica muito na academia e fica muito duro com a ciência, e ela não é nada dura. Falei de paleontologia com outras pessoas.”
“Surpresa. Como uma coisa tão simples, uma saída de campo, ter tanta coisa. Surpresa também de ver que o homem não dá valor ao meio ambiente.”
“Revelador. Na verdade porque eu só fui perceber a proposta do seu trabalho quando estava acabando. E... não é que dá certo!”
“Nos que somos estudantes temos muito objetivos, e lá eu não tinha objetivo específico.” Quando a gente saí sem objetivo específico a gente não saí em busca dele.
O que o Close quer com isso? Mas vamos lá, vamos ver... “Foi muito melhor do que eu pensava.”
“Eu nunca pensava que na minha idade eu ia fazer um passeio desses.”
“Apaixonante. Porque vocês todos são pessoas apaixonantes, dentro de um ambiente que por si só, mesmo que degradado, é apaixonante. Compartilhar conhecimento, compartilhar carinho, compartilhar conversas.”
Depois que todos falaram o Felipe leu uns trechos do caderno da Dona Célia e em seguida recapitulamos coletivamente o passeio.
- Encontro na Unesp – ônibus; - Margaridões;
- “As costas da Unesp”;
- Contraposição – Unesp infra-estrutura / bairro bem pobre; - Formigas (Carlão);
- Nascente – importância da água; - Borboletas;
- Voltamos pelo mesmo caminho; - Ossada (Perdido e Salsicha);
- “Eu tava perguntando sobre dinossauros, e ele falou que eles vêm diminuindo, né; até chegar nos pássaros.” ;
- “Muito bem explicada a resposta deles”;
- “Não sei quem falou do japonês que congelou a água e escreveu as palavras amor e ódio, eu não me lembro agora, mas falou que é semelhante com a música.”
- Eucaliptos de um lado e o córrego bem mais poluído;
- “Emprestei a bota, mas algumas pessoas foram mais inteligentes e providenciaram uma ponte, foi um momento bem legal.”;
- Passamos pelo túnel de margaridões e chegamos na área do Girassol; - “Entramos em área proibida.”;
- Garças pousando;
- Comeram frutinhas não comestíveis; - Ninho de coruja;
- Depois que saímos do Girassol encontramos a boiada; - Cerca onde o córrego fazia a curva;
- “Eu já fui de fazenda, eu tocava boiada, montava em cavalo.”; - Depois chegamos no horto... pegamos carrapato;
- Comemos um monte.
Close recolhe as palavras escritas.
Reunião dos grupos (verde, azul, branco e vermelho).
Redistribuição dos grupos (deixa-los com números mais similares de integrantes). Leitura da Fábula (Esopo)
“Assim como as pessoas que se submetem ao que não conhecem, logicamente, fracassam.”
Revelação da proposta – escrever uma fábula para crianças com base na nossa vivência. - Cada grupo vai ser responsável por criar um personagem da fábula;
- Para iniciar – materiais na mala;
- Fazer um histórico, falar um pouco dele e fazer um desenho.
Inicia-se a distribuição dos materiais e conforme vão pegando vão naturalmente interagindo com os mesmos (olhando, fazendo barulho). Há instrumentos musicais, enfeites, brinquedos.
Uma acaricia um fantoche de leão, outro faz soar o tamborim, um terceiro se concentra nos malabarismos do boneco de madeira. Em círculo uma estrela de retalhos é manuseada e passada por diversas mãos. Agora as pessoas, nos grupos, mexem nos objetos enquanto conversam também.
“A senhora desenha bem?”
“Você sabe Jack, você vai desenhar!”
“Então ele é do tamanho de um bem-te-vi?”
“E a cauda dele, como a gente faz? Longa? Curta?” “Mas inventa um nome pra ele.”
“Ele vai ter camiseta ou não?” “A gente podia fazer um rio aqui.” “O galho é... vou pintar de marrom.” “Quer sentar mais perto aqui?”
O Zequinha e o Paulinho precisam sair (acho que deu o horário deles). As mãos se intercruzam em um único cartaz.
“Vendo isso aqui, você consegue pegar outra característica dele, sem ser o topete?” “Mas ele não é mais um Tie-sangue.”
“A gente podia passar essas características pra ele, o que vocês acham?” “Ele ta em fase de construção” (risos).
O lápis faz os contornos, ao passo que o giz preto apertado com força sobre a cartolina caracterizam o pêlo do personagem, inspirado no boneco. O rosto é branco. Dois tons de giz, pintam, através de mãos distintas.
Os grupos interagem trocando materiais.
