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BÖLÜM 4: GENÇLERDE ANOMĠ VE YABANCILAġMA

4.1. Anomi ve YabancılaĢma Kavramları

53 COUTINHO, Aldacy Rachid. A autonomia privada: em busca da defesa dos direitos fundamentais dos trabalhadores. In: COUTINHO, Adalcy Rachid. et al. Constituição, direitos fundamentais e direito privado. Ingo Wolfgang Sarlet (Org.). 2.ed. rev. e ampl. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2006, p. 183.

54 FACHIN, Luiz Edson; RUZYK Carlos Eduardo P. Direitos fundamentais, dignidade da pessoa humana e o novo Código Civil: uma análise crítica. In: COUTINHO, Adalcy Rachid. et al. Constituição, direitos

fundamentais e direito privado. Ingo Wolfgang Sarlet (Org.). 2.ed. rev. e ampl. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2006, p. 67.

55 BONAVIDES, Paulo. Curso de direito constitucional. 19.ed. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2006, p. 564

A doutrina usa posicionar os direitos humanos na perspectiva das dimensões de direitos e estabelecer uma classificação didática a fim de identificar o aparecimento dos principais direitos do homem ao longo da história.

Na verdade, a primeira sistematização surgida acerca dos direitos fundamentais foi feita sob o epíteto de “gerações” por Karel Vazak, em 1979, na aula inaugural que realizou em Estrasburgo, no Instituto Internacional dos direitos do Homem. O estudioso que ganhou grande notoriedade ao divulgar essa sistematização foi Norberto Bobbio56.

Ressalte-se que tal classificação dos direitos humanos em gerações não traz em si a idéia de uma geração de direitos excluir a anterior, pelo contrário, a geração seguinte vem para ampliar o rol de direitos da anterior. As gerações de direitos humanos vão se aglutinando e não se sucedendo, pois ainda que alguns direitos estejam acentuadamente presentes em determinado paradigma de Estado, outros direitos característicos de todas as gerações são encontrados, ainda que em grau menor, em todos os tipos de Estados; daí a preferência doutrinária por “dimensões de direitos”.

O que se busca ao estudar as gerações de direitos humanos é demonstrar que elas estão direta e intrinsecamente ligadas ao desenvolvimento dos três paradigmas de Estado de direito. Curioso notar que há a presença acentuada de direitos humanos de primeira geração no Estado liberal de direito, de direitos de segunda geração no Estado social de direito e de direitos humanos de terceira geração no contexto de crise do Estado social.

Assim, ao estudar os direitos humanos de primeira geração, notamos que correspondem aos direitos de liberdade, têm como ator principal o indivíduo e a vertente assumida pelo Estado de direito é a liberal57.

56 DELGADO, Gabriela Neves. Direito fundamental ao trabalho digno. São Paulo: LTr, 2006, p. 57.

57 LENZA, Pedro. As transformações do Estado e a multiplicação dos direitos. In Teoria Geral da Ação Civil

Bonavides diz que o “gênio político francês”, através da Revolução do século XVIII e, consequentemente, da Declaração dos direitos do Homem, “profetizou a seqüência histórica gradativa de sua institucionalização: liberdade, igualdade e fraternidade”58.

Fazendo-se uma analogia aos três ideais declarados na Revolução Francesa, de 1789, os direitos de primeira dimensão seriam os direitos de liberdade; na segunda dimensão estariam os direitos de igualdade; e na terceira dimensão encontraríamos os direitos de fraternidade.

Outros documentos históricos constituem marco da caracterização e institucionalização dos direitos de primeira geração, todos marcadamente elegendo a liberdade como valor principal. São eles, dentre outros:

a) Magna Carta de 1215, assinada pelo rei João ‘sem terra’; b) Paz de Westfália, em 1648; c) Habeas Corpus Act, de 1697; d) Bill of Rights, de 1688; e) Declaraçao Americana, de 177659.

Como dito, a primeira geração de direitos pode ser identificada como direitos de liberdade, civis e políticos. Surgiram num progressivo movimento de constitucionalização dos direitos inseridos nas Cartas constitucionais de diferentes Estados, nos fins do século XVIII, permanecendo e se difundindo nos séculos que se seguiram.

As principais características dessa dimensão de direitos são o enaltecimento do individualismo e a oposição à atuação do Estado. Segundo Hesse, “os direitos fundamentais almejam a criação e manutenção dos pressupostos elementares de uma vida na liberdade e na dignidade humana”60.

58 BONAVIDES, Paulo. Curso de direito Constitucional. 19.ed. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2006, p. 562.

59 LENZA, Pedro. As transformações do Estado e a multiplicação dos direitos. In Teoria Geral da Ação Civil

Pública. 2.ed. rev. ampl. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 2005, p. 22. 60 BONAVIDES, op.cit., p. 561.

Essa primeira dimensão de direitos guarda duplo viés. Enseja uma postura negativa do Estado ao criar uma obrigação de não fazer ou abster-se da prática de atos que impeçam o exercício livre dos direitos civis e políticos, o que se refere, portanto, a não legislar e praticar atos contrários a este direito. A postura positiva exigida é no sentido de uma ação do Estado para viabilizar e proporcionar a todos o exercício de direitos mediante políticas públicas.

Ainda Bonavides, referindo-se a Carl Schmitt, acerca dos direitos fundamentais mesmo sem vinculá-los à concepção de Estado liberal de direito, define-os como absolutos e que somente podem “ser relativizados de forma excepcional dentro dos critérios da lei. Assim retrata com exatidão o caráter dos direitos de primeira geração, ou seja, direitos do homem livre e isolado, que os possui em face do Estado”61.

Os direitos de primeira geração são formalizados também pela distinção entre o público e o privado na medida em que impõem uma “internalidade” constituída pelo espaço intocável de atuação do indivíduo. Mas também uma “externalidade” diante da característica de se dirigirem ao Estado, a ele impondo limites e exigindo seu respeito pelas liberdades negativas do sujeito de direitos62.

Realmente os direitos fundamentais no contexto do Estado liberal de direto são nitidamente de oposição. São direitos contra esse Estado que ocupa um lugar passivo e cujo poder deve ser limitado em salvaguarda da liberdade dos indivíduos.

José Carlos Vieira de Andrade assim delineia esse momento:

Nessa época em que o Estado era concebido isoladamente no espaço social e político, e a Sociedade e o Estado eram considerados dois mundos separados e estanques, cada um governado por uma lógica de interesses própria e obedecendo, por isso, respectivamente, ao direito privado, ou ao direito

61 BONAVIDES, Paulo. Curso de direito constitucional. 19.ed. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2006, p. 561.

62 FACHIN, Luiz Edson; RUZYK, Carlos Eduardo P. Direitos fundamentais, dignidade da pessoa humana e o novo Código Civil: uma análise crítica. In: COUTINHO, Adalcy Rachid. et al. Constituição, direitos

fundamentais e direito privado. Ingo Wolfgang Sarlet (Org.). 2.ed. rev. e ampl. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2006, p. 91.

público, não admira que os direitos fundamentais pudessem ser e fossem exclusivamente concebidos como direitos do indivíduo contra o Estado63.

Em relação ao sujeito de direito havia uma relação de pura igualdade, outro pilar típico do Estado liberal. Mas essa igualdade era perante a lei e sem qualquer pretensão de o ser na esfera substancial, ou seja, limitava-se ao âmbito formal.

Segundo Fachin e Ruzyk, ainda que a igualdade se esgotasse em uma dimensão formal, ela era a “proclamação discursiva que constituiu avanço inegável em relação à divisão estamental vigente durante o medievo e, mesmo no início da modernidade, não era mais apta a produzir igualdade fática por si só”64.