Lápis, giz laranja, um pincel sendo limpado, uma grande nuvem. Na arte... muitos encontros.
Criação coletiva.
“E aí, a gente ainda não decidiu a cor da camiseta do macaco.” “O sol vai aonde?”
“Ah... é verdade. Aqui então?”
“Tinha que desenhar o Ipê-branco, né?” “Que cor que a senhora acha?”
“Não sei, vocês que sabem, vocês que são os professores que sabem.” “Agora a gente tem que desenhar o que o esgoto ta fazendo aqui”. “Aí meu Deus, tá tão feio na foto, vai pôr aqui também?” (risos). “Ó, acho que assim tá bom.”
“Aqui é o lado bonito, ai chegou a cidade, a poluição...” “Pra ficar laranja?”
Aos poucos os grupos vão concluindo seus desenhos, as pessoas brincam com os instrumentos, conversam, se arrumam para ir embora.
“Parece um pato.”
“Eu amo isso aqui (referência ao instrumento), quando eu vou para a Bahia eu fico trazendo essas coisas.”
Iniciam-se as apresentações dos grupos.
O primeiro grupo inicia fazendo um grande som. O personagem é um índio. Raoni Juruna é o seu nome;
Macaco Mique, que nasceu da estrela. Tiara mágica que permite falar com outros seres. Protetor da Natureza;
Saravá. Ser ecológico, espanta maus espíritos. Tem topete avantajado. E tem esse nome bem brasileiro, Saravá!
Algodonilde. É uma nuvem, tem várias formas, está em todos os lugares. Cada um pode ver alguma coisa. Se recicla. Está sempre presente. Traz chuva, sombra. Guiada pelo vento.
Relatos da experiência vivida
Ao final da excursão, pedi aos participantes que registrassem a experiência e me disponibilizassem posteriormente. Para manter-me fiel aos relatos, transcrevi integralmente os documentos, preservando a ortografia original. Agradeço a todos que empenharam tempo na tarefa dessa escrita. Tenham certeza de que estes relatos são de suma importância para a constituição do trabalho e para a minha formação profissional e pessoal.
Os seguintes relatos foram-me entregues:
N. C. M. - educanda do PEJA
Rio Claro 26 de maio de 2009
Felipe gostei do passeio gostei da nacente gostei das vacas gosei da copania grupo gostei da sua namorada gosei da Maria Roza gosei das Flores gosei do Picinique
D. S. P. - educanda do PEJA
Tema: Trabalho de campo realizado no dia 21 de maio.
Nos reunimos em frente da portaria da Unesp na avenida 24 e saímos para o 1º ponto por volta das 8 hs.
Descemos do ônibus próximo ao bairro pé no chão, começando a caminhada e já vendo os pés de margaridão, muito capim, árvores pequenas, coqueiros, samambaias, taboa, e brotos verdes nascendo da grama queimada, encontramos também um formigueiro quen-quen explicado pelo professor que se alimenta de fungos.
Logo após chegamos ao corrégo Bandeirantes. Lá o professor explicou a importância da mata ciliar, pois quanto mais verde melhor para a qualidade da água. Enquanto fazíamos a trilha encontramos bananinha do brejo explicado pela D. Célia. Vimos várias teias de aranhas.
As 9 hs e 10 m chegamos a nascente do córrego, lavei a mão e tomei um pouco de água fresca. A água é o nosso remédio feito pelo nosso Criador.
O japones que não lembro o nome congelou água e escreveu Amor e ódio e fotografou e viu diferença. Seguimos a nascente, atravessamos o córrego, seguimos em frente passamos pela estrada, encontramos uma ossada de animal – qual era não sei. Vamos entrar na floresta. Vimos muito verde, eucalipos, garça, anu branco anu preto e borboleta.
A explicação do professor foi: os dinossauros de ontém são os pássaros de hoje. Foi explicado pelo professor Felipe a situação das águas do rio, com muito lixo nas suas margens. Perto dali vimos pé de pimenta rosa em cachos muito bonita, sapo no brejo e vacas pastando.
Foi comentado sobre a plantação de mandiocas que vem da Agávia e outra árvores.
Por volta de 12 hs e 10 m chegamos ao Ribeirão Claro e vimos muital libélulas rosa e azuis, borboletas lindas, pés de goiaba e de ameixa.
O trabalho de campo terminou por volta das 13 hs com um gostoso piquinique. Foi um passeio muito bom, bem aproveitado em contato com a natureza na companhia do professor
Felipe, Maria Rosa, os funcionários Paulinho e Zequinha, demais alunos da Unesp e amigos do Peja.
M.L.B.H. - educanda do PEJA
Rio Claro 21 de Maio 2009
São 7,30 da manhã, pegamos um onibus, em frente a Unesp e fomos conhecer a nascente, do Rio Bandeirantes e foi muito belo, pois ali nasce, uma água transparente que dá até para beber + ou – 500 metros de água cristalina mais depois vem a poluição de pessoas e governo que abandonaram o rio.
Jogando muito lixo e esgoto que desembocam no Rio.
Mas assim mesmo foi uma passeio muito gratificante pois existe muita coisa boa muitas flores, árvores e um trabalho dos alunos em plantar e conservar a areia.
E este Rio desemboca no Ribeirão Claro.
Lá fizemos um piquinique com todo o pessoal foi muito bom para nos do peja pois pudemos ver que ainda existem jovens estudantes preocupados com a natureza e que se ouver união podemos mudar o nosso planeta.
Agradeço a Deus e aos alunos que nos proporcionaram a nos do peja este passeio maravilhoso.
S. R. A. - educanda do PEJA
Rio claro 25 de maio 2009
Estudando sobre o Ribeirão claro. O que nós apredemos com este Trabalho e com os alunos da Unesp.
Agua. quanto é importante este liquido para o seres vivente deste planeta. O que: faremos para conserva este tão precioso tesouro.
não. poluir os rios jogando lixo.
O que sera de nós da que a 50 anos quando não tera mas agua. si ela é tudo em nosas vida.
Árvore. como conserva a mata verde.
e ela que que nos da o ar que respiramos o oxigênio. dela temos a sombra, o alimentos para os pasaros. da nosos frutos
Terra. como esta o planeta terra.
Hoje nós vimos como a terra esta cada dia menos saudavel.
nos tempo antigo dizer que, para carregar um cacho de Uva era preciso 2 homes.
hoje a terra esta toda poluida com veneno. Fabrica que derama suas rezena material. ospetalas. lixo. animais mortos.
O. V. G. G. C. - educanda do PEJA
Rio Claro 21/5/2009
Hoje o professor Felipe, e seus colegas de curso fomos ao campo.
Lá no meio do mato, ele nos mostrou a nascente de um rio, fiquei encantada com a água limpída que saia da bica.
Bebi a água pura e gostei, depois passamos pelo riacho que estava se formando e a água nesse lugar estava transparente.
Logo adiante, fiquei horrorizada com o lixo que estava acumulado. Felipe nos explicou que a mata ciliar segurava o lixo por isso ela é imprescindível no rio.
Logo depois, percebemos que a poluição já estava na água pois o cheiro era horrível. Mais adiante chegamos onde ele já é o Ribeirao Claro já poluído e ai fizemos um ótimo lanche.
L. M. M. - educanda do PEJA
Rio claro, 26-05-2009 Passeio no horto.
Felipe, foi muito bom passar uma manhã com você e todos que participou do passeio, foi muito agradavel, conheci lugares diferentes fiz novas amizades, conheci partes da natureza que ainda não conhecia.
Mas fique assustada com a poluição do rio causado pelo homem. Que podemos fazer para melhorar nossos rios?.
Felipe gostei tambem do piquinique na beira do rio foi muito bom, pena que acabou logo, que bom seria se todos vivece unidos como vivemos naquela manhã.
Não haveria tantas violencia no mundo.
Felipe, quando tiver outro passeio pode contar com migo.
L. G. S. - biólogo em formação
Para mim, esse trabalho de campo foi muito significativo, primeiramente por poder estar em contato mais próximo do ambiente natural e ao mesmo tempo com meus amigos e amigos de meus amigos, em um clima totalmente amistoso. Segundo, por poder presenciar alguns fenômenos simples, mas ao mesmo tempo tão distantes de nosso cotidiano tão corrido e conturbado, como estar numa nascente de um córrego, avistar borboletas em descanso, infelizmente também pude constatar que a degradação ambiental devido a ação antrópica ainda é uma dura realidade, mesmo no século XXI, quando o apelo midiático a favor da preservação ambiental se faz cada vez mais presente. Foi ótimo quebrar a rotina e realizar esse passeio tão simples e tão encantador, mesmo como futuro profissional atuante nas ciências biológicas eu não imaginava que tal atividade pudesse causar esse impacto no processo de aprendizagem, recomendável a qualquer idade.
A. C. - bióloga em formação
Um olhar sobre a vivência (21/05/09)
Acordei mais cedo do que de costume. A manhã era bastante fria, mas a neblina já indicava o dia de sol que estava por vir (e que realmente veio). Como minha bike estava quebrada, fui a pé.