A igualdade substancial seria brevemente buscada ao se constatar a inaptidão do Estado liberal de direito de regrar a sociedade e seus problemas, caso mantivesse seus elementos caracterizadores imutáveis. No âmbito jurídico, principalmente, começou-se a buscar uma posição mais ativa do Estado para que a igualdade fosse substancialmente realizada.

De fato, a igualdade sob o foco de seu conteúdo material e seu valor axiológico passou a ser demandada em detrimento de sua existência apenas formal. Os indivíduos são iguais perante a lei? Essa máxima passou a expressar uma mera formalidade, pois o sujeito começou a perceber que tinha características peculiares que o diferiam do outro e era nesse aspecto que a igualdade deveria ser buscada.

Notadamente nas incipientes relações trabalhistas, o princípio da igualdade começou a ser entendido como fundamento da dignidade humana. Em momento posterior isso implica a

63 ANDRADE, José Carlos Vieira de. Os direitos fundamentais na Constituição Portuguesa de 1976. 2.ed. Coimbra: Almedina, 2001, p. 239.

64 FACHIN, Luiz Edson; RUZYK, Carlos Eduardo P. Direitos fundamentais, dignidade da pessoa humana e o novo Código Civil: uma análise crítica. In: COUTINHO, Adalcy Rachid. et al. Constituição, direitos

fundamentais e direito privado. Ingo Wolfgang Sarlet (Org.). 2.ed. rev. e ampl. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2006, p. 91.

proibição de qualquer tratamento discriminatório, porque aos indivíduos seriam garantidos direitos iguais e com os mecanismos necessários para sua efetivação.

Assim, nas palavras de Maria Celina Bodin de Moraes:

Logo se iria verificar, contudo, que essa espécie de igualdade, exclusivamente formal, era insuficiente para atingir o fim desejado, isto é, não privilegiar nem discriminar, uma vez que as pessoas não detêm idênticas condições sociais, econômicas ou psicológicas65.

Em síntese, no Estado liberal de direito a explicitação de sua conjuntura nos contratos de trabalho se dá pela prevalência do direito privado e dos princípios da liberdade e da igualdade. O contrato é encarado erroneamente como fenômeno economicamente neutro gerando, na verdade, uma falta de liberdade.

Essa inversão é assim explicada por Ubillos:

Isto acontece quando, de um lado, uma das partes não tem outra alternativa senão aceitar uma proposta ou condições unilateralmente. É evidente, por exemplo, que o estado de dependência econômica do assalariado o obrigaria muitas vezes a aceitar as condições impostas por seu empregador no contrato individual de trabalho. Nesses casos, a desigualdade se converte em falta de liberdade66.

Dessa forma, a necessidade da igualdade substancial e da criação de uma liberdade real que não escravizasse sob o signo de libertar pressupunha a negação da concepção tradicional

65 MORAES, Maria Celina Bodin de. O conceito de dignidade humana: substrato axiológico e conteúdo normativo. In: COUTINHO, Adalcy Rachid. et al. Constituição, direitos fundamentais e direito privado. Ingo Wolfgang Sarlet (Org.). 2.ed. rev. e ampl. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2006, p. 120.

66 UBILLOS, Juan María Bilbao. ¿En qué medida vinculan a los particulares los derechos fundamentales?. In: COUTINHO, Adalcy Rachid. et al. Constituição, direitos fundamentais e direito privado. Ingo Wolfgang Sarlet (Org.). 2.ed. rev. e ampl. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2006, p. 303. (Tradução livre nossa: Esto sucede cuando, de hecho, una de las partes no tiene más alternativa que aceptar una propuesta o unas condiciones dictadas unilateralmente. Es evidente, por ejemplo, que el estado de dependencia económica del assalariado le obligaría muchas veces a aceptar las condiciones impuestas por el empleador en el contrato individual de trabajo. En estos casos, la desigualdad se convierte en falta de libertad).

do Estado liberal. Inicia-se uma nova fase na história denominada de Estado social de direito, que será estudada no segundo capítulo.