O encontro, um ambiente familiar: a portaria principal da UNESP. Rostos familiares, uns de longas histórias, outros do encontro anterior. Muitos transeuntes, um mesmo distino: a Universidade.
E nós? Uma fusão, num rumo diferente. Vamos percorrer, juntos, o caminho das águas, águas de um córrego... poluído. Experimentar a troca, ver que gosto tem.
Um propósito: entrar em contato com a natureza e a partir dela possibilitar diversas reflexões. Para mim, o propósito é pano de fundo de uma cena, a qual é realmente o foco da minha atenção.
Entre verde, lixos, água e margaridões há caminhos. Seguimos para a nascente. Nascimento! No caminho muitas conversas, muitos saberes. Da formiga, do nome da planta, da mata ciliar, dos cílios que protegem os olhos, da importância da água, das borboletas que descançam reunidas, do processo de fossilização, de que próximo daqui já foi mar, que “o sertão vai virar mar”, do canto do pássaro que não pousa em árvore porque é de chão, do carrapicho que além de fruto é “amor de velho” porque gruda e não desgruda mais, do feijão de corda, do adubo verde, do cupim do Boi que deve ficar bastante tempo na brasa, da folha de eucalipto que faz sabonete... infindáveis conhecimentos corriqueiros.
Eu me atenho às imagens, registro o momento na perspectiva do meu olhar. E o que registro? A fusão de opostos: o lixo e a natureza, o humano e o lixo, o humano e a natureza, o velho e o novo, os humanos. Não será então tudo uma coisa só? Nos seus mais diversos momentos?
A cada momento uma observação, uma sensação, um pensar novo... tantos que não cabem no tempo, trancendendo para a vida, para muito além do momento. Ainda repercurtem, e talvez nunca deixem de repercurtir. Somos o que vivemos? O que experimentamos? O que queremos? O que pensamos? O que executamos? Somos... únicos e múltiplos, diferentes e similares, razão e emoção, saberes e desconhecimentos, construção e destruição. Somos a natureza e o lixo, a água e a poluição.
Um dia de apreciação. O pretexto: apreciar a natureza, perceber como ela vem sendo transformada. Os desdobramentos: apreciar o descobrimento do outro, das interconexões de vivos e não vivos, do outro como extensão do eu.
E afinal, que gosto tem?
… é “multi-sabor”.
V. J. G. - bióloga em formação
Experiência da Saída de Campo
Para mim, além de ter sido uma saída agradável, devido à integração dos participantes, tanto alunos do PEJA quanto dos convidados, foi um momento interessante e produtivo.
Isso se deve, em parte, ao percurso escolhido, num local que não é muito visitado, com ação antrópica, mas que também preserva um dos “berços” de vida, que é uma nascente, onde foi possível observar, seguindo-o, devido ao homem, um pouco de perda dessa vida, até chegar onde deságua, num rio que abastece nossas residências.
Outro ponto relevante foi todo o envolvimento que esse percurso proporcionou aos participantes. O interesse dos alunos do PEJA em aprender, ao mesmo tempo que tinham diversas experiências e histórias de vida; a presença de universitários com diversidade nos campos de atuação e conhecimento tornou a atividade mais interativa e interdisciplinar num exercício prático e num meio heterogêneo, de modo que, para mim, caracterizou num momento mais completo.
Além disso tudo, especificamente para mim, foi importante ao fato de ser uma atividade que saiu um pouco do aspecto muito científico e acadêmico que estou acostumada a presenciar, tornando mais interessante ainda.
D. D. A. - biólogo em formação
Para mim, a saída de campo do TCC do Felipe não foi só um encontro de saberes, uma troca de conhecimentos e percepções. Além disso, foi uma troca de carinho com todos, uma vez que rapidamente se desenvolveu um ambiente familiar, entre pessoas que possuem a sabedoria de que somos todos irmãos dentro de uma grande família humana.
O percurso da nascente do córrego dos bandeirantes até sua foz no Ribeirão Claro, por ser bastante impactado por ações humanas, me chamou novamente a atenção para o fato de que a nossa geração tem uma responsabilidade imensa no que diz respeito a resgatar a qualidade ambiental necessária à nossa sobrevivência e a de toda a comunidade de vida em nosso planeta. E quantas são as milhares de macro e micro-causas da nossa situação atual, desse processo de degradação ambiental, social e cultural!
Cabe a nós identificar as causas e combatê-las, para que o amor à vida e ao próximo não se perca. Para que a água potável não seja motivo de guerra. Para que nossos filhos tenham perspectivas de um futuro saudável em todos os sentidos